22 de set. de 2008

Sempre prefiro do meu jeito

Estamos em guerra, juro que estamos em guerra. Consegui ver mais de mil soldados vindo em minha direção, mas que erro eu cometi? Acho que deixei minha boca dormente por muito tempo e me apaixonei por estados avançados da minha mente. Acho que eles encontraram meu caderno de idéias pessoais e acabaram por descobrir mais um louco, mais um tirano escondido. Estão lutando a favor da democracia, mas nunca me perguntam se eu realmente quero comer peixe no almoço. Nunca perguntam se a temperatura do ar está realmente boa, se quero passar frio ou ficar suado. Escuta-me só por hoje e me faz ter razão. Não quero me sentir sozinho e vou colocar o rádio no último volume, vou perturbar todos os vizinhos com as minhas músicas estranhas que não falam sobre assuntos agradáveis.


Bailarei sozinho a minha loucura e acordarei longe de casa, uma outra cidade, um outro estado. Quero estar longe de você e vou estar perto somente de mim mesmo, sem conselhos, sem assuntos a interferir a minha maneira de escalar esses montes. Não está dentro de mim essa vontade de viver ao seu lado, está na sobriedade chata que sou obrigado a viver. Se eu gritasse, possivelmente, meia dúzia iria se assustar, por isso me mantenho calado.


Estou bem, estou bem mesmo. Não quero que se preocupe, não é uma overdose de mim mesmo, é só a vontade não amar ninguém por hoje. É a vontade dançar sozinho em casa, comemorar o nada e me revelar mais amigo meu do que teu. Cansei de ouvir o telefone tocar, cansei de ouvir sempre as mesmas coisas.


No escuro eu me perco e não tenho pretensão alguma de me encontrar, não gosto de vírgulas, elas prendem demais a minha respiração e meu nariz já não acompanha mais tão bem a minha vontade de respirar. E freqüento lugares que te assustam. Sua mãe não vai me querer, não quero ela também. Quero ser eu mesmo e mais nada e não vou sentir mais saudade. Cansei de me machucar, cansei de ser aquilo que você deseja, cansei de investir naquilo que não vai vingar, cansei, cansei e cansei.


Nos dias de frio eu bebo chá

Água de coco quando esquentar

Afundo meu pé na areia

Hoje eu vou me amar


Esqueço-te quando escrevo seu nome

Sei que você não gosta das minhas cenas

Pareço um perdedor para me odiar

Me odeie

Hoje não é com você que quero caminhar


Viajarei entre as mesmas linhas

Deixo em branco o meu caderno

Tenho esperança

Que no final de tudo isso

Ainda vou ter algo para contar.



Leonardo

São muito largos esses seus passos

O relógio sempre marca a mesma hora e isso me irrita muito. Tanta coisa mudou e mesmo assim me pego na mesmice. É tão cômodo chamar esse dia de “segunda” e ainda escolher um mês para completar a data que estou vivendo hoje. Prefiro às vezes esquecer essa necessidade. Trabalharia aos domingos e folgaria na quarta, viveria na madrugada e dormiria durante o dia. Mas meus chefes não me deixam seguir da maneira que desejo. É tudo muito complicado para eles entender a ordem inversa da vida que desejo. Vou repetindo da maneira que todos gostam, não fico nada contente em parecer normal e usar essas roupas sem graça, mas tudo bem, me encontro em algum carnaval qualquer durante os finais de semana. À noite posso ser quem eu quiser ser, não sou herói de histórias em quadrinhos e muito menos sei qual é a minha função aqui. Reclamo menos e vou seguindo o manual de instruções, ser correto é tão chato.

Presto muita atenção para não perder o meu ônibus, é complicado acordar cedo e ter que esperar demais. Se eu perder esse, só depois de meia hora. Se eu me perder no caminho, pretendo, por hoje, não me encontrar. Quero descansar e ver o dia passar mais devagar e tenho calma suficiente para isso. Quem já viveu todo o dia de uma vida consegue facilmente acreditar que o dia vai passar e se não passar, tudo bem de novo, não espero enfrentar grandes filas por hoje.

Não vou achar um “porque” para nada e vou me embebedar logo cedo, me deixa ser moleque, me deixa ser quem eu quiser. Ambições eu tenho várias, mas vou mudando de opinião da mesma forma que eu mudo os canais da TV. Não sei me prender em nada que parece me consumir. Lógico que tenho vícios, mas esses são meus e não revelo para ninguém. Sou do jeito que a vida me montou, viciado nas mesmas coisas que a maioria das pessoas costumam estar viciadas.

Vencer na vida e ter um bom carro. Viajar no final do ano e ver alguns parentes. Quero ver o mar periodicamente também, assim como toda beleza natural que está indo embora. Quero me perder em jantares padrões. Amor! Vou trazer meus amigos do trabalho para jantar em casa essa noite. Vamos discutir tudo aquilo que não interessa saber no final da vida e sairemos na mão. Não quero concordar com ninguém, mas deixe a mesa pronta, eles não vão demorar.

Seres de um mundo padrão, quadrado, planejado, dentro de uma forma igual para todo mundo. Amigos por coincidência, colegas por necessidade. Vou comprar um belo presente de Natal para o seu filho e você vai me achar a melhor pessoa do mundo. Sou o melhor amigo do seu verão. Nosso capitalismo vai fazer mais sentido quando as prestações chegarem pelo correio. Nasci para isso e vou pagando o que consumo durante os dias que eu perco trabalhando.

Não vou vencer mais nada e serei qualquer um, serei o “fulano”. Alguém vai falar de mim, por bem ou por mal. Alguém vai se inspirar lendo algo que seja concreto e vai achar banal demais a tentativa quase que nula de se encontrar em algo do mundo que não lhe pertence.


Leonardo

Seu nome na areia, seu nome na minha cabeça, seu nome, seu nome e seu nome

Desisti dos cartazes! Não vejo mais motivo para dizer que amo uma pessoa. Deixa ela sentir, deixa ela gostar de tudo aquilo que eu faço sem querer. Gosto de tudo que acontece por a caso, sem querer, mesmo que querendo só um pouco, mas não quero nenhum carro de som gritando o meu nome, acho tão cafona isso tudo. Gosto de um “bom dia” bem dado e um sorriso matinal, talvez eu goste mais de você depois do almoço e mais ainda quando você me contar como foi o seu dia. Quero te amar assim, quero gostar de você assim, sem querer. Sem pressões, ok? Se eu não conseguir pegar essa próxima onda, o mar está agitado, vou na próxima e me equilibro nas sentenças mal feitas de um livro de poemas. Odeio o amor escrito, ele parece sempre tão clichê.


Venha comigo e vamos nos divertir, nossos dedos vão estar gelados, está tão frio. Essa variação de tempo acaba com o meu nariz e me deixa irritado, mas tudo bem! Tenho você para me animar com o seu ânimo adolescente, querendo abraçar o mundo com os seus braços que ainda não cresceram. Já fui assim, já vi o mundo da mesma maneira que você e não vou te julgar. Sonha hoje, vive amanhã e tenta ir sonhando no decorrer dos giros da Terra. O mundo não acaba amanhã e muito menos na semana que vêm. Vamos ter tempo suficiente para encher nossas cabeças com coisas novas e discutir cada frase nova que lermos nos outdoors das cidades onde vamos passar.


Se mesmo assim não sentir o amor que eu sinto, não vou saber o que fazer. Vou dormir e tentar acordar uma nova pessoa. Quem sabe assim eu não inove e renove tudo àquilo que você já está se cansando. Todos cansam e tentam esconder o seu cansaço com palavras decoradas. O amor se repete mil vezes em nossas vidas e vamos dizer que seremos únicos, completos e que nada vai no separar. Mentira! O tempo separa, a vida separa, os fatos separam, tudo separa. Esse é o ciclo normal de uma vida. Assim se conhece um sorriso novo e se encanta de beleza para beleza.


Já representei muito bem o mocinho de algumas histórias. Ganhei palavras bonitas e depois fui expulso do reino. Pego meu cavalo e embarco em uma nova jornada, não que seja necessário amar sempre e se perder sempre nesse labirinto semi- escuro que é o amor. A página não vai abrir, essa internet não vai acompanhar a minha linha de raciocínio e vou parecer repetitivo em todas as minhas frases, não sei mais o que dizer.


Mesmo assim, se quiser um amigo para conversar todos os dias antes de dormir, me ligue. Meu telefone não mudou e meu nome ainda é o mesmo. Sem erros e mudanças, sou aquilo que você já chamou de “querido” e quis para sempre. Acostumei-me com a sua falta de querer e me quis bem assim. Não vou me amar e dizer que é se amando que aprendemos a amar. Parece triste e solitário demais. Prefiro pensar que amanhã é um novo dia e que tudo aquilo que eu pedi um dia para vida, felizmente, vai acontecer.



Leonardo


14 de set. de 2008

Sobre uma curiosidade só minha e de uma coisa que não sai da minha cabeça desde ontem

Hoje eu consegui pensar em uma pessoa o dia todo, mas achei estranho. Não conheço teu rosto e não tenho idéia de como seja a tua voz. Por um estranho motivo que nem eu mesmo sei explicar. Te desenhei dentro da minha cabeça. Te fiz perfeita, completa e com todos os defeitos necessários para uma pessoa. Lógico que não pensei muita coisa, mas tenho um projeto de você.

Acho que sou mais um garoto tentando parecer legal, puxando assunto e falando de coisas interessantes. Essa é a minha maneira de ganhar pessoas para mim. Não para cuidar de uma forma exclusiva e sufocadora, mas que esteja presente sempre que for para cair na gargalhada. Rir de coisas idiotas e falar mal de todo mundo. Minha melhor amiga e ombro forte quando cair. Te ajudo a levantar também. Quero te ver de pé, sempre com a cabeça erguida e com várias idéias. Não mudaremos o mundo, já me cansei dessa idéia, mas que a gente sempre tenha algo interessante para fazer aos domingos. Podemos tomar um café e ver a semana começar ou vamos rir dos programas de auditório. Teatral, artístico, maquiados demais. Tenho certeza que alguns apresentadores são de plástico, não é possível, tem muita alegria no domingo a tarde. Eles te convencem que a segunda não é uma merda e que trabalhar é tão bom quanto fazer xixi quando se está muito apertado. Eu preferia ter comparado com algo de comer, mas com essa minha falta de fome, preferi apelar para algo que seja de humor apelativo.

Vou cruzar os vinte dedos que eu tenho no corpo, só para ver um recado seu me chamando para te conhecer. Quero te fazer sorrir por uma tarde inteira e ser for só isso, não vou achar ruim. Encostei no rosto que eu mais pensei, respirei e amei em cada segundo daquele momento. Amores são sempre clichês e as cenas vão sempre se repetir. Não ligo mais para isso e até acho engraçado essa forma que o mundo faz as coisas girarem. Seremos amor de muitas bocas que não sabem o que é amar. Acostuma-se, vira rotina e tudo sempre parece acontecer do mesmo jeito.

Segunda te vejo, terça te ligo, quarta a gente sai para jantar, quinta alguma coisa bem “light” e sexta você vem passar o final de semana comigo. Vai ser assim um dia, é assim com todo mundo, mesmo sem agendar, mas todo mundo cuida corretamente dos dias da semana e da necessidade de se amar um pouco dentro deles. Não acho errado, pois acho que as pessoas precisam sentir felicidade da forma que mais os agrada.

Idealizo, pois tenho muito tempo para idealizar o que eu bem entendo. Delicadamente, sei tudo sobre você. Não gosta disso e tenho certeza que gosta daquilo e vou dizendo tudo aquilo que os seus ouvidos sempre pediram para ouvir. Não treinei nada disso, talvez seja a minha criatividade forte, talvez seja a vontade de soltar tudo que está preso dentro da minha garganta. Ver um jardim florido de frente a você é quase um pecado, é realização de um sonho. Queria não te achar tão perfeita assim para mim.

Sou fraco e sempre acabo me apaixonando. Quando a curiosidade bate dentro de mim, nada tira isso da minha cabeça. E vejo vindo em minha direção em uma primeira vez. Está linda e deve ter pensado muito na roupa que iria vestir só para me ver. Um perfume para eu decorar o seu cheiro e seu sorriso que cabe muito bem em qualquer porta-retrato do meu quarto. Preparou-se como mulher só para me mostrar o seu rosto. Fico caído, bobo, criança e os meus olhos viciam em você. Não vou agüentar te ver só uma vez, não agüento esperar por uma segunda vez. O que vamos fazer? Será que ela gosta de filmes legais? Tanto faz para mim. Me encaixo muito bem em qualquer calçada perdida. Sento e tenho conversa para uma noite inteira e quando o sono bater, eu volto para casa. Amanhã eu preciso ser gente durante algumas horas.



Leonardo

Por que não tenho mais férias?

Acordei com quinze anos ontem, a piscina estava totalmente lotada de gente e eu não tinha nenhuma tatuagem no braço, talvez, tivesse menos vícios, manias e coisas estranhas ao me redor. Sempre me convenci que o mais simples é sempre o mais legal. E não nego gostar de tudo que não necessita tanto trabalho, sou preguiçoso assumido e tatuaria isso no meu peito. Eu adoro me enrolar como um casulo, pego os edredons e me escondo em meu mundo, só meu e que não cabe mais ninguém. Pô! A cama é pequena demais para dividir sentimentos calorosos.


Como era bom não ter conta atrasada e cartão de crédito. Como era bom não ter chefe e como era bom fingir estar doente, só para perder aquela porra de aula chata. Matemática, física, química. Jesus não estudou em colégios com essas matérias, porque neguinho ainda não tinha tido tempo de descobrir nada disso que a gente sabe hoje. Ele devia ser nerd, com muita certeza, daqueles que adora saber da vida da professora. Professores no colégio são inimigos mortais e sempre esperava que algum deles quebrasse a perna no corredor, só para ter um motivo sincero para voltar mais cedo para casa.


Não me preocupava com paixões, sempre queria gostar de alguém. Me apoiar na idéia que esse sentimento vai ser eterno e nada vai abalar uma relação entre duas pessoas que não sabem o que é a vida. E digo para todo mundo que eu ainda não sei e não sei quanto tempo vai demorar para descobrir se realmente estou pronto para viver uma vida adulta. Vou descobrir devagar, eu sei bem, coisas acontecem toda hora e fazem com que os nossos mundos mudem por completo. Nada é mais igual depois de uma coisa que te marca por dentro. Senti na pele uma mudança brusca na vida e precisei mudar algumas coisas e o que eu nem reparei, fez questão de mudar sozinho.


Preciso levar mais a sério a vida, não que eu seja um grande vagabundo, que leva tudo na brincadeira, mas pareço estar em férias mentais absolutas e me perco dentro de viagens loucas. Muitas vezes não me reconheço quando me assisto no espelho. Canto, danço e aquele não sou eu, de jeito nenhum! Como fui parar ali? Não faz sentido algum. Seriedade é um pecado muito chato e poucos deveriam cometê-lo, é chato demais.


Ser repetitivo é um dilema muito forte dentro dessa minha cabeça de alta rotatividade de loucura momentânea. Daqui a pouco eu volto e acho isso totalmente ridículo. Vou rir de mim mesmo quando estiver barbado de verdade. Como fui inocente demais, ou não?!


Vivo a vida no meu tempo e não controlo com relógio, eles só servem para te fazer chegar atrasado em tudo. Ele corre mais rápido quando estou tomando o melhor banho do mundo e sempre, pelo menos comigo, ele resolve andar rápido demais nos momentos mais legais. O que você ganha com isso? Quero ter mais tempo para viver as minhas histórias e ter o que contar sempre.

Leonardo