7 de jun. de 2010

#terradonunca - Segunda ocasião na Terra do Nunca

- Vê se não demora no banho dessa vez! Já está tudo combinado! Estarão nos esperando exatamente as dez para seis da tarde. De carro vamos até o sul da ilha. Não precisa de tênis, pode ir com uma roupa bem leve, tranqüila. Mas não exagere na calma dessa vez Peter! Temos hora para sair e não quero me decepcionar de novo com você!

Atirando o menino de frente para parede e exercitando o bom português para exigir a velocidade que o mundo deveria girar nos próximos instantes. Minutos mais extensos, por favor! Tenta não ir com tanta pressa Seu Relógio, não quero me perder e ver que à hora já passou e não levantou! Exercitou o corpo, esticou as pernas e quanto embarcava ao Planeta, por duas horas, até voltar à Terra do Nunca para encontrar os amigos de Sininho. Uns metidos, mas não teve escolha.

- Vou até em casa, tomo um banho e já passo para te encontrar! Espere-me, por favor! Sei que não tem a sua disposição todo tempo do mundo, mas preciso muita água sobre meu corpo. Seus amigos são uns idiotas mesmo, ninguém vai reparar a minha chegada sem classe, no meio perdido do nosso atraso. No coletivo! Chegaremos atrasados e ficamos no canto! Não vejo problema algum!

Não sei se ele percebeu que seu cérebro pensou e sem querer, ele disse! Ele falou tudo que não precisava, ali no final. Batendo na bandeira do escanteio, ali no canto. Correu, vai bater, faz o mais difícil e chuta para fora! Tudo bem! Deve estar nervoso, só pode estar nervoso mesmo! Normal nessa idade! Cruzou os dedos e pediu para Deus que voltasse a fita dois minutos. Disse que mudaria duas ou três frases, ou se não, ficaria calado, balançava a cabeça, dizia um “sim” e pronto! Voava!

- Não entendi direito o que você acabou de dizer, tem como você desenhar ridiculamente suas últimas palavras? Vou sozinho cara! Vou sozinho e você volta sozinho no seu caminho, por aí! Não me importo mais com você nem um mísero pouco! Pisou na bola seu vacilão! Faça as coisas somente quando for te agradar também! Aprende! Acha que sabe, mas não sabe de nada mesmo!

A menina de verde virou as costas, olhou de canto de olho, abriu suas asas e partiu. Foi pensando em cada palavra, analisando a causa de cada uma dela que aparecerá ali, sem razão, em uma ocasião não apropriada. Esperava se divertir somente e pensava estar agradando Peter, que por sua vez, vacilou demais! Ninguém iria avisar ali que meninos são assim mesmo, atrapalhados, encantados, vislumbrados, mas também não tão bem preparados assim. Eles erram! Todos erram! É um estranho bem comum, padrão, mas se encontra em todos os tamanhos. Ninguém está imune. Tem vacina para qualquer doença. Gripe, H1N1, enfim! Mas errar é inevitável nessas condições do tempo, ainda mais ai, onde todos são crianças!

A menina continuou voando por quatro horas, não foi ver os amigos. Voou para outro lugar, foi se encontrar, sem importar com companhia naquele momento. Queria reclusão, exclusão social momentânea. Precisava pensar, passava cena atrás de cena e não encontrava um denominador comum para encaixar em todas as expressões soltas naquele momento. E ela foi até o alto da montanha, do lado das pedras, com barulhinho de água passando ali embaixo. Cuidado se estiver apertado, mas se não, é um bom lugar para ver as estrelas e encaixar cada peça.

- Maldito menino! Maldito menino! Por que ele disse aquilo? Por que ele pensa assim? Cadê o encanto? Por que sou obrigado a sentir essa sensação assim? De graça? Que sem graça coração! Que sem graça você, Senhor Coração! Mas sabe o que é pior?! Hein?! Você sabe qual a pior coisa de tudo isso? Eu gosto dele, sabia? Não tenho coragem de dizer olhando no olho, mas às vezes solto um elogio para ver se ele se toca, mas nem assim! Ainda percebi agora que fez tudo até aqui só para me divertir e não por que estava se divertindo! Maldito menino! Maldito coração, para um pouco, por favor?! Só quero ficar em silêncio...

Começava escurecer, como fazia frio, o céu começou a ficar azul escuro. Unindo a junção de estrelas brilhando, um pedaço de lua em quarenta e cinco graus e algumas nuvens para decorar! Emoldurado ficaria perfeito na sala de casa! Peter ainda não conseguiu mover um dedo do lugar. Ficou pensando por esse tempo todo. Tentando entender por que sua boca fala mais do que o necessário em horas ingratas. Se fosse a primeira vez, mas não! Seu nervosismo é constante e foge ao seu controle sua paixão. Pensa no que não se deve pensar, pensa demais. Ocupa-se somente em pensar, acaba criando, exagerando, cobrando e isso não é certo. Não leu a cartilha, mas na real... Não existe cartilha! Mas ainda há uma chance de ter um dia de glória. O que foi feito, já foi feito. Nem todo acidente é definitivo! Machucados e tropeços estarão sempre ali, te esperando. Pensa rápido garoto! Chega logo nessa conclusão, pega suas coisas e muda o mundo um pouco! Pelo menos um pouco! Dou conta de algumas coisas por aqui, faz só sua parte e não se preocupa em programar os computadores, cuido dessa parte no feriado.

Sem saber, Sininho marcou com lágrimas cristalinas cada nuvem que atravessou. Deixou um rastro e logo foi simples encontrar o caminho. Seu destino Peter já conhecia. Ela sempre pensa lá, perto do céu! Sozinha, calada! Sabia que não deveria interromper esse momento e sabia da gravidade do momento. Estava pesado o ar, carregado, completo de cinzas muito chatas! Impregnadas na roupa. Mas era só voar rápido, deixa para pensar depois. Vive, faz, já fez o que não devia. Lucrar pode entrar como uma possibilidade palpável! Quando a conta está negativa, um sorriso pode valer um milhão!

Seguiu voando e deu de encontro com o céu que já apontava o começo de uma noite, um pouco mais escuro agora. As nuvens estavam abertas e não olhavam uma para outra. Brigaram por um rapaz, mas tudo bem. Agora a lua brilhava absoluta, com meia dúzia de estrelas, parecendo pintas no corpo. Até ali, tudo lindo. O silêncio predominava e aos poucos se percebia um pulmão respirando, um coração chateado, batendo devagar. Controlado, sem dançar, cansado! Se pensamentos fizessem barulho, ali estaria uma escola de samba no meio da avenida, tocando alto para todos ouvirem ao mesmo tempo, em todos os cantos! Mas como não, Peter chegou e sentou, não disse nada.

- O que você faz aqui idiota?!

Quebrado o silêncio com dois tiros diretos. Um arrancou o braço esquerdo e o outro passou de raspão no rosto, mas não machucou.

- Nada! Só vim até aqui pensar... Acho que é público o lugar! Mas se te incomodar me avise! Não me importo em voltar, mesmo que for já!

Disse não querendo dizer, disse só para completar o que precisava ser dito ali e disse mesmo! Mas mesmo assim a violência tornou a voltar.

- Acho que você deveria sumir, deveria vazar daqui agora! Não espera que eu diga duas vezes as mesmas palavras, não é?! Só se tiver problema! Aliás! Vá embora problemático, não gosto de você perto de mim! Já te falei isso? Não preciso de você mesmo, não preciso, não preciso! Se toca e some daqui, se entoca em sua casa e só sai de lá para comer, se esconde criatura, por que você me assusta! Já sumiu?

Se soubesse que ia engolir a seco dessa forma, Peter teria molhado a garganta antes da conversa, antes de voar até ali! Foi o primeiro “Nó de Marinheiro” feito em uma garganta na história da televisão mundial! Fato inédito e recordado pelos olhos da pequena fada que conquistara ali faixa preta, mestre em todas as categorias! Mas em uma porcentagem real, a cada três palavras ditas nesse tipo de momento por uma menina, apenas uma deve ser levada em consideração. Não é machismo, mas também ficam nervosas, ainda mais assim, sob pressão! É difícil colocar todas essas informações em uma planilha e resolver logo de primeira, mas tinha que ser feito.

- Me desculpa! Só vim dizer isso! Já estou partindo. Mantenha-se bem, mantenha-se com força e só! Fique bem...

Esse era seu real interesse, não tem o que explicar, ele errou, mas por fim pensou e pensar faz bem. Partiu e antes que atingisse dois metros de distância do local, Sininho espirrou.

- Fique!

Peter duvidou, mas tinha que entender melhor.

- Mesmo?

Sininho espirrou novamente.

- Fique mesmo!






... e assim aproveitam sua juventude.


Leo Fonseca

6 de jun. de 2010

#terradonunca - Quando ando sempre tropeço

Na Terra onde habito, o tempo passa rápido
Cuida pouco e trabalha demais
Nessa Terra onde habito, é tudo tão chato
Soaria melhor, apático!

Sem cor, sem sabor e pouca dor
Estagnado, parado, calado, quase ninguém fala
Cantam por dinheiro e esquece-se de alegrar
Brigam com a vida e são cheio de rancor

Na Terra onde hábito, crianças voam
Voam e o tempo não passa
Fica ali parado, mas não estagnado
Ouço de olhos fechados a forma que essas notas soam

Peço somente que vá com cuidado
Teremos novidades pelo caminho
Coloca um sorriso no rosto e espanta esse jeito acuado
Pintei as rosas brancas de vermelho

Mas esqueci dos espinhos
Nem machucou
Pouco incomodou

Lá de cima é tanto faz
Não sabe de nada
Não sabe da nada mesmo


Mas se quiser saber

Eu tenho um segredo para te dizer




Leo Silva e Silva

#terradonunca - Primeiro Segredo da Terra do Nunca

- Eu já falei que você não sabe de nada?!

Assim gritou e girou até o alto. Sininho estava muito irritada, não agüentou continuar conversando. Já sabia que dali não sairia perdão naquele momento e resolveu voar um pouco. Para esquecer os problemas.

- Cala a boca!

Disse e armou um sorriso tão lindo, menino perdido, resolveu sentar e pensar por trinta minutos, leu alguns recados que estavam estocados em seus bolsos. Deveria pagar as contas com antecedência para tentar algum desconto. É bom quando sobra dinheiro. Tenho mais tempo para voar e manter a minha cabeça leve. Todos os pensamentos leves ao mesmo tempo! Tinha certeza já!

- Assim consigo voar mais alto que você! Consigo ir até lá em cima! Encosto na primeira nuvem que parecer um coelho e corro até o fim da Austrália. Volto pelo lado mais frio do planeta. Só para ver se consigo esfriar um pouco o meu coração!

Ela desistiu de ir tão alto e resolveu voltar para decidir o assunto pendente. Fez cara de emburrada, torceu o nariz e abriu logo o berreiro. Sem perdão em nenhuma das palavras cuspidas pelo espaço. Muitos decibéis! Acordaria um bebezinho com um grito desses.

- Eu já disse para não falar mais comigo! Eu disse! Não tem mais papo!

Mas quando terminou a frase não se agüentou e disse com um sorriso lindo:

- Cala a boca!

E foi o “cala a boca” mais bonito que o menino já viu. Até desistiu do assunto e parou ali. Tanto faz se vai ter assunto para segunda aula. A fotografia ficou estacionada na minha cabeça por segundos intermináveis. Pena não são infinitos, mas o menino balançou a cabeça e já estava em outro lugar.

- Tudo bem, você venceu Sininho, não vou discutir mais essa nossa relação. Acho que não vai dar certo! Gosto de azul e você de amarelo, usa esse verde todos os dias. Se bem que meu modelito também anda meio em baixa, mas não me ligo em tendências...

A pequena fada franziu a testa, fez três marquinhas e já começou a discutir!

- Garotos não sabem de nada mesmo! Até acha que sabe, mas tenho certeza mais do que absoluta que não sabem de nada mesmo! Eu não estava com ciúmes de você! Estou com raiva e tenho outros motivos bem mais importantes! Você não sabe de nada!

Sem conseguir manter o silêncio, Peter logo voou para cima da fada e levantou seu olho direito, deixando sua testa marcada. O sol batia bem no olho do coitado, mas mesmo assim não hesitou, levantou seu dedo indicador, do lado direito, pensou três segundos e tremeu meia dúzia de palavras mal ditas, sem querer, sem saber e já se entregou...

- Veja você garota, louca por abraço e ai fugindo pelo espaço, correndo, voando e falando mal dos outros ao pé do ouvido. Duvido que não! Não fala que é ao contrário, por que te vi resmungar ontem à noite. Tinha aquela de verde e a menina de rosa! Juro que não direcionei meu olhar para mais ninguém. Não vi motivo para duvidar e nem ruga aparecer na cabeça. Mas ouve só se quiser escutar. Abri a janela inteira quando o sol apareceu, deixei tudo iluminado e quentinho. Não me importo com o que você acha desse meu traje. Não é de gala e não muito esporte. Não tem a cor da moda também, mas nem ligo sabia? Quando fica desbotado que fica melhor, não é?!

Quando o motivo da conversa foi passear, peguei um café sem açúcar. Sinceramente, o tempo podia parar ali novamente. Sempre que termino esses breves raciocínios, percebo como sou burro quando te vejo tão perto e desperdiço o tempo. Foge pelos meus dedos e escapa mais uma vez. Tão pequena, Sininho sempre sai sem anunciar e acabo ficando preocupado. O menino guardou para si todos os seus motivos mais uma vez. Deixa estar, deixa passar a dor do corpo, quando ele estiver relaxado, ai sim, pode resolver o problema com mais calma.

- Peter! Você vai ficar ai parado mesmo? O tempo está passando, precisamos logo voltar. Logo vai anoitecer e sua mãe vai ficar preocupada. Seu pai liga duzentas vezes lá em casa te procurando quando você vem para cá. Coitado! Ele fica preocupado e você sempre se esquece de responder suas chamadas. Mas tudo bem, não quero entrar nesse assunto! Mas acho que você deveria ao menos ir mais rápido! Cada dia que passa parece-me mais lerdo! Anda comendo fora do horário? Está se exercitando? Te acho muito infantil! Já te disse isso? Já te disse que teu tamanho também não me agrada? Disse isso uma vez, se lembra? Eu não gosto desse teu cabelo também, acho que essas roupas não caem bem em você, calça estranha! Onde que comprou isso? Meu Deus!

As pedras voavam de sua boca com toda força na direção do menino, mas ele simplesmente estampou um sorriso e abaixou o volume da voz. Ela sempre faz assim! Só se via a boca abrindo e fechando, desenhando no ar as palavras. Não fez leitura labial e ficou apreensivo no conjunto. Seu nariz bem casado, muito bem acompanhado. Sempre acho que companhia boa afeta até a cor da pele! Mas o tempo estava realmente terminando e logo teria que entregar os relatórios. Ainda não preparou nada e muito menos desfez as malas!

Antes de voar para casa admirou mais uma vez, com toda atenção. Não disse mais nenhuma palavra, não acrescentaria. O que tinha que ser dito, foi dito. Conclusões definitivas pode ser uma lombada no meio da rua e sem frear quase derrapo. Sigo voando tranquilamente, em uma velocidade agradável. Admiro mais uma vez, lembro de tudo que disse e peço a Deus para sonhar todos os dias, como se fosse sempre a primeira vez.

- Tenha pensamentos leves Sininho! Estou indo em direção do meu lar, já que me esqueci de avisar meu pai que aqui estou, resolvi já retornar. Volto mais tarde quando desocupar. Queria ao contrário, mas não tem como, então faço assim..

E só isso!

Na medida do possível não vou contar os dias por uns tempos, não vou me preocupar e reduzir tudo que for peso que tiver que carregar. Não vou pensar demais em nada, uma quantidade suficiente para cada parcela. Um pouco de cada sabor e pouca pimenta para não arder o estomago. Sem pegar fogo, sem se acalmar demais para não perder muito tempo dormindo. Longe da Terra do Nunca, até a obra do banheiro terminar! Preciso supervisionar esses bombeiros que trabalham aqui em casa. Deixaram um cano estourar e foi água até o primeiro andar.

Enfim...


Te vejo na Terra do Nunca




Leo Fonseca da Silva Sauro

31 de mai. de 2010

#VinteEcinco - 25g

Pedi

- Vinte e cinco gramas de queijo mussarela, por favor!

Responderam

- Vinte e cinco segundos depois e pode colocar o bolo para assar!

Enquanto

- Vinte e cinco pessoas estão para chegar, vamos dar uma festa!

Subiam

- Vinte e cinco gramas daquele que é verde e tão raro!

Então seriam

- Vinte dias para um começo e mais cinco para completar, mas acho que agora já se foi. Nem deixou telefone para contato, sabia que isso ia acontecer. Mês que vêm eu resolvo, tem mais duas contas para quitar e depois até cancelo os meus cartões. Fico sem prejuízo e tenho fôlego para pensar mais e esperar por outros...




Vinte e cinco.

#NaoReleia - Nexo

Bati com força na porta, duas vezes e fiquei lá esperando alguém aparecer, mas ninguém apareceu no portão. Minha mãe havia me deixado ali para que brincássemos durante a tarde. Era mês de maio, mês normal sem tantas comemorações atípicas que e deveria durante a tarde abastecer com comida as nossas dispensas. Mas ninguém veio abrir o portão. Procurei um lugar para sentar e sentei, ali mesmo e fiquei esperando mais meia hora, quarenta e cinco minutos, coisa assim, mas ninguém realmente apareceu. Para onde será que ele foi? E na primeira indagada senti um frio batendo na minha canela descoberta, logo fazendo o sol ganhar duas orelhas rosadas. Um tom que não me agradou, não caiu bem com o amarelo, mas quem sou eu nesse momento para questionar? O mundo parou ali sentado e pesava demais pensar para onde deveria ir. Como faria voltar o que não aconteceu e fazê-lo acontecer? Sei que deveria ter ligado, mas não me preocupei. Achei que já estava certa a minha visita e que realmente iríamos passar a tarde brincando, mas não. Interrompeu a ligação ou caiu? Quem estava falando mesmo ali ao telefone? Passaram dois homens com pressa, gritando pelo trem!

- Olha o Trem! Espera, preciso ir nesse vagão!

No terceiro encontrei a lua a dois palmos dos meus pés, mesmo com a minha pouca altura a lua seria decorada com a sujeira do meu tênis. Vou fazer um coração e deixar seu nome por lá também. Um recado que só você vai entender, de uma língua que só nós dois falamos. Na segunda pedra à esquerda. Quando voltar para Terra estarei te esperando no mesmo lugar onde estou passando a tarde nesse exato momento. Esqueceram de mim, ou esqueci-me de esquecer e ainda não encontrei sentado o caminho de casa. Se declarar meu amor, vai se assustar. Pega as suas coisas e vai embora, é a melhor coisa que pode fazer nesse momento. Não me liga mais, não me mande mais mensagens. Faz de conta que era assim, olhe bem! Olhe bem com os seus dois olhos ao mesmo tempo e perceba. O mundo é um instante e partimos das ocasiões corriqueiras, somando sentimentos, tudo ganha um sentido diferente.

- Quem é você?

Não sei! Fiquei sentado por aqui, realmente! Não sai por esses tempos, ganhei duas raízes novas, estou com terra até o joelho. Saio para dançar, mas ainda é como se estivesse dentro de um vaso, espaço curto de tempo que me impede de gostar muito e perceber infinitamente os momentos da minha vida. É tudo tão rápido. Nesse presente que na porcentagem sempre prevalece para o lado da tristeza. Mas mesmo assim canto enquanto ando, observo e danço. Toco bateria no busão, daqui até o trabalho. Caio no palco quando canso da mesmice e faço tudo que era igual parecer diferente. Mirei e percorri, fiz um sorriso do tamanho de um barco e naveguei por todos os mares possíveis. Teve gente que passou por mim, viu ali sentado um menino e não parou para perguntar sobre sua mãe. E disseram que seu amigo também nunca mais apareceu pela rua, talvez tua família partiu para outro canto do planeta e nem me passou um contato. Resolver problemas nem sempre é algo que agrade ou divirta, mas durante um tempo resolve, tudo vai para o lugar e as preocupações vão para dentro do armário.

Como concluir?

Números são exatos demais para explicar a vida, acho muito chato fazer conta. Gosto de sentir e nem penso na quantidade que saiu dali, se tem um peso, ou sei lá, não sei! Não somei nada para ter como resultado o que estou vivendo agora e pelo balanço, parece que está tudo equilibrado. O positivo bate com o negativo. Sem contas à pagar ou duplicatas à receber. Na metade do caminho achei um jeito de ganhar dinheiro. Tendo paciência e persistência. Bebo em grandes quantidades aos finais de semana e volto à seriedade com dor de cabeça na segunda. Cumpro e mantenho a média e assim, levanto, caminho pela direita, esquivando o sol para não suar ao meio dia. Vejo-te daqui a pouco, preciso descansar e continuar.

Vou continuar.


E nem vem apostar

Por que eu ganho!



Leo Fonseca