Acompanhado na altura da cintura, jogava a milhão quando o ponteiro marcava quase duzentos quilômetros por hora. Vacilação tamanha, mas proteção cabida ali jogados sobre a motoneta, seguiam firmemente. Rumo norte, bussolas apostas cantarolando o lado certo da onda do mar que há de bater, devido o tempo que agora ganhou juros acumulados do montante antigo, dizendo que teria sorrisos a mais para trazer na volta para casa. Anulo tal assunto providenciando o enredo da historia que está a seguir descrever-se por si conjugada em verbetes acostumados com as linhas de todas as historias de amor, mas essa devo dizer a você leitor, devo adiantar, que é a mais bonita de todas as historias que já conheceu. Cansaria de contar linhas no final da redação, tentando explicar o lado certo que começou, tentando contar quão belo foi o caminho da motoneta, vou direto ao assunto de maneira breve, para esclarecer ao máximo. Desculpa se esquecer de descrever aquela parte lá, mas é que foram tantas as partes, que nem mesmo maior historiador de todos seria capaz de agrupar simbolicamente tudo em um tiro só de pensamento. Desculpa também aos envolvidos, mas de maneira egoísta, protagonizarei junto a minha donzela as linhas que virão e fica para a próxima, pelo menos dessa vez.
Enquanto isso, logo ali, bem logo ali no mundo bem parecido com o nosso, mas diferente na maneira do tempo passar, se é que o tempo passa.
...
- Veste seu chapéu menino bobo! Esqueceu da ultima vez e a pena ficou a te procurar, verde como ela, jogada aos cantos procurando algo para contribuir a sua leveza, pois se for esperto como diz, esquece menos e voa mais.
- estridente demais para justificar seu atraso, do lado de cá deixei tudo organizado. Se o Tic contasse o Tac, estaria tão menos encontrada quanto a minha pena voadora. Sabotadora de lares de fadas complexadas, vamos pois já é hora, grita de mim, mas dos seus atrasos tu nunca melhora.
Preparando para partir estavam, ambos de verde, combinando com as arvores, leves como penas. Preparados estavam, tirando os devidos atrasos decorrentes da preguiça acumulada e da mania do tempo passar estupidamente estranho quando unidos na mesma ação. Seria incapaz de explicar como funcionam os relógios quando estão juntos, ainda mais desse lado que o tempo passa quando quer.
Arrumados saíram voando pela janela, para facilitar e deixar a chave da porta já na bolsa. Passaram-se jardins, morros e vales. Rios, lagos e crianças. O mundo parece muito menor visto de cima. Lá de cima se vê tudo, lá de baixo, se via os dois, percorrendo com as mãos unidas, puxando para apressar.
- Pra que se apressar agora? Relaxa essa cabeça e aproveita a vista! Verde! Amarelo! Vermelho! Rosa e azul! Quantos pomares? Suficiente, serpente e sorvete. Criado mudo falante e calouros reprimidos, repletos de vergonha, olha Peter, que mundo louco ali embaixo! Num pouco de tudo, tudo num pouco do tudo ali de baixo. Debaixo da ponte vivem crianças, pobres. Cantam e se divertem ali. Japão, Capão, gargalhadas. De pouco em pouco percebe-se, mas bem de pouco memo.
- Confunde o caminho acelerando meu pensar, nessas horas que preciso pensar e refletir devagar. Se errar, logo irá me culpar, gritar e cantar para todos que o culpado foi eu, mas se dizer, vou negar e se protestar, durmo e espero acalmar toda a questão. Se bem, que vendo daqui, vejo que a culpa nunca é de ninguém mas é sempre nossa, a culpa é daquele que tenta, mas errado é tentar de menos, ficar parado, engordar a preguiça e desejar sonecas alem do suficiente. Mundo enorme cheio de fatos e ocorridos simultâneos. Constante faz criar e faz querer entender, cabem nos livros, mas nem todos os escritores souberam de tudo aquilo ali.
Percorriam campos enormes, verdes. Crianças brincavam com bola, meninas pulavam corda e os meninos contavam piada. Coração aprendeu a se apaixonar e envergonhou-se, correu pelo bairro e tentou entender a palpitação acelerada, ritmada como musica circense e o menino se jogou da corda, de cabeça furou o lago com maior mergulho de todos os tempos. Enquanto se voa, se observa. Se enaltece a alma vendo tudo que se falta, esclarecendo os esquecimentos repentinos dos ônibus lotados e do transito atrasado dessa megalópole assassina de olhares justos. As contas vão se pagar, elas aprendem bem o caminho do banco, tal qual menino que abotoa calça e amarra seu sapato sujo, batido de tanto brincar. Assim amou mãe.
- Se deixasse de ser fada, seria grande moça, pra prestarem mais atenção na voz que necessita ecoar. Diria aqui de cima usando megafone: Vocês precisam prestar mais atenção! Deixem as bulas de lado e partiremos juntos para a praticidade dos acontecimentos! Decorem menos musicas e cantem mais! Pintem mais o mundo, mas não usem tintas! Conversem e deixem os assuntos em casa! Renove e mova, mova e traga o novo de novo, para aqueles que não sabem, a conexão caiu e não adianta ir ate ali procurar, porque ele não vai te explicar. Se deixasse de ser fada, contaria que estou apaixonada. Suavemente assim, transcenderia minha paixão. Seu samba tem bordão, fica fácil de seguir na leva desse bloco complexado. Animo aqui e grita comigo daqui.
- Se deixasse de ser Menino Perdido, me encontraria. Andaria por todos os cantos explicando que estão fazendo errado, mas posso explicar! Trata ele bem que ele volta. Faz direito que sempre irá de ter. Faço necessário para tédio existir em vocabulário somente dos que menos necessitam sentir, espalharia democraticamente, ninguém sentiria as margens do cabível. Maçãs, garrafas com água e sorrisos. Roupas largas e pastel na feira na hora do almoço. Se marcassem suas responsabilidades em horários alternativos, carro atrás de carro nunca mais viraria ibope de jornal. Aos falidos, basta bailar e pra lá que vamos com tanta pressa. Justifico a falta da minha grana a nossa vontade de dançar, mas se realmente precisar, estou disposto a dividir o pouco que me resta, vem comigo ser meu par!
As porcentagens justificam a incapacidade de somar, agregar e ludibriar o necessário. Impostos justificam a crescente ignorância nas administrações desse mundo. Imagina contar quantas ondas estão a se formar? Imagina sorrisos contabilizados em tarde inesquecível? O necessário não se conta, é bom transbordar os bolsos e permitir o débito automático. Perde-se menos tempo, lembrando-se a barba que vai surgir, mas os problemas devem se extinguir. Se disser que é história de monge, de louco, admito sua certeza, sua coerência. Está certo! Se disser que é impossível, logo em seu rosto, retorno dizendo que a possibilidade existe, se amanhã virá e existirá, deixo ao próprio tempo a resposta, mas no estante presente, assumo com postura meus lemas e digo que sim, podemos voar.
- se tenho três, chamo oito amigo e faço dezesseis. Pão e leite a todos, festa até o anoitecer da semana que talvez virá, se entardecer, culpo o Tic Tac que comeu demais e ficou indisposto para bailar com sapiência sem estremecer. A rigor estão, devidos, elegantes, respostas terão. Com o fechar dos olhos e o abrir de seus corações sentirão, prometo que sim. Se não? A negatividade gera o negativo, envolto dos possíveis acontecimentos, prefiro acreditar que sim. Prefiro sambar, festejar, anular enfraquece a possibilidade. Escurece com suas mãos e esquece do mundo lá fora. Samba e joga para roda, que se der certo essa magia, meus amigos logo chegarão com cuíca e agogô, cavaco e violão. Levem essa canção para suas residências, espalhem a boa nova e permitam-se encantar, vamos nos envolver com o interessante e te amar para que tenha mais espaço para amar.
- as pétalas cheirosas emanam a gratidão silenciosamente e cobram mais brilho, compenetradas ao estabelecer harmonia aos ouvidos e sentinelas polinizadoras das novidades que jornais excluem das páginas principais. As notas coloridas aprenderam a falar a língua dos barbados e dizem lá de cima que estão no poder, sendo que gritos resolvem menos que cada pétala desapercebida. Desacredito no seu crédito, no seu banco e na sua conta. Desacredito no seu jeito, desacredito na sua festa vazia, repleta de bebidas que matam a sede de gente triste. Te alegro tropeçando e comprovando que estou sempre errado. Empresto minha pena verde, quem sabe aprende a errar também. Joga a culpa no meu peito que eu domino e chuto para o gol. Comemoro com a torcida e tenho a melhor companheira do mundo para admitir que amor pouco é loucura.
Contrabalança da esquerda para direita, pé e mão. Explico que amor está nascendo e para ter conclusão, aos jovens, direi poesia, pois o maior amor do mundo voando está para imitar abelha e florescer flautas doces ao redor do planeta verde, azul, amarelo, rosa e cinza quando chove. Deixo poesia, deixo esclarecida, deixo cortesia, minha metade pode ser teu inteiro, parto tudo para ti para haver mais que se pode contar e se conter, pode desperdiçar.
...
Joga o pó mágico e parte a voar / Fecha os olhos e estremeça o pensamento / Lá de lá pedem sentimento / Se pesado estiver, leve deve ficar / Esquece mania de apressar / relógio quebrado precisa se conter / Abster do desnecessário / Bolsos pesados fazem barulho / Jogam para baixo e fazem balburdio / Meninos devem somente lembrar / Que sorriso é moda / Que alegria é vida / Contradizer é passado / Está ao meu lado / desfecho atenuado / simplificado em quatro linhas / expressas essas que sabem explicar que as fadinhas / Que o amor precisa se espalhar / contagiar / disseminar / Se este deixar de ocorrer / Esse aqui deixará de ter o que contar.
Seja Bem Vinda Primavera.
Leo