25 de mar. de 2008

Se pudesse sumiria

Ouvi uma voz no fundo da sala, mas ninguem levantou a mão para se identificar, te vi sem rosto e totalmente diferente daquilo que eu sonho. Parece pesadelo, mas ainda é terça-feira, cedo demais para querer largar a vida de lado e se drogar mais uma vez, para tentar fugir do peso dos meus pés, que parecem estar afundando nessa maldita terra.

Me mata tempo, pois estou te matando aos poucos, contando de cigarro para cigarro, de tragadas curtas, passando por longas, puxando o máximo de fumaça que o meu pulmão tolera. É dolorido viver, é chato viver, tenho uma antipatia muito grande por mim mesmo e nem sempre gosto de estar aqui, fazendo de conta que sei realmente qual é meu dever e como devo chegar aos locais que eu não conheço muito bem, eu faço de conta muito bem.

Estou aborrecido pela superficialidade anônima, não tão desconhecida, mas sem rosto. Sem teu gosto aperfeiçoado e muito menos inteligência o suficiente para tornar interessante qualquer que seja o assunto. Odeio estar com a cabeça vazia, tentando completar as lacunas desse texto com alguma palavra que nunca usei em meu vocabulário. O mau humor é um crime para minha capacidade de escrever bem.

Então caminho em frente, mesmo que o vento pareça forte demais para que eu consiga continuar. Drogo-me e assim consigo fugir do Leonardo e caprichadamente crio sorrisos intensos e me perco em algum assunto criado pelo THC. Gosto de voar, mas a porra do Senhor não me deu asas, preferiu me fazer sofredor desse mundo, humano do caralho e chato demais para conseguir me divertir com qualquer coisa que pareça muito boa para uns, mas para mim, totalmente ridícula e burra.

Não vejo mais desenhos pela manhã, eles não me motivam mais e muito menos me deixo enganar com as chatices do jornal na hora do almoço, não estou tão bem assim para me interessar em ver bombas caindo na cabeça de pessoas.

O que você lê aqui não é autêntico, não sei ser original, sou a cópia assumida de tudo aquilo que estão vendendo à prazo nos grandes magazines dos shoppings da periferia. Analiso tudo e vou copiando aos poucos, estudo a melhor maneira de não parecer tanto, mas o português que uso é o mesmo que o seu e não tem como escapar da notória mesmisse. É normal viver de cópia, já disse até um artista viado do século passado que "nada se cria e tudo se copia", mas foda-se, sou tão alienado quanto qualquer outro ser, que sabe muito bem distinguir a cor de um carro, mas mal sabe como explicar a disponibilidade dos ventos criados pelo grande oceano.

Sou confuso e absurdamente tranquilo, mesmo que às vezes não pareça tanto, mas escrever é conversar comigo mesmo e nada além disso. Não capricho propositalmente, simplesmente, realmente, simplesmente, estou conversando comigo mesmo.

Pela manhã, por falta de alguém útil
Prefiro me fantasiar de inútil
Faço o meu teatro sem máscaras
Para representar melhor
A minha total falta de capacidade

Não sou nada, não sou ninguem
sou o tédio e não gosto de correr
não entendo a política e como se faz
cozinhar parece mágica

e ainda me falta muito tempo
para encontrar mais uma vez
a minha paz
chamada


Danielle








Leonardo (entediado, encapetado, com náuseas)

19 de mar. de 2008

E é o dia de dizer "Para Sempre"

Oi amor, nesse momento contabilizei menos de vinte e quatro horas para o fim de todos os meus problemas. O final momento em que eu vou conseguir colocar um basta em tudo aquilo que não me deixa dormir a muito tempo, vou enfim deitar a minha cabeça no travesseiro e simplesmente suspirar cada pensamento, que agora eu posso dizer que são concretos, totalmente tocáveis, tudo vai fazer mais sentido e tudo terá mais graça.

Vou aprender a ver a chuva com outros olhos, vendo cada gota d'água que passa de frente aos postes de luz e dizer que cada segundo ao seu lado formam os melhores segundos da minha vida. Os dias de calor serão especiais e mais iluminados com você. Assim como cantar cada verso das músicas que eu já pensei em fazer, colocar o seu nome e ser mais um clichê apaixonado. Apreciando cada centímetro do seu rosto, admirando a imensidão de palavras que saem da sua boca e acreditar enfim, que dentre as milhares de possibilidades de conhecer a felicidade, esta por fim, é a melhor.

Cantaremos e não dormiremos, viveremos uma intensa festa sem fim, com os pés descalços, nos sentindo tão humanos, aventureiros, adoradores das incríveis novidades da vida. Sem ao menos lembrar que nossos corações já foram quebrados e que choramos por pessoas de plástico, que machucam por pura mania de ver tristeza nos olhos cansados de tentar encontrar uma verdadeira paixão. Que essas pessoas apreciem as suas próprias magoas, pois hoje pouco me preocupa o ontem, grito dizendo que tanto faz e realmente tanto faz, para mim pouco importa lembrar cada nome que já passou pela minha vida, pouco importa tudo que eu já reclamei em voz alta.

Celebraremos o fim do tédio e dos dias de marasmo. Prometo nunca me sentir cansado dos seus sorrisos. Ouvirei a sua voz falando aos meus ouvidos, como se fosse possível encontrar solos de um violino ao fundo, tudo parece ser tão maravilhoso agora.

Me vejo besta, caído como uma criança, com um sorriso imenso, pouco me importando com as diferenças e guerras do mundo lá fora. Encontrei a paz em seu nome e nele depositei meu coração como aquele que nunca conheceu alguém como você e que pode agora enfim acreditar em cada segundo especial que a vida trouxe de presente para mim.

Não esqueça o guarda-chuva quando sair de casa, deixe a sua mochila sempre preparada para cada nova aventura que está por vir, fique pronta para tudo, pois amanhã se inicia uma nova era em nossas vidas, onde escalaremos cada obstáculo e apreciaremos dia por dia, como se fosse o último dia de nossas vidas, mas pouco preocupado com tudo aquilo que já lotou nossas cabeças de dor.

Me espere às quatro e meia, mas já pronta para viver comigo todas as horas de sua vida


Entrego-me de corpo e alma
despreocupado com o senado
pouco me fudendo para tudo
é de você e para você
que entrego cada gota de suor
que do meu rosto vai escorrer

Cada luta que venceremos
cada castelo que construiremos

Os monstros já não me assustam
e hoje...


hoje é o dia de declarar o para sempre em nossos dias


Amo você Danielle Maniglia




Leonardo

18 de mar. de 2008

E para mim você é um "Foda-se"

Delirantes foram os gritos que ouvi durante a noite toda, parecia pedir por algo que eu não conseguia identificar. Como se fosse algo desesperador, daqueles que vêm de dentro de nossas almas, quando necessitamos êxpor tudo aquilo que nos reprime. Gritaria e espantaria todos os demônios e anjos que rondam a minha rotina, vigiando cada passo que dou e tudo aquilo que tento viver. Libertaria-me de todo o tédio terreno e de tudo aquilo que sempre me parece uma grande reprise.

Parecem cenas de um mesmo roteiro, do começo ao fim, do momento em que eu entro no palco e assumo a postura em que me indicaram e faço sorrir às vezes, mesmo com uma intensa vontade de chorar e tenso pensando, que não posso errar mais nenhuma fala, se não vou ser deixado no segundo escalão. Estranho é o processo de "jogamento de lado" em que as pessoas fazem umas com as outras, nada é insubstituível nesse mundo, nem o seu sorriso e muito mesmo o seu "eu", somos garrafas descartáveis, consome-se e depois joga-se fora, como em um processo totalmente degradativo.

Toda a mesmice exige demais da minha própria inteligência e isso me causa muita dor de cabeça. Tento dançar mais, sem prestar tanto atenção nos fantasmas que todos os dias tentam me abraçar. Eles me sufocam tanto, são como um veneno que mata lentamente, sem piedade, transformando em pó cada centímetro de sonho que eu acumulo em minhas noites de tentativas de um bom sono.

Se deus existe realmente, ele é um grande bosta. Daqueles que você nem olha na cara quando entra no bar, faz de conta que não viu. Ele brinca diariamente de mover cada pecinha, como se vivêssemos em um grande reality show vigiado pelo "senhor". Ele não pega ônibus lotados e não ouve a conversa alheia de pessoas sem questão alguma, de pelo menos fazer de conta que são bem educadas. Se ele existe, ele bem entende todo ódio que eu sinto dessas quatro letras que ele leva no nome e da minha total desistência de retribuir com amor o fato de estar aqui, representando o filho que ele teve coragem de cruscificar e ainda considerar melhor do que qualquer um de nós. Somos tão seres pensantes quanto o tal barbudo, capazes e inteligentes, mesmo que alguns duvidem, mas temos a capacidade de construir e criar, seja fictício, ou tão real quanto as árvores, da natureza e não de alguém que ao menos tem um rosto e que não faz aparições no horário nobre.

Quando resolver aparecer, "Oh! Senhor!", por favor, que seja durante a novela das oito, porque metade do seu eleitorado está assistindo as banalidades da vida capitalista e consumindo tudo aquilo que você entregou como esperteza para esse bando de idiotas. Não considere as minhas palavras rudes e não faça como já fez com um filho teu, apesar de tentar fazer igual com diversos seres que tiveram a estranha sorte de nascer em lugares não tão adequados para uma vida, consideravelmente, "Boa".

Não faço juras de amor para aquele que eu não conheço e não vou perder meus domingos em cultos, ouvindo um bando de babacas, "comedores" de criancinhas inocentes. Pois tenho uma barreira muito grande contra as suas palavras decoradas, faz-se tão bonito tudo aquilo que sempre foi tão óbvio para mim. Disfarça-se em um manto branco, para espalhar em solos de guitarra, tudo aquilo que caso você não aprenda, não vai banhar-se nos lagos do paraíso. Seu senso de humor ridículo me irrita, é tudo tão pálido, pior do que ficar sem tomar um dia de sol no verão, ou então, não tomar chocolate quente no inverno. Não tenho medo de você, muito menos me preocupo em trocar uma idéia com você, prefiro as pessoas de verdade, assim como eu, que como disse, pegam ônibus lotados e ouvem a idiotice alheia desse "Seu mundo".

Sou apaixonado pelo que vejo e sinto, por tudo aquilo que está escrito em músicas, cantadas por um "rock star" de verdade e não por cantigas de ninar que falam seu nome e dizem que, se você não acreditar, o tal do "bicho-papão" vem te buscar. Que venha então, estou te esperando, armado com todo o meu vocabulário chulo, repleto de palavrões e indagações. Não farei papel de ridículo e te mostrarei que todos nós somos habilitados a respeitar os semelhantes, mesmo sem seguir um livro de capa preta, escrito por seres tão pecadores quanto qualquer outro assassino que vive ao meu redor.

E se mesmo assim, eu continuar irritado, abençoado pelo mau-humor semanal, tudo bem, acredito que no feriado do final de semana eu consiga descansar e desencanar mais uma vez de duvidar a minha própria existência, por que o que eu vejo, eu não tenho certeza do real e mesmo assim, embarco em coletivos, acreditando que posso voar dentro da minha própria mente, mesmo que sejam delírios urbanos, creio eu, que ainda seja possível se fazer de conta que é tudo tão normal e que tudo isso ainda faz parte da mesma peça teatral citada acima.

Caso não tenha gostado, ligue a sua televisão e assista qualquer coisa ridícula que esteja passando, sinta-se burro mais uma vez e acredite, tem muita gente que se dá bem na vida desta maneira e eu, não, realmente não acho ruim. Penso que tudo bem, pois a Páscoa só é Páscoa, por causa do meu adorado irmão.

Seja você também mais um servo do "Senhor"
Liberto-me e abraço a minha vida
Sem leis e regras paroquiais
porque essas todas
só torram o meu saco

Amém!


Leonardo


obs.: Se não gostou, leu porque quis. Compra uma revista Veja e vai ser feliz.

16 de mar. de 2008

Prazer barato ou tudo aquilo que passa depois da meia noite na TV

Rasgaria cada peça de roupa e não pediria desculpa no final da noite, te veria pedindo cada vez mais, em um ritmo totalmente meu, na minha velocidade, com a sincronia criada por aquele que conseguiu encontrar beleza entre as gotas do próprio suor e em tudo aquilo que mesmo amando, o ser humano tenta de todas as formas, reprimir e dizer para todo mundo, que errados são aqueles que encontram o prazer, seja ele pago ou totalmente barato, daqueles que você encontra na fila do cinema. Mas tanto faz, não ensino ninguém em dicas básicas de como sentir prazer na vida, estou aqui para me ver obcecado sozinho, talvez perdido em seu corpo e te fazendo feliz ao meu modo.

Quero ver as suas expressões e sentir o gosto da sua saliva. Iluminados pela escuridão e quentes como o maldito inferno, que hoje veio nos abençoar por tudo aquilo que a desgraçada igreja diz ser, carnal, mas tanto faz, mal sabem eles como me sinto bem assim.

Não procuro a perfeição, pois essa me parece patética, como aqueles idiotas que se fantasiam de terno e gravata, e se escondem atrás de seus rostos rosados. Não, eu sou diferente, sou mestiço e uso roupas que não estão na moda, gosto do sujo e do odor. Apaixono-me sem ordem cronológica combinada com os pais e não gosto do básico dia de um idiota que bate seu cartão e se diz bem sucedido, sou diferente.

Aprendi tirar sorrisos puxando cabelos e ver feliz aquela que aprendeu que na dor ela se sente muito bem, sou forte e gosto da força, gosto daquilo que você tem vergonha de assumir, gosto do pornográfico e daquilo que parece proibido. Admito tudo isso e não tenho vergonha disso, não tenho vergonha de mais nada nessa vida. Vergonha é a maior trava de todas as portas do universo, ela te para e te arranca anos de vida sem você ao menos perceber que está ficando velho e caquético, totalmente só e complexado com idiotices alheias.

Deixe recados no espelho quando estiver indo embora e, por favor, diga que vai voltar, estou esperando com toda ansiedade do mundo, para poder ouvir a sua respiração ofegante mais uma vez no meu ouvido, chamando pelo meu nome em voz alta e dizendo de maneiras adversas, que me quer mais do que tudo nessa vida.

Hoje eu não quero ver beleza...
Hoje eu sou a perfeita imperfeição
Sou Ateu, sou pagão
Tenho nojo de ser você
Não estou a venda

e...

Tanto faz

Leonardo

15 de mar. de 2008

Por amor, para o amor e para tudo que não encontramos na farmácia quando buscamos Anador

Cantei em voz alta seu nome durante muito tempo ontem a noite, te vi desenhada no teto do meu quarto mais uma vez, é muito ruim não poder te tocar e me sentir tão longe de você. É como pensar mais de duzentas e quinze vezes em uma coisa só e mesmo assim não encontrar a solução para o problema que necessitadamente você precisa resolver. Estranho é o fato de pensar, dom biologicamente humano e totalmente bizarro de tentar compreender, mas resumo tudo em um nome só e consigo muito bem dormir.

Dançaria descalço uma noite inteira, ao embalo de tudo que as estrelas tocarem para gente. Bailaremos o final de toda solidão acumulada por sorrisos falsos, aqueles no canto da boca, simplesmente fazendo pose para uma foto forrada de gente que não sabe o verdadeiro significado da palavra "amor" e de tudo aquilo que pessoas carnais sentem. Gritarei e gritarei, tentando espantar qualquer lágrima que apareça para atrapalhar a nossa falta de ar. É festa e hoje é dia de comemorar, como se amanhã fosse o último dia de nossas vidas, resmungando alto tudo aquilo que você não encontrou nesse estranho inverno.

E foi por esperar que eu me apaixonei por você e tudo aquilo que me faz esperar dia atrás de dia, tudo aquilo que eu penso ter sido a maior sorte de toda a minha vida, melhor do que conseguir ônibus vazio e encontrar uma pessoa legal do seu lado para conversa, sorte e sorte, nada explica essa minha chance de cair em uma aventura totalmente diferente daquilo que eu já sonhei em ter para mim e essa minha vidinha cinza, muitas vezes me vi chorando pelos cantos, tentando entender o que não se deve entender, aceitando então que a solidão seria a melhor solução para tudo isso, mas consigo ver que a solução para tudo isso é você e mais nada define essa capacidade de me alegrar.

Passei a noite ouvindo músicas que me serviram como remédio para toda paixão, colorida, igual aquelas de filmes americanos, que a mocinha olha para o mocinho e o tempo para, fascinante, asfixiante, daquelas que saem pelas orelhas e cola um crachá em você, dizendo, "estou apaixonado".

Não tente definir o amor, ele não foi feito para isso e muito menos para ser desenhado em livros de química, ele foi feito para ser poema não escrito, coberto de toda a perfeição das lindas flores do mês de setembro, quando ele fala bem alto, para que todo mundo consiga ouvir, que dali para frente, problema algum vai afetar os nossos corações e que viveremos mais uma era de alegrias e novidades, coberta pelo espírito apaixonado daquele que conheceu um novo segredo.




Leonardo