21 de fev. de 2012

Os Dilemas da Terra do Nunca

Quinze crianças correndo enfileiradas, batendo as portas e gritando as novas. Diziam “venham ver, venham ver, venham ver a gente crescer”. Estava posto na janela, logo corri para rua para avisar, pois viria a calhar, calar o impossível e dizer em voz alta “Não o façam, não o façam, esperem que ainda há tempo”. Mas de porta em porta foram batendo, favorecendo a idéia contraria, logo distanciaram-se tanto que minhas pernas falhas já me impediam de encontrar o mesmo tanto de velocidade. Seus olhos brilhavam como meus passados em cada presente de aniversário que desembrulhei e esparramei pelo tapete da sala, criei meus mundos e minhas historias, criei minhas lendas e voei até Marte quando me esgotava desse mundo. É tudo tão banal, é tudo tão igual, as marcas, os modelos, os jeitos e as maneiras copiadas um a um, zero a zero, jogo tem sempre que ter um ganhador e um perdedor, fatos inexplicáveis. Corri então para dentro de casa para encontrar meu microfone e amplificador, de carro os encontraria e aumentaria o volume no máximo, impossível seria ouvir só um pouco, debruçaria no poste que timbraria papeis em branco com a marca dizendo “Esqueça dessa idéia, por favor, esqueça, é tão cinza depois do carnaval, todo cinza que percorre e te faz pesar tanto, não entendo por que tem que ser assim, mas assim não o faça, eu que não percebi, agora estou aqui, olhando o mundo da janela, com as canelas cansadas, com a voz calma de tanto tédio e programas de televisão”. Crescer é realmente estranho. Crescer é a coisa mais estranha que já me aconteceu e do um foi para o dez e do dez já estou com mais de vinte e se parasse no cinco, tudo bem, mas escolheu o seis que está por vir e nem vem me dizer que são só números, pois a vida me cobra, a mochila fica mais pesada e os sonhos parecem como o final do carnaval. Sem cor, Sem dor, Sem nada. Segui sem manual de instrução e esqueci como se chora de saudade, esqueci como sente com o coração e esquece orgulho, ama a novidade e nem vergonha sinto mais, me ouve aqui, por favor me ouve aqui, desaprendi a voar de tanto me preocupar, com problemas que eram pequenos, mas nessas medidas insolúveis fico com tanto medo, que prefiro só remar e nem pensar em quase que nada.
Por tempos achei que eram apenas férias demoradas, mas elas caminharam sozinhas e foram tomando vida própria. Os dias ou foto-cópias reformuladas para enjoar menos, ou demasiadas mudanças nas tintas do corredor para mudar o clima levemente, para por fim, enjoar menos ainda. Aplausos para os bebês que nascem e que ainda passarão por tudo isso. Reclamando menos, pois há tempos entendi, mas mesmo ao entender, continuei batendo em silencio querendo explicar menos as coisas, cabendo em cada minuto de boca fechada o crescimento interno de constantes medidas fora do eixo. Falando só das mesmas coisas e esse não era o meu objetivo. Disse que seria diferente dessa moçada apressada, que remaria contra a maré e que nem ligaria para metade dos seus problemas, bailaria noites e dias até engessar meus dois pés e nenhuma cadeira pudesse me segurar nessa intensa vontade de voar cada vez mais longe. Quero seguir, quero partir, mas são parcelas atrasadas e cobranças vindas do ego, peço para calar-te, mas mal-educados cantam até para o seu sofrimento, por isso devo virar menos noites e beber menos dessa loucura mutua do mundo humano e tentar captar aquilo que os olhos enquadrarem, na medida do possível, registrar meus sonhos, mas definitivamente, nunca parar de sonhar.
“Crescer não dói”
Mas o peso acumula tantas outras coisas e essas a gente releva até onde dá, segue olhando os pontos fundamentais e absorvendo o necessário. O peso é só o peso Leonardo e mais nada. Mentira! O Peso não me deixa chorar em paz sozinho a saudade daquela que partiu sem dizer o que precisava dizer, estranho a cicatrização que mantém distante, mas muito lá atrás e quem disse que era isso que eu queria?  Frio e disfarçado, casacos de cor preta para escancarar menos as mágoas ou os dilemas, corro para desencanar e levar com calma, mas aqui dentro tudo e todos estão gritando tanto. Dizendo para tentar de outro jeito ou perguntando a cada momento se a formula é essa ou aquela. Preferia o mundo sem as derrotas dos adultos, sem os esquemas mentirosos para sacanear seus próprios amigos. Não gosto desse mundo que ninguém confia em ninguém. Que muitos se abraçam, mas poucos se amam. Torturante ver a mentira sendo tratada como verdade e espalhada de boca em boca e gritada por muitos ao mesmo tempo. Amor está bem longe disso que estão pregando, pois amor é incolor, é indolor e incapaz de fazer sofrer. Amor te derruba para o bem, para te fazer levantar e competir de igual com as novas chances que obtiver. Amor é capaz de construir muralhas e incapaz de estabelecer esse iceberg dentro de qualquer coração gelado, pois o amor é quente. Quente como o mar a noite, quente como abraço de mãe que sinto tanta saudade. O Amor é maior que qualquer nome Possível de se escrever em qualquer página de caderno, é maior que qualquer previsão do tempo ou noticia de jornal.
Mãe, quero crescer devagar,  diz para me cutucarem menos e levarem a sério as minhas idéias, para esquecerem de mim quando precisar respirar sozinho, gosto muito desse quarto e da calma que a solidão as vezes me dá, mas também amo o maior sorriso do mundo do coração mais confortável que meu Senhor poderia me entregar de presente para a eternidade de cada freqüência ou desejo humano, superando cada barreira ou possibilidade de enxergar a olho nu. O mundo está tão sujo, varro a casa e sempre encontro poeira pelos cantos, me esforço, mas ela continua lá, todo mundo percebe, mas estranho ninguém tirar ela de lá.
Não quero ser como você e muito menos igual a você, eu quero ser eu mesmo e fazer tudo que me der vontade. Na hora do meu samba, que nem é de raiz, mas compreendo ser de verdade, pois assim me disseram e se não for, transformo em peso e chamo de algum nome que inventar, o mundo é meu e quem manda nele sou eu.


Leonardo Fonseca

21 de out. de 2011

Devaneios de Partida


Devaneios sublimes do alto da primavera avistam tentativas estranhas, denotando que cursos poderiam atingir novas metas no verão, mas se não, melhor assim explicar dialogando, sem gritos, perseverando a boa companhia e a graça de obter quem se gosta sempre perto.

Sendo assim...

- Ei, ei, abre essa porta, abre essa porta, preciso urgentemente falar com você! Sei que está dormindo e sei que odeia ser acordada as pressas, mas preciso dizer muitas coisas que ouvi ali no bosque! Eles estão querendo, eles estão!

O menino de verde gritou e bateu na porta, mas nada de ter retorno, sem volta, sem volta. Acordar fadas é tarefa complexa demais para garoto hiperativo, ansiedade e pensamentos alem do alcance permitem pouca garantia na compaixão das silabas.

- Sino! Abre essa porta por favor, tende ouvir as minhas palavras, essas que são menos minhas do que das pessoas e bocas que ouvi dizer. Ouvi, ouvi e devia ter passado despercebido, mas ouvi, por favor me atende, por favor! Estava todo mundo gritando e acho que era guerra em inicio, amplitude de fatores entraram em colapso e disseram coisas absurdas que teremos que fazer. Agiremos contrários as nossas vontades e mesmo assim não me atende?!

Cada vez mais aflito, cada vez mais forte batia na porta, mas nada de levantar, nada de escutar. Quase que desistindo, sentou-se. Afinou sua vontade, desacelerou a respiração e tentou se acalmar como podia. As vezes os ouvidos são como antenas e nossos corações liquidificadores burros, misturam tudo e enganam quem precisa realmente filtrar nossas verdadeiras sensações. Cabe ao coração compreender as medidas certas e condensar o devido para sempre caber no copo.

A paz exclamou-se, abstendo-se de exclamação. Largura alguma mediria corretamente a complexidade desse momento, certos fatores encaixam-se somente em expressões pré-dispostas no antigo, do tempo que pensar era algo valorizado por nobres e fieis seguidores da verdade e do respeito. Mas quando as pessoas gritam, fica difícil de entender, são palavras disparadas e não palavras ditas. As bolas quicam pelo quintal e definitivamente, nunca encontram o caminho do gol. Mas mesmo assim, manteve-se agora sentado, desistindo dos gritos e escalou a paciência, pois se gritos não acordam, possivelmente o tempo há de acordar, como há de passar, como há de vir o mais tarde que já está logo ali. Só depende da paciência do expectador e do vigente personagem que ali sentado começou a sussurrar.

- Permita-me presenciar o futuro Senhor. Permita-me encontrar no reflexo desse ser cada mudança necessária para evolução coletiva de todos os irmãos que precisarem das minhas mãos, idéias e força. Aflito corri perante a gritaria e cá estou a suplicar humildemente, permita-me ficar mais um pouco e ver a corredeira virar cachoeira e o calor trazer o mar para perto das nossas canelas no verão. Permita-me perceber, diferentes dos que não vem, permita-me ouvir, diferente daqueles que se distanciam. Estarei perto, estarei sempre bem perto, no devido espaço que for limitado o meu viver e o meu ser estar. Sem complicar, faz com que aquelas pessoas se acalmem e parem de dizer o que tanto dizem. De longe não sou o mais certo, de longe estou longe de ter razão, mas vim para errar, tropeçar e levantar, era esse meu intuito desde o sempre que me foi aceito permanecer e estar, eis então que suplico e peço em nome de Seu filho Amado.
...
A vida segue em barcos de marés alternadas, de pessoas que vão em vem. De dias e noites esquecidas nas cartas de outros que passaram e deixaram recado em folha de papel, molhou-se na chuva que passou e as letras ficaram manchadas, sobraram apenas os sentimentos, esses que devo carregar com firmeza para compreender sempre o que precisa ser feito, perdoa-me se errar, perdoa-me se disser demais, pois as horas vão passar e assim vai acabar, como já vi em filmes e relatórios que dizem que funciona mais ou menos assim quando a paciência é congelada junto com as misturas da geladeira.
...
ouvindo orações, seus ouvidos arrepiaram-se e coçaram lentamente. Foi susto que fez a fada se jogar já de pé e de prontidão abriu a porta e se deparou com o menino de verde ali sentado, desolado, sozinho, quase com dó, foi e o atendeu.

- Sonhei que gritavam, gritavam muito. Batiam em minha porta e nem pude atender. No sonho eu não conseguia atender, não conseguia, mas juro de toda jureza que parecia real demais. Batiam, batiam e Toc Toc Toc que não parava. Ui que sonho Estranho!

- Era eu Sino a bater, mas em sonho pesado não ouviu e cá fiquei a te esperar, por que preciso muito conversar e te dizer coisas que estão para acontecer, isso se for verdade os gritos que ouvi pelo bosque, gritos horríveis, demais, de vontade aguar as minhas retinas.

- Gritos? Que gritos? Do que fala Peter?

- Toc, Toc, Toc, não querem mais Peter perto da Sino! Não querem, querem me levar para lá e me afastar, para lá para crescer e ter que te abandonar aqui. Toc, toc, toc! Querem gritar comigo para ver se as contas consigo pagar e as filas consigo enfrentar. Toc, Toc, Toc, estão dizendo que preciso ir bem em matemática e ser fiel ao meu chefe e estão dizendo também que preciso voar menos e apreciar mais as letras enfileiradas nas bulas dos remédios.

Em minuto de silencio que se diz quase tudo, dizendo mais do que até podia entender, esticou a sobrancelha e fez cara de espantada, assustada, pálida, cara bem pálida. Acho que faltou sal na sua bolsa, acho que faltou, mas logo se recuperou e veio a repercutir sonoramente sua opinião.

- Se for, vou com você!

- Mas e tudo isso que tenho que aprender?

- Aprendo com você!

- E as dores do amanhecer de segunda feira?!

- Fichinha!

- E os engravatados gritando e gritando?!

- Moleza!

- E as chuvas que intermináveis?!

- Podemos dançar até ficar ensopados, pegamos sabonetes e fazemos bolhas e mais bolhas, dançamos lá, lá, lá e ré, ré, ré! Mais nada alem de dançar. Quem dança espanta tudo que da tristeza, faz molejo virar bobeira e a bobeira paga tudo que faz ser chato daqui, então estou fugindo com você!
...

Se preciso de 10 e estou em 2
Só preciso de 5
Se preciso ter 1 tanto e estou em 2
Só preciso de 1/2 Tanto
Preciso só de meia dor
Preciso de só uma colher
Só um prato
2 sabores e 2 bocas
Só preciso dividir
Só preciso multiplicar para ter mais e sempre mais
E para não faltar amor?!
Só preciso do meu somado com o teu!

Que somado, dá o Maior Amor do Planeta Terra.


Mais ou menos assim, pelo menos por enquanto.


Leo Fonseca

5 de out. de 2011

Carta_ Devido Amor Polinizado

Acompanhado na altura da cintura, jogava a milhão quando o ponteiro marcava quase duzentos quilômetros por hora. Vacilação tamanha, mas proteção cabida ali jogados sobre a motoneta, seguiam firmemente. Rumo norte, bussolas apostas cantarolando o lado certo da onda do mar que há de bater, devido o tempo que agora ganhou juros acumulados do montante antigo, dizendo que teria sorrisos a mais para trazer na volta para casa. Anulo tal assunto providenciando o enredo da historia que está a seguir descrever-se por si conjugada em verbetes acostumados com as linhas de todas as historias de amor, mas essa devo dizer a você leitor, devo adiantar, que é a mais bonita de todas as historias que já conheceu. Cansaria de contar linhas no final da redação, tentando explicar o lado certo que começou, tentando contar quão belo foi o caminho da motoneta, vou direto ao assunto de maneira breve, para esclarecer ao máximo. Desculpa se esquecer de descrever aquela parte lá, mas é que foram tantas as partes, que nem mesmo maior historiador de todos seria capaz de agrupar simbolicamente tudo em um tiro só de pensamento. Desculpa também aos envolvidos, mas de maneira egoísta, protagonizarei junto a minha donzela as linhas que virão e fica para a próxima, pelo menos dessa vez.

Enquanto isso, logo ali, bem logo ali no mundo bem parecido com o nosso, mas diferente na maneira do tempo passar, se é que o tempo passa.
...


- Veste seu chapéu menino bobo! Esqueceu da ultima vez e a pena ficou a te procurar, verde como ela, jogada aos cantos procurando algo para contribuir a sua leveza, pois se for esperto como diz, esquece menos e voa mais.

- estridente demais para justificar seu atraso, do lado de cá deixei tudo organizado. Se o Tic contasse o Tac, estaria tão menos encontrada quanto a minha pena voadora. Sabotadora de lares de fadas complexadas, vamos pois já é hora, grita de mim, mas dos seus atrasos tu nunca melhora.

Preparando para partir estavam, ambos de verde, combinando com as arvores, leves como penas. Preparados estavam, tirando os devidos atrasos decorrentes da preguiça acumulada e da mania do tempo passar estupidamente estranho quando unidos na mesma ação. Seria incapaz de explicar como funcionam os relógios quando estão juntos, ainda mais desse lado que o tempo passa quando quer.

Arrumados saíram voando pela janela, para facilitar e deixar a chave da porta já na bolsa.  Passaram-se jardins, morros e vales. Rios, lagos e crianças. O mundo parece muito menor visto de cima. Lá de cima se vê tudo, lá de baixo, se via os dois, percorrendo com as mãos unidas, puxando para apressar.

- Pra que se apressar agora? Relaxa essa cabeça e aproveita a vista! Verde! Amarelo! Vermelho! Rosa e azul! Quantos pomares? Suficiente, serpente e sorvete. Criado mudo falante e calouros reprimidos, repletos de vergonha, olha Peter, que mundo louco ali embaixo! Num pouco de tudo, tudo num pouco do tudo ali de baixo. Debaixo da ponte vivem crianças, pobres. Cantam e se divertem ali. Japão, Capão, gargalhadas.  De pouco em pouco percebe-se, mas bem de pouco memo.

- Confunde o caminho acelerando meu pensar, nessas horas que preciso pensar e refletir devagar. Se errar, logo irá me culpar, gritar e cantar para todos que o culpado foi eu, mas se dizer, vou negar e se protestar, durmo e espero acalmar toda a questão. Se bem, que vendo daqui, vejo que a culpa nunca é de ninguém mas é sempre nossa, a culpa é daquele que tenta, mas errado é tentar de menos, ficar parado, engordar a preguiça e desejar sonecas alem do suficiente. Mundo enorme cheio de fatos e ocorridos simultâneos. Constante faz criar e faz querer entender, cabem nos livros, mas nem todos os escritores souberam de tudo aquilo ali.

Percorriam campos enormes, verdes. Crianças brincavam com bola, meninas pulavam corda e os meninos contavam piada. Coração aprendeu a se apaixonar e envergonhou-se, correu pelo bairro e tentou entender a palpitação acelerada, ritmada como musica circense e o menino se jogou da corda, de cabeça furou o lago com maior mergulho de todos os tempos. Enquanto se voa, se observa. Se enaltece a alma vendo tudo que se falta, esclarecendo os esquecimentos repentinos dos ônibus lotados e do transito atrasado dessa megalópole assassina de olhares justos. As contas vão se pagar, elas aprendem bem o caminho do banco, tal qual menino que abotoa calça e amarra seu sapato sujo, batido de tanto brincar. Assim amou mãe.

- Se deixasse de ser fada, seria grande moça, pra prestarem mais atenção na voz que necessita ecoar. Diria aqui de cima usando megafone: Vocês precisam prestar mais atenção! Deixem as bulas de lado e partiremos juntos para a praticidade dos acontecimentos! Decorem menos musicas e cantem mais! Pintem mais o mundo, mas não usem tintas! Conversem e deixem os assuntos em casa! Renove e mova, mova e traga o novo de novo, para aqueles que não sabem, a conexão caiu e não adianta ir ate ali procurar, porque ele não vai te explicar. Se deixasse de ser fada, contaria que estou apaixonada. Suavemente assim, transcenderia minha paixão. Seu samba tem bordão, fica fácil de seguir na leva desse bloco complexado. Animo aqui e grita comigo daqui.

- Se deixasse de ser Menino Perdido, me encontraria. Andaria por todos os cantos explicando que estão fazendo errado, mas posso explicar! Trata ele bem que ele volta. Faz direito que sempre irá de ter. Faço necessário para tédio existir em vocabulário somente dos que menos necessitam sentir, espalharia democraticamente, ninguém sentiria as margens do cabível. Maçãs, garrafas com água e sorrisos. Roupas largas e pastel na feira na hora do almoço. Se marcassem suas responsabilidades em horários alternativos, carro atrás de carro nunca mais viraria ibope de jornal. Aos falidos, basta bailar e pra lá que vamos com tanta pressa. Justifico a falta da minha grana a nossa vontade de dançar, mas se realmente precisar, estou disposto a dividir o pouco que me resta, vem comigo ser meu par!

As porcentagens justificam a incapacidade de somar, agregar e ludibriar o necessário. Impostos justificam a crescente ignorância nas administrações desse mundo. Imagina contar quantas ondas estão a se formar? Imagina sorrisos contabilizados em tarde inesquecível? O necessário não se conta, é bom transbordar os bolsos e permitir o débito automático. Perde-se menos tempo, lembrando-se a barba que vai surgir, mas os problemas devem se extinguir. Se disser que é história de monge, de louco, admito sua certeza, sua coerência. Está certo! Se disser que é impossível, logo em seu rosto, retorno dizendo que a possibilidade existe, se amanhã virá e existirá, deixo ao próprio tempo a resposta, mas no estante presente, assumo com postura meus  lemas e digo que sim, podemos voar.

- se tenho três, chamo oito amigo e faço dezesseis. Pão e leite a todos, festa até o anoitecer da semana que talvez virá, se entardecer, culpo o Tic Tac que comeu demais e ficou indisposto para bailar com sapiência sem estremecer. A rigor estão, devidos, elegantes, respostas terão. Com o fechar dos olhos e o abrir de seus corações sentirão, prometo que sim. Se não? A negatividade gera o negativo, envolto dos possíveis acontecimentos, prefiro acreditar que sim. Prefiro sambar, festejar, anular enfraquece a possibilidade. Escurece com suas mãos e esquece do mundo lá fora. Samba e joga para roda, que se der certo essa magia, meus amigos logo chegarão com cuíca e agogô, cavaco e violão. Levem essa canção para suas residências, espalhem a boa nova e permitam-se encantar, vamos nos envolver com o interessante e te amar para que tenha mais espaço para amar.

- as pétalas cheirosas emanam a gratidão silenciosamente e cobram mais brilho, compenetradas ao estabelecer harmonia aos ouvidos e sentinelas polinizadoras das novidades que jornais excluem das páginas principais. As notas coloridas aprenderam a falar a língua dos barbados e dizem lá de cima que estão no poder, sendo que gritos resolvem menos que cada pétala desapercebida. Desacredito no seu crédito, no seu banco e na sua conta. Desacredito no seu jeito, desacredito na sua festa vazia, repleta de bebidas que matam a sede de gente triste. Te alegro tropeçando e comprovando que estou sempre errado. Empresto minha pena verde, quem sabe aprende a errar também. Joga a culpa no meu peito que eu domino e chuto para o gol. Comemoro com a torcida e tenho a melhor companheira do mundo para admitir que amor pouco é loucura.

Contrabalança da esquerda para direita, pé e mão. Explico que amor está nascendo e para ter conclusão, aos jovens, direi poesia, pois o maior amor do mundo voando está para imitar abelha e florescer flautas doces ao redor do planeta verde, azul, amarelo, rosa e cinza quando chove. Deixo poesia, deixo esclarecida, deixo cortesia, minha metade pode ser teu inteiro, parto tudo para ti para haver mais que se pode contar e se conter, pode desperdiçar.
...

Joga o pó mágico e parte a voar / Fecha os olhos e estremeça o pensamento / Lá de lá pedem sentimento / Se pesado estiver, leve deve ficar / Esquece mania de apressar / relógio quebrado precisa se conter / Abster do desnecessário / Bolsos pesados fazem barulho / Jogam para baixo e fazem balburdio / Meninos devem somente lembrar / Que sorriso é moda / Que alegria é vida / Contradizer é passado / Está ao meu lado / desfecho atenuado / simplificado em quatro linhas / expressas essas que sabem explicar que as fadinhas / Que o amor precisa se espalhar / contagiar / disseminar / Se este deixar de ocorrer / Esse aqui deixará de ter o que contar.




Seja Bem Vinda Primavera.



Leo

24 de set. de 2011

#_Dialética Contrapartidária


Cicatrizando embrenhou-se diante da primavera pré-datada, dos juros acumulados e o Risco País que agrega novos valores perante especulações do Fim do Mundo. Novidades enfileiradas nas vitrines, das mesmas taxas, agora endividadas, falam somente o necessário para expor menos a prótese meia boca que o financiamento pode garantir. Complicado ser Rei no país dos interessados em pouca cultura, do umbigo farto e da mediocridade subsidiada pela máfia conspiratória. Deve ser filho de pai mal criado pelo avô, apanhou demais e mesmo longe da ditadura, ainda vive os resquícios de burrice acumulada, sonhou em ter vídeo game de última geração e só depois de velho percebeu que não cabem dentro do seu próprio corpo, mesmo que esse adentre possível orifício. E perguntando em sussurros a quem deveria dirigir o protesto chulo do menino de prédio? Acho que já errei tanto que perdi o direito de reclamar, mas os dias no deserto me fizeram bem. Desisti de emplacar hits, desisti de ser a moda, desisti de ser o mais alto ali da turma do fundo. De tudo aquilo que tinha discursado, desisti e antes que o mais truculento venha ofender, desisti dele também, junto com a lista de falências múltiplas que estão a seguir, em capítulos próximos e de fácil entendimento, pois averiguando pequenos detalhes, discorri subliminarmente sobre meus próprios feitos, para não jogar a culpa em ninguém e discutir sobre a primeira pessoa do singular.

Por três anos senti muitas dores nas costas e no pescoço por ter olhos somente para o meu umbigo centralizado em minha barriga. Algumas foram as bactérias que passaram por ali e fizeram amizades e trouxeram para turma vasta lista de ilustres idiotas. Vícios, manias, hábitos e desculpas esfarrapadas. Tonturas, colapsos e falta de percepção. Cego que não escuta e surdo que não vê por pura preguiça. Existir pode parecer um dilema, mas fazer de conta é o pior. Se acostumar com o dilema é pior que carregar crachá de troxa. Bater a mão nas costas depois do abraço, chamar de amigo e depois falar mal. Ter pouca opinião formada, por ainda estar captando informações suficientes para falar sobre a vida alheia. Meu umbigo realmente estava muito sujo, continua, mas cabe ainda o veredito supremo, passando por investigações, esqueci de afirmar que continuo errando, mas sem as pupilas dilatadas, percebo que meu cérebro voltou a funcionar forçando menos. Impulsionando por vontade singular, alinhado ao vocabulário decifrado em anúncios de supermercado e sábias palavras encantadas pelo tempo, por exato momento, subverti.

Agradeço diariamente cada dia dessa estadia, meus braços, minhas pernas, meu corpo e minha alma. Agradeço os pássaros que levam sementes, pelos frutos e pela capacidade de aprender. Gol aos quarenta e cinco do segundo do tempo ainda vale! Gosto daqui, mas deixei de aceitar. Parecia extremista chegar nesse ponto de percepção, mas agora, aos quarenta e sete minutos, simplifico a direita e alio a esquerda, padronizando o obvio de maneira clara, pois excluo impostos e taxas, crio o underground para os meus feitos. São os meus shows e o meu público. Seja a senhora que dança sozinha com a vassoura ou o garoto que passa os seus olhos por aqui agora e tenho a graça de dizer que estamos juntos, pois devemos contrastar novos pensamentos. Seu digestivo não me alimenta, me corrompe e me destrói, faz mal e dilacera qualquer possibilidade de assinar as probabilidades dos meus feitos e não faço parte junto da sua turma de umbigo sujo.

O sistema destrói, manipula, corrompe, estupra, dilacera sentimentos e cria sonhos corruptos para mãos em crescimento. Sereis advogados e lutarei por leis falsas. Combaterei aliados e atirarei contra o espelho. Sois vândalos de seus lares, pichadores de muros erguidos por vossos pais, declarados no imposto de renda, INSS ou os dez por cento que nunca vão para a família do garçom. Trabalha até tarde e faz tempo que pegou no sono pela última vez, deve até o leite que está para beber e se ainda há de beber, é por que sente fome e explica com a falta de sono a vontade de sumir. Maldita hora que decidiu ser o mais rápido na corrida dos gametas. Agora enfrenta a barbaridade que é existir e a escolha foi de um terceiro do singular pouco ousado, fissurado por notas retangulares, feitas com o mesmo material que fabrica o higienizador de orifício e que trocando em miúdos, concluímos que o valor, perante o real significado, que mal lavado também é sujo do outro lado, só está a falta de postura daquele que no dia que a luz brilhar, sentirá muita vergonha, pois aquele que sabe realmente, averiguará até a cor de suas unhas e se falhar, voltará para o final da fila.

É só protesto calado da indignação sem aliados, se valesse a pena, se realmente valesse a pena, preguiça deixaria de ser pecado e aprenderia que ter menos méritos na vida que é o importante. Processo retroativo degrada a existência dessa raça que se julga superior, mas mesmo com tantas descobertas e tramóias tecnológicas para vender telefones, o ser humano esqueceu de aprender o básico. Escovar os dentes, alimentar-se adequadamente, andar com um passo atrás do outro. Respirar, respeitar, conversar, admirar. Sem óculos 3D, efeitos especiais e explosões programadas. O Básico me agrada e foi nisso que falhei tanto, mas assumo a culpa da má administração desse barco. Assumirei os remos com mais disciplina nas corredeiras próximas e garanto que piscarei menos meus olhos.
Se fosse fácil, perderia a graça.


Bem vindo a Primavera.


Mao Tse Tung

6 de jul. de 2011

#CONTO - Asteróide e caixas de fósforo queimadas.

Estranho Asteróide 25, menos gritos pelas ruas, comportado e quieto. Olhando pra frente e só pra frente. Sem poesia, anarquizando o mínimo para estabelecer mais tempo para outras funções tradicionais desse pequeno pedaço de espaço perdido no lugar errado. Redundante e remando caminhos complexos e obscuros. Sei que é triste identificar logo de cara algo tão pesado, mas em primeira estância, é o que vem a florir as frases dessa descrição lúcida. Estudado pela NASA, numerólogos e cartomantes renomadas. Dizem muito sobre a mística das teorias inventadas por Leonardo Fonseca, ou por alguém ai que quiser dar o nome pra chamada. Asteróides assim vivem em rota de colisão. Entre estrelas e a solidão. Soldados expulsaram todas as vidas espertas do pequeno espaço, mas esqueceram um grande tesouro ali dentro e com força de vontade, precisariam mandar um bom especialista para trazê-lo para o Planeta Terra e largar de vez pelo universo esse Asteróide doidão. 25 criou missão dedicada, interpretando da sua forma que paralisa e deixa burro, inconstante e até cruel. São dúvidas gritadas para o espaço e não respondidas pelo Eco. As palavras ficam espalhadas em labirintos de vídeo-game, Pac-Man e coisas de Nerds da geração passada, que hoje habitam outros territórios, indiferentes nessa parte da história. Encontrar esse tesouro seria uma missão bem complicada.

Muitos se inscreveram quando os órgãos responsáveis proclamaram a necessidade de recrutas aptos para voar bem alto, para o desconhecido. Disseram em Nota Oficial que no mínimo deveriam ter muita coragem. Crédito também para aqueles libertos de amarras e pensamentos fixos, recrutas desprendidos. Ágeis em conversar e espalhar boas ideias. Nem sempre as melhores ideias, mas pronto para debater e encontrar uma solução justa para tudo sempre. Aborrecimentos acontecerão, então, ele deve ser tranquilo, respirador.

- ouvi minha voz perdida no tempo, pouco captado. Simplificado em termos simples. Explicando em gestos que o belo é ser simples, ser tão leve. Julgador somente dos próprios atos. Observando de olhos fechados o coração, cantando pra dentro alguma canção que acalme, que faça bem. Que não faça nada além da alegria. O movimento coletivo faz mais efeito quando esse sorri. Quando esse caminha junto, empolga e motiva com o desprendimento das amarras chatas dos vícios dessa vida. Se for pelo bem, vale duas vezes mais a pena. Mantenha o respeito sob o silencio e o compreenda sem usar de vozes da sua mente. Elas gritam demais e é só respirar.

Buscando o infinito dessa jornada, antes debatidos em rodas de chá, agora o bem do mundo depende do mistério do tesouro. Capturado em terras desconhecidas, abandonadas, completadas por novidades em fase de construção. Alicerce constante da evolução necessária para prosseguimento da nossa elevação. Para isso escolheram um Astronauta, embarcado em um foguete amarelo, depois do almoço. Durante o programa de esporte, que foi interrompido para todas as televisões mostrarem a mesma cena. O foguete cor de gema subindo e cortando levemente todas as nuvens atrevidas do caminho. Desenhava os oceanos e os continentes, americano, oriente, ocidente, Oceania e o Paquistão misturado com a orelha de coelho. Ao desaparecer das linhas terráqueas, as transmissões voltaram ao normal.

O Marujo estelar subia sozinho, respirando lentamente para subverter o nervosismo, estendendo a mão, buscando energia. De olhos fechados, concentrado em estar vivo. Estufou o peito e concentrou-se em três puxadas de ar. A primeira foi bem forte, puxou o máximo de oxigênio que seu pulmão permitia e segurou. Soltou o ar só depois de cinco segundos contados por ele mesmo. Na segunda vez, não deu tempo de pensar, uma explosão fez a respiração entrar em segundo plano. Tudo voou pelos ares.

De braços abertos pelo universo, remando como se fossem ondas do mar. Gigantes como do litoral norte, de braçadas curtas. Desacordado. Flutuava entre as estrelas maiores, Ursa Polar e constelações aleatórias. Todas as vezes que encontro as Três Marias, peço por você aqui e um pouco mais de sorte nessa vida. Flutuar e não estar morto é sinal de sorte e a sorte vem em carreto firme para quem é de percepção forte. Seu corpo boiava, mas ao abrir os olhos, sentiu-se deitado, ergueu o pescoço se encontrou no Asteróide 25. Vestido com uma camiseta branca e uma bermuda preta. Esqueci de descrever o menino, ele é normal igual a você! Tem cabelo, rosto e cotovelo, tem pensamentos e até torce por algum time. Abstrai algumas loucuras do mundo e sempre está de bem com tudo. Ele é você quando está tudo bem. Quando os problemas parecem só lombadas e não muros na rodovia. Fazem parte do Processo todas as explosões e rupturas na espaço-nave.

Fielmente a maturidade me engana, o lado adulto do mundo continua assustando as linhas das minhas conversas internas, dizendo sobre coisas que me assustavam muito quando mais novo e que agora vejo no meu Asteróide desmitificar esse tesouro e encontrar a salvação de várias coisas interessantes. O interessante se perdeu, seus cabelos caem e o sorriso some. Deveria dizer que está errado, mas sua voz que deve cantar em seu ouvido sempre, antes de qualquer termo fixo que torture longamente. Espere em silêncio tudo se acalmar, concentrado na positividade, cremos com esperança que o estado evolutivo permita perceber as nossas capacidades. Largando o vazio, completando com endorfina e noites bem dormidas, ataques viscerais em sonhos gostosos de lembrar quando acordar.

Acredito na evolução do ser humano para continuidade tranquila do Mundo onde vivemos. A Evolução é o nosso maior tesouro nessa geração. Pensamos, gostamos, desejamos e temos opções diferentes. Cantos, quadros, pintores e designers, todos espalhados por cantos que antigamente só víamos em livros e hoje descobrimos em cliques e acesso simultâneo a quantas informações você quiser, necessitar, ou só pra matar a curiosidade, temos ainda opções ainda mais rápidas. Creio na percepção, creio no pensamento, na coletividade, no desempenho positivo para conquistas maiores do que as cifras e superávits financeiros. Vida além do capital e da necessidade eterna de comprar ou falar sobre. Da vida vivida, sentida, amada. Abraços e carinhos, sentir a vida. Pessoas falando alto e poucos se aborrecendo, respeitar os momentos felizes. Respeitar os momentos de tristeza também, fazendo deles, momentos de aprendizado e coligações internas que preparam o ser através de certas marcas deixadas pelo tempo. E o Tempo? O Tempo não sabe de nada! Faremos pelo agora que vivemos e isso já considerado ótimo pelos cientistas.

Enquanto o Asteróide percorre o espaço, descubro por aqui alguns tesouros. Guardo e aprendo o que for suficiente, se vim até aqui, foi só por esse motivo. Queria ver o Planeta Terra mais de perto, sentir e viver grudado.

...por você


Leonardo Fonseca