11 de out. de 2009

#Vintegramas - As luzes do Planalto Central


Quarto dos cinco dias que estarei longe da cama que chamo de minha e possui só um dono, dividindo com quem merece e conhecendo quem deseja dizer o nome para pessoa curiosa. Em paz, pensando positivo e seguindo em frente, fugindo da rotina mundana e se jogando no mundo louco da velocidade estranha. Um dia noite e outros dois para se passar acordado e confundindo mais uma vez, me perco e não sei o número certo do quarto que me hospedei, perdido no corredor procurei, mas sem querer achei o certo, acreditando sempre no lado mais óbvio do pensamento humano. Esquece o sapato e vai de chinelo, esquece a camiseta e entrega para quem merece aquilo que deseja compartilhar, um pouco de boa idéia para dizer e novidades para contar quando chegar em casa. Vou aumentar algumas coisas, mas estou na estrada. Divulgando meu rosto por onde passo, mesmo que fique sem saber meu nome, vai lembrar que passei com os olhos na sua frente. Desejou me conhecer e talvez até tenha me conhecido, nessa loucura quase que abstrata desses fatos loucos que vêm acontecendo. Um dia o lago e no outro o Rio de Janeiro, em novembro ou dezembro, perto de algum feriado ou no meio da semana, sem trânsito, sem dificuldade, ouvindo som alto no cérebro para animar tudo que possa deixar para baixo esse astral. Positiva forma de se levar a vida. Carrego minhas energias no silêncio do meu coração, descansando tudo que possa pensar e tentando não pensar, tentando não dizer, tentando guardar só para si essa vontade de voltar a falar até cansar a lingua. Não me preocupo mais tanto quanto antes, me preocupo bem menos e sem preocupações, mantenho todos os fios de cabelo da minha cabeça, ainda, com uma cor só. Preto, escuro e brilhante quando o sol bate no final da tarde, do dia bem aproveitado, daquele que fez dia virar noite e dançou com uma menina desconhecida. Bebeu e desejou todas as meninas ao mesmo tempo, bebeu e tentou conquistar todas ao mesmo tempo. Viu teu ex-amor, ali jogada no colo daquele que horas atrás, a mesma vinha te dizer sobre tal existência. Amando boca nova que puder amar, na oportunidade múltipla de sempre me apaixonar e conseguir com que desejo seja enfim realizado.

Na estranha estrada sem cursor correto, com tudo perdido pelo caminho, com tudo jogado pelos cantos. Aqui mesmo que eu gostaria de estar, estou, desejo estar mais ainda em diversos lugares e ao mesmo tempo. Vou sendo um pouco daquilo que necessito de uma forma muito profissional, ser em um futuro não tão distante assim. Crescendo um pouco na minha capacidade de medir o meu crescimento e notando novidade em tudo que penso e percebo cada nova conclusão. Mantenho a calma, sabendo realmente que essa é a chave de tudo e perdoando tudo. Falo mais do que o necessário muitas vezes, mas continuo espalhando o meu ponto de vista. O mundo uma hora vai balançar só para te deixar esperto, para abrir os seus olhos e vai mandar aproveitar a vida de uma forma mais emocionante. Do Planalto Central, tudo parece reto, como estacionamento de shopping, no caso, muito rico. Beleza que não se vê em alguns bairros que passam enquanto ando de coletivo. Ando de coletivo e não gosto de automóveis individuais. Individualismo e burrice capitalista. Se fosse utilizado completamente como o que lhe é recomendado, seriam menos espalhados, mas as pessoas gostam de presentes caros. Vão acumulando, vão comendo, vão engordando a sua falta de necessidade de pensar, vão torturando suas contas bancárias e explicando a sua falta do que fazer no domingo, enquanto tiver sol. Vou correndo, balançando os braços e respirando devagar. Pensando em algo que faça bem e decorando meia dúzia de novos pensamentos. Não acredito muito no fogo, mas vejo rocknroll ferver a pista e pessoas invadindo o palco. Sou rockeiro na estrada, sou louco na estrada, com mais um monte de louco. Sonhando cada um na sua frequência, cada um da forma que é melhor amar essa tal vida que vivemos. Vivemos e damos risadas dos nossos erros e colaborando com sono, vou conhecendo o mundo que Deus me deu de presente antes de descer até aqui. Vim para reinar um pouco daquilo que puder conhecer. Conhecerei e nem sempre registrarei em imagens sólidas, mas no meu coração, cada sensação sempre é guardada. Coisas que só teu olho vê. Me dando a oportunidade de ser a pessoa que guarda de forma única aquilo que se deseja ver do ocorrido. Registrando sorriso e animação, rodas e muvuca, gente gritando e mais loucura.

Estou nesse momento na varanda do quarto do hotel, observando as estrelas do Planalto Central, sentindo uma sensação que eu nunca tinha sentido, lembrando de cada sensação que venho conhecendo nesses cinco dias que vão acontecer e anotando em imagens tudo aquilo que está acontecendo. Com a câmera na mão vou recordando em fitinhas de cor vermelha tudo aquilo que está na memória de um fã que gritou. Que saiu de casa, vestiu uma camiseta e foi ver show de rock, foi gritar e tirar foto com o seu ídolo. Cada um na sua habilidade, cada um com o seu instrumento, cada um na sua função, cada um em uma mesma união. Num todo somos só um. Braços, pernas e uma cabeça que pensa por todas, pensando numa mesma coisa, correndo em uma mesma direção. Torcendo, vibrando, rindo, amando e se perdendo. Bebendo, vivendo e contando histórias quando consegue voltar para casa. Inspirador céu da Capital do meu país. Punk rock acontece com o moicano levantado, em rodas de jovens que procuram um motivo para estar aqui, decifrando que ficar velho é o limite de alguns sonhos, mas que ainda pode ser mais do que realmente sonha. Pode ser o sonho de alguem e a razão de risos intensos e apaixonantes. Criança cresce e cada um de nós atinge uma devida idade comprometedora para sorrisos lisos. A perna vai cansar, mas depois de tudo anotado, merecidamente entra para a história, em uma que não seja inédita e nem tão impossível, mas com um vários malucos do meu lado vou deixando um pouco daquilo que puder deixar. Continuando vou esticar meu corpo e relaxar, preparar o espírito e continuar na estrada. Uma vez do rock, sempre do rock, uma vez da estrada, sempre da estrada, libertando todos aqueles que estão presos dentro das suas vontades. Seja livre e encontre-se de verdade!
Leo.Fonseca

Um comentário:

Kamila Vintureli disse...

Bem interessante, afinal, eu consegui mais ou menos imaginar tudo o que você fez, onde esteve e o que sentiu durante esse tempo em que o “Leo” não ficou verdinho no meu MSN, contando que tudo o que você escreveu seja verdade ou meias verdades! O que eu acredito que seja!
Esse texto foi pra mim como um “Diário de bordo”, com seu capitão registrando tudo o que aconteceu durante os dias!
Ah Leo, seus textos são ótimos e fáceis de ler...todos!Sempre!