8 de nov. de 2009

#Vintegramas - Escola técnica do esquecimento sugerido

O menino começou errado quando tentou bater para o gol. Começou correndo, tropeçou, correu mais um pouco e desistiu. Vai acordar com dor na perna, com certeza. Uma marca roxa para decorar, pele branca, nunca vê sol. As férias que não estão tão longe assim, mas acho que não vamos viajar para praia nesse verão. Meu pai perdeu o emprego e fica caro ficar viajando assim. Sempre tem alguém por aqui, o dinheiro não está sobrando para todo mundo, só para aqueles que não são tão meus amigos. Os pais deles pagam escolas mais caras e podem sempre ir para onde quiserem. Vão ver o mar durante o inverno e se escondem em algum lugar fresquinho no mês do calor. Invertem tudo. Compram coisas caras ao invés das mais baratas. A mãe do menino nem faz pesquisa de preço antes de comprar. Assina o cheque e espera ele cair na conta. Tem tanta coisa ali dentro que parece piscina de bolinha. Um dia quero ter uma festa em um Buffet bem legal. Games e um carrinho que atravesse todas as pontas. Adultos não brincam, bebem cerveja e se divertem falando da cor do carro do vizinho. O vizinho nem foi convidado dessa vez. Ele foi viajar junto com o pessoal do curso de inglês. Então peguei minha bola e desci. Oito andares. De elevador parece só um. Tudo de uma vez e sem parar. Para às vezes, andar do vizinho que quer descer. Desce também mas não joga no meu time. Hora de ver a namorada, acordou tarde, é férias e agora vai beijar sua linda donzela. Seus pais trabalham a tarde, ninguém percebe a possível movimentação do amor. Um menino entrou na quadra. Meio alto, meio desengonçado correndo. Uniforme completo do “São Paulo” e por que será que ele não usa tênis e mesmo assim tem chulé?! Te conheci ali. Veio vindo e não tinha mais ninguém para tocar a bola. Parede não corresponde com tanta força a sua jogada. Não se faz gol em área sem goleiro. Preciso de você, tem idéia de quanto tempo você vai permanecer em minha vida? Quebrei o braço mais uma vez, repetiu de ano duas vezes. Namorei algumas vezes e você pouco se apaixonou, está amando, mas não sei o quanto. Começa você no gol, começa aprendendo um pouco de como sou. Como fui e como possivelmente vou ser. Pensa no futuro de trás para frente, pensa logo.

Já é tarde e preciso subir para minha casa, o menino de azul já subiu e a sua avó está te chamando. Aperta o teu andar e não sacaneia o resto do povo que precisa subir. Não quero mais essa de parar de andar em andar, acho que não tenho mais idade, não é?! Chegou atrasado e sua avó já estava te esperando na porta. Ela gritou e eu dei risada. No dia seguinte a guerra já havia terminado e não tinha mais nenhum outro corpo ao chão. Ninguém mais gritou e o campeonato voltou. Campeão da tarde e preciso muito ter o coração da menina do nono, mas ela não desce tanto. Prefere ver a infância passar dentro de casa, assistindo TV e acreditando em tudo. Duvido que algumas coisas existam. Nem tudo é verdade e sempre tem alguém tentando enganar a gente. Deixar assustado é uma mania internacional, moda que não acaba nunca, mas eu costumo não pensar tanto nela. Esse clichê nunca me agradou e preciso ser sempre um pouco diferente. Vem comigo que te ensino a dançar, joga a coluna para trás e vê se sobe no horário certo hoje. Roupas molhadas e mais quilos de broncas. Se esconde na sessão de frutas que vou correr entre as fileiras do colégio. No meu prédio tenho amigos, no colégio eu conheci também. Mas quem sempre esteve tão próximo, sempre vai estar por perto. Tira uma foto para registrar a idade que vai passar, novidade se torna história e aumenta um pouco que ouve. Anota essa receita e faz felicidade bater na porta. Em três dias o seu amor vai bater a porta. Sem essa cara de tristeza, não precisa ficar tão desanimada, logo a semana passa e você volta a reclamar da velocidade do tempo. Relógio acelerado e louco! Não ensinaram que pode ser perigoso passar tão rápido assim. Pode se acidentar na curva ou fundir o motor na reta. Inimiga da perfeição, sem pressa, desisti de ser o primeiro e ver de camarim a escola passar. Esse ano não torço para ninguém. Futebol se foi e agora prefiro algo que ainda não sei. Um hobby para os finais de semana e o tempo que não muda. Faz calor e chove. Chove tanto e não entendo. Pede “bolinhos de chuva”, com certeza ela vai fazer e trás refrigerante, quero engordar e emagrecer.

No final da adolescência eu conheci um homem, ele era totalmente diferente de todos que já conheci. Ele se foi faz um tempo, mas não consigo esquecer por um segundo o cometa que passou em minha vida. Se minha consciência conseguir trabalhar de uma maneira bem mais sincera, explicarei de uma forma mais franca e exata, mas esse moço sempre aparece e se vai. Imortal dentro dos seus atos incríveis, ele aparece e logo some, aparece diferente e não tem mais o mesmo rosto no espelho, cresceu pelo e está estranho. Achei que fosse maior, achei que fosse mais emocionante. Onde estão as festas e as bandas? Virou na segunda reta e desapareceu. Disse que amanhã vai ser tudo diferente, não sei explicar o que seria o diferente, mas descubro e anoto tudo que tiver que anotar, levo meu caderninho no bolso e o que não der, pulo e volto duas casas no futuro, pago com a responsabilidade de ter um amanhã mais contente. Dormi demais e mesmo assim não cresci, voltei no tempo e me perdi. Perdi o tempo da bola e ela veio na minha cara. Amigos se foram e alguns estão voltando, preciso correr, correr tanto, cansa, mas correrei, cansa, mas continuarei correndo. Ao amanhecer levanto e sigo o necessário, colocar em dia algumas coisas e descansar só ao final do dia. Gente grande que não cresceu, pagando a irresponsabilidade de alguns dias bem dormidos. Vontade ser atleta, correndo, correndo e agora tentando poder voar. Voa contra o tempo e encontra tudo que deixou pelo caminho, leva uma sexta e me encontra no sábado, perde a noção dos fatos e começa tudo de novo. Cansei de explicar e não seguir, cansei de dizer e sozinho esquecer. No cronograma, esse é o momento que seu rosto fica mais velho e a sua vida também necessita. Trabalha mais um pouco e dorme quando der sono. Começa agora e deixa para entender depois, cruza os dedos e joga a sorte para cima. Quando ela cair, fala que volto depois de quinze dias. Resolvi me internar e entender da dependência, sacar melhor essa decadência, ser, vamos ser, seremos alguém, vamos ser, ser e será, na importância do ser, serei quem você quiser, no castelo que me perdi, no caminho que esqueci, expliquei e não sei, não sei do nada, do nada o único lápis eu usei para dizer “que talvez conseguirei”.

Leo Cobain

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