Veio a primeira onda e pulei, na segunda resolvi mergulhar e te soltei sem querer. Desculpa-me, o mar te puxou tão rápido, que deve ter acordado na África, esquentando peito de algum anônimo africano. Perdido de frente ao oceano, tentando imaginar e ver além daquilo que a curva do mundo pode mostrar. Logo ali parece que tudo acaba, mas dizem que tem correnteza para o outro lado. Passando o tempo esperando o terremoto que possa tirar do eixo o prédio onde vivo. Acordei em choque e só assim percebi que meu coração estava a sete palmos do chão. Foi no jardim que coloquei, achei que seria bem mais fácil encontrar quando precisasse novamente, mas perdi o mapa. Bebi uma garrafa inteira de vodka vendo o dia passar e não encontrando lógica. Estava errado! Coração não pode parar de bater, meus braços não podem parar de remar, a maré me leva até onde não dá pé e para quem tem pouca altura fica complicado. Apalpei com os pés e estava tão macia. Acordei antes da galera do colégio e calculei melhor as contas antigas, estavam tão empoeiradas. Meu mundo ficou parado por um tempo e a simples solução foi acordar.
Na terceira semana de maio me perdi pelo mediterrâneo, conheci dois gregos e um maranhense, não falavam a minha língua, mas tentei manter uma amizade enquanto o convívio permanecia. Filho de pai separado, sua mãe partiu para o noroeste e levou consigo sua irmã mais nova. Gregos fugindo de turcos armados. Todos corriam e viam suas casas em chamas. Crianças choravam tão alto que os mais velhos morriam com dores fortes nos ouvidos. Afoguei-me em dois litros de lágrimas só de ouvir o conto furado. Deixado, foi beber e esqueceu a carteira em cima do balcão. Comeram a menina da sala ao lado e colocaram a culpa nele, estava sem documento e decidiram que ele seria o pai. Assumiria tudo! Berço, cama e estudos até o fim da terceira geração. Quando for avô descansará e nem assim vai entender muito bem do que passou. Tomou dois calmantes e o coração enfim parou de bater. Cada ano que passa os produtos ficam mais caros. Recheados de “ridicularidades” tão parecidas com as do ano passado, do ano retrasado e de tudo que já foi e vai continuar sendo. O par de pilhas vale uma bateria de carro, vale o esforço de três dias de trabalho. Corado de sol e não vi o mar. Corado de sol e não tive férias. Descansou só aos finais de semana, assando a vida, falando de cerveja e sem mulher para amar quando estiver pilhado.
Desencanei do futebol na terceira vez que tive que comprar chuteiras novas. Já dava para pagar entrada de shows de rock e valia muito mais a pena voltar para casa suado depois de rodar, girar, virar o mundo de ponta cabeça. Dançando adolescente, dançando criança. Girava, girava. O tempo passou e não passei no vestibular, não passei em primeiro lugar entre os queridos do colégio. Por onde estive ninguém sabe. Lembram da roupa que usava no dia do sumiço. Procurei um remédio para dormir, mas só conseguia querer ficar acordado, cansado. Pensei, pensei e não quis deixar de lado aquilo que prendia meu pé na mesa da cozinha. Fazendo lição repetida, as mesmas que já tinham sido feitas nas férias de inverno de noventa e seis. Enquanto passava olimpíada na televisão, ganhei duas medalhas e deixei currículos pelo caminho, passei o bastão e quase tinha desistido. Corri e percebi que agüentava mais um pouco, continuei correndo e percebi quanto é simples permanecer. Permanecer respirando, permanecer querendo, permanecer correndo, permanecer o ser que está aqui e falante, cantante, continua a permanecer. Em dúvida da exatidão, sem contas regradas, sem normas por cumprir. Falhei e percebi. Dormir fica para quem puder acordar com os olhos arregalados, quero ver essa onda passar e minha prancha encostar-se à ponta, remo e alcanço. Encaixo a posição correta e forço meus joelhos. Desço rasgando e levando comigo a onda do mar.
É só fazer...
É só fazer...
Leonardo
Na terceira semana de maio me perdi pelo mediterrâneo, conheci dois gregos e um maranhense, não falavam a minha língua, mas tentei manter uma amizade enquanto o convívio permanecia. Filho de pai separado, sua mãe partiu para o noroeste e levou consigo sua irmã mais nova. Gregos fugindo de turcos armados. Todos corriam e viam suas casas em chamas. Crianças choravam tão alto que os mais velhos morriam com dores fortes nos ouvidos. Afoguei-me em dois litros de lágrimas só de ouvir o conto furado. Deixado, foi beber e esqueceu a carteira em cima do balcão. Comeram a menina da sala ao lado e colocaram a culpa nele, estava sem documento e decidiram que ele seria o pai. Assumiria tudo! Berço, cama e estudos até o fim da terceira geração. Quando for avô descansará e nem assim vai entender muito bem do que passou. Tomou dois calmantes e o coração enfim parou de bater. Cada ano que passa os produtos ficam mais caros. Recheados de “ridicularidades” tão parecidas com as do ano passado, do ano retrasado e de tudo que já foi e vai continuar sendo. O par de pilhas vale uma bateria de carro, vale o esforço de três dias de trabalho. Corado de sol e não vi o mar. Corado de sol e não tive férias. Descansou só aos finais de semana, assando a vida, falando de cerveja e sem mulher para amar quando estiver pilhado.
Desencanei do futebol na terceira vez que tive que comprar chuteiras novas. Já dava para pagar entrada de shows de rock e valia muito mais a pena voltar para casa suado depois de rodar, girar, virar o mundo de ponta cabeça. Dançando adolescente, dançando criança. Girava, girava. O tempo passou e não passei no vestibular, não passei em primeiro lugar entre os queridos do colégio. Por onde estive ninguém sabe. Lembram da roupa que usava no dia do sumiço. Procurei um remédio para dormir, mas só conseguia querer ficar acordado, cansado. Pensei, pensei e não quis deixar de lado aquilo que prendia meu pé na mesa da cozinha. Fazendo lição repetida, as mesmas que já tinham sido feitas nas férias de inverno de noventa e seis. Enquanto passava olimpíada na televisão, ganhei duas medalhas e deixei currículos pelo caminho, passei o bastão e quase tinha desistido. Corri e percebi que agüentava mais um pouco, continuei correndo e percebi quanto é simples permanecer. Permanecer respirando, permanecer querendo, permanecer correndo, permanecer o ser que está aqui e falante, cantante, continua a permanecer. Em dúvida da exatidão, sem contas regradas, sem normas por cumprir. Falhei e percebi. Dormir fica para quem puder acordar com os olhos arregalados, quero ver essa onda passar e minha prancha encostar-se à ponta, remo e alcanço. Encaixo a posição correta e forço meus joelhos. Desço rasgando e levando comigo a onda do mar.
É só fazer...
É só fazer...
Leonardo
Nenhum comentário:
Postar um comentário