Tocou o relógio, devem ser agora cinco e meia da manhã e não estou nem um pouco com vontade de sair daqui. Prefiro colocar a culpa no trânsito e atrasar o dia em pelo menos duas horas. Justifico tudo isso depois. Sei que logo o relógio vai tocar de novo, mas quero ficar deitado mais um pouco. Meu corpo ainda está tão cansado, não descansei e continuo com dor de cabeça, nem ao menos o domingo existiu! Acho muita sacanagem começar assim, desse jeito. E logo vou me descobrindo. Caminho de meia até a cozinha e coloco meio litro de água para esquentar. Girando até o banheiro, lavo meu rosto e esvazio minha bexiga. Estico as minhas costas e começo a separar o uniforme do dia. Com quem vou me parecer? Preciso mesmo parecer alguém? Minha cara amassada não esconde que a noite passou mais rápido e diz:
- Pobre coitado, não lembra-se nem do que sonhou! Foi até a lua e já se esqueceu. Tem mais uma conta atrasada e se sente tão vazio. Se sente tão triste! Se sente incapaz de controlar o seu próprio coração. Pobre coitado.
Quando começam subir as primeiras bolhas dentro da chaleira, quando o estado de ebulição parece mais próximo, abaixo o fogo e já preparo o coador. Duas colheres robustas fazem uma caneca ter o tanto de energia suficiente para me levar até o ponto de ônibus. Se prestasse mais atenção na vida e me preocupasse mais, sentiria mais saudade. Mas mesmo assim não faria a barba em uma terça-feira sem motivos. Nesse frio não vale a pena. Pela gigante vontade de parar e não continuar durante meses. Dormindo e esperando que tudo passe, mesmo que o tudo seja um nada ou uma possibilidade quase nula de algo que talvez não aconteça. Em vias de fato, é mais responsável me preocupar em levantar no ponto correto. Desço, atravesso a rua e levanto pesos com o corpo durante duas horas mais ou menos.
Drogo-me!
Cheio de endorfina no corpo e música alta atendo com exclusividade a minha sobrevivência. Ainda não sei por que estou aqui e tenho perguntado ao espelho em todas as vezes que me encontro. Deixei de sair durante oito sábados e não cheguei até a verdadeira solução.
Mas não tem solução.
Um banho morno sempre é bem vindo. Água quente cai na nuca e faz o sangue subir mais motivado até a parte feliz do meu cérebro. Ativa a hiperatividade e me faz dançar a noite inteira. Beijei cinco meninas, uma na esquerda, uma na direita. Outra me agarrou, me puxou pela roupa e começou a me beijar loucamente. Nem sabia o meu nome, coitada! Não sabia nada de mim e ficou sem saber, foi embora e deixou a secretária desligada só para evitar futuras formas de comunicação. Mas mesmo assim foi uma grande paixão. Com o corpo novo tudo fica mais agradável, mesmo o que já não parece novidade. A solução da paz está em cada novidade que sua vida trouxer. Mesmo que pareça loucura estar sempre girando, sempre mudando, sempre querendo e quase nunca aceitando, democratizando e satisfazendo. Não estou em paz! Não durmo em paz e não respiro em paz. Meu coração bate agitado demais e minha cabeça fala mais do que deveria. Desço a rua e começo o que já será terminado, repetido e efetuado.
Sem coração...
Estou voltando para casa, lá com certeza vou viver o que sobrou. É tão triste imaginar que a vida pode ser assim, mas não é assim que vou fazer. Difícil é agüentar! No final coloco todo mundo para dançar e falo com mais dignidade quando se tratar de minha pessoa como assunto central da prosa. Sou bonito quando posso e humilde quando não estou rebelde. Dançante, cantante e esplendidamente chato, só para parecer inconveniente quando acontece. Todos meus amigos estão vindo, alguns com seus carros importados e outros de ônibus. Alguns são ricos e andam de avião e outro tem tão pouco, mas deixei o porteiro avisado, somos todos do mesmo lugar. Mas tudo bem, termino de falar e espero mais um pouco.
Logo é hora de dormir mais uma vez
Leonardo
- Pobre coitado, não lembra-se nem do que sonhou! Foi até a lua e já se esqueceu. Tem mais uma conta atrasada e se sente tão vazio. Se sente tão triste! Se sente incapaz de controlar o seu próprio coração. Pobre coitado.
Quando começam subir as primeiras bolhas dentro da chaleira, quando o estado de ebulição parece mais próximo, abaixo o fogo e já preparo o coador. Duas colheres robustas fazem uma caneca ter o tanto de energia suficiente para me levar até o ponto de ônibus. Se prestasse mais atenção na vida e me preocupasse mais, sentiria mais saudade. Mas mesmo assim não faria a barba em uma terça-feira sem motivos. Nesse frio não vale a pena. Pela gigante vontade de parar e não continuar durante meses. Dormindo e esperando que tudo passe, mesmo que o tudo seja um nada ou uma possibilidade quase nula de algo que talvez não aconteça. Em vias de fato, é mais responsável me preocupar em levantar no ponto correto. Desço, atravesso a rua e levanto pesos com o corpo durante duas horas mais ou menos.
Drogo-me!
Cheio de endorfina no corpo e música alta atendo com exclusividade a minha sobrevivência. Ainda não sei por que estou aqui e tenho perguntado ao espelho em todas as vezes que me encontro. Deixei de sair durante oito sábados e não cheguei até a verdadeira solução.
Mas não tem solução.
Um banho morno sempre é bem vindo. Água quente cai na nuca e faz o sangue subir mais motivado até a parte feliz do meu cérebro. Ativa a hiperatividade e me faz dançar a noite inteira. Beijei cinco meninas, uma na esquerda, uma na direita. Outra me agarrou, me puxou pela roupa e começou a me beijar loucamente. Nem sabia o meu nome, coitada! Não sabia nada de mim e ficou sem saber, foi embora e deixou a secretária desligada só para evitar futuras formas de comunicação. Mas mesmo assim foi uma grande paixão. Com o corpo novo tudo fica mais agradável, mesmo o que já não parece novidade. A solução da paz está em cada novidade que sua vida trouxer. Mesmo que pareça loucura estar sempre girando, sempre mudando, sempre querendo e quase nunca aceitando, democratizando e satisfazendo. Não estou em paz! Não durmo em paz e não respiro em paz. Meu coração bate agitado demais e minha cabeça fala mais do que deveria. Desço a rua e começo o que já será terminado, repetido e efetuado.
Sem coração...
Estou voltando para casa, lá com certeza vou viver o que sobrou. É tão triste imaginar que a vida pode ser assim, mas não é assim que vou fazer. Difícil é agüentar! No final coloco todo mundo para dançar e falo com mais dignidade quando se tratar de minha pessoa como assunto central da prosa. Sou bonito quando posso e humilde quando não estou rebelde. Dançante, cantante e esplendidamente chato, só para parecer inconveniente quando acontece. Todos meus amigos estão vindo, alguns com seus carros importados e outros de ônibus. Alguns são ricos e andam de avião e outro tem tão pouco, mas deixei o porteiro avisado, somos todos do mesmo lugar. Mas tudo bem, termino de falar e espero mais um pouco.
Logo é hora de dormir mais uma vez
Leonardo
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