5 de mai. de 2011

#SONHOSLÚCIDOS - Solenidade posterior aos gritos dados erroneamente.


Abençoada lua nova, coberta de sorvete e meninos voando. De um lado para o outro, numa inquietação que parecem minhas tias preparando almoço de dia de domingo. Inspiradas, cantando, entornando gargalhadas estridentes, lembrando dos casamentos da família, das uniões e compaixões que exaltadas, tornaram novo lar, habitação de sorrisos que nunca terminam. Quatro, na contagem humana, utilizando os dedos, era esse número que atingia observando a felicidade daqueles que com a novidade não paravam. Crianças são realmente hiperativas e possuem muito mais tempo para não pensar em problemas terrenos. Diversão que gera diversão, até mesmo uma bronca, que pode ser a forma mais trágica de concluir uma missão.

Giravam em torno de si, piruetas e rodopios. Double Kick Flip e mortal para completar a série, sem erros dessa vez. Pintura celeste, Capela Cistina e As Tartarugas Ninjas todas espalhadas para adentrar o combate. Destruidor de Sorrisos já pronto para acabar com nossos amigos, mas não é dia de se cansar, ainda mais quando só começa e embaralhado, precisa realmente organizar todas as funções para adequar-se a realidade do tempo. Esse que só se percebe melhor depois dos vinte, exercitando a rotina, as contas da casa e papeis acumulados. Essas dizendo que se não pagar até tal data, coitado, estará danado e ninguém mais vai querer andar com você. Preocupam-se em fazer durar, para conter cada emoção nova. Até então, é melhor se acalmar, para literalmente não confundir tanto as coisas, chamando de tristeza um simples sopro. Bolas de neve acumuladas causam dor de cabeça, faz frio demais lá dentro e isso não combina com a ligeira história dos meninos voadores da lua.

Estranha razão, fez com que um deles se afastasse do bando e voasse até o outro lado da lua. Ignorando-o, continuaram a dançar pelo ar. Brincaram por horas, excluindo a idéia de que lhes faltava alguém ali, pois a brincadeira fluiu necessariamente bem. Cansados, depois de horas, resolveram parar. Descansar, comer alguma coisa e propor outra atividade, onde fossem exigidos menos esforços físicos. Sentaram, respiraram com calma para que a corrente sanguínea acalmasse. Debateram assuntos corriqueiros, time de futebol, menina do colégio, brincadeiras diferentes, até perceberem que faltava alguém ali e isso incomodou profundamente. Funcionaram tão bem, mas estranho sentimento bateu, afirmando que ausência tornara-se um problema de solução inatingível.

- como pode nos abandonar assim?

- tirou férias e resolveu deixar na mão?

- mas como assim, que desnecessário esse menino!

Apenas descansando suas idéias, encontrava-se em outro canto o menino que faltava ali junto ao bando. Foi refrescar sozinho, não falar, não pensar, não cogitar, às vezes gera o necessário para depois voltar. É o passo mais calmo que a corrida permite, para que passos mais largos tomem posse no decorrer da jornada. Idéias no lugar, cabeça mais fria. Pode soar como preguiça, dependendo da boca e do olho que o vê, mas diferente disso, é só respirar. Foi só isso e nada além.

Assistir os foguetes decolando, os cometas passando e as estrelas apaixonando todos os casais, que com seus corações abertos, permitiram saborear a vida com gostos mais atraentes. Necessitamos leveza nessa passagem, se não, não vale a pena. Correr demais só faz os seus joelhos desgastarem e com todo esse cansaço estampado em rostos tristes, a primeira solução é se incomodar com a paz de quem a permitiu tão bem.

Esvazia para caber mais, utiliza muito bem para sempre ter. Quando faltar, procure, pois se uma vez obteve, a possibilidade dessa chance estar presente é mais do que certa. Estranho é se desgastar e sempre ter um culpado, isso que é realmente estranho, mas quando desejo bater assim. Deixa-o respirar também e se a brincadeira tiver que mudar de rumo, ramo ou direção, que seja com ar de novidade e de esperança, pois cada passo novo é um passo de felicidade.

E os meninos ficaram lá resmungando, perdendo a imensidão da vida.

Deixa pra lá, melhor é o melhor pra si, para os outros, eu já nem sei mais.


Leonardo Fonseca

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