14 de mar. de 2008

sobre dúvidas e sorvetes de chocolate

Sou poeta e sou cantor, mesmo de bermuda, tenho tempo livre no dia para ser escritor, com ou sem rimas baratas, daquelas que você compra em qualquer padaria, fica ali, do lado dos cigarros, com filtros brancos ou amarelos, isso tudo depende do pulmão daquele que o fuma, ou da pretensão daquele que lê. Eu mesmo não botaria muita fé em um garoto tatuado, que se envolve melhor com uma máquina chamada computador do que em uma conversa de café, sentado frente a frente, ou não. Não te passo tanta confiança assim. Não compraria um livro meu, pois sei cada defeito gramatical que possuo, mas os enfeito, utilizando brincos folhados a ouro, roubados da minha irmã ontem a noite, mas tudo bem, nunca ninguém pede notas fiscais quando ganha presentes e muito menos sei diferenciar uma jóia de uma bijuteria de lojinha de esquina, não sou reparador das pequenas coisas, dos enfeites, gosto de peças completas, começo, meio e fim, detalhes sempre serão detalhes e nada além disso, eles não têm vida própria.

Sou aficionado pelo clichê, tudo aquilo que qualquer ser culto odiaria e eu amo de paixão, cada coisa totalmente sem nexo desse mundinho pagão. Amante de programas idiotas e filmes para crianças, me alegram demais. Me distraio em meio a tanta burrice anônima e me vejo em festas, completamente embriagado a dançar ao som de qualquer coisa que tocasse muito alto, o suficiente para não conseguir distinguir estilo, música, cantor e afins, seria como dançar salsa ao som de Ramones ou esmurrar com raiva um amigo ao som de paz de um tal de Caetano Veloso, esse que não sou muito fã, nasci pelos menos duas gerações depois de qualquer tropicalismo ou movimento sócio-cultural-musical-grupal-sexual, não sou tão capaz de entender aqueles cabelos cacheados e toda aquela maneira de transformar em abacaxi, as frutas que vendem na feira. O povo hoje em dia é bem mais burro e se perde nos caprichos de qualquer programa que passa depois da novela, mostrando pessoas confinadas em uma casa, com muita bunda, fato esse que eu não reclamo, dentro da minha mente tão normal, fico realizado em saber que os homens continuam homens, mesmo sendo vulgar pensar dessa forma, mas tudo bem, quem nunca se sentiu bem após uma noite sem dormir?

E por falar em gerações, sempre me perco nessa minha estranha idade. Ter vinte anos é ser adulto e adolescente ao mesmo tempo, é como ser tudo e nada ao mesmo tempo, muito mais confuso do que piadas em outra língua. É necessário entender da cultura local, seus preconceitos e suas brigas com países vizinhos ou qualquer divergência territorial.

Abraço quase todos os dias o mundo inteiro, com uma mão só, porque assumidamente eu sou muito bom em tudo que eu faço, mas quando estou próximo do orgasmo final, consigo acordar para não perder o ponto de ônibus que devo saltar e ir correndo para o trabalho, já me acostumei em sempre estar atrasado, juro para todos os meus amigos que a culpa não é minha e que não faço isso para magoar ou atrapalhar a vida de ninguém, o relógio é que não vai muito com a minha cara. Ele correu muito durante anos e não me esperou para contar uma história se quer, ele foi indo e indo, girando como um helicóptero desordenado, mas falar do tempo é assunto suficiente para pelo menos dois capítulos de um livro, feito por gente grande, por que eu... Eu não sou capaz, muita coisa me foge e lembro mais uma vez que me olham ainda como aquele que aprendeu a andar agora e ainda gagueja na hora de responder a chamada no colégio.

Tentar ser alguém é conseguir não ser ninguém por vários momentos em um dia, por que tentando ser, você deixa de ser aquilo que você realmente é, perde toda a sua identidade e se torna uma cópia abrasileirada de tudo aquilo que você compra em seriados que vêm lá de cima, é meio complexo, mas é só você olhar o seu armário assistindo TV que tudo vai parecer muito fácil de compreender.

Serei tudo aquilo que eu desejar ser, mesmo se eu não tiver sorte na primeira vez, ainda tenho algumas fichas na mochila e sei que consigo ir muito além do que vocês nesse jogo. Sou chato e persistente, tento, tento e tento, não me canso e tenho a paciência oriental sempre ao meu favor. Consigo ir muito mais além do que desenhos simples, me arrisco em quadros, mas eles continuam escondidos debaixo da minha cama, junto com todos os monstros que me assustam de vez em quando, mas tudo bem, é quase final de semana mesmo.

e para todos os males do mundo...

quando eu descobrir, juro que conto

Leonardo

11 de mar. de 2008

Para a paz só é preciso paz

Começaria todos os meus discursos com uma expressão de "sei lá", por sempre estar em dúvida do que falar, como me expressar e enfim ser percebido na frente de uma ou mais de mil pessoas, por mim tanto faz, o nervosismo sempre será o mesmo, assim como o espírito jovem que ronda a minha atmosfera diariamente. Por não ter certeza de muitas coisas prefiro admitir que não sei quase nada.

E assim hoje eu admito estar lutando pela paz do mundo, não de todo ele por que isso é muito para a minha meia altura e também demais para gritar, não quero ficar sem voz logo cedo, faria mal durante o dia e acabaria indo dormir não tão bem. Lutaria por mim mesmo e contra mim mesmo, em pró da paz intelectual e da prosperidade em tudo aquilo que penso, acho e julgo, mesmo não tendo idade o suficiente para ao menos falar o que é certo ou errado, mas hoje eu luto pela minha paz, pelas tardes de sono preguiçoso e por toda vida leve que desejo diariamente, com muita fome e pouca esperteza.

Estar em paz, essa é a meta, não pensar no trânsito e esquecer o barulho dos aviões que vejo subindo todos os dias. Vou ver o céu e querer desenhar a minha infância toda em uma folha de sulfite velha que encontrei no fundo da gaveta, ainda guardo comigo todos os lápis de cor e tudo aquilo que acho necessário para construir um belo sol que ilumina todo meu reino do estranho mundo, meu só meu e egocentricamente meu. Nele eu faço a perfeição em traços tortos, do meu jeito, sem a necessidade básica e tão chata da beleza televisiva e, a total superficialidade que ronda as cabeças vazias, tão preocupadas com a largura de suas sobrancelhas.

Comemoraremos a Páscoa quando for Natal e faremos auto-festas de aniversário diariamente, pois exaltaremos a grandiosidade de nossas existências sempre que o tão adorado dia começar. Será tudo a nossa maneira e vamos cantar todas as músicas o mais alto possível, deixando apenas os bons velhos moços dormirem após o almoço, mas será um breve descanso, por que viveremos tudo que for possível viver e aproveitaremos todos os dias como nas férias e o horário de verão, quando seus pés já estão pretos de tanto brincar descalço e mesmo assim, você deseja mais do que nunca que sete horas da noite ainda seja quatro e reza para que não chova tão forte, para poder ver a sua amada descendo o elevador e vindo em sua direção com o maior sorriso do mundo. Hoje não será dia de usar roupas pesadas e tênis apertados, podemos sonhar o dia todo deitado com a barriga para cima em nossas camas de espuma macia.

Meu bem, passe em casa antes de ir para a festa, troque seus sapatos por chinelos sem elástico e deixe em casa toda a sua vontade de não viver, por que hoje vamos celebrar a falta do que comemorar, e vamos curtir as nossas próprias e verdadeiras alegrias sem motivo algum, pelo simples e puro fato de estar vivo, podendo dizer "ainda bem"! Dançaremos até o dia nascer novamente, para termos mais uma infinidade de motivos para dizer para nossos filhos um dia, que somos a melhor geração que já existiu nessa terra, que não lembra muito bem de seus frutos, mas escreveremos hoje a nossa carta para a eternidade e deixaremos na história a nossa elegância e maneira sublime de viver os básicos dias de nossas vidas.

Hoje não é dia para refletir e muito menos gastar nossas massas cefálicas com pensamentos pesados a serem discutidos em grupo, ou até mesmo sozinho, assim como todo momento antes de dormir, que você para e tenta acreditar logicamente que quase tudo não faz tanto sentido e as outras que sobram são consequências naturais da vida. Não, hoje é dia de dormir sem pensar, mesmo com toda a impossibilidade do fato, vou apenas colocar os dois pés para cima e apoiar a minha cabeça no seu colo. Se vou dormir ou não, tanto faz hoje é o dia internacional do "Sei lá", por que de nada sabemos e não será hoje o dia da descoberta, por mim tanto faz, por mim estar em paz é o que basta e de resto, com os meus desenhos nas últimas folhas do caderno de História, vou sobrevivendo.


A festa não tem música, cada um dançará o seu ritmo particular, sem muitos compassos ou maneiras corretas a serem ditadas. Reinará a liberdade em nossos pés e corpos completos. Será nosso todo o mundo e de todos aqueles que são capacitados de enxergar no nada a grande beleza do tudo e conseguir se encontrar em paz diante da simplicidade de um dia qualquer, perdido durante uma semana, desse não tão comum mês de Março.

A festa está só começando.

De resto?

A vida eu vou levando



Leonardo

7 de mar. de 2008

Música e ritmo totalmente sem cadência

Passou tão rápido, desde a última vez que eu assisti meu primeiro passo, tropeçando por cantos estranhos e batendo muito a cabeça, até o último momento, esse que eu fechei os meu olhos e não sei se dormi ou cochilei demais e me vi assim, como sou hoje, adulto frio e confusamente auto-confiante, mas não tão preparado para aguentar os ternos e gravatas dessa complicada dança diária, que vou sambando de segunda à segunda, tentando estabelecer metas e objetivos sem guias práticos ou manuais com figuras.

Sim, é uma dança muito estranha e acho que faltei em todas as aulas, preferi dormir todos os dias depois do meu farto almoço, fazendo de conta que sou tão humano quanto qualquer outro ser que respira esse ar não tão puro dessa cinza metrópole. Essa máscara da normalidade que visto durante a semana e em palcos do submundo tento ser eu mesmo, tentando interpretar ainda melhor aquele "eu" que sou e ainda não consegui apreciar com a calma que eu queria, não necessáriamente com tanto glamour, mas tudo aquilo que eu queria ser.

Tento me sentir útil, capaz até de tentar ser algo maior do que eu mesmo não sou, gigante entre o mundo das palavras essas que não são tão complexas nos meus textos casuais, totalmente faceis de interpretar, porque são tão simples quanto o ato de conversar enquanto traga cigarros amassados, esses que estavam jogados no meu bolso, escondido de mim mesmo, pois tento ser tão saudável quanto cada letra que uso para escrever.

Um monte de palavras grudadas, algumas vírgulas para ajudar na respiração do leitor, mas sem muitas imagens, tornando para mim, criança, um livro totalmente desinteressante, infeliz e sem graça, sem muito o que imaginar ou ilustrar, mesmo tentando criar meus heróis sem barba na minha cabeça, meu Pequeno Príncipe ainda não virou Rei e deixou meu pequeno asteróide cheio de poeira e não voltou com as suas histórias, essas que eu já utilizei muitas vezes como droga, para conseguir dormir em paz, longe de cada problema que ronda a minha cama enquanto tento fechar os olhos e só perceber que ainda estou vivo em uma manhã, seja ela de sol ou não.

Esse é meu diário, com ensaios e treinos, como caminhar no final dos dias para perder peso, eu realizo aqui a tentativa de organizar cada pensamento e reflexão sobre o seu ou o meu mundo, estranho ou não, essa é a minha caminhada diária, quando tento desenvolver de uma maneira bonita a catalogação de palavras sem índices, de uma forma que seja capaz você viajar em cada frase, voando baixo de letra para letra, desenhando em seus sonhos cada castelo que quiser viver.

Somos os nossos sonhos, somos a nossa própria capacidade, somos bem maiores que os estúpidos números.

Faça da sua capacidade de sonhar a sua vontade única de viver a dança diária de nossos dias, seja no ritmo que for, viva!



são os nossos segundos de vida que fazem a diferença de uma história inteira.





Leonardo

4 de mar. de 2008

Sobre a morte e seus conceitos estranhos

Acho incrível a maneira que esse "verbo" adentra a minha cabeça em dias nostálgicos. Em momentos que eu me perco no pensar em coisas que já passaram e vejo como a vida é algo tão frágil, totalmente impossível de se entender, mesmo que existam milhares de explicações, sejam elas científicas, religiosas ou sentimentais. Morrer é algo que está literalmente fora dos planos de qualquer um de nós, seres vivos, feitos de carne e osso, e talvez, uma possível energia que nos acompanha, essa que pode acabar a qualquer momento, e um possível encontro de átomos que se chocam com extrema força e acaba de vez com tudo aquilo que se herdou durante muitos anos.

É o ponto final de tudo, é a capacidade de transformar ricos e poderosos em um nada tão grande, em pura massa e volume, um saco de ossos ou um punhado de cinzas. As cicatrizes ficam perdurando naqueles que são obrigados em vida suportar toda essa situação estranha, do ter hoje e a possibilidade única de não existir mais à partir de um amanhã tão duvidoso.

Me pergunto todos os dias o que devemos fazer para não parecermos essas garrafas descartáveis de uso único, que se consome todo o seu conteúdo em um espaço de tempo e depois torna-se lixo, tão comum como o ato de respirar e comer. O que é necessário fazer para atingir a imortalidade e não me encontrar perdido dentro de uma quantidade ridícula de madeira, usando a roupa que você não queria usar nunca.

Escreveremos livros, vamos expor as nossas idéias, tornaremos então seres notáveis entre as outras diversas garrafas do engradado. Cantaremos sozinhos mais alto do que qualquer outro cantor lírico, com toda força do mundo para que seja possível ouvir as nossas santas vozes ao percorrer das montanhas distantes.

Se teremos sorte, só mesmo antes do último fechar dos olhos que vamos descobrir, essa maldita exatidão não tão exata, essa capacidade de tentar descobrir como são as coisas em uma outra etapa, tudo é tão duvidoso. Mas eu Leonardo, espero com toda força que eu tiver, abraçar pelo menos 1% do céu que foi entregue de presente para nós, seres de boa vontade e criatividade e que seja capaz de transformar em palavras eternas tudo aquilo que eu penso e sinto, sobre o mundo ou simplesmente, sobre nós, geração pós "Coca-Cola".

Transforme em vontade eterna essa necessidade de sorrir.


Leonardo

18 de fev. de 2008

é de Segunda...

Procurar definições nem sempre é o mais importante em nossas vidas, entender, pesquisar explicações óbvias para tudo que acontece em nossos dias, não, não é a maneira mais sincera de viver a vida. Deixar as coisas fluindo enquanto você não se preocupa muito e simplesmente percebe os pontos positivos que acontecem, esperar a naturalidade dos fatos e não exigir do universo alguma explicação.

Muitos são os fatos que não possuem uma lógica matemática, nem sempre existe uma explicação para as surpresas da vida, tanto as perdas como tudo que ganhamos durante os momentos vividos. Quando se pensa demais, vive-se menos, muitos são os cabelos que ficam brancos durante a exigência chata de entender as coisas da vida.

Encontro em sorrisos simples tudo que eu mais busco para a minha vida, a pura e tão simples Paz. Com três letras e totalmente fácil de ser pronunciada, ela traz para minha vida tudo aquilo que eu sempre busco, momentos simples, calmaria básica e momentos que nunca vão ser esquecidos enquanto eu tento escrever a minha história.

O mundo gira em uma velocidade meio confusa as vezes e não é tão simples de ser controlada, passando ou rápido demais ou lentamente, os estúpidos relógios nem sempre estão coordenados de maneira correta com a nossa vontade e expectativa. É triste as vezes quando em momentos tão apaixonantes ele resolve girar em uma velocidade quase incontrolável, assim como no marasmo ele sempre resolve brincar com a minha paciência e fazer com que tudo passe tão lentamente e de forma um tanto quanto entediante, mas tudo bem, acho que nascemos para aprender a lidar com ele, o maldito e tão amado, Tempo.

Não procuro explicação, não, hoje não....



Tenha uma boa semana


Leonardo