Sou poeta e sou cantor, mesmo de bermuda, tenho tempo livre no dia para ser escritor, com ou sem rimas baratas, daquelas que você compra em qualquer padaria, fica ali, do lado dos cigarros, com filtros brancos ou amarelos, isso tudo depende do pulmão daquele que o fuma, ou da pretensão daquele que lê. Eu mesmo não botaria muita fé em um garoto tatuado, que se envolve melhor com uma máquina chamada computador do que em uma conversa de café, sentado frente a frente, ou não. Não te passo tanta confiança assim. Não compraria um livro meu, pois sei cada defeito gramatical que possuo, mas os enfeito, utilizando brincos folhados a ouro, roubados da minha irmã ontem a noite, mas tudo bem, nunca ninguém pede notas fiscais quando ganha presentes e muito menos sei diferenciar uma jóia de uma bijuteria de lojinha de esquina, não sou reparador das pequenas coisas, dos enfeites, gosto de peças completas, começo, meio e fim, detalhes sempre serão detalhes e nada além disso, eles não têm vida própria.
Sou aficionado pelo clichê, tudo aquilo que qualquer ser culto odiaria e eu amo de paixão, cada coisa totalmente sem nexo desse mundinho pagão. Amante de programas idiotas e filmes para crianças, me alegram demais. Me distraio em meio a tanta burrice anônima e me vejo em festas, completamente embriagado a dançar ao som de qualquer coisa que tocasse muito alto, o suficiente para não conseguir distinguir estilo, música, cantor e afins, seria como dançar salsa ao som de Ramones ou esmurrar com raiva um amigo ao som de paz de um tal de Caetano Veloso, esse que não sou muito fã, nasci pelos menos duas gerações depois de qualquer tropicalismo ou movimento sócio-cultural-musical-grupal-sexual, não sou tão capaz de entender aqueles cabelos cacheados e toda aquela maneira de transformar em abacaxi, as frutas que vendem na feira. O povo hoje em dia é bem mais burro e se perde nos caprichos de qualquer programa que passa depois da novela, mostrando pessoas confinadas em uma casa, com muita bunda, fato esse que eu não reclamo, dentro da minha mente tão normal, fico realizado em saber que os homens continuam homens, mesmo sendo vulgar pensar dessa forma, mas tudo bem, quem nunca se sentiu bem após uma noite sem dormir?
E por falar em gerações, sempre me perco nessa minha estranha idade. Ter vinte anos é ser adulto e adolescente ao mesmo tempo, é como ser tudo e nada ao mesmo tempo, muito mais confuso do que piadas em outra língua. É necessário entender da cultura local, seus preconceitos e suas brigas com países vizinhos ou qualquer divergência territorial.
Abraço quase todos os dias o mundo inteiro, com uma mão só, porque assumidamente eu sou muito bom em tudo que eu faço, mas quando estou próximo do orgasmo final, consigo acordar para não perder o ponto de ônibus que devo saltar e ir correndo para o trabalho, já me acostumei em sempre estar atrasado, juro para todos os meus amigos que a culpa não é minha e que não faço isso para magoar ou atrapalhar a vida de ninguém, o relógio é que não vai muito com a minha cara. Ele correu muito durante anos e não me esperou para contar uma história se quer, ele foi indo e indo, girando como um helicóptero desordenado, mas falar do tempo é assunto suficiente para pelo menos dois capítulos de um livro, feito por gente grande, por que eu... Eu não sou capaz, muita coisa me foge e lembro mais uma vez que me olham ainda como aquele que aprendeu a andar agora e ainda gagueja na hora de responder a chamada no colégio.
Tentar ser alguém é conseguir não ser ninguém por vários momentos em um dia, por que tentando ser, você deixa de ser aquilo que você realmente é, perde toda a sua identidade e se torna uma cópia abrasileirada de tudo aquilo que você compra em seriados que vêm lá de cima, é meio complexo, mas é só você olhar o seu armário assistindo TV que tudo vai parecer muito fácil de compreender.
Serei tudo aquilo que eu desejar ser, mesmo se eu não tiver sorte na primeira vez, ainda tenho algumas fichas na mochila e sei que consigo ir muito além do que vocês nesse jogo. Sou chato e persistente, tento, tento e tento, não me canso e tenho a paciência oriental sempre ao meu favor. Consigo ir muito mais além do que desenhos simples, me arrisco em quadros, mas eles continuam escondidos debaixo da minha cama, junto com todos os monstros que me assustam de vez em quando, mas tudo bem, é quase final de semana mesmo.
e para todos os males do mundo...
quando eu descobrir, juro que conto
Leonardo