11 de out. de 2008

Estudo. Parte dois (deixando cada vez mais complicado)

Estudo da falta do “eu, seu, meu, teu” em textos de assuntos diversos

Objetivo: Não usar de forma alguma “eu, seu, meu, teu” em todos os textos seguintes. Os textos vão se referir a assuntos diversos, passados, novos e possíveis redundâncias. Quero ver se realmente consigo anular algumas palavras e ainda assim manter uma possível concordância em tudo que escrevo.

Tema: Traição e coisas parecidas.


Diz te amar todos os dias, quando acorda, antes de dormir e sempre liga para saber onde você estava e com quem passou parte do tempo que esteve longe. Quer saber tudo que ocorre e tudo que ocorrerá durante as próximas horas. Se estiver chovendo, vai pedir para que fique em casa, se fizer sol, também vai pedir para que fique em casa. Prefere que não veja o mundo, talvez assim não se apaixone por um rosto perdido nos corredores das grandes lojas. Talvez não encontre uma conversa melhor para se perder durante alguns momentos, vendo o sol baixar e tudo escurecer. Vai virar noite e vai buscar na porta de casa. Leva ela para ver o filme que está passando no cinema, novo sucesso de público e muitos efeitos especiais. Não vão comentar o filme e vão lanchar algo que seja suculento. Acho que vão fazer sexo mais tarde. Tudo igual, mesmo corpo, sem novidades, as mesmas voltas, curvas iguais. Sabe sempre onde reduzir a velocidade e veracidade de cada futuro ato. Tudo de novo, nada muda. Às vezes muda alguma coisa, um detalhe, uma lingerie, mas sempre é a mesma pessoa. Quem ama não liga. Quem gosta não liga, mas não é algo para se pensar muito no decorrer do dia.


Tenho um papo mais envolvente e falo tudo àquilo que ele nunca diz. Já disse um dia, mas esqueceu no passado. No momento da conquista onde tudo era novo. Agora ficou velho e faço parecer novela nova. Capítulos diferentes e um personagem proibido dentro de tudo isso. Não quero me parecer com um vilão, mas adoro esse cheiro proibido que circula perto das paredes desse quarto. Quando toca o telefone e diz estar longe, quando finge que nada daquilo está realmente acontecendo. Hoje você me prefere, me ama mais do que qualquer outra coisa. É diferente, sei conversar sobre os assuntos que ele nunca se interessou e sou bonito o suficiente para poder desfilar de frente as suas amigas. Se orgulhar dizendo que roubou um beijo, que foi sufocante, te deixei sem ar, deixei molhada a sua boca. Deixei vontade quente dentro desse corpo. Vontade que nunca quer deixar de ter, nunca vai passar, ato consumado é ato feito e nada apaga aquilo que já está registrado.


Toco as músicas que tanto gosta e ele nunca fez questão de entender. Sei quais são os cantores que te agradam e as drogas que é viciada. Vicio-te mais ainda, tiro nossos corpos do chão e aprendo a levitar. Elevo a nossa alma para os lugares mais loucos do universo. Faço diferente e isso já é o suficiente. Sou o drogado que não serve para namoros fixos, sou o descolado do colégio que as meninas admiram, mas tem um medo absurdo de chegar perto. Não mordo ninguém, a não ser que peça com muito carinho. Para tudo se dá um jeito. É só ser prático e único. Nunca vai esquecer-se de nenhuma palavra minha.


Não fica com medo de ver o próprio coração partido, sabe que por mim não pode se apaixonar. Sabe que não pode sentir amor pela minha pessoa. Já declarou isso a outro rapaz e sou a segunda opção, diversão dos finais de semana. Conversa escondida e sem histórico. Apaga todas as mensagens que mando, ninguém pode ver, ele não pode saber. Se souber o amor vai-se embora e parece dor antes de dormir. Vira lembrança chata e arrependimento. Não fico muito contente, mas entendi porque isso ocorre e continuo caminhando. Ilustro nosso livro com páginas pervertidas. Vai me ofender. Quantas vezes quiser. Chama-me por nomes que em sã consciência tem vergonha de dizer. Posso ser quem você quiser.


Vamos queimar juntos.


Leonardo

6 de out. de 2008

Estudo.

Estudo da falta do “eu” em textos de assuntos diversos

Objetivo: Não usar de forma alguma “eu” em todos os textos seguintes. Os textos vão se referir a assuntos diversos, passados, novos e possíveis redundâncias. Quero ver se realmente consigo anular algumas palavras e ainda assim manter uma possível concordância em tudo que escrevo.

Tema: Sexo (tudo aquilo que dá vergonha de pensar e mostrar aos pais)


Nunca se atreva a tocar no assunto durante o almoço com a família, pode assustas, pode constranger os mais velhos e até mesmo ocasionar uma briga fora de hora. Guarda só para você e se não quiser esquecer, anota em um caderno e esconde da própria vista. Deixa virar passado, sensações, seduções que nunca vão entrar em um lugar vazio dentro de sua memória. Cultive para si toda essa plantação de libido, tem coisas que é melhor não dizer. Não se vende na TV por diversos motivos. Ainda vivemos em uma sociedade quadrada demais para conversar abertamente sobre tudo aquilo que nos transmite prazer. Melhor não pensar tanto.

Danço com os seus cabelos e adoro repetir as mesmas palavras sempre. Essa é a minha forma de fazer o errado aos seus olhos. É a minha maneira, treinei assim, aprendi assim e assim vou fazendo. Não adianta dizer que não vai gostar, vou sentir em seu rosto cada gota de suor. Respirando pudor de uma noite sem dormir. Escolho um final de semana e declaro feriado nacional. Perco um dia inteiro, perderia uma vida repetindo tudo isso. Não pareceria velho, não pareceria com nada que já vi. Coloco todos os pronomes possíveis no subjetivo, no indireto, mas diretamente, caminho para cima do seu corpo e vou decifrando um mapa.

Tira essa camiseta pesada, está tão calor aqui. Vem fazer o seu corpo suar perto do meu. Coloca para fora essa sua vontade de mudar de nome. Coloca para fora tudo aquilo que desejar tirar de dentro de si. Saia de você e seja quem quiser. Seja atriz, seja cantora da minha noite. Faz disso tudo um show, vicioso. Orgulhoso em me ver aqui, nesse momento, por estar perto do acontecimento que sempre espero muito tempo para acontecer. Por isso não perco tempo. Abaixo as suas calças e te deixo com vergonha. É lindo te ver assim, é lindo sentir a sua vergonha me deixando arrepiado. É só para mim e para mais ninguém.

Cada curva desse corpo, cada pelo que arranco com a boca e vou marcando as partes que gosto mais. Adoro ainda mais quando parece proibido, quando fazemos escondido. Alguém vai chegar e isso precisa terminar logo. Não me preocupo com os tempos verbais e muito menos se estou certo em me expressar assim. Alguns cantam, outros desenham. Todos são explícitos dentro de suas artes. Na minha arte desenho com palavras e canto com a boca fechada. Dissertação, narrativa e algo que tenha outra denominação dentro do português, não sei. Ninguém sabe a melhor forma.

Não pretendo transformar as minhas ambições em um conto erótico. Entre os seios e o seu umbigo, uma mordida atrás, na nuca, localizando o seu prazer com um gemido gostoso. Gosto quando parece sujo, gosto quando usa toda sua força. Adoro ver meu corpo vermelho. Esses arranhões que desejo ver sempre em meu corpo, como se fosse tatuagem, como se fosse impossível sumir. Não suma, apareça no verão sempre que quiser. Tem um lugar só seu no meu quarto. No meu coração não, aqui não cabe mais ninguém. Mas o conforto da minha cama sempre te espera.

Faça-me adolescente mais uma vez, menino. Quero perder minha virgindade usando essas palavras e vai se lembrar para sempre. Hoje parece melhor que ontem e disso que você mais gosta. Não precisa assumir, existem outras mil maneiras de descobrir o que realmente está sentindo quando seu corpo está sobre o meu.

Quando quiser
Sabe onde me encontrar



Leonardo

5 de out. de 2008

Estudo.

Estudo da falta do “eu” em textos de assuntos diversos


Objetivo: Não usar de forma alguma “eu” em todos os textos seguintes. Os textos vão se referir a assuntos diversos, passados, novos e possíveis redundâncias. Quero ver se realmente consigo anular algumas palavras e ainda assim manter uma possível concordância em tudo que escrevo.


Tema: Amor (amores, paixões e tudo de clichê que se vende na TV em horário nobre)


Vou dizer por um bom tempo que é de você que tenho sentido mais falta. Ao dizer “boa noite” todos os dias antes do nosso sono de poucas horas. Conversávamos e o tempo não parava de passar e quando víamos já era quase outro dia. Sem programar nada, sem escolher assuntos, era peça sem roteiro e jornal sem pauta, tudo acontecia tão sem querer, que chegava ser impossível não ter uma paixão muito forte dentro desse coração. Acreditava que o mundo já havia parado de fabricar pessoas como essa que conhecia com muito mais gosto do que as outras. Outras que viraram parte de um passado sombrio, lá longe na memória, que a gente só lembra no almoço de domingo, quando revira toda vez o mesmo macarrão. Tudo igualzinho, sempre o mesmo começo e o mesmo fim, mas com você foi tudo diferente, do início e do precoce fim, não foi tua culpa.


Se estiver lendo isso, saiba com certeza, pense dentro de si, que sim, é para você e mais ninguém. Nunca escrevi tanto para uma pessoa só, escolhendo assuntos totalmente diferentes para dizer e impressionar um só olhar. Querer só para mim era um egoísmo muito grande, mais pessoas precisam se apaixonar por esse seu jeito. Puxe o “R” e faça rir outro ser que esteja triste, leve alegria, inocência e tudo que já me entregou de presente. E não posso ao menos reclamar, não tenho um mau dizer sobre essa personagem tão importante dentro dessa fase da história. Não há e nunca haverá, as páginas mais coloridas do livro são inspirações suas. Os risos em voz alta e uma forma mais clara de ver as coisas do mundo. Agradeço por ter me preparado para algumas coisas do mundo, obrigado por deixar participar por dois meses, uma eternidade dentro de mim.


Ofereço para você canções de amor, mesmo que esse já esteja dormindo. Do lado aqui, jogado nessa cama, edredons de lado e uma saudade grande do calor que ela já sentiu. Transformei em roteiro tudo isso e quando quero lembrar, aperto o “play” e vejo como foi lindo, cada momento, cada passo na areia da praia. Dias de calor, dias de chuva, dias de paz. Dias ao seu lado, perto e às vezes um pouco longe, mas sempre bem perto da retina. Essa que nunca deixou de enxergar nada do que passou, está tudo vivo ainda e acho que sempre vai estar. É um amor para nunca ser esquecido. História para contar escondido para o filho. Episódios bonitos dos seriados americanos da TV paga.


Quando tocar uma música com a minha voz no rádio, por favor, aumente muito o volume. Faça com que todas as pessoas ao seu redor ouçam e canta comigo o refrão, fiz para você nas noites que me esqueci da responsabilidade que é dormir, descansar o corpo. Esqueci de tudo e tornou um vício constante, daqueles que só clínica especializada consegue curar. Trazer de volta a normalidade dos fatos e conseguir fazer com que o cidadão em chamas, consiga não sentir tanto calor dentro do seu corpo e relaxar por alguns instantes com algum remédio que não se vende em farmácia.


Hoje consigo respirar com mais calma e não choro mais. Falo de você para alguns amigos e eles dizem para não lembrar mais disso. Falam por saber que o amor dói. Por não querer ver um amigo chateado, meio de lado, com saudade de uma pessoa que nunca mais vai aparecer. Não adianta esperar pela janela ou por mais um recado. Não adianta sonhar, não adianta querer. A novela já acabou e o final foi esse mesmo. Ainda fui capaz de errar quando não podia, falar aquilo que não é da sua boca e sim do ódio de uma derrota. Fiz errado, sei muito bem! Não adianta brigar agora e não adianta repetir a cartilha. Estudei-a por inteiro e decorei tudo, sou capaz de decifrar tudo que foi feito e até o que não podia ser, mas fiz.


Espero que esteja bem agora, queria te ver em cenas minhas novamente, mas tenho a capacidade de saber que agora não pertence mais a essa história. Mudou de canal e vive com um outro mocinho. Sei que não me tornei um vilão nisso tudo e muito menos o bandido da história. Acredito que sou aquele que, mesmo que às vezes, você gosta de lembrar antes de dormir. Por alguns sorrisos que ficaram e um pouco do que deixei escondido ai perto de ti. Chorei, confesso e não foi só uma vez. Durante todas às vezes acreditei que iria ler uma mensagem assinada com o seu nome, não com palavras feias e muito menos copiadas de um livro de fim de relação. Queria ver um incentivo a não afogar minha vida em um mar de lágrimas. Mas já passou, virou primavera.


Continuo caminhando e cantando, esperando por um dia de sorte. Por uma incerteza que ainda é possível. Um presente surpresa dentro de um momento festivo e vou festejar. Chamarei todos os meus amigos e cantarei por minutos o hino da vitória de um coração que vai prometer ser teu por uma vida inteira. Não é só promessa, é palavra minha. Assino embaixo e mostro onde vou estar no próximo fim de semana. Esperando no mesmo lugar que sempre marcamos os nossos encontros. Falaremos de tudo que aconteceu no mundo nesses meses todos. Algumas foram às medalhas na olimpíada e fiz alguns trabalhos nesse tempo. Está passando na TV até, clipe meu no “top” da MTV. Tem até desenho que fiz pensando em você.


É utopia e não me engano assim. Mas que seja sem querer, como gosta. Que seja sem combinar, na procedência de uma semana perdida, depois do carnaval falido. Não sambei, mas te encontrei tão bonita, só para mim e valeu esperar cada dia. Lembro de todos. Ansiedade e contagem de segundos. Foi tão rápido. Se pudesse, teria colocado tudo em câmera lenta, mesmo que fosse cansativo para quem assiste. Mesmo que desse sono, não me importaria mesmo. Conheceria-te em todas as vidas possíveis, em todas as idades possíveis. Seria paixão atrás de paixão, reprisando sempre. Colocaria teu nome em uma filha. Motivo esse para nunca esquecer, de nada e sempre ter por perto, um pedaço da história que nunca vou esquecer.



Leonardo

27 de set. de 2008

Coloca tudo em uma mala e some

Diga alô em voz alta quando ligar pela manhã, vai estar em um sono profundo e nem o mais ágil médico vai descobrir qual é a cura real para esse sono. Serei real para você, cansei desse teatro falso, acho que cansei de estar aqui e ser como você. Não posso duvidar de tantas coisas, mas costumo me perder em pensamentos estranhos. Sempre, quase sempre, pela madrugada que não tem fim. Os dias que começam e só terminam depois que os meus joelhos não conseguem segurar mais o meu corpo. Só mais um gole e prometo voltar para casa. Só mais um pouco disso. Deixa-me lotar o nariz com um pouco disso. Quero me perder lá em cima e não voltar mais. Quero pisar nas nuvens.


Até amanhecer eu não tenho nome, mudei de canal e não sou mais eu. Estranhei meu rosto quando não consegui dormir e desisti de qualquer conclusão momentânea. Deixa tudo acontecer da maneira que tem que acontecer. Fico comendo os dias e esqueço a data do aniversário do meu melhor amigo. Esse que já se foi ou nunca veio. Não sei, não conheço mais ninguém. Dei férias ao meu cérebro e ele esqueceu de voltar da lua. Envelheci e não cresci, mudei, mas continuo sempre igual. Minha cama nunca muda de posição e vejo o mundo caindo aos pedaços, perco a hora e perco tudo aquilo que não podia perder de jeito algum. Conheço-me o suficiente, mas continuo duvidando de muita coisa. Espero conseguir colher um pouco de tudo que estou conhecendo. Que seja válido de alguma coisa esse conhecimento estranho. Mas um gole gelado de Coca sempre é bom. Vendo a noite virar dia e não entender o porquê de vários entendimentos.


O que tiver que guardar, vai ficar guardado. Vou esquecer algumas coisas, não preciso adicionar ao meu mundo coisas que não me alegram. Não tenho mais a obrigação de sempre estar sorrindo, mas mesmo assim. Deixa-me sentir tristeza quando quiser. Deixa eu me alegrar com um pouco de chá e essa música lenta que nunca deveria parar de tocar.


Escrever usando a primeira pessoa do singular é como um vício, cigarro atrás de cigarro, gole atrás de gole, não entendo. Meu eu, meu teu, meu nosso e meu mais alguma coisa. Irrito-me em muitas vezes, acho que está tudo igual e que as idéias são sempre as mesmas. Não aprendi a gostar de tudo isso que escrevo. Não pertence a mim esse mundo que descrevo. Não sou daqui mesmo. Como se fosse uma idéia que aparece no momento em que movimento os meus dedos sobre o teclado. Vai indo e nem presto atenção na seqüência certa. Não acredito na possibilidade e vou testando um pouco de cada tecla. Acho que pode virar música, como se fosse um piano sem som. Como linguagem de surdo e mudo, vou conversando e opinando sobre as minhas próprias opiniões. Cada vez mais rápido, cada vez mais confuso, cada vez mais meu, cada vez mais um Leonardo que você nunca viu. Como se fosse uma nova pessoa que aparece na sua frente, estica a mão e diz um nome que não é dele. Repito palavras e discuto sobre um mesmo assunto. Auto-questionamento estranho, não vou conseguir responder as minhas próprias perguntas. Leio alguma coisa sobre o assunto, mas a internet não conhece aquilo que desejo descobrir. Eles não me conhecem e mal sabem o andar que moro. Não conhecem minha rua e não me viram crescer. Achariam banais os meus problemas e ririam na frente de todas as meninas bonitas do mundo. Vão me deixar com vergonha, vão me deixar vermelho, vão me embebedar. Dá-me um pouco disso que você está na boca, se me jogar para longe, prefiro mais ainda e degusto um pouco disso que faz tanto mal ao meu mundo que está cada vez mais estranho, mas uma hora eu caio na real.


Por enquanto estou de férias de todos vocês. Não quero contato, nem de terceiro e muito menos de primeiro grau. Esqueçam-me durante uma semana e não me liguem. Deixa-me sozinho um pouco. Vou ouvir uma música e tentar fazer algo bom de comer, mesmo sem fome, mesmo cansado. A campainha vai ser música. A porta está fechada e não quero festa na minha sala, a não ser que apareça uma princesa para dançar comigo. Ralando corpo no corpo, não vem dizendo seu nome. Só quero lembrardo seu sorriso e tudo aquilo que parecia estar ficando cada vez mais quente. E bate na minha porta bem cedo, quero aproveitar um dia inteiro ao seu lado. Não que seja amor, não que seja paixão, mas é à vontade. Vontade de ver o seu corpo requebrando, vontade ver seu corpo mexendo só para mim. Não conto para ninguém, fica segredo só nosso. Acho que meu sorriso pode entregar, mas não vou me preocupar a essa hora da manhã. Alguma câmera vai pegar e todo mundo vai ver no dia seguinte, e mesmo assim, não vou me importar. Tanto faz, explicações são chatas e eu falo sozinho mesmo. Não tenho ninguém para conversar nesse momento. O sol vai sair daqui a pouco e mais um dia vai começar. Não vou colocar nenhum roteiro para esquematizar os meus fatos diários e repito em todos os textos que sou uma pessoa repetitiva, sou e assumo.


É um ensaio fora do estúdio. Estou treinando no meu campo e dou quantas voltas quiser ao redor dessas faixas. Eu domino aqui por hoje, sou meu treinador e parceiro forte. Preciso correr mais rápido que você e preciso agüentar mais do que o maior campeão do mundo. Vou driblando com as vogais e jogo as consoantes para marcar os atacantes. Passado, pretérito e um futuro quase certo. Depende do que eu fizer amanhã. Depende de muita coisa hoje. Não busco comentários justos, não pergunto o que você pensa de mim, pois engano muito bem e você vai acompanhando a minha vida através de várias letras coladinhas, uma certinha atrás da outra, como se fosse uma festa de fontes estranhas. Nem tenta entender, não mesmo, é perda de tempo. Acho ainda que cada um de vocês tenha um pouco disso que aparece de madrugada para mim. Somos todos viciados em alguma coisa e freqüentamos um mesmo lugar por puro hábito. Somo iguais, somos todos parecidos e você é um pouco de mim também.


O que me trás até aqui é um fato desconhecido, é uma vontade obscura de dizer aquilo que tenho tanta vontade de dizer. Não tenho vergonha de assumir algumas coisas, até porque elas não são tão incomuns. Não sou homossexual, por favor, relaxem, não é disso que estou falando. Tenho medo e tenho idéias diferentes. Sou como você, mas uso roupas diferentes, não me preocupo com marcas e me contento com aquilo que se parcela a perder de vista. Apaixonado pelo simples, básico, útil e totalmente necessário. Arroz com feijão mesmo! Sabe? O luxo não foi feito para mim e me faz sorrir muito estar entre meus grandes amigos. Desenho do jeito que for melhor para mim, apoio no meu joelho e faço o céu parecer o oceano. Faço tudo do meu jeito e vou desenhar com muito capricho cada estrela que eu assistir nascer, quero-te sorrindo, só mais uma vez.


Esse é o último assunto da noite, sem sacanagem alguma. Com certeza todos sempre deveriam fechar seus blocos de assuntos, com algum papo que seja contagiante. A noite sempre tem um fim, mas eu faço do meu tempo, caminho do jeito que acho melhor, tento tanto não cansar os meus pés. Preferia quando via o domingo de chinelo, devagar e sempre, longos como os programas da tarde. Um gordo e um ser estranho do cabelo loiro. Vamos vender sorriso para a nossa noção. Vamos parcelar as nossas emoções e vamos esquecer o que é o amor. Não se apaixone hoje, vai perder todos os seus dentes e vai esquecer-se de pagar a conta do telefone. Fica sem falar com a sua tia por um ano e encontre uma pessoa nova dentro daquela senhora. Tente ver os prédios com mais calma. Tente ver tudo passar, mas segure um pouco de cada sentimento novo. Segure a si mesmo quando o vento voltar contra a gente. Deixa um colchão separado para as sextas e me esquece no sábado. Vou perder minha carteira no local mais distante do mundo e não vou fazer questão de encontrar por duas semanas. Depois eu volto a ser eu mesmo e aprendo com o barulho do teclado que, pensar um pouco em si não é trabalho, é cura de muita coisa que deixa com medo. E tenho medo de muita coisa, não tenho medo de assumir e ele me contagiar. Tomara que todas essas idéias realmente encontrem um rumo. Tomara que seja verdade, pelo menos, em um por cento de tudo isso que hoje em dia eu chamo de sonho. Se não. Coloque-me em uma dessas clínicas de férias para artistas drogados. Quero conhecer essa loucura da fama e quero ver como funciona esse mundo cheio de pessoas maquiadas. Personagens. Personagens de si mesmo e um pouco de tudo aquilo que você sempre quis ser, mas não dá para ir para o trabalho assim.



Vou esconder tudo isso aqui



Leonardo


22 de set. de 2008

Sempre prefiro do meu jeito

Estamos em guerra, juro que estamos em guerra. Consegui ver mais de mil soldados vindo em minha direção, mas que erro eu cometi? Acho que deixei minha boca dormente por muito tempo e me apaixonei por estados avançados da minha mente. Acho que eles encontraram meu caderno de idéias pessoais e acabaram por descobrir mais um louco, mais um tirano escondido. Estão lutando a favor da democracia, mas nunca me perguntam se eu realmente quero comer peixe no almoço. Nunca perguntam se a temperatura do ar está realmente boa, se quero passar frio ou ficar suado. Escuta-me só por hoje e me faz ter razão. Não quero me sentir sozinho e vou colocar o rádio no último volume, vou perturbar todos os vizinhos com as minhas músicas estranhas que não falam sobre assuntos agradáveis.


Bailarei sozinho a minha loucura e acordarei longe de casa, uma outra cidade, um outro estado. Quero estar longe de você e vou estar perto somente de mim mesmo, sem conselhos, sem assuntos a interferir a minha maneira de escalar esses montes. Não está dentro de mim essa vontade de viver ao seu lado, está na sobriedade chata que sou obrigado a viver. Se eu gritasse, possivelmente, meia dúzia iria se assustar, por isso me mantenho calado.


Estou bem, estou bem mesmo. Não quero que se preocupe, não é uma overdose de mim mesmo, é só a vontade não amar ninguém por hoje. É a vontade dançar sozinho em casa, comemorar o nada e me revelar mais amigo meu do que teu. Cansei de ouvir o telefone tocar, cansei de ouvir sempre as mesmas coisas.


No escuro eu me perco e não tenho pretensão alguma de me encontrar, não gosto de vírgulas, elas prendem demais a minha respiração e meu nariz já não acompanha mais tão bem a minha vontade de respirar. E freqüento lugares que te assustam. Sua mãe não vai me querer, não quero ela também. Quero ser eu mesmo e mais nada e não vou sentir mais saudade. Cansei de me machucar, cansei de ser aquilo que você deseja, cansei de investir naquilo que não vai vingar, cansei, cansei e cansei.


Nos dias de frio eu bebo chá

Água de coco quando esquentar

Afundo meu pé na areia

Hoje eu vou me amar


Esqueço-te quando escrevo seu nome

Sei que você não gosta das minhas cenas

Pareço um perdedor para me odiar

Me odeie

Hoje não é com você que quero caminhar


Viajarei entre as mesmas linhas

Deixo em branco o meu caderno

Tenho esperança

Que no final de tudo isso

Ainda vou ter algo para contar.



Leonardo