9 de set. de 2010

- pausa para o Lanche.

Lanche.


Se passar devagar
vou pedir só por hoje para ir mais rápido

Se passar rápido
vou pedir só por hoje para ir mais devagar

Como uma criança louca
correndo atrás daquele
futuro que ao menos
conhece, não por medo
mas por ainda não
entender que sonhos
às vezes não tem asas.

Então deixa ser criança
deixa aproveitar o final do dia
depois da aula, jogando bola
vendo o dia acabar.

Um dia vai esperar
até tarde para bater o cartão
e deixar de entender o valor
da vida que passa
cada vez mais rápido
e os cortes com a navalha
todo os dias cedo
preparando a barba
para trabalhar.

Eu sei a falta que faz...

E sei a falta que você tá me fazendo.




Arima Tatsuo

8 de set. de 2010

#PequenasHistórias - Temaki.


- Seis e meia, mãe?! Seis e meia é sacanagem! Liga a TV! Vê e me fala que dia que é hoje?!



- Tem café e pão fresco! Bolo de fubá! Suco de laranja e manteiga.



Raiou o dia cantarolando e sua voz enfeitava a casa da cozinha até o banheiro dos fundos. A Rose não trabalha de domingo, então só poder minha mãe!



- Mas eu posso dormir mais meia hora? Só mais meia hora?!



- Te acordo as oito Meu amor!



Foi só fechar os olhos que já comecei a sonhar. Foi de supetão! No primeiro capítulo tive um sonho normal, básico. Beijei quem não me ama mais, mas é normal sonhar com ela, o que posso fazer? Quase levantei, mas na terceira respirada o sono ficou empolgante.

...



Uma terra onde todos colaboram. Duas casas e um jardim bem verde. Parecia uma fazenda, mas não havia animais por ali, a não ser um cachorro de pelo malhado e uma família de gatos. Cinza, marrom, um preto já meio acabado. Banheiros coloridos, paredes verdes. Na cozinha um fogão a lenha pintado de azul. Uma cozinheira daquelas bem gordas. Cozinheira precisa ser gorda! Folhando os classificados eu achei uma vaga de emprego onde era necessário ter peso. Entender da própria comida, não é?!



Logo na entrada um aviso, imprimido dizia:



- Vá com calma!



- Aproveite seus passos!



...aqui isso é o suficiente



Ao finalizar a leitura do aviso, pessoas surgiram pela casa. Vindas dos quartos. Todos de uma vez, sessenta e poucos. Andavam todos devagar. Riam muito, de qualquer coisa, e meu deus, como é bom perceber isso. Tudo é motivo de piada e nunca é de mau gosto. Meninas cantavam. Tinha tanto espaço ali, que lugar para gastar energia achava-se aos montes. Ir ali, já era longe. Da pra ir correndo, mas é proibido!



Todos se pareciam. Seus olhos! Quando me perceberam, veio um na minha direção. Cheirava bem, me pegou com um braço e juntou meu peito com o dele. Com sua mão esquerda me agarrou, puxando pelas costas. Tombou a cabeça no meu ombro e apertou. A mão que estava atrás deslizou sozinha duas vezes. Soltou-me! Deslizando os dedos do meu cotovelo até a ponta da minha mão. Segurou as duas com força. Quando se conectaram, raios azuis de energias boas passavam de lado um para o outro.



O ar ficou mais leve. Fui solto em dois minutos, mas foi só esse abraço acabar que todos começaram a me abraçar em ordem aleatória e todos tinham poder nas mãos. Alguns raios eram de outros tons, mas todos faziam meu corpo parecer uma pena.



Serviram-me um banquete! A cozinheira gorda perguntou meu prato predileto, falei. Em dois segundos a mesa já estava posta. Alface americana, arroz branco, um grão mais amado que o outro. Tomates frescos, gelados. Cubos de queijo, cebola e molho. Decorei a paisagem no fundo do meu prato e sobrevoei o Pacífico Norte com o garfo. Fui até o Havaí. Aproveitei cada viagem até a minha boca. Despejava e fazia passear cada grão em todos os espaços possíveis antes de engolir. Preste atenção na forma, agradeça, respeite. Mastigue com calma.



Alguns após a refeição foram esticar seus corpos em redes espalhadas. Atrás da casa da direita. Grande parte verde e uma mangueira enorme, no mínimo cento e cinquenta anos. Gorda, cheia de frutos. Me senti tão em casa que percebi que meu pai estava colhendo mangas. Dificilmente sonho com parentes. Descalço na grama, só acenou para mim. Caminhei até atrás da árvore. Percebi um banco e uma senhora sentada. Cantando.



- Brinco aqui desde criança! Costumo apreciar a paisagem deste ângulo da vida. Quarenta e cinco graus de inclinação do olhar. Repara ali! Consigo ver que moramos realmente um planeta redondo que gira. Ele não para de girar. Adianta cada ponteiro que o ser humano inventou.



A senhora se parecia muito comigo, quando a via falando me ouvia. Sua língua pegava no fundo da boca nas palavras com muitas letras “S”. E meu ouvido parecia tapado, meu coração que escutava, percebia e anotava.



- Senta aqui! Vem fazer o tempo parar!



- Mas como se faz isso?



Duvidei mais do que em Doende de Papai Noel.



- Naquele que só vai para frente, é parando que se fica mais um pouco. Quando der passos, coloque primeiro a parte de trás do pé, depois à frente. Deixa o seu sapato contornar direito pelo chão. Puxa o ar pelo nariz e solta pela boca, lentamente. Ouve o baixo, ouve a guitarra, o tom do vocalista. Capítulo vinte do “Poesias que rimam o seu amor”. Percebe que o “A” existe e que o “B” é fundamental. Cai de paixão oitenta vezes por dia.



- mas como posso?



Impossível ter amor o tempo todo! Impossível não se preocupar! Parecia loucura.



- Ame respirar, ame estar vivo, é para isso que venceu o sorteio entre milhares de espermatozóides. Quarenta e seis cromossomos não estão formando seu nome e sobrenome à toa. Justifica o trabalho da natureza. Seu presente vai virar passado e o que você vai contar? Que odiava lugares lotados?! Que tinha várias ressacas aos finais de semana e que um chefe chato falou na sua orelha durante vinte e quatro anos?! Foi assim? Prefere?



Abri um sorriso! Melhor forma de responder.



- Se importe menos e abrace mais. Devolva em dobro! Ajude. Colabore. Evite. Segunda da semana que vem, fará parte de um tempo que ainda desconhece. Preste atenção no agora. Cinco dias vividos são cinco dias evoluídos. Foram cinco momentos contínuos que somam pequenas novas experiências. É progressivo. Um caminho só. Se preocupe menos. Tira o peso das costas...



Depois da última palavra o céu começou a escurecer. Ventava muito também. Em instantes tudo estava azul escuro, com detalhes pretos e restos de nuvens, cinzas, quase prateadas, refletindo a luz da lua. Exatamente quatrocentas e vinte mil estrelas, no que deu para contar. Dava para escolher as Três Marias no Leste, oeste, sul e até para sudoeste. Reparei e a senhora sumiu.



...



Ajeitei-me na grama e agradeci. Que fique para sempre! São fotos mentais que nunca se apagarão, do carinho que nunca me faltará. Paz, amor, harmonia...



























Barulho na porta









































- Filho! São oito e meia, vem aproveitar!






Arima Tatsuo




1 de set. de 2010

#PequenasHistórias - Como na música do Clash.


- Mãe! Mãe! Cadê você?!



Ela não me escutava, não adianta



- mãe?! – Interrogação -! Mãe?!



Pra que continuar? Ninguém te escuta. Silêncio! Por favor, mantenha a calma. Comporte-se menino, isso não é jeito de gritar por ai. Está perdido?! Então se ache! É sua obrigação se achar!



- Onde você foi parar porra?!



Mãe. Estava no corredor do shopping e todos andavam com as mãos, alguns no teto também. Sério! Andavam no teto normalmente, como se fosse chão. Sei lá, não entendi muito bem. Minha calça estava molhada . Não, não estava suja, só estava molhada. Derrubei um copo cheio, mas refrescou. Fazia calor naquele inverno, trinta e poucos graus, coisa assim. Tentei te ligar pela manhã, nove horas, mas seu celular estava desligado, caixa postal, desliguei. Maldita bateria! Maldita tecnologia. Todos trombavam em mim, não contentes só com a maneira estranha como transitavam. Sentido reverso, pelo lado contrário, oposto. Esse imposto pela ocasião não me explica muita coisa, mas compreendo e sigo.



Quando minha calça secou de vez, todos voltaram ao normal. O nosso normal, não o normal deles. Andavam com a coluna reta, pé no chão. Cabeça no lugar, pescoço estalado. Ninguém trombou mais. Procurei alguma porta e adentrei. Acabei por vez em entrar em um supermercado. Tentei ligar mais uma vez, mas você sumiu! Não acredito que não consegui falar com você. Não acredito! Por todas as vezes que liguei por besteira. De mentira. Não sabia onde você estava e continuei procurando. Fui até o corredor de frios e congelei. Uma japonesa gordinha, bracinho, ali! Do lado!



Não era você.



Meu coração bateu três vezes em vão e o mundo ficou verde, bateu mais cinco e todos estavam andando estranho de novo. Agora mais forte! Pra cima de mim com muita força, o corredor ficou tão apertado. Não conseguia fugir, tropeçava e chutavam a minha cabeça e o telefone funcionou. Todos sumiram mais uma vez. Chamou uma, sinal, mais uma, atendeu! Mas não falava a minha língua. Fiquei tão desesperado. Bati com força a cabeça na parede e apareci de cueca em meio às frutas. Bem no corredor de frutas!



Meu peito ficou frio, meu corpo ficou gelado e parecia que ia congelar. Que horrível! O mundo estava parado, agora não tinha movimento. Não tinha ninguém fazendo nada. Silêncio absoluto. Só meu coração que cantava além do limite e do respeito por aquele ar leve. Cheiro de queijo. Muito cheiro de queijo. Virei olhei, percebi, corri atrás. Estava só de cueca, samba e canção azul com listras vermelhas. Tenho certeza, alias, tinha certeza absoluta. Abri meu peito e tirei uma rosa vermelha, linda.



Dei quatro passos e











Acordei.








Sei lá. Sabe?!

Momento de Reflexão.

O mês de setembro sempre me inspira muito. Na vida prática, emocional, no trabalho e nas ocasiões, aparecem-me quinhentas imagens mentais que aguçam sempre o lado criativo do meu cérebro. Parei para refletir, desfrutando do meu vício, escrevendo, pensando e agradecendo cada novidade.

Viver é sentir e estou sentindo muita coisa. Estudando, evoluindo, procurando, encontrando e duvidando sempre, para calcular direito e aproveitar da melhor forma o momento presente, poucos arranhões por uns tempos, sem colapsos e variações de humor sem motivo.  

Só quero crescer e dentro de tudo que posso pedir a Deus nessa oração, peço-lhe apenas um pouco de luz, pois cada pensamento futuro, se a vida permitir, já virá muito bem iluminado.



Leonardo.

24 de ago. de 2010

#PequenasHistórias - Meu primeiro Plano


Meu primeiro Plano


Cena 1 – Invasão Médio O(a)cidental

Quinze metros e meio até o final do corredor e uma pequena curva. Dois pulos e mais nada, meu corpo seria arremessado pelas molas do sofá. Dois metros de altura, sexta! Dois pontos e sábado de manhã. Tomei café cedo e acordei para ver desenhos. Era só correr. Sem barulho. Na ponta do pé, um passo, dois passos, três passos, acho que cinco são suficientes. Mas prefiro calcular melhor. Melhor ficar sentado esperando um pouco. Passos de Palhaço e tudo ia para o espaço. Minha mãe odeia quando mordo o braço dela, mas é tão gordo que seria um pecado não morder. Afundo os dentes sem dó. Ela vem com um tapa e xingando de todos os nomes. Em ordem alfabética e até se xinga no meio do caminho. Não sou filho da puta. Sou teu filho! Mas acho que da tempo! É só correr e voltar! Dá tempo sim senhor! Cronometrados, são trinta e oito segundos. É só acertar


Cena 2 – (Dês) Unindo a sua tropa

Então! O plano é o seguinte:

Cinco passos em velocidade máxima e se joga para direita no final do corredor. Escorrega com as meias, desliza de lado. Para esquerda, corre em velocidade reduzida agora. Sente a pressão do ar e respira fundo uma vez, bem forte. Puxa todo oxigênio possível. Enche o pulmão e pula! Quando estiver no ar jogue a perna direita para o primeiro acento do sofá, mais um pulo, segundo acento do sofá. Usando a Técnica Milenar da Mordida Russa. Sem usar as mãos, de uma mordida bem gostosa no braço da Senhora que está sentada no ponto X. A Senhora também atende pelo nome de Mãe, mas evite comunicação. Morda e prepare-se para bater em retirada. Não pode falhar agora! Refaça o caminho. Retroceda cada passo. Feche a porta e comemore!

Mas!

Falhar pode ser perigoso. A Senhora tem o poder de falar até seu ouvido dar defeito. Ela fala tanto que até a língua cansa, fica parada e presinha atrás dos dentes. Caso isso aconteça companheiro, pense nas Borboletas que vivem no Caribe e saiba! Lá elas são felizes!


Cena 3 - Arrancada ao poder (?)

Tomei coragem e resolvi arriscar. Deve ser complicado, mas vai valer à pena. Respira fundo, respira! Esfreguei as minhas mãos noa joelhos. Fiz posição de corrida! Preparar, atirar! Calma, eu prometo que já vou. Nisso já coloquei meu corpo para fora do quarto. Menino Invisível. Com medo, dei mais um passo e nem percebi. Mais outro passo. Ainda faltava um tanto, mas tudo bem se eu tentar um plano diferente agora né?! Vou devagar, para prevalecer o presente com mais honra e dar um nome mais bonito para o meu cagaço. Sempre fui medroso. Em todas as situações que a vida me colocou em teste, eu chorei! Assumo! Chorei mesmo. Tremi, senti calafrios e chorei muito! É melhor ir devagar, ela não vai me ver do mesmo jeito, depois é só pular e morder.


Cena 4 – Dia “D”

Com calma pelo corredor, dei um passo Ninja atrás do outro. Vi num filme ontem a tarde, respira devagar e vai. O corredor de casa tem vários quadros, de todas as cores possíveis. Paisagens, florestas, bosques e pássaros que só vi no Globo Repórter até hoje. Um salmão. E entre os quadros, algumas fotos, pai, mãe, tiú, tia, irmã, eu e meus avós. Esses faleceram antes da minha vinda, ficaram espantados com o show e deram para trás. Tudo bem! Ninguém tem culpa da velocidade da vida. O roteiro é muito estranho. Começamos novos e erramos tantas vezes, mas tantas vezes que até dói à cabeça pensar. Algumas pessoas avisam isso, mas no duro é mais complicado. Muito mais complicado. Vó! Seu braço era igual da minha mãe. Mãe seu braço era como o braço de sua mãe. Morderia os dois! Morderia quantas vezes fosse possível, para sempre vai ser gostoso. Coisas gostosas nunca deixam de ser Coisas Gostosas. O doce é doce e é redundante discorrer o assunto. Daqui é só fazer a curva, voar no sofá e morder.


Cena 5 – Depois de Pearl Harbor, a salvação do último Kamikaze

Preparei o pulo com tanta calma, fazendo a curva, que parecia que o mundo girava em câmera lenta. Senti saudade de tanta coisa nesse meio tempo. Da toalha fora do lugar, das notas vermelhas. Do incentivo, da companhia, do seu cansaço e da sua voz pela casa. Adorava esquecer a toalha e gritar por você. Consegui ver todos os detalhes até aqui e se não der certo, como prometido, vou tentar outra vez, não hoje, mas promessa é dívida sempre. Lealdade!



Pulo no Sofá / Um pulo / Dois pulos / Uma mordida e o sorriso mais largo do mundo





Por quê? Eu só posso dizer que Te Amo.







Leo Fonseca