3 de mai. de 2011

#TREINO - Constância diária da leveza necessária Vl. 1

Proeza levitar, encadernando folhas impares de situações constrangedoras que durante a infância te fizeram tão mal, cicatrizadas tatuagens, estampadas pelo corpo, curaria com muito choro. O poder de cada lágrima caberia por curar o caráter dos que precisam de paz para respirar e aceitar a vida com mais calma. Aceitar a decadência dos dias mais entediantes, entendendo que dali dois dias o brilho tornaria aparecer. É de costume muito humano acreditar que nunca algo vai dar certo, mas é pessimismo extremo manter esse pensamento adiante. Desacreditando na positividade, na possibilidade de não estar perdido e sim dentro de um padrão diferente, onde pessoas sorriem com mais constância e independente dos seus antecedentes, ali, todos te cobririam de novos conceitos, lhe dando nova nomeação, o que pouco importa são os dígitos dos seus documentos civis, que compravam que seu nome não está sujo perante as leis idiotas de um governo que nunca governou, ordena com tanta falha, que passa por ridículo, ordenando tanto e podendo tão pouco perante todas as vontades do mundo.

Bendita introdução, aderindo gestos novos para explicar com mais aptidão o que se passa por aqui. Ouvindo música alta para ilustrar melhor as paisagens que passam pela janela deste ônibus, me levando de volta para a casa que não tem mais meu cheiro, mas fria, evito pensar no distanciamento que estou tendo do meu ser. Confuso em partes distribui obrigações nos dias da semana para perceber com mais jeito que a vida vai passando devagar e que a distância há de diminuir com cada risco nesse calendário. Dizendo que falta menos um dia para definir esse vagão que insanamente joga luz em meu rosto com tanta fúria.

Calma que sou menino ainda. Tenho tanto medo do escuro e de todos os gritos que não abandonam nem em dia de domingo. Onde a paz deveria ordenar melhor o que se passa por aqui. Tirei férias e percebi só quando meu joelho já está coberto de sangue, ardendo de cada vez que ralei tentando levantar de cada tropeço. Se acostumando com sorriso colado no nariz, dizendo que vai ficar tudo bem. Que só precisa ter calma e viver o momento presente com mais eficácia. Besteira seria, mas tão confortável a sua preocupação. Amor ganhou palavras diferentes, mas divididas entre os mais pesados, passou despercebido novamente. Quando esse deveria ser mais leve, mas o espaço curto impede que o estresse diminua e afasta de perto todos os seus amigos mais íntimos.

Dariam muitas linhas explicitas aqui se fosse explicar com mais detalhes tudo que estou tentando dizer e chegaríamos a conclusões simples demais. Seria fraco demais para retratar cada sentimento bom que devemos aderir, discutindo menos as relações inter-humanas dessas pessoas atrapalhadas que levantam suas vozes por costumes medonhos. Erguendo a raiva por time de futebol ou menina que encarou como sonho e quando choque apareceu, percebeu que era tudo muito real.


Devemos ser leves e mais calmos.


Questione menos o que foi, avalie, mas não canse.
Compare, mas não se cobre


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Concluindo idéias, para continuar. Precisamos sempre renovar

LeoFonseca

2 de mai. de 2011

#SONHOSLÚCIDOS - Invasão B.


Menino invadiu a cozinha descalço, na ponta dos pés. Evitava qualquer tipo de som que pudesse fazer. Algum passo mal encaminhado que viesse a entregar tudo! Precisava estudar muito essa missão, pra só depois competir com a realidade.

Abrir gaveta, pegar faca, abrir armário, pegar chocolate, cortar chocolate. Esconder e fugir.

Passava novela e a costura acompanhava o casal que acabará de separar. Sugeridas emoções disfarçadas pelas maquiagens televisivas, eternizando antigos apresentadores. Sem o lucro de aproveitar uma aposentadoria. Escraviza-se a viver o discurso monótono de mentiras contadas uma atrás da outra. Prestava atenção como sempre. Ligada no botão das coletâneas oferecidas nos comerciais de TV a cabo. Repetindo as animações pra entreter telespectador.

Quando quisesse, poderia dar início à missão. Voltou do comercial e agora é a hora! Dois passos de leve, respiração controlada e o corredor virou cozinha. Seus olhos acompanharam todos os movimentos da mãe no sofá, enquanto seus membros inferiores deram conta de encaminhar os passos conforme o plano dessa missão. Estava pronto para adentrar o ponto B. Acendeu a luz. Foi até a pia e fez movimentos de quem estava a beber muita água. Enquanto a torneira fazia a função de sonorizar falsos movimentos, abria lentamente a gaveta e escolhia a faca mais afiada. Daquela que cortam tudo. Muito cuidado quando abrir pacotes com ajuda dessa aí.

Em conspiração momentânea a gaveta fez um barulho simultâneo à possível movimentação na sala. Sua mãe desligará a TV e parecia caminhar até a cozinha. Isso fez com que a possibilidade de abortar a missão se tornasse realidade, antes mesmo do segundo passo. Frustração.

O menino caiu de joelhos na cozinha e chorou muito. Gritando o horror da derrota. Levemente chutou para fora a última tentativa nos pênaltis. Desclassificou seu time e humilhou toda a torcida.

Vaias e muitas vaias. Gritos dizendo que era realmente não era capaz.

Abaixou a cabeça para dar-te de presente, erguer a sua vergonha

E a TV voltou a fazer barulho na sala. Programas de auditório e o Delegado que atirou no condenado por que ambos estavam dez anos atrasados. Descontentes, desligaram-se da moda e das tendências, mas discutiam ali, de frente a mulher que engravidou do vocalista daquela banda lá.

Jogador vestiu a camisa verde camuflada, fez uma listra preta embaixo de cada olho usando o indicador direito. Olhou agachado no vão da porta se a movimentação da área da sala permitia que a missão continuasse. Partindo do princípio que ações deveriam ser repetidas com mais calma e ênfase sonora.

Fez o truque da água novamente.

Gaveta, Faca, armário, chocolate, apoiar, cortar.

Voltar, armário. Fechar.

Beber último copo d’água. Finalizar a missão voltando para base.

Na leveza de quem não fez nada.


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Pequenas situações, algumas anotações. Devidas, exageradas, retrospectivas. Incluídas em histórias acumuladas.


Leonardo Fonseca

8 de abr. de 2011

#ABRIL - Pelas crises familiares e coisas que deixam pessoas em pranto

- Mas que saco, por que não pode parar logo com esse barulho? É agitação demais para hora da manhã. Crianças dormem a essa hora, acho irresponsável da sua parte estragar tantos sonhos de uma vez! Mas que saco. Mas que barulho infernal, insuportável.

Sapucaí, já que não foi, veio até ti. Embarcado no Carnaval fora de época de qualquer sábado à tarde. Sem soluções momentâneas ao cano que estourou e precisa de reparo. Insolente raiva não parava de gritar. Raivosa mordia-se, tentando com a força da mente interromper a obra. Infernizada, fez café atrás de café. Interrompida, destinou-se a distrair-se, para agradar o momento infinito de tanto barulho que incomodava.

Vestiu velhos vestidos de festas que passaram. Humanos estão todos acostumados a interpretar a vida no pretérito. Contando do dia que foi da vida que aconteceu, logo acabou e deixou presente guardado para alegria natalina. Uma vez a cada de vez em quando. Todos para uma história. O branco para os dias mais claros, coloridos com a grama que sujou seu pé. Era tão nova, era tão calma. Abraçando o vestido, levou-o até a frente do espelho, encardido nos cantos. Sorriu enormemente, excluindo o amarelado da amargura dos gritos sincronizados com as batucadas de obra mal acabada.

Sabe-se que o tempo passa independente das variações ou destino que os dias levam. As folhas do calendário ditam reta única, sem vagas preferenciais ou placas instruindo pilotos de primeira Auto-Escola. Daqui a pouco é o pouco que passou e não volta. Dos vinte aos trinta percebe-se pouco, devido o furor dos acontecimentos seguidos. Da molecagem transformada e terno e gravata. Barba e responsabilidades. O tempo magoa também. Ele te guia, mas ele passa e isso me deixa muito nervoso.

Dançando com seu vestido, optou pela calma. Valsou durante horas e chorou muito. Era tristeza abraçada com alegria, arrependimento, carência, saudade. Saudade prevalece e não se esquece. Endurece e é difícil de controlar. Poucos sabem como administrar. Viram pessoas sérias, sorriem pouco, caídas na bebida pra lembrar que não sente saudade, mas sente muita. A vida foi e não voltou te modificou para sempre. Por isso eu tenho que abrir melhor os teus e os meus olhos, dançar no costume do tempo, mas não deixar abalar. Acalmar quando puder respirar, porque vale muito à pena.

Pensar na saudade me faz pensar em você. Nos dias que se transformaram nesses que estou vivendo agora. Resumindo em passos curtos para errar menos. Tenho que ser responsável e falar sem dobrar as palavras. Se fosse cheiro do teu bolo, seu braço gordo e teus gritos pela casa. Mudar e estar no mesmo lugar, percebendo depois do quarto estágio. Quando o vinte já virou vinte um. Excluem-se os malefícios e tento lembrar-se de forma positiva em tudo de bom que está por vir.

Traz calma quando vier da rua. Ela te espera, girando com vestidos apaixonada por histórias que já se foram. Partiram. Mas todas irão um dia para um mesmo todo. Enquanto houver a possibilidade, escreveremos com detalhes interessantes a passagem que nos deram.

Girou, cansou, dormiu. Sonhou muito tempo. Acalmou. Refletiu. Partiu para vida que lhe cabe, sem desespero, sem paciência, mas que seja.

Leonardo Fonseca

1 de abr. de 2011

#ABRIL - Vinte dias


É de se desesperar quando o telefone toca e ninguém atende. Ele tinha tanta certeza que poderia falar. Isso te ofegava, caminhava encostando a cabeça na parece, batendo em tempos o pé na quina do rodapé. Com o coração digitava os números várias vezes seguidas, temendo ter digitado errado e por isso o telefone só chama. Vários pensamentos rolaram durante um tempo, até que resolveu se acalmar. Idiota ser assim, mas locutor não tem opinião, devo contestar por hora, mas é um erro atrapalhar a continuidade do caso.

Horas passariam abreviadas na ansiedade do coração falante, esse que de irritante, é melhor não citar. Despercebido, arrumou passatempo e administrou assim. Estava em uma sala enfeitada por uma bela poltrona, grande como dos nossos avôs. Criado mudo ao lado para apoiar livro ou controle remoto. Afogou-se em sono profundo ali mesmo. Descontente em esperar, dez minutos sentados trouxeram-lhe preguiça concentrada e apagou.

Notas no ouvido pra dizer que estou bem, caminhei pela tarde, mas ainda estou bem. Deu oito passos em linha reta, cadarço desfez-se, bem feito capitão! Honestamente trajado para guerra, armado, com as mãos segurava com força um bastão. Antes de conhecer a força da sua violência, começou a nadar pelo espaço. Estava tão leve, estava tão calmo. O céu ficou branco, as nuvens todas se tornaram uma coisa só. Unificada no olhar, ele boiava no leite e escorria, refletindo dias passados. Foram vistos climas intensos, certezas e confusões. Mas eu ainda sou um moleque, me deixa errar? Retruca essa desavença outra hora. É muito pensamento acumulado. Se continuar assim, suas histórias vão ficar pelos cantos e vai envelhecer. Sei muito bem disso! E foi isso que ela quis dizer e você tonto. Tropeçou no cadarço mais uma vez. Bateu a cabeça e acordou.

Que tonto.


Beleza de soneca depois do almoço, perfeita pra deixar com mais preguiça e esticar os pensamentos que ficaram presos na manhã ocupada. Desistiu por vez do telefone e permaneceu sentado. Sem esperar muito, a porta se abriu. Vestia jeans e camiseta. Tênis cobrindo os dedos e a melhor explicação seria você mesmo poder ver com seus olhos a beleza dessa personagem que adentra a trama no atual momento. Tomada e luzes preparadas, ajeitada como pétalas delicadas, aperfeiçoando a visão daquele que pode olhar.


- Essas horas e já está deitado? Cansado, me conta do seu dia!

- Dia de telefone que não funciona? Espanta essa nobreza!

Olhos cruzaram-se como fogo atirado com raiva de menino que cresceu longe do açúcar. Essa não é uma história leve. Mexicanos fariam assim:


- Por que raio demora a reconhecer que amo seu coração dessa forma pulsante?

- Oras, preciso de um mar de declarações para aceitar suas considerações! Olé!

Italianos amam demais suas mulheres, evitam brigas e acho isso o lado certo. Comecei errado na interpretação do amor nessa dissertação, falei do peso e esqueci-me de amargurar menos. É amargurando que a gente espanta o que faz bem e sem querer cai aqui. Sabidos são os italianos.

- O que tanto queria falar comigo que não podia esperar que chegasse em casa? Aqui estou do mesmo jeito que sempre estou! É de se duvidar de algum passo meu? Só se for, mas estava na rota que já conhece, algo hoje te aborrece?

- É do italiano que ama demais que devemos falar, eles sabem das coisas. Disse assim o locutor. Queria só te avisar para chegar mais tarde. Tinha um jantar para lhe preparar. Só sei macarrão como sempre, mas com a calma, queria muito te agradar.

Olhos deixaram de queimar lentamente, clareando a visão recíproca. Agora gostoso de encarar aquela menina descrita em adjetivos marcantes, é só rebobinar um pouco essa fita que vai encontrar a explicação. Abriu sorriso de meia boca, depois virou sorrisão.

A luz baixou-se como faria Bertolucci, na Paris que se ama. Passos levou os corpos para uma proximidade linear. Boca bem perto, quem precisa gritar?

- abraça-me?

- abraço-te!

Giraram e gritaram. Senhor do Tempo prega um prego nesse ponteiro e deixa-o encostado por um Tempo. Deixa de castigo enquanto a vida acontece, se ela passar muito rápido. Volto aqui só pra reclamar. Mas sorriso já predominava, nenhum problema do mundo contaminava. É de algo que só entende, mas não premedita e nunca é avisado. Só sei de uma coisa.

- estou no melhor lugar do mundo.

Premeditando a conclusão de maneira calma, como deve de ser. Enfeita verbos espalhados e muita repetição, é a ordem natural dos casos parecidos mesmo. Aqui, ali ou em qualquer lugar. A vida é circular e as histórias sempre se parecem. Mas se o bom é o que faz bem, é melhor se empenhar.


Luzes coloridas enfeitaram o ambiente até o desfecho geral da luz.


Processos contínuos e vamos aprendendo assim.



Leonardo Fonseca

#TIRASDEJORNAIS - Lápis de cor

Sorriso bobo e um tapa, já era de se adivinhar
Depois da ogrisse tenho certeza que vou apanhar
Ela é mandona e agressiva
Ai de mim levantar a voz para essa gordinha

Veio de vestido branco, nuvem brilhante
Foi me puxando pelos cantos
Os passos nunca importam de maneira contrastante
Antes do meio da tarde, pra dar tempo de aproveitar

Desajeitada nem percebeu as marcas e disfarçou
No canto e diz que só ela que pode
Tudo bem, adoro concordar
Nem me importo com isso

Depois faço graça só pra atrapalhar a concentração
Imito o jeito, leio as placas e pareço realmente um bobão
Pra que vergonha na hora de assumir?
Se eu não concordar, acabo levando tapão

Que saudade de lembrar tudo isso
Se pudesse faria agora, do começo até o final
Abaixei a cabeça, pedi, e disse “tchau”
Só mais uma vez, de mais algumas vezes

Sinto saudade do caminho e das árvores espalhadas nas calçadas
Do jeito que o relógio me obedece quando eu to com você
Grato pela sua presença e pelo bem que ela me faz
Rimaria pra fazer sentido, qualquer palavra, e mesmo sendo clichê, cito a paz


Criadora de histórias que ilustram as minhas idéias

Dedico minha criatividade a você.


Leonardo Fonseca