Escova os dentes que eu preparo o café. Duas colheres de açúcar e meio mamão pra cada um. Tem um pelinho no seu paletó meu amor. Tem que ficar esperta hoje meu amor, parece que vai chover e nosso filho tem futebol. Tomaremos cuidado juntos. Qual melhor hora para nos encontrarmos para o almoço? Conheci o melhor restaurante da zona oeste. Pulando e flertando apaixonados. Acostumado com o amor que abençoa a luz de cada manhã. Percebo em terceira pessoa a realidade dos fatos. Seguindo. Avisto os dois caminhando pela manhã, cada um partindo para os seu detino pessoal, de segunda até sexta, no batente, contente. Levando como pode cada passo dessa imensidão. Na missão de fazer renda para viver como a necessidade dessa sociedade que implica tanto. Pedindo produção constante, como se fossemos lâmpadas ou motores em combustão. Fervendo e borbulhando pontos de vistas controversos para aqueles que preferem os dias mais calmos. Melhor estar em dois, são mais mãos para construir. Mais idéias, mais conselhos e opiniões a serem discutidas. O interessante da vida é ter problemas, cada vez mais. Evoluindo a cada um, faz sentido se pensar assim. Logo cedo devemos nos preocupar somente com problemas pequenos, como tomar um bom banho e colocar a quantidade exata de açúcar no seu café e não me importo com dependência. É dependência demais achar que tudo é dependência também. Por isso, prefiro aliviar e assim que devemos fazer sempre.
- construíram em sorrisos unificados o diálogo que sem a necessidade de verbos ditos, somente em atração visual, já disse tudo que precisava, acalmando e levitando todos os sentimentos bons possíveis. Que estranho me separar daqui e sentindo a calma do universo que chama para abraço com muita pressa, acolhendo os medos que me passaram pela vista nos últimos dias.
Contas espalhadas e faturas vencidas. Imposto de renda e treze por cento que não volta. Eu sou a soma inútil de todas as novidades sem razão que já te apresentaram. Tento fazer de conta que não, lendo revistas e tentando entrar de cabeça em assuntos ligados a moda. Mas é tudo a mesma coisa, clichê do mesmo. Durante as quatorze horas, minha cabeça pesou junto com a dela. Amor, perdeu a razão. É tanta dor que é melhor dormirmos esse amor que está dificultando tanto. À noite a gente se vê em algum lugar perdido desses sonhos tão lúcidos. Parecidos com os dias que senti medo ou pude voar.
Invadiram disparando balas de borracha para todos os lados, me joguei atrás do balcão de informação e vi te levarem. Corri o suficiente para perceber que não sou tão rápido quanto imaginava. Não eram balas de borracha. Borracha não fura, não corta o coração, não exclama com tanta violência assim. Não mesmo.
... tentei começar, mas não consigo continuar
Leo Fonseca