As pontas estavam brancas e não eram bandeiras de paz, muito pelo contrário, era a guerra avistada pelas tragédias do mundo normal. Cai sempre uma bomba em cima de mim e dificilmente consigo reparar quando elas vêm em minha direção. É rápido e já está afetando o céu da sua boca. Não entendo o funcionamento, mas sei que tira o sono e deixa cada ponta dos meus dedos, muito e sempre muito, a fim de dançar loucamente uma nova canção de amor perdido. Mas não justifico a minha tristeza em um amor que se foi e muito menos sei sentir isso que para mim, hoje, não passa de uma outra palavra que está bem no começo do dicionário.
Você.
E não me importo como a maneira que adentro o cérebro daquele que tenta me entender. Sempre culpo só a mim mesmo por falar rápido demais e me perder em assuntos que não são tão compensadores. Não tente me entender, não por hoje, sou ator demais para ser compreendido. Mesmo justificando com pausas na vida, mesmo querendo aquilo que você não conhece tão bem, viu na TV e diz ser especialista. Não deixaria meu filho andar comigo mesmo, não sou uma boa influência para aqueles que desejam uma vida “americana”, não sou motivo de festa. Sei, parece triste e melancólico demais, mas eu me conheço. Vivo comigo mesmo todos os dias desde que eu nasci e sei perfeitamente descrever tudo aquilo que já mudou dentro de mim. Não consigo achar mais isso tão errado assim, mas não faço a cabeça de ninguém. Erga seu ego da maneira que achar mais prático para a sua pessoa. Sou tímido e nem sempre sou aquele que mais fala nas rodas com amigos. Não sou de dança e vejo a noite passar perdido em minhas loucuras. Eu vejo aquilo que você, sóbrio demais, não consegue ver. Enxergo cores e me vejo perdido em algum canto que não tem nada para ser observado, mas tudo bem, prefiro assim.
Mas gosto de beber até não sentir mais quem eu sou de verdade. Gosto de esquecer o meu nome e que amanhã é só mais um dia da minha vida que vai passar
Essa é a nossa celebração em pró do nada. Em pró de todas as festas que não fazem sentido e as danças sem sincronia. É a celebração do nada meu, do nada seu e de tudo aquilo que é considerado nada dentro de um grande tudo. Tudo meu, tudo nosso, tudo de tudo aquilo que não faz sentido algum. Simplesmente balance a sua cabeça conforme o baterista bate seu pé no bumbo. Sinta o peso do baixo entrando e coloque toda sua raiva para fora em um grito só. A oportunidade é única e nem sempre deve se pensar muito antes de agir. Faça, faça e faça. Não vou lembrar mais de você amanhã. Vou te apagar quando o sol resolver aparecer e talvez um dia eu te encontre, um pouco mais barbudo e verdadeiramente pronto para viver a vida que a TV vende para nós todos os dias.
Mudo de assunto conforme a minha forma rápida de caminhar com as palavras e espero que você não me encontre novamente. Estou onde você detesta e falando daquilo que dói dentro dos seus tímpanos. Vou cutucar cada machucado que ainda está aberto em seu joelho. Caiu de quatro há tempos e ainda não conseguiu uma base segura para deixar de se apoiar com as mãos ainda no chão. Me fiz diferente de você de propósito e gosto de protestar contra tudo aquilo que parece não me agradar. E sou preconceituoso. Penso bem antes de agir e te deixo com raiva mais uma vez. Vai sentir vontade de afundar as minhas narinas até ver sangue escorrer de dentro de mim. Não me importo, me odeie. Não nasci para ser amado por qualquer um. Sou seleto e não te quero na minha próxima festa de aniversário. Nunca te daria um pedaço desse meu bolo. Nunca emprestaria um coração para que tentasse amar. Breco com força para ver seu pescoço torcendo. Sinta a dor de ser um ser humano. Sinta a dor de ser você.
Valsa de fim de festa, o pai da dama já entregou para algum garoto
E se não entendeu
Não é para isso que eu escrevi mesmo
Confunda-se
Entenda-se
E veja-se
Sou você, você sou eu
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