O mundo real é muito menos colorido que o anormal. Sem cor, sem tanta alegria, cinza e feito de pessoas que sentem dor. Na cabeça, no corpo e dentro de suas almas. Horrível é a responsabilidade, a falta do que fazer a monotonia que estaciona bem em frente a sua casa. Não consigo não ser ansioso ao ponto de pensar demais nisso tudo, não consigo esconder, não consigo esquecer. Vejo tudo pintado pela metade e assim vai indo. Não é culpa minha, não tenho culpa nisso tudo, não sei realmente o que fazer. Mesmo buscando dentro de todas as palavras que já escrevi, misturando com tudo que já vivi, não consigo encontrar algumas soluções práticas para algumas coisas que deveriam ser mais básicas. Gostar é básico, amar é bom, é delicioso, é melhor que chocolate derretido com leito condensado, mas em uma mesma proporção faz mal para o corpo e te machuca em doses homeopáticas. A culpa não é tua também, é a tua forma de levar e ver a vida, não deveria eu, um menino qualquer, tentar te ajustar e fazer caber em minha vida, vou aceitando como pode, assim como vejo o sol nascer e simplesmente o admiro.
Nem todos os casos são como os dos filmes, não são tão perfeitos, a vida não é um filme. Por mais que tente montar cenas perfeitas, cobertas por garoas finas e algumas luzes que deixam alguns momentos perfeitos. A vida é só a vida, do começo, do meio e o fim. Não menos trágico, não menos real, não menos “vida”. É o fato de acordar cedo e dormir pouco, se alimentar mal e reclamar das dívidas no final do mês, nada é tão bom sempre. Somos feitos de dias legais e alguns chatos, é preciso viver dentro dessa balanças inoportuna, não é legal, eu sei! Mas assim segue a rotina de todos que estão condenados a serem como eu, mais um ser humano na Terra, mais uma gota d’água, mais um grão de areia, mais uma cabeça na multidão, mais um rosto desconhecido no ônibus de manhã. Não sou especial, não sou o maior vencedor de todos os tempos e a minha maior culpa é ser demais “eu mesmo” e não conseguir escapar dessa falha maldita. Juro, não queria ser assim.
Queria ser o atleta da revista de esporte, o ídolo de todos os adolescentes, queria ser grande, queria ser alto, queria ser tudo, queria um monte de coisa, mas hoje eu não consigo deixar de ser o que sou, não sei o quão ruim, ou bom é isso, mas vou seguindo como me ensinaram os dias, como me ensinou a vida até agora e não sei até quando vai ser assim, mas vou tentando. Queria ser apaixonante, dançante e feliz, alegre como os rostos das revistas de casamento, como os vencedores de grandes provas de atletismo, queria ter mais coisas para comemorar, mas a minha vida não é editada. Minha vida é o que vivo durante as vinte quatro horas de todos os meus dias, sem pular, sem ter folga, eu sou assim.
Desenharia-me em um papel e faria sem culpa, sem medo e menos triste. Seria explosivo, efusivo e tudo mais que eu não sei ser. Seria um espetáculo em forma de pessoa, seria menos medroso, seria a pessoa mais corajosa do mundo, seria capaz de tudo e o tudo eu faria, todos os dias e todas as horas, porque mais do que ninguém, saberia que sou capaz de atingir todas as estrelas ao mesmo tempo, sem medo, sem lerdeza matinal. Seria rápido e sagaz, seria capaz, seria irresistível, seria seu sonho, seria teu todos os dias, agora, amanhã e até quando a vida permitisse, sem culpa e sem medo.
Às vezes cansa ser Leonardo, às vezes cansa ser assim, mas não sei ser diferente de tudo isso que sou, mesmo que eu sonhe com muita vontade, mesmo que eu ache uma lâmpada e encontre um gênio dentro. Não há três pedidos a serem feitos nesse momento, não há uma mágica a ser feita agora para que as guerras interiores acabem, mas não tem como.
Vou assistindo os finais das tardes, na lerdeza que Deus me deu, na vontade de ver a vida passando e eu capaz de acompanhar tudo que ela me dá de presente. Vou aproveitando, vou curtindo do meu jeito, não sou de festa diária, mas sei beber até cair quando essas aparecem. Sou da calma, sou da felicidade das coisas pequenas da vida e vejo sorriso em coisas simples, eu sou simples, eu sou assim e não sei como mudar tudo isso, por isso...
Sei que não sou especial.
Leonardo Tatsuo Arima da Fonseca
2 comentários:
Já eu, sei que você é.
você é demais!
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