Daqui a pouco faço mais um ano, mais um entre os vinte e dois que já vivi até então, estou para nascer daqui um dia. Dia vinte de manhã, pelas nove da manhã, alguns minutos e segundos que desconheço, mas por me conhecer, acredito que nasci em horário redondo, não consigo entender muito bem os horários picados e as horas quando não estão completas. Nasci em um dia como esse que estou para viver, nasci perto de um feriado, perto de uma páscoa, perto de várias datas em que as pessoas se reúnem para comemorar. Minha família não é mais a mesma e tento ainda me adaptar dentro de um lar que não é mais o mesmo. Os almoços de domingos não são mais os mesmos, os dias da semana, as datas e os feriados. Tudo muda de uma forma louca e me vi crescer dentro desse tempo, mesmo tentando demonstrar para o mundo que sou capaz de brilhar, mesmo tentando mostrar que sou capaz de criar uma vida. Queria ser menos artista do nada e queria me ver em cima de um lugar mais alto. Parece sonho, parece querer demais, mas não estou muito bem quando o nada bate a minha porta. Preciso de atividades e trabalhos sem fim. Com um pouco de tempo para dançar, um pouco de tempo para namorar vários sorrisos que encontro no meio do meu caminho. Vou decorando cada seleção de dente que vejo arregalando felicidade para mim. Um abraço, um momento feliz, um momento que não vou me esquecer. Não me esqueço de você e vou continuar escrevendo, mesmo que não lembre mais meu nome ou talvez carregue um pouco de mim quando pode. Tento não lembrar, tento não desejar e vou desejando o que puder, vou amando o meu trabalho e meu nome que vai ecoando para o caminho do bem sempre quando pode. Não posso tanto assim, não me diverti tanto assim, queria ter pulado um pouco mais esse ano, queria ter cantado em voz alta e brincando muito mais. Gastado energia na rua, grudado em bocas que não sei o nome, não sei a história e muito pouco me importa com quem se deitou na noite passada. Estou me vendendo por muito pouco, talvez eu nunca prestasse e tentei me esconder atrás de uma pessoa que ama, ou sou apaixonado eterno que não se redimi à acreditar na possibilidade de um coração amar até arder o centro. Até machucar e parar de pensar nisso que te persegue. Procurando um assunto, vou escrever sobre a paixão, seguindo meu ponto de vista e tudo aquilo que minha cabeça quiser dizer.
Já brinquei de gostar muitas vezes nessa vida. Muitas vezes no colégio quando ainda respirava toda a paixão de uma criança, toda a inocência e todas as cores que rondam uma pequena pessoa apaixonada. Gostando da menina mais bonita do colégio, vizinha mais adorada ou a amiga mais bonita que sua irmã trazia para casa. Eu que nunca tive dessa sorte, eu que sempre fui gostando daquilo que achava necessário gostar e pensar estar perto por um tempo. Pessoas estranhas, pessoas normais, pessoas bonitas, pessoas apaixonantes. Já chorei e gostei demais, me machuquei e senti vontade correr até a rua acabar, até o mundo encontrar uma curva que me ilustre soluções para essas dores que remédios não curam. Dor chata, mas de bebedeira em bebedeira, a gente esquece, a gente curte de outro jeito e cria outra chance de enxergar as coisas. Não é tão frustrante porque muita gente vive isso e acaba participando de uma história de amor e isso acaba às vezes, isso chega ao fim e você passa por dias que só a TV pode ser tua companheira fiel e prefere dormir por muito tempo. Amor machuca quando quer, machuca demais e te deixa caído, como se fosse resfriado no meio do inverno, sair não dá, estão frio demais para viver a vida vendo o mundo lá de fora, do lado onde as coisas estão realmente acontecendo. Você esquece-se de ver a vida e não consegue sair para dançar com meninas lindas. Esquece a beleza de todas as suas amigas e esquece como é bom beijar uma boca estranha, esquece como é bom cair de bêbado e ver a juventude passar, ver algo que um dia vai acabar, ver que tem tempo ainda para aproveitar e vou aproveitar o quanto puder, vou aproveitar até cansar os meus olhos e sentir uma vontade absurda de dormir. Por enquanto vou caminhando com minha insônia e vivo muito bem desse jeito. Nem tudo é mágica, mas faço acontecer do jeito que posso e vou me apaixonando por novidades nesse momento, vou me apaixonando por algo que não me machuque e que traga coisas boas para os meus dias futuros. Quero me apaixonar por um rosto bonito e esquecer na troca de estação. Quero gostar e não torturar um pouco mais essa vida que muitas vezes é amarga. Quero festa e não me canso de repetir. Não ligo em ser cansativo, falar até seu ouvido não agüentar mais nenhuma palavra, adoro dizer até você me odiar. Me odeie, não é a primeira, não será a última e não vai gostando de mim mesmo, pelo menos assim o mundo cria uma balança mais estruturada e eu saberei com mais certeza quem chamar para sair no final de semana, eu que aprendi a odiar um sábado mal feito, eu que aprendi a sentir falta nos dias que deveria estar vivendo a paz com meus amigos. Eles amam e namoram com suas namoradas, fazem sexo e ficam cansados, sentem ciúmes e vontade sair sozinho. Sinto vontade sair com alguém, sinto vontade ter alguém perto de mim, sinto vontade amar, sinto vontade um monte de coisa besta, um monte de coisa que nesse feriado não tenho, mas tudo bem, logo faço anos e lembrarei que sou feliz quando ver que todos que amo muito estão em minha frente adorando o dia em que eu nasci. Vou comemorar um pouco mais e sem reclamar, vou beber, vou levantar a minha voz e todo mundo vai me ouvir. Tomara que venha um pouco de coisa nova para os próximos dias que estão por vir.
Alguns amigos mudaram e muita coisa está diferente por hoje, estou acumulando pessoas adoradas em meus dias. Pessoas em que nunca me esquecerei e vou criando paixão para elas. Proximidade e coração que vai estar sempre muito quente, batendo por quem vale a pena e sempre muito bem acompanhado, vou espalhar carinho e tudo de bom que puder transmitir. Vou espalhar meu amor por aí, quem quiser compartilhar, estou aberto para quem quiser um pouco de paz, quem quiser um pouco do que eu posso fornecer. Estou aqui para as pessoas de bem, para as pessoas que me fazem bem, para quem me ouve e me ama do seu jeito. Não preciso ter você fisicamente, mas tenho dentro do meu coração muito espaço para ter você, para estar bem, para estar dançando freneticamente essa dança louca. Te levo para o mal caminho e te encontro bem pela manhã, te devolvo em casa e te amo sempre que quiser. Te levo embora e não faço machucado dentro de você. Teremos limites, teremos alguns espaços diferentes, mas estaremos sempre juntos. Meu sorriso pode ser emprestado e espero que não ligue, meu corpo e meu desejo, vou desejando quem puder e agradar meu paladar. Me perco em um corpo, me perco em seu rebolado e não sei cantar, não sei dançar e perco todo movimento, perco toda forma de expressar algo, estou preso e não consigo me soltar. Não consigo sair dessa fissura que se criou de frente ao meu olhar. Te vejo para lá, te vejo para cá. Te vejo minha, te vejo com meu nome piscando e letras enormes. Te vejo para mim, te vejo com todos os pronomes errados e quando corrigidos, todos brilhando só para mim. Não me importo com esse egoísmo e não me importo que não vou ter que dividir. Quando é bom, se quer para si, mas cansei de explicação e vou esperar até o dia vinte desse mês, vou ficar mais velho e vou lembrar-me de mais algumas coisas que preciso dizer para o mundo. Vou conhecer mais algumas coisas e vou mudar mais uma vez o meu jeito de vestir. Algumas coisas vão estar diferente ano que vem, como todo ano, como vai ser sempre, mas escuto música alta para esquecer um pouco e escrevo para lembrar para sempre, vou lembrando de tudo que puder, não me arrependo de quase nada e o que me arrependo, guardo só para mim. Não conto para ninguém e faço de conta que nada aconteceu. Algumas coisas vão comigo e as outras serão esquecidas quando dormir no horário. Vou acordar mais tarde para ver se vivo um pouco menos essa idade e terei todas as idades que me surgirem em verões próximos. Por enquanto sigo abstrato nessa vontade de não entender muita coisa.
Leonardo
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