15 de jul. de 2008

Sobre as minhas drogas e os possíveis efeitos colaterais de uma noite sem dormir

Parando o tempo! Assim eu começo o meu ato. Fazendo com que o relógio funcione ao meu favor. E brinco com o tempo do jeito que eu mais gosto. Ele corre quando eu quero fugir das dores de cabeça e ele para quando te vejo dançando só para mim. Seu corpo levando os meus olhos para todos os cantos possíveis. Você tem um imã e eu não consigo parar de olhar. E por favor me deixa desejar só agora, mais uma vez de tudo isso que não sai da minha cabeça. Cada vez que eu me senti um ridículo perto de tanta perfeição. E pergunto para Deus sempre que posso, como conseguiu fazer assim. Deve ter sido tão custoso, deve ter dado trabalho com certeza. Queria eu ser Deus agora, faria tudo do meu jeito pelo menos por uma semana e desenharia cada nova cena do mesmo jeito que eu assisto os programas que passam só para mim durante a tarde. Sou de um filme e esqueci de contar para você. Não te importa, e me chama de lunático. Me ofenda que esse é o meu maior motivo para te amar do jeito que eu quiser amar. Com você o relógio parou e se duvidar de mim faço ele parar quantas vezes você quiser e assisto mesmo, todos os dias, tudo aquilo que ainda está guardado dentro da minha cabeça.

Não ligo quando a chuva molha o capuz do meu moletom e digo para você que gosto quando isso acontece. Encontro um mundo que só eu vejo e me sinto bem ali dentro. Só tem espaço para abraçar tudo aquilo que eu quero lembrar e nessa minha festa interna só tocam as músicas que eu mais gosto. Sou o meu DJ preferido e demorei mais de vinte anos para perceber isso com mais calma. Talvez os meus ouvidos tenham se enchido de tanta coisa que eu já os obriguei a ouvir, talvez tenham gostado de algumas coisas, mas com certeza teve muita desaprovação. Mas hoje escolho faixa por faixa com mais complexidade e coloco para dentro dos meus ouvidos somente aquilo que pode realmente entrar em sintonia com tudo aquilo que estou assistindo no momento. E agora estou na chuva, mesmo aqui não chovendo, mesmo estando coberto e protegido de qualquer possível bomba vinda do Oriente Médio. Estou preocupado em colocar algumas coisas em dia e acabo esquecendo de todos os problemas do mundo. Queria aprender a voar e não mais tentar bombardear alguém que se parece comigo e respira o mesmo ar. No final das contas todos nós morremos e acaba tudo no pretérito perfeito, em horas, imperfeito, mas nem sempre. O acontecido já aconteceu e não pode mais ser replanejado. Já foi e às vezes ninguém assistiu. O mais legal da vida passa despercebido, sempre tem aquele alguém que lembra no final de alguma reunião de amigos, só para sacanear o amigo ou mesmo, pelo simples fato de ser engraçado lembrar o que foi bom. Nem eu lembro de muita coisa, mas eu sempre tento buscar dentro de mim todas as bocas que já me beijaram e vou decifrando cada passo da história que eu vivi, cada loucura, cada centímetro de rosto que foi chegando perto de mim. Nunca vou me esquecer da sua boca rosada e a mania de me deixar louco. Só você conseguia conduzir a minha cabeça da sua maneira e eu me sentia louco. Pedia para o tempo parar só mais uma vez e dizia em voz alta que nunca mais pediria que nada daquilo acontecesse novamente. Quero que seja só com você e com mais ninguém. Vou dizer que amei você como nunca amei nenhuma outra pessoa.

Já fiz paixão como eu quis e sempre desenhei do meu jeito tudo que eu queria ter só para mim. Fiz filme em dias simples, enquanto você se divertia assitindo algum programa besta na TV, estava eu perdido em algum lugar muito longe de casa, ou ali do lado, escondido atrás da porta, fazendo de tudo para não parecer tão sexual a maneira que eu estava respirando. Desculpa parecer sujo às vezes. Acho que me torno homem demais quando eu quero. Também sei ser calmo e swingar conforme seu desejo. Faço música, faço simples, faço do meu jeito, jogo tempero e aqueço no fogo baixo. Esquentando aos poucos, sua nuca fica suada e você esquece o seu nome. Na verdade você esquece de tudo de uma vez só. Prefiro não lembrar de nada e as contas ficam todas escondidas, segunda eu penso em tudo isso e hoje tanto faz, como tanto fez talvez. A dança é minha e eu vou levando do meu jeito. Piso no seu pé e me perco em algum assunto. Quando voltar do banheiro eu juro te levar para o meio da pista. A gente encontra um possível espaço aberto e só percebe que a vida existe quando o sol aparecer de novo. E se ele não quiser aparecer, não vou reclamar de ter que dançar a noite inteira. Dançarei com você e não vou esquecer de cada sorriso. Nunca.

Rasga cada pedaço de pele que Deus, idiota, colocou sobre a minha alma. Impura e puta alma, cheia de hipocrisias e preconceitos. Sou preconceituoso e assumo cada defeito que tenho. Vou te olhar feio e não vou te dar a mão quando te ver em uma próxima vez. Sou melhor do que você e do que todos os seus amigos. Sou mais divertido e as minhas roupas é que estão na moda dessa vez. Comprei o tênis mais caro da vitrine e decorei tudo de idiota que eu podia decorar. Decoro e falo como se fosse novidade, faço de todas as mentiras que ouço na rua, verdades minhas. Me fantasio e viro quem eu quero na hora que quero. Não tenha medo de mim, não sou eu escrito que estou falando de mim. Sou sua consciência, descrevendo cada detalhe que você nunca se quer reparou que tem dentro de você. Sujo e imundo, teria vergonha de dizer que é você realmente. Se esconda e compre uma máscara nova. Seu tempo já foi e esse buraco parece estar cada vez maior, não vai conseguir dessa merda de droga nem fodendo mesmo. Vai morrer afundando nessa tentativa de ser descolado, como eu, ou como o novo ator da novela que passa a tarde. Tenho vergonha por você e vou deixar as minhas bochechas rosadas hoje em sua homenagem.

Se o assunto acabar essa noite, vou colocar mais um pouco daquele pó branco para dentro do meu nariz, ou vou enrolar mais um, tanto faz. Vou estar acima, não vou estar pisando mais no mesmo chão que todos vocês. Vou acumular um monte de letra e vou enfileirar de forma correta. Sou esperto e sei alegrar sua vontade de ouvir novidades. Sei seduzir usando meia dúzia de palavras não tão complexas. Não sou tão complexo quanto um "Eu-Lírico". Vou soletrando de forma simples e repito muitas vezes algumas palavras. Vou reparando, mas não desejo sair do meu personagem mais uma vez, pois não posso reinventar uma forma de ser em uma troca de linha ou uma troca de assunto. Vou te alegrar realmente. Assisti os seus filmes preferidos e tirei o violão a música que você mais gosta só para te deixar feliz. Vou abusar de você depois de tudo isso. Estaremos tão altos e rebolando que não lembrei no dia seguinte de nada disso que estou dizendo. Faço testes em mim mesmo e isso vem dando certo. É um treino e quero que entenda. Se eu tivesse saído para tomar café, teria visto o mundo e não esse mar de loucuras. Mas amo ser louco. Gosto de ser eu mesmo e me prefiro assim.

Vivo em um mundo sem traves, tirei todas as barreiras do meu caminho e estipulei todos os meus limites. Se quero de um jeito, faço do mesmo que me agrada, desço no andar que eu desejo e te perturbo na hora que todos deveriam estar dormindo. Cada um do seu jeito não é mesmo? Não te pergunto mais nada e vou descansar a ponta dos meus dedos. Pois... Infelizmente a hora passou demais. Foi além de onde deveria ir e agora chegou a hora de encontrar uma magnífica forma de terminar toda essa baboseira. Mas eu não encontro um jeito de finalizar essa idéia. Vou ser figurinha repetida de craque de time da Europa e quero mais é que se dane. Que se foda tudo e todos os autores ao mesmo tempo. Todos juntos abraçados com os seus livros chatos e repletos de coisas que ninguem realmente entende.
Foda-SE

Lunático

4 de jul. de 2008

Meu uniforme está molhado e hoje eu não vou assistir aula.

Meus olhos pesam uma tonelada. Pequenos já são, nânicos e esticados, tipo japonês. Do tipo importado, do tipo que agrada quem gosta de comida japonesa, do tipo que sonha com monstros destruindo cidades, enfeitadas com nêon. Sonhando acordado com os carros que ainda não sabem voar. Vivendo a realidade de um sonho ainda não terminado. Realidade inexata, toda essa exatidão, toda essa simplicidade. Só preciso de mais alguns minutos de sono, mesmo que eu me atrase mais uma vez, mesmo que o dia acabe enquanto eu ainda durmo. Não me importo com a regra dos horários, não uso relógio, acho muito chato controlar o meu dia com alguns ponteiros independentes, não giram conforme o gosto daquele que o usa e sim, funcionam por conta própria, chato demais para se pensar agora cedo.

Vou te tirar para dançar assim que eu conseguir abrir o meu olho da direita. Não peça para eu andar mais rápido, ou passar aquele perfume que me deixa com alergia. Deixa eu estar de pijama quando escurecer. Vou fazer dança como vento e vou cantar sobre a preguiça. Vou dormir a noite inteira e te deixar com raiva. Você louca para dançar e viver a juventude de uma sexta-feira cheirosa. Não, não mesmo! Só quero mais um afago apaixonado do meu travesseiro e sentir não mais o calor do seu corpo sobre o meu. Hoje sou paixão pelo cobertor, mesmo que seja na contra mão de qualquer amor, hoje eu não te amo mais nada, não te amo mais nada mesmo, zero porcento de cada porcentagem de descontos, acumulados em cupons que eu sempre junto quando faço compras no mesmo supermercado. Sou viciado no clichê e adoro juntar cupons. Mas não fazemos compras tem mais de um mês, tudo bem sobreviver com alguns lanches durante a tarde, acho que estou engordando, mas estou levando como uma engorda preparatória para o inverno que está chegando. Quando o sol voltar quentinho, eu prometo correr no final das tarde, dormir menos durante o horário em que normalmente as pessoas vivem suas vidas. Não sei se são medíocres essas, estar com sono é pairar sobre o natural e o sonho. Acho que é tudo real e meus olhos pesam demais.

Assistir a tarde passar com os olhos fechados, vou deixar a porta do meu quarto só encostada, ainda não deixei de ser idiota e ainda fico esperando o telefone tocar. Toda vez que sinto vibrar meu celular, rezo por dois segundos e espero ver o seu nome ali, me chamando com sua voz delicada, riso ao fundo, gemidos de alegria que eu sinto muita falta. Tanta aventura, tanto sonho bom, tanta alegria, tantas coisas sobre você que eu ainda não consegui descobrir. Até vou esquecer o seu nome, só para fazer graça e perguntar de novo qual a poesia que escolheram para denominar você. Rosa minha, flor minha, maravilha minha, tudo que seria de posse, mas que fugiu, sem eu tentar apertar entre os meus dedos, você virou as costas e virou história. Virou nome perdido, sem registros ou documentos marcados em minha agenda. Não consegui guardar perfeitamente o seu rosto em minha mente, mesmo depois de ter tentado decorar cada cena que ao teu lado assisti. Mesmo eu tentando de várias formas. Eu nessa minha mania de querer te esquecer, só acabo conseguindo me lembrar cada vez mais. Não me machuca mais pensar, não me tira o sono e não me faz querer não pensar em mais nada. Mas virou borrão branco dentro da minha cabeça, toda sua beleza inconfundível, tudo aquilo que é de se admirar por uma vida inteira. Seus olhos, sorrisos e olhares perdidos, seja para mim, seja dentro dos meus olhos,ou até mesmo perdida em algum filme que passava na TV, não sei. Juro não saber, querer saber, não sei se quero também.

Não quero dançar hoje, sei que é sexta, sei que amanhã posso acordar tarde. Hoje eu quero dormir o dia todo e não me importar, quero ser da minha cama e de mais ninguem. Hoje eu não quero dançar, não quero me cansar, não quero ficar suado,não quero me perder. Quero me encontrar, me achar no espelho só amanhã de manhã, com o rosto amassado e com a voz rouca. Quero acordar em um novo dia, menos cinza talvez. Queria querer menos as coisas na vida, queria pensar menos no que eu tanto quero e se realmente necessito de tudo aquilo que desejo tanto nesse jogo todo de querer demais. Não é só mais um samba, é dançante eu sei muito bem, foi eu quem o fez. É de preguiça e mais nada, não vou repetir tudo aquilo que eu penso a respeito do assunto e muito menos vou te fazer decorar essas minhas palavras. Sempre repito, lógico que dentro de toda minha forma de expressar aquilo que sinto, ou inventando uma nova forma de ser. Não sei o que dizer hoje e mesmo que eu apague tudo, vou acabar escrevendo do mesmo jeito em todas as novas mil tentativas.

Está vazio e não tem nenhum nome estampado na porta de entrada. Ninguem viu quem foi o último a se aventurar. Estavam todos muito cansados para tentar interpretar de uma forma mais doce todos esses últimos fatos. Fiz como um adolescente e me desenhei sem maturidade alguma. Gosto de ser amador, gosto de ser insignificante e ninguem me viu entrando aqui hoje. Sei não fazer barulho, sei ser discreto e não deixo ninguem se apaixonar. Faço de propósito e falo para todo mundo que eu não sei realmente dançar. Jogo dois para um lado e dois para o outro e mesmo assim não faço valsa em toda essa falsidade de nossos abraços. Simulados demais, controlados demais. Cansei de fazer de conta que eu ainda gosto de tudo isso. Meus dentes estão amarelados demais e hoje eles vão ficar escondidos de vocês todos. Deus não vai me ver, vai esquecer de mim hoje e não vai me telefonar. Hoje não me chamo mais Leonardo e não sou mais você também. Não sou ninguem mesmo e por uma sexta-feira, não vou ter vergonha de assumir nada. Li todo o contrato antes de me mudar para cá, assinei somente aquilo que realmente parecia ser cordial demais. Mas o exato momento não é considerado o melhor para negociar mentalmente os fatos que necessitam serem apreciados agora.

Terminei todas as provas e não fiquei de recuperação, me esforcei e decorei todas as fórmulas chatas de física. Até fingi que gosto de algumas coisas indiretas do caso reto, ou talvez algumas com defeitos que nasceram passivas e sem objeto direto.Não sei para que serve e se realmente serve. Não me visto mais como antigamente e não sei para que eu preciso realmente juntar bolinhas com bolinhas e adivinhar algo parecido com "mol". Teorias não me agradam, gosto de fazer as minhas. Mesmo que lotado de conclusões banais e sem sentidos aos olhos preocupados com o bolso.

Não vou dançar com você e não vou me preocupar comigo mesmo. É para dormir e esquecer da fome, como se esquece uma paixão depois da dor. Hoje só vou sentir o calor da espuma que me abraça e vou esquecer novamente meu próprio nome. Perdido entre tiros e loucuras criadas durante a madrugada. Nessa minha própria busca pelo dia seguinte, vou seguir sozinho e acordar babado. Não quero mais fofoca e vou me divertir com as novidades do ano passado. Cansei de viver o presente e recordar nem sempre é andar no sentido contrário.

só mais cinco minutos

mais um pouco para mim

deixo de lado você...


só mais cinco minutos


Leonardo

30 de jun. de 2008

Lírico concretual


sou de onde nascem dos lixos os poetas
minha cidade não dorme, mas descansa
de bar em bar, perto de tudo que é cinza
longe das belezas, longe do mar

sou da cidade onde se guardam vidas em gavetas
poesia cantante do vagão para o ônibus
pulando na baldiação do mundo
cada excluído, cada saco preto de lixo
meu imundo mundo puritano

as taxas aumentam e meus amigos somem
não é para guerrear, mesmo com a falta de motivos
comemorar com algum gole gelado pela rua
algo que faça sair de mim essa alma
que seja gelado o próximo gole
seja você poesia da bebedeira

ser poeta das bermudas caindo
tênis sujo e aulas dormindo
ser o poeta da cueca que aparece
sem crachá de intelectual
não uso trajes de gala

faço do meu jeito repito defeitos e tropeço no gasto
gosto do atraso, gosto de tudo
concretamente preparado
minha arte faço com o coração

se me ouvir gritar essa noite
juro que vou me comportar
vou tatuar menos a minha vida
serei seu ser padrão
canto como ator e atuo como cantor

estranho presente em cada dia
sem métrica ou regra a seguir corretamente
desenho como eu quero e danço ao meu ritmo
prefiro os dias de sol
frios no fim da tarde me ver sonhando é um dom

sou meu desejo transcrito em forma de Leonardo e um pouco de pimenta para temperar melhor

Alibaba e os 40 Ladrões

Canto do cantante ser que vive em mim

Minha cama partiu-se ao meio e eu não vi nenhum ser estranho saindo dali. Foi estranho ver a minha história em alguns pedaços de madeira acumulados. É estranho demais isso para mim. Sempre sonhei com coisas estranhas acontecendo em diversos mundos. Daqueles que ninguém tem coragem o suficiente para pensar ou falar que realmente acredita. É estranho demais assumir que todos nós temos sonhos estranhos e acreditamos em coisas que ninguém acredita. Somos realmente todos subversivos demais e é meio bizarro fazer uma analise pessoal nesses momentos de reflexão interna. Tenho adorado assistir a minha vida em terceira pessoa, como se eu fosse o ator principal de todos os meus atos, pessoais, impessoais, estranhos, egocêntricos, baixos, ridículos e um monte de adjetivo que realmente não faria muito bem ao meu ego lembrar agora.

Cada um vive o seu mundo particular. Ninguém para pra pensar nisso sempre, mas eu adoro pensar em tudo ao mesmo tempo. Parece lunático demais para quem enxerga de um outro ângulo, mas estar dentro da cabeça das pessoas é um esporte que muito me agrada. Tentando observar o mundo por um ângulo que eu ainda não tinha reparado com tanta freqüência e muito menos tentar imaginar qual a opinião das pessoas sobre o novo sorvete do fast-food mais famoso do mundo. O que você pensa sobre o número um? Prefere a cor vermelha ou acha que o azul deixa sua inspiração mais em alta. De fato não sei qual a verdadeira graça de analisar a vida alheia, mas sempre gasto alguns giros dos relógios digitais espalhados pela cidade. E ainda continuo achando a avenida Paulista um dos lugares mais bonitos para assistir a noite passar. Adoro ver o passar do claro para o escuro. Entre seis da tarde ou mais tarde no horário de verão. Depende muito, mas é muito bom me perder em um nada tão bonito quanto o sol indo embora e trazendo de presente uma lua maravilhosa.

Usamos tudo que é proibido no escuro, fica uma sensação de subversão no ar. Aquele cheiro do proibido, tudo aquilo que seus pais não podem fazer idéia que você faz, muito pior do que esconder boletim com nota vermelha ou acordar de madrugada para falsificar com mais perfeição a assinatura do pai. Mas realmente pega muito bem assistir MTV de madrugada, funciona perfeitamente, cada música, cada intervalo. Não sei realmente o motivo de estar dando a minha opinião sobre isso neste momento. Talvez seja essa minha necessidade de colocar para fora tudo que estive pensando no decorrer das noite ou a simples necessidade de conversar com alguém que não vai me falar nada enquanto eu movimento a minha boca. Verdadeiramente, eu não sei de mais nada e também não sei se quero encontrar alguma conclusão neste momento. Vou me perder em mais um bola bem dado e me lembrar que daqui a pouco eu preciso de mais um banho para limpar a minha cabeça de alguns problemas antigos.


Durma bem coração



Leonardo

Às vezes prefiro acreditar que é tudo um filme estranho

Faço poesia com as letras tortas e não me preocupo com a continuidade das coisas, realmente pouco me importa saber se tudo realmente precisa ter um sentido no final de cada coisa que eu escrevo. É tão chato ser conclusivo e necessariamente ter uma opinião formada em todos os assuntos possíveis, realmente, eu acho um saco as pessoas que não buscam entender através de outros pontos de vista. Sua cabeça foi colocada em uma forma, onde todos os pensamentos são únicos e verdadeiros e no final de tudo você ainda consegue um bom lugar, sentado perto do motorista, assistindo a paisagem de uma nova viagem.

Enquanto tomava banho à tarde, pensei em todas as viagens que eu já fiz na vida. Nas minhas loucuras, sempre atrás de uma grande novidade para encher a minha cabeça de idéias novas. Acho que metade das pessoas que eu conheço, sabem realmente tudo que eu já fiz nesses poucos anos de vida que eu tenho acumulado. Lembrei de cada ida até a rodoviária e do frio na barriga que eu adoro sentir. Esperar pelo inesperado e se surpreender com vários mundos novos, completamente diferentes da vida mundana que eu vivo nesse bairro. Sou garoto de prédio que cresceu dentro de um condomínio pequeno. Cresci em uma piscina de alguns metros quadrados e em uma quadra que os gols eram montados da maneira que dava. Fazia da minha criatividade as brincadeiras mais complexas, criava monstros e vivia em um mundo só meu. Com músicas cheias de guitarras e um peso diferente, gostava de mostrar que gostava de rock.

Já fui de tudo nessa vida! Todos os heróis que eu ganhei em forma de boneco, todos os artistas imitáveis da TV e fui galã de cinema algumas poucas vezes, mas me diverti entre todos os seres incríveis que viveram em baixo da minha cama durante anos. Fui roqueiro nas horas vagas algumas vezes, já gritei em palcos com vassouras dançando para mim e também já fiz com que várias pessoas lutassem como gladiadores, enquanto eu colocava todos os demônios do meu peito para fora, todos em forma de urros e gritos guturais, era muito nervosismo, era toda uma era que você viveu e não sabe contar a história. Fui tudo e não fui nada, fui ator e também cantor, sei escrever e caminho muito bem durante horas e não necessito de um tênis com muitas molas para isso, sou básico e sempre compro meus “pisantes” na cor branca, como se fosse uma mania que eu acabo de descobrir, dentre as várias que ando descobrindo, mas esse assunto merece um texto só pra ele.

Não aprendi lendo os maiores autores e muito menos passando horas com um livro nas mãos. Muito pelo contrário li todos os resumos das provas no colegial, alguns eu li só a sinopse, as perguntas eu respondia como eu achava melhor, pouco me importava a concordância de cada personagem criado por Machado de Assis. Machado de Assis? Me inspira? Não, démodé e não muito criativo, diria até que é quadrado demais para eu tentar admirar. Bom para época? Talvez? Quem sabe? As regras do ensino escolar são muito chatas, a forma que você deve ver e viver na sociedade, os modos, as maneiras e todo o conteúdo repetitivo que você nunca vai usar na sua vida inteira. Química e as malditas ligações, velocidade na física e um monte de coisa babaca nessa tal de matemática. Os números matam a gente e ninguém percebe isso! Eles estão por todas as partes tentando sufocar os nossos pensamentos. Até acho que um dia eles vão realmente conseguir afetar o meu sistema mental, mas hoje não, por favor, preciso dormir um pouco ainda. Mas foda-se a trigonometria!

Leonardo