30 de jun. de 2008

Lírico concretual


sou de onde nascem dos lixos os poetas
minha cidade não dorme, mas descansa
de bar em bar, perto de tudo que é cinza
longe das belezas, longe do mar

sou da cidade onde se guardam vidas em gavetas
poesia cantante do vagão para o ônibus
pulando na baldiação do mundo
cada excluído, cada saco preto de lixo
meu imundo mundo puritano

as taxas aumentam e meus amigos somem
não é para guerrear, mesmo com a falta de motivos
comemorar com algum gole gelado pela rua
algo que faça sair de mim essa alma
que seja gelado o próximo gole
seja você poesia da bebedeira

ser poeta das bermudas caindo
tênis sujo e aulas dormindo
ser o poeta da cueca que aparece
sem crachá de intelectual
não uso trajes de gala

faço do meu jeito repito defeitos e tropeço no gasto
gosto do atraso, gosto de tudo
concretamente preparado
minha arte faço com o coração

se me ouvir gritar essa noite
juro que vou me comportar
vou tatuar menos a minha vida
serei seu ser padrão
canto como ator e atuo como cantor

estranho presente em cada dia
sem métrica ou regra a seguir corretamente
desenho como eu quero e danço ao meu ritmo
prefiro os dias de sol
frios no fim da tarde me ver sonhando é um dom

sou meu desejo transcrito em forma de Leonardo e um pouco de pimenta para temperar melhor

Alibaba e os 40 Ladrões

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