30 de jun. de 2008

Às vezes prefiro acreditar que é tudo um filme estranho

Faço poesia com as letras tortas e não me preocupo com a continuidade das coisas, realmente pouco me importa saber se tudo realmente precisa ter um sentido no final de cada coisa que eu escrevo. É tão chato ser conclusivo e necessariamente ter uma opinião formada em todos os assuntos possíveis, realmente, eu acho um saco as pessoas que não buscam entender através de outros pontos de vista. Sua cabeça foi colocada em uma forma, onde todos os pensamentos são únicos e verdadeiros e no final de tudo você ainda consegue um bom lugar, sentado perto do motorista, assistindo a paisagem de uma nova viagem.

Enquanto tomava banho à tarde, pensei em todas as viagens que eu já fiz na vida. Nas minhas loucuras, sempre atrás de uma grande novidade para encher a minha cabeça de idéias novas. Acho que metade das pessoas que eu conheço, sabem realmente tudo que eu já fiz nesses poucos anos de vida que eu tenho acumulado. Lembrei de cada ida até a rodoviária e do frio na barriga que eu adoro sentir. Esperar pelo inesperado e se surpreender com vários mundos novos, completamente diferentes da vida mundana que eu vivo nesse bairro. Sou garoto de prédio que cresceu dentro de um condomínio pequeno. Cresci em uma piscina de alguns metros quadrados e em uma quadra que os gols eram montados da maneira que dava. Fazia da minha criatividade as brincadeiras mais complexas, criava monstros e vivia em um mundo só meu. Com músicas cheias de guitarras e um peso diferente, gostava de mostrar que gostava de rock.

Já fui de tudo nessa vida! Todos os heróis que eu ganhei em forma de boneco, todos os artistas imitáveis da TV e fui galã de cinema algumas poucas vezes, mas me diverti entre todos os seres incríveis que viveram em baixo da minha cama durante anos. Fui roqueiro nas horas vagas algumas vezes, já gritei em palcos com vassouras dançando para mim e também já fiz com que várias pessoas lutassem como gladiadores, enquanto eu colocava todos os demônios do meu peito para fora, todos em forma de urros e gritos guturais, era muito nervosismo, era toda uma era que você viveu e não sabe contar a história. Fui tudo e não fui nada, fui ator e também cantor, sei escrever e caminho muito bem durante horas e não necessito de um tênis com muitas molas para isso, sou básico e sempre compro meus “pisantes” na cor branca, como se fosse uma mania que eu acabo de descobrir, dentre as várias que ando descobrindo, mas esse assunto merece um texto só pra ele.

Não aprendi lendo os maiores autores e muito menos passando horas com um livro nas mãos. Muito pelo contrário li todos os resumos das provas no colegial, alguns eu li só a sinopse, as perguntas eu respondia como eu achava melhor, pouco me importava a concordância de cada personagem criado por Machado de Assis. Machado de Assis? Me inspira? Não, démodé e não muito criativo, diria até que é quadrado demais para eu tentar admirar. Bom para época? Talvez? Quem sabe? As regras do ensino escolar são muito chatas, a forma que você deve ver e viver na sociedade, os modos, as maneiras e todo o conteúdo repetitivo que você nunca vai usar na sua vida inteira. Química e as malditas ligações, velocidade na física e um monte de coisa babaca nessa tal de matemática. Os números matam a gente e ninguém percebe isso! Eles estão por todas as partes tentando sufocar os nossos pensamentos. Até acho que um dia eles vão realmente conseguir afetar o meu sistema mental, mas hoje não, por favor, preciso dormir um pouco ainda. Mas foda-se a trigonometria!

Leonardo

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