30 de abr. de 2010

#meiaparanga - Maldita bipolaridade fora de época e região

O motorista não parou no ponto certo e comecei a gritar com muita força. Todos olhavam para minha cara de desespero, mas só pensavam nas maneiras que iriam esquentar seus almoços, ou se deveriam fazer um regime no começo da semana que vai começar só daqui a sete dias. Exportando para o sábado a vontade de viver logo cedo o início da jornada, mas logo consegui descer, não onde era devido, mas pouco importa voltar três casas no tabuleiro e passar por tudo que já passei mais uma vez. Se fosse novidade, espantaria, mas nesse caso é mais fácil reclamar um pouco em voz baixa, contar pedras pelo chão e simplesmente, caminhar. Segue-se andando, segue-se caminhando, segue-se seguindo. Odeio quando os motoristas não prestam atenção na luz do sinal! Ficam conversando com aquelas passageiras que usam seus charmes para não pagar a passagem ou ter algum favorecimento feminino, talvez eleve o ego daquele que permanece triste.

Na segunda vez que gritei ele percebeu e logo parou. Ele sempre para! Tempo perdido nunca volta atrás, calculei o tempo para frente e esqueço que não tem repetição. “Um” nunca será “dois” e nunca serão juntos o “três”, “três” é “três” e ninguém pode tirar esse mérito do devido. Casualmente falando, eles podem até serem amigos, pouco íntimos e repetitivos no decorrer do calendário, mas todos nós repetimos roupas. Colocamos para lavar, separamos por cores para não manchar, mas mesmo assim ela já foi usada uma vez. No caminho que passou, prestei atenção no que sempre deixava para trás, não encontrei a solução estampada em nenhum bolo de concreto, mas parecia mais atraente pensar com mais calma, relaxar e selecionar em paz a trilha sonora para os próximos passos.

Minha vida não cabe dentro de trezentas caixas. Minha vida é bem maior que esse quarto e maior que os erros que já cometi. Estreitam os corredores, parece impossível quando se está com a vista embaralhada, não é errado, não tem o certo também. Julgamentos são incompreensíveis, pensar demais também cansa, mas tentar entender deixa de ser tão necessário nesse momento. Tiraram uma carta do canto dessa pilha e logo tudo parecia ir de encontro ao solo, apoiei uma de minhas mãos, mas mesmo assim parte desmoronou, caiu! Uma simples carta já fez tudo ganhar uma forma diferente. Parecia tão estável no bolo que estava sendo confeitado, mas logo desandou, virou manteiga e por vez, não levarei para o almoço de domingo. Por vez, não irei a esse, descansarei, com alguma música alta. Desejaria demasiadamente ser um Super Herói! Mentiram para mim por anos dizendo que poderia ser o que quisesse! Que eu poderia voar e que uma bela garota não pararia de me telefonar. Essa última parte eu posso colocar ponderadamente no decorrer dos capítulos para não enjoar, não faltar assunto e esses problemas corriqueiros de um casal.

O príncipe virou sapo e só volta depois da Copa! Vai assistir com a sua família lá no país sede e está se preocupando bem pouco em entregar o imposto de renda hoje antes da meia noite. Preocupa-se menos, consegue desligar o botão da cabeça e pega no sono sem contar carneiros ou colocar enfileirados pensamentos leves. Preciso de mais pensamentos leves! Ele grita e não para de gritar, perguntei se desejava descer no ponto que passou e me ignorou, respondeu em voz baixa e daqui não consigo ouvir com tanta perfeição. Foi de fronte ao parapeito de seu prédio e avistou uma cidade iluminada, queria sentir em seu corpo o gosto de uma queda, mas pode faltar sal e sua pressão possivelmente subiria. Evitar problemas de saúde é a maior moda do momento nesse mundo estranho. Faltaria nas primeiras semanas de aula, conheceria só depois cada otário que acompanharia minha decadência solene de perto.

É tudo ilusão menino bonito, é tudo de mentira rapaz que veio de longe para me ver. Ele não sabe de nada, ninguém sabe de nada e você vai morrer careca de tanto tentar pensar, encontrar palavras e resumir as coisas banais. São banais e a banalidade não merece testemunho. As ondas passam e ninguém reclama, ninguém grita dizendo para voltar duas casas, simplesmente vai. Se cair... Levante, se doer, possívelmente encontrará algum remédio para amenizar. Para todo mal um bem, muito bem, sempre bem, muito bem colocado!

Feridas sempre cicatrizam.



SEMPRE!


Leo Tse Tung

19 de abr. de 2010

#vintedoquatro - Vinte e Quatro

Disseram-me que era proibido invadir o laboratório depois da aula, mas é sempre de praxe tentar praticar aquilo que parece ser mais emocionante. Não sou grande desrespeitador das leis básicas dos seres humanos, mas compreendo muito bem que eles pouco compreendem dessa vida, continuam andando sem parar, não consomem líquido o suficiente e acordam sempre cansados. Reclamando da vida alheia, reclamando dos seus chefes, dos seus amigos e dos seus dias. Não mudam, continuam sem mudar e vão reclamando. Levaram-me para detenção e disseram para nunca mais freqüentar as aulas de religião, quiseram tirar o demônio do meu corpo, mas de novo poucos entendiam o que significa estar próximo da luz que ilumina. Acham demais, dão vários nomes e sempre tentam concluir com alguma fala decorada a situação démodé. Definem barba, cabelo, bigode mexicano e goles de tequila! Tenho certeza que estavam todos alcoolizados quando chegaram ao novo testamento e lembram bem pouco do que aconteceu com o Genesis depois que o Phil Collins tentou carreira solo, foi regravado pela Mariah Carey e somente meu pai lembra-se da sua existência. Lógico que se você conversar com alguém de mais idade nesse momento, vão se lembrar com nostalgia, das noitadas regadas a muitas coisas que deixam de contar, pois tem medo de encontrar no presente o passado que já existiu, mas sem se preocupar, pode me contar todos os seus defeitos. Acumulei tantos com o tempo que pouco me importo em ver as pessoas fazendo coisas erradas. Caminho padrão para atingir o ápice da qualidade é o erro. Errar é a rotina básica daquele que tenta. Os que deixam de tentar não erram nunca, mas são tão chatos que em seus aniversários só são lembrados, pois seus nomes estão estampados nos “aniversariantes do mês”.

Cabe aquele que respira somente agradecer! Por respirar, por existir, por falar, por pensar, por refletir, por dizer, por ter perdido o que já fazia pouca falta, por ter ganhado o que tanto precisava. Cabe agradecer o ar que adentra os dois furos expostos na fronte do seu nariz, levando oxigênio até seu pulmão, logo em seguida fazendo sangue coagular até a cabeça e pensamento vem com força. Meia dúzia de conclusões eu deixei em aberto para o dia que vem trazer mais um bando de novidades. Com rostos diferentes, nomes que nunca ouvi e lugares por onde nunca passei.

Agradeço!

Sempre vou agradecer. Menina bonita que me agarrou pelo cabelo e me chamou de amor, foi embora pela manhã e nem deixou recado. Amigos que resolveram viver sem lembrar-se da minha existência. Cabe? Sempre caberá! Na dúvida prefiro não pensar, mesmo sendo hipócrita afirmando isso, afirmando o que não consigo deixar de fazer, tirando sono de dia da semana, tirando o sono nas viagens que levam para o planeta que imagino estar acima da minha cabeça, mas não alcanço, não por enquanto. Estou sempre em dúvida, mas não é um defeito! Tenho muito tempo para colocar em ordem os livros que ganhei, definindo democraticamente o que deve ser digerido primeiramente. Entendem pouco de amor. Assistem novelas e criam o que parece cabível, mas engordou demais durante as férias e até o meio do ano vai ter que se preocupar mais com a sua barriga do que mudar o mundo.

Quando o dia virar, estarei aqui da mesma maneira, no mesmo lugar, cumprindo as mesmas funções. Acordando no mesmo horário, dormindo errado mais uma vez, assistindo mais alguma tolice americana barata, mas não me importo. No decorrer dos próximos trezentos e sessenta e cinco dias, depois da copa, ou durante, quando estiver completando vinte e oito e parecer velho de uma vez. Não sei! Sei só que vinte um é mais do que vinte e vinte e três é bem mais do que dezenove. Vinte e quatro, dois números pares. Dois mais quatro igual a seis. Vinte do quatro, vinte e quatro, vinte de abril e mais um punhado de anos para contar a existência daquele que, basicamente, existe.

Quando passar pelo próximo espelho, faço uma reflexão útil, encontro alguns defeitos e os corrijo. Penso nas coisas que fiz e as pessoas que conheci. Os lugares que passei e tudo que estou vivendo. Tsunami louco de acontecimentos normais, mas que de tão violentos, fazem a música parecer mais agitada e todos pulam. O vocalista pede que todos levantem as suas mãos e joguem energia positiva para o palco. Isso aqui é Rock N Roll e o Rock nunca para!

Mãe, se puder me ouvir, me ouça só por enquanto. Pretendo não alongar mais uma conversa e espero estar me ouvindo...

Pode me ouvir?

Estou seguindo a risca, estou fazendo direito. Acordando cedo e dormindo tarde, pensando sem parar. Fazendo acontecer aquilo que está dentro de mim. Tirando do papel a loucura que bate dentro do meu coração. Sem medo de ser louco, sem medo de pensar demais. Sou pensante e sou pensador. Continuarei pensando e com seu nome do lado direito, sigo cantando, encantando quando puder, tento do jeito que dá e quero muito poder te orgulhar. Dizem para nunca fazer as coisas pelos outros, mas sei o quanto fez por mim, sei o quanto fez para que Leonardo estivesse aqui, sei muito bem o quão difícil é existir, o quão difícil é alimentar e fazer uma criança virar gente e sei que estou virando.


“Com passos de formiga e sem maldade”


Que todos os sonhos continuem sendo verdadeiros
... que o coração aprenda amar com a alma e não mais com os olhos tão impuros

Que as vírgulas sejam bem menos importantes que os nossos sentimentos
... que o coração aprenda amar puramente, somente por amar


Lutar nunca será de menos
Sonhar nunca será cansativo

E com você Mãe...

Vou conquistando tudo que a vida permitir, pois sei

Que esse mundo é meu.


Leonardo Tatsuo Arima da Fonseca


[Mãe, pra você toda a minha criatividade]

10 de abr. de 2010

#zerogramas - O melhor presente de aniversário de todos os tempos

Quando invadi o castelo, como de praxe, monstro gigantesco surgiu da ala norte. Gritando maldizeres, ofendendo o passado daquele que não conhece, mas falou tudo que desejava ali, expelindo palavras sem significados e tentando mostrar como grita aquele que só permanece calado. Não tinha opinião sobre a cor da roupa da namorada e preferiu concentrar-se no replay do gol do seu time, era final de campeonato e dizem que as cabeças estavam quentes e de tão grande que é a sua cabeça, fervendo deveria estar, derretendo a memória, impondo a verdade que não há. Questionei-me com as mochilas nas costas, pensei em revidar, mas o processo agora é outro e me vi partindo para outro principio mais pensante, sem calmantes, ouvindo o que vale a pena e desejando melhores dias para essa dor de cabeça do monstro que tanto sofre. Resumido, empilhando idéias que estavam na liquidação, bem de frente para a porta, todos quiseram pegar um exemplar, mas esqueceu-se de encaixar-se por completo naquele investimento. Achou que era certo e levei dois socos, minha mãe não estava no momento e por vez não consegui me defender. Na segunda vinda para essa Terra eles aprender a viver.

Foi ai que me desceu a voz dizendo para continuar fazendo, sem olhar a quem ou julgando aquilo que não é de meu pertence. Nada faz parte do que vou levar, então guardo em meu bolso aquilo que cabe e deixo para os idiotas as futilidades. Conversas bestas e dias mal aproveitados de frente a televisão que passa mais alguma reprise, mais dos mesmos apresentadores, falas decoradas e pautas repetidas. Levei o terceiro soco e logo resolvi deixar de levantar, ver a briga deitado da cama, tentando não surtar, tentando não sentir aquilo que fere. Acabo com doses bacanas de algum sabor nulo, sem saber o que cabe e sem ao menos entender os motivos, mas ainda de frente ao monstro te avistei ao fundo e percebi que estava de costas. Sem voz, sem nada, sem opção, quem é você?

Qual seu nome?

Deus levou minha irmã tem dois anos e não trouxeram mais, tirara o sorriso, deixaram-na um coração de vidro, coração partido, coração tão frio. Onde foi parar aquela que está em todas as fotos aqui desse meu mural? Onde foi parar minha melhor amiga? Onde foi parar minha eterna minha companheira?

Quando descíamos juntos a rua de casa na velocidade máxima de nossas bicicletas, por vezes prefiri não amar nenhuma de cabelos longos para te adorar para sempre. A água subiu tão rápida e na minha pouca altura, encontrei dificuldade enorme de subir ao máximo e respirar. O ar foi acabando, seu sorriso foi ficando em um espaço de tempo que não observo mais com tanta nitidez. Foi-se!

Um monstro veio em nossa direção! Joguei de lado as bicicletas e levei mais de quatro socos! Mas a vitória era minha por ter visto você sair ilesa da situação.

Hoje o monstro ganha uma nova face e parece não saber mais dançar a dançar que leva minhas pernas com naturalidade, mal sabe que agora é a sua vez de aprender da forma mais chata de se sentir a amargura de estar vivo. Sem represálias, greves ou missões armadas, vou na paz daquele que diz pouco para não dizer besteiras...

Vai estar na palma e não tenho pena


Leonardo Tatsuo Arima da Fonseca

3 de abr. de 2010

#vintedeabril - Espresso italiano com duas colheres de açúcar, nada mais

Cada vez que toca o sinal alguém já se disponibiliza para atender o próximo cliente. Normalmente pedem café e algo para acompanhar com poucas mordidas. Fazendo de conta que alimenta, mas estão sempre ali para conversar, ver o tempo passar e encontrar meia dúzia de soluções para as suas vidas. O patrão ligou cedo e te fez esquecer-se do final de semana, responsabilidades meu senhor! Dessa vez pediram chá, devem estar aflitos de cafeína em seus sangues que não necessitam em dose cavalar. Podem descansar as suas cabeças e falar sobre uma paixão. Um sempre descorda e diz que é tudo passageiro e que acreditar demais pode ser brincadeira com o coração. Nunca se sabe, ou até se sabe, mas prefere fazer de conta que esquecer por um tempo pode ser bom. Melhor mesmo é não entender. É tudo de mentira!

Estico um sorriso e pronto!

Quem é você que não sei o nome, quem é você e quem te trouxe até aqui? Não tem o direito de me olhar assim e me fazer mudar de idéia tão rápido. Maria? Luiza? Carla?! Qual o seu nome? Correu até o final do corredor e já não sobrara luz que fizesse possível te admirar a distância, partiu e logo pediu o trivial, com uma porção de pão de queijo. Vem seis dentro de um cestinho de madeira. Não estou cabendo no seu mundo por enquanto. Tento ver a diferença se apagar, mas estou estampado até os braços com as cores que a vida marcou. Tatuou o momento e fez de si um quadro vasto de lembranças, mas para alguns pouco importa. Falam com a boca, observam com seus olhos, mas esquecem de usar o coração.

- Trarei em um instante senhorita!

Não demorarei dois instantes, nem mesmo se Deus resolvesse fazer uma reprise de algumas coisas que já vivi e percebi só agora que faz parte do tempo que foi e não acontecerá. Chegando a Petrópolis, voltando de barco pelo Mar Vermelho depois da Primeira Guerra! A galera era bem mais animada nessa época. Juntávamos-nos depois da aula para falar das meninas do colégio. Vínhamos decorando o nome de todas as meninas mais bonitas. Começando pelas meninas das nossas salas em comum, da sala dos outros, das aulas especiais de matemática, onde os com mais dificuldade de somar aprendiam a decorar formulas, mas nunca achei muito eficaz o método. Tenho minhas dúvidas sobre o verdadeiro valor de uma soma, quando isso pouco importa. Menina bonita não quer saber disso. Pode até parecer querer, mas ela vai querer conhecer em outro, aquilo que você nunca pode dar. Até por que eu gritei bem alto ali:

- Eu vim até aqui só para me divertir!

Se quiser me encontrar depois do expediente, posso fazer de conta que sou filho de bacana, pego o carro do irmão do meu vizinho. Escondido a noite e sem documentos! Caso eu morra escondam meu corpo bem longe de casa, meu cheiro ruim vai ser logo descoberto e quero morrer em paz! Mas se mesmo assim quiser sair comigo... Espero-te depois das oito no terminal. Terminaremos a noite esperando o dia começar. Bebida barata e qualquer coisa assim, se topar, sei muito bem onde posso te levar. Sem tantas rimas, mas queria me enrolar em cobertor agora e esquecer-se de tudo isso. Esquecer teu nome, o meu e de todos os planetas que circulam o nosso. Tanto faz se Mercúrio é vermelho e Saturno usa anéis! Cada um com seu estilo!

- Se eu ganhar um sorriso no meio tempo, eu jogo o segundo tempo com gosto!


Concentrei-me na situação e corri atrás da bola, não encontrei a devida, mas como o professor mandou, ritmei até o gol e chutei na trave. Ansioso, chutei a trave e nem percebi que faltava circunferência! Fala você primeiro que aceito ouvir a sua voz como se fosse um piano tocando a Valsa Nº 6. Peço para dançar, é só esticar o sorriso mais lindo do mundo, nesse teu rosto mais lindo do mundo, dessa que descubro como erva medicinal que só tem em mata fechada. Escondidas para que só os abençoados pela soltura das nossas mentes, possam conquistar.


Abençoada seja a minha sorte



Só mais um espresso



Leo Fonseca.

28 de mar. de 2010

#semgramas - Preciso tirar dez na próxima chamada oral

Hoje tem aluna nova na sala! Rolou boato no corredor antes do começo da aula, é amiga de não sei quem, prima de um garoto da sala do lado. Eles se mudaram para cidade tem pouco tempo. Deve ser mais uma daquelas que vem de São Paulo se achando por demais. Lá tem tanta coisa nova que aqui parece tudo velharia. Reclamam de tudo! Mas de tudo mesmo! Do nosso ar limpinho e até mesmo dos tons de verdes que estão espalhados por aí! Não sabe de nada! Aliás! Até acha que sabe, mas no fundo, nem sabe muita coisa não. Assistiu na TV, decorou da internet e acha que isso já o suficiente para ser interessante para um papinho besta. Tomara que ela se sente bem longe de mim, não quero ser obrigado a conhecer essa aberração. Deve ter cara de esponja, cheia de espinha, parecendo um maracujá velho. Gorda, fedida! Nem deve curtir muito tomar banho! Esponja só na cara mesmo, por que no banho ela pula essa parte. Gasta água a toa, observa e sente-a caindo e fugindo pelo ralo, mas por que não foi junto ao invés de vir parar aqui? Não bastava vir morar por perto, tinha mesmo que cair na minha sala? Provavelmente ela falta alto! A professora vai detestar e vai reprovar essa menina, quero só ver...

A porta se abre, não por inteiro, meio de leve, tímida
A porta desperta a curiosidade daqueles que esperam ansiosamente o artilheiro converter essa penalidade máxima...

Preparou
Correu
Bateu e...

Olhos castanhos claro, cabelo escuro. Alta! Nariz com a ponta fina e de leve um lápis emoldurando seu olhar. Linda! Campeã do concurso de beleza que acabará de ocorrer dentro do meu coração! Maravilhosa! Vencedora do grande prêmio da corrida pelo amor da minha vida!

Apontou para um lado, andou, apontou para o outro, cumprimentou as meninas, deu um sorriso para um garoto e veio se sentar atrás de mim. Colocou seu caderno novo sobre a mesa e a professora logo pediu para que todos dessem as boas vindas para forasteira. Não acredito mais em dragões e até acho que o mundo nunca vai acabar. Repito mil vezes essa vida só para ver por mais mil vezes a minha língua sendo mordida com tanta força. Repito por mais mil e duas vezes essa vida só para reparar no seu rosto pela primeira vez, como se sempre fosse à primeira vez. Sentado no banco da praça, de frente a igreja azul do centro. Ela não falaria comigo! Passaria reto. Muito provável que namore um daqueles trogloditas de academia, malham e falam só sobre comida sem gosto. Aqui no alto da minha altura ninguém me avista! Se precipita e logo avista aquele que está atrás. Passa reto por mim!

Não vou me envergonhar!

Enfileirei todos os meus lápis de cor sobre a carteira, mostrei meus mais preciosos bens e respondi todas as perguntas que a professora fazia para sala. Pensei em fazer um cartaz e esticar no quadro-negro...

Ei menina! Me olha aqui!!”

Quase coloquei um retrovisor no meu estojo para perceber os seus movimentos. Faz uma cara muito gostosa quando sente graça da vida. Desencanei de todos os problemas e a crise logo passou. Paguei minhas contas, arrumei um emprego e estou acordando mais cedo na tentativa, que acho muito válida, de te ter mais perto do meu coração!

O Sinal tocou e é hora de caminhar até a minha casa. Chutando as pedras do caminho de terra percebi que me seguia. Sorte do destino, sorte do menino, como posso ter tanta sorte assim em um dia só? Mas como faria? Ela não vai me responder! Até vou andar mais rápido, não quero que ela perceba que tenho tanta vergonha de dizer duas letras e meu nome depois! Estava tremendo tanto que não controlei direito os meus passos e cai no chão, me esparramei tão feio, mas tão feio, que para ser pior só rasgando minha calça na direção das minhas nádegas e isso aconteceu!

Enquanto o mundo acabava e parava de girar na sua rotação correta

Enquanto tudo parecia tão chato e igual

Enquanto tudo parecia só desastre


Deu dois passos mais rápidos e encostou em minha mão, levou até a sua nuca e perguntou se precisava de ajuda para viver essa vida tão cinza.

Perguntou se realmente achava certo o meu jeito de pensar. Fixado em um mural de idéias limitadas, percebi o quão é bom se achar errado quando se encontra um motivo novo para ver o certo.

Não correção, não há nada certo, não tem definição para o que se sente ali quando está perto.

Quando está por perto... prefiro nem ouvir!
Quando está por perto... gosto tanto de só sentir!


E é o mundo que vem girando e nem sempre explicando

Ei menina! Você vem sempre aqui?


Leonardo

pra você.