22 de ago. de 2010

#PequenasHistórias - As relíquias do meu avô

As relíquias de meu avô.

Cena 1 – Como ninguém me percebeu aqui?

Passo por essa sala todos os dias e sempre avisto ali no canto uma caixa. Uma caixa que ninguém nunca meche. Se ela aprendesse a andar, possivelmente encontraria no ponto de ônibus, pegando integração para qualquer lugar da cidade. Não ficaria esperando mais pelo Natal que nunca vem. Laço vermelho, sem digitais, intocável! Sua tampa verde, combinando com a cor marrom do seu corpo largo. Gordo e pesado! Tem um brinquedo ali dentro. Tem uma bomba, tem um relógio, tem saudade de alguém ali! Mas deixei de lado e caminhei até a cozinha para buscar dois copos d’água, para refrescar meu estomago incomodado, chateado com a má alimentação. Fui mal educado durante o dia e agora ele reclama, faz sentido!

Cena 2 – Teste e reflexão.

Na Terceira Golada, percebeu, fechou os olhos e engoliu. Largou o copo em cima da pia, esbarrou no batente da porta e voltou para sala. Agora pensando em meia dúzia de coisas que não habitavam sua cabeça antes do segundo gole. Estava em dúvida sobre aquilo que se esconde dentro de um segredo tão próximo, mas por verões, tão distante. Segredo de namorada que não quer dizer que saiu com a amiga. Saiu escondido para ninguém brigar, fazer o certo para si nem sempre é o certo no modo padrão das pessoas comuns, ridículas, porem, denominadas “normais”. O que será que guardaram ali? Sentou em uma poltrona semi-mofada, encostou os cotovelos nos joelhos e ficou a observar, parado, por mais de trinta segundos, calado, inquieto, concentrado.

Cena 3 Descobrindo a Terra Nova.

Sem pensar, esticou os braços no primeiro minuto de silêncio. Enquanto comemoravam vitória do time, puxou primeiro o lado esquerdo do laço, que desvirginidado, partiu-se, virou uma fita vermelha, só mais uma fita. Faltava então o muro cair, a caixa se abrir e a tampa foi tirada com calma, para não se partir ao meio. Quina por quina, parte por parte, delicadamente posta ao lado da poltrona, no criado mudo, observador de todos os movimentos da casa, diariamente, calado, enxergando com calma aquilo que abstraem. Os detalhes, a lerdeza e a paz. Ainda em silêncio o primeiro olhar foi atirado com dois toques no gatilho, sem ruídos, silêncio absoluto. Olhos para um lado, olhos para o outro, procurando encostar com a vista aquilo que deixara de ser segredo e agora se tornara novidade. São fotos! São fotos!

Cena 4 – Como não te percebi ali me olhando antes?

É você mãe, é você Pai. Você de branco Mãe. Você de gravata borboleta, meu Pai. Corríamos muito nesse dia. Estava para chover! Eu me lembro, ia começar a chover! Adorava essa bola, adorava essa casa, adorava. Minha primeira nota vermelha e a mamãe gritando do primeiro ao último degrau da escada. Soletrando com raiva que meu boletim não deveria retornar colorido. Monocromático. Preto e Branco. Que saudade! Quando minha irmã era minha maior companheira. Dividindo cada história, dividindo cada assunto novo na segunda. Primeira aula matemática. Segunda aula geografia e pretendo me mudar para Argentina, lá alguém vai me entender. Minha orelha de Mickey e os bonecos jogados na piscina. Final de semana na praia. Macarrão com molho branco. Bolo de chocolate e sete sementes de uva depois da meia noite. Comemora o Ano Novo comigo esse ano? Morro de medo de ser o último. Seu abraço partiu e partido agora se foi. Guiado por algo que não sei, levado pelo que já foi, ficou o que pode, mas nem sempre fica o tanto necessário para apaziguar, para acalmar adolescente com medo do escurdo. Depois porrada no olho esquerdo. Caiu. E agora sem tempo de voltar. Só pode sentir falta.



Lembranças.



Leonardo Fonseca

#LeonardoFonseca - Pequenas Histórias, relato pessoal para o Eu mesmo.


Ei!

Espaço de Blog para ser um Blog pela primeira vez. Deixando para posteridade uma idéia que tive hoje durante o decorrer das horas da noite. Estava quente o dia, mas não aproveitei, mas tive uma idéia!

Em forma de roteiro, narrando cena por cena, pretendo nas próximas tentativas escrever algo que vou denominar como “Pequenas Histórias”. Pequenos relatos, mentiras e verdades, contadas, cantadas, soletradas da forma que penso e delibero novos pensamentos. Falando de assuntos corriqueiros, violência. Drogas, amores, perdidos, achados, novos e relíquias. Bondade, lealdade, irmandade e Vinte Gramas.


Bom começo de era para todos os Terráqueos.



Leonardo Fonseca


“Pequenas Histórias”

5 de ago. de 2010

#Eleições2010! - Minha primeira Opinião.

Tive um sonho tão estranho essa noite. Estranho demais para ser verdade, mas queria tanto. Queria muito que fosse tão aquilo que via, sem maldade, seria um exemplo para qualquer guia a ser montado. De uma sociedade sem alegria, que procura festa em Copa do Mundo para amar sem se drogar. Tristes demais se perdem na pedra, se perdem na vida e desistem muito antes do início. Sem maldade nenhuma só tenta uma e na segunda já percebe o quão é difícil nascer pobre, o quão difícil é nascer negro. Descendente, desceu, veio conhecer a prosperidade e entupida de divida das Casas Bahia reclama da Avenida Santo Amaro até a Alvarenga, limitada na novela, sem instrução, sem ambição, sem nada por comemorar, ri da alegria televisionada e mais nada. Pouca história para contar, mas mesmo assim vive no pretérito que foi tão perfeito, que vira mania, repetido parece loucura. Louca! Tadinha! Ela ficou louca! Ela tão nova, já está perdida no Eu que não conhece. Caminha e não questiona, caminha e não pergunta nada. Segue seguindo, dando razão para aquele que paga sua conta de telefone, celular pré-pago, imposto daquilo que come e faz mal. Acaba com estomago e continua se entupindo de tudo isso.

O colégio público não te ensina Química, mas te ensina a ficar esperto. Esperto com as coisas, a dividir as coisas, em fazer em grupo, social e sociedade. Cria-se um menino, se ele compreender, dali sai campeão, mas vi o Wesley descendo para entregar papel, ali perto do cruzamento. Sentava na última carteira, sem ninguém prestar atenção foi passando de ano, sem criação, na mesma situação chegou até a oitava e depois disso, no colegial passou e se formou. Entrega papel, ganha quinze, vê o jogo do São Paulo e já tá ótimo! Perfeito, tio! Queria te dar um toque, mas não deu. Estou na mesma, perdido, inseguro e não faço a menor idéia de onde vou parar, para onde vou e se estou indo pelo caminho certo. Complicado demais aos vinte e quatro. Se pensar em desistir... Respirei. Ali aprendi. Pegando busão. Comendo pastel. Tirando nota para cumprir com a meta. Batendo as metas e na média sempre passei, não recusei o que era ensinado. Ouvi, deduzi e hoje destaco aquilo que aprendi melhor. Pensar. Aprendi a pensar. Questionar, viver e reclamar.

Acho tão estranho quando acordo e percebo que vivo em um mundo tão triste, onde as pessoas estão tão preocupadas com um nada que nunca acontece. Estão tristes e nem sabem por que. São dívidas, casamentos que não deram certo. Carro quebrado. Chuva. Calor, pavor, medo da pessoa que está ao lado. Desconfiados não olham uns para os outros. Sente vergonha, como criança que se esconde atrás do pai quando adentra um estranho no elevador. Perto do sétimo andar questiono a facilidade de um garoto. Puxa assunto sem preconceito. Puxa assunto sem se importar com o nome ou idade. O senhor que pede ajuda para chegar do outro lado da rua. Tão simples. O que são quatro passos para aquele que já chegou até ali e fiz questão de ajudar. Fazer parte dos passos de alguém que já andou bastante e segue andando. Não para. Devora a vida e não se deixa devorar. Fabricam-se em lotes pessoas tristes nesse planeta. Carentes de amor, carentes de paixão que se afagam com fotos de estranhos.

Vão disputar para presidência do meu país esse ano. Vão disputar alguns idiotas, com idéias idiotas, pré-formadas, decoradas, gerúndio, palavras erradas e o ser humano sentindo seu coração. ..E: Vão mudar o mundo em quatro anos, vão mudar a sua e a minha vida. Vão levar educação para quem não tem e computador para sonhar com o mundo que nunca vai ter. I.P.I rebaixado e mais motoqueiros duelando pelas Marginais. Monstros no governo e parece piada ou filme B. Não é aqui. Não pode ser aqui. Deve ser mentira isso! O seu status não vai pagar minha prestação, comprei um som para espantar o mal olhado. E cá estou, cheio de dívidas. Espalhadas pelas gavetas, torcendo para que elas me esqueçam. O pão agora é por quilo meu filho. Dois Reais não paga o quinto pão, mais manteiga e duas fatias de queijo, já são quase a sua passagem de ônibus para ir trabalhar. Dez reais por dia no máximo, para sobreviver. Sem se alimentar, porque se parar para comer já se vai vinte e não estou falando para você que está sempre com a carteira lotada de nota. Sei e respeito o seu pai que paga mais impostos para respirar o mesmo ar que eu. Desculpa, mas não estou falando para você, de fato, não estou. Vota no tiozinho que fala igual o Fernando. Fernando é Fernando e Lula na versão mulher se formou no mesmo curso que seu Marx do terceiro mundo. Vendido, comprado. Capitalismo é capitalismo e no batente não vai perceber mudança alguma, mas faz de conta. Seu busão agora tem TV!

Só peço a Deus que a cada dia que passa Eu não queira mais do que nunca me mudar para Marte ou cair na real...

Porque não era sonho




Leo. Fonseca

29 de jul. de 2010

#20g - Aos Sem Jeito, sem considerações extras.

Respira, respira de novo. Só mais uma vez, não fica sem ar! Desliza, vem que já é hora. Vem que já deseja. Respira mais um pouco. Oxigênio no pulmão. Continue respirando. Puxe todo ar que for possível com nariz, como um tiro de encher os pulmões. Amortece os dentes e deixa o bico grande. Já é hora. Já é hora. Se doer me perdoe, sou estabanado de nascença e cresci sem jeito. E de que jeito? De que jeito que faz? me ensina.

Desenhei teu corpo com os olhos

Respirei

Como se fosse nota musical

Dedilhei

Seu corpo, meu corpo, seu corpo

Respirei

Sem cantar pelos cantos, mantenho o silêncio operante

Preservo sorriso

...
não tarda, sei que não tarda










Tentação.



Leo Fonseca

25 de jul. de 2010

#20g - Compromissos de Meio de Ano

Querida Mãe,

Dois mil e dez já virou metade, ficaram seis meses para trás e agora sinto forte o cheiro do ano que vem e já começo a programar meu relógio para despertar na hora certa. Escovei os dentes quando levantei e me alimento bem. Fui procurar um pedaço de bolo hoje, mas não encontrei, pensei com muita força que te queria ali, mesmo que nem me percebesse, estaria ali por dois segundos só para te sentir por perto. Queria sentir teu gosto nas coisas, teu cheiro pelo caminho e tua voz pela casa. Decorei para eternidade o número do teu celular, mas ninguém me atende. Procurei outros assuntos para conversar e aprendi com fúria tudo que precisava. Vou estudar, vou passar por coisas que pulei. Dormir menos, correr mais, correr sempre é bom. Coloco músicas para trilha, do começo ao fim um sucesso a mais para contemplar o caminho. Aprendi a respirar com mais calma e a beber mais água. Comer menos sal e apreciar com destreza cada garfada.

Errarei todas as vezes que me forem necessárias, vou pensar muito, vou fazer tudo que tiver que fazer. Meditar, relaxar e acalmar cada ansiedade que bater com força. Sinto tua falta em todos os dias da minha vida. Aprendi com tudo isso. Aprendi a ser forte e aprendi o que é realmente coragem. Assumir a dor e se torturar por vezes, mas não se arranhar em vão. Não lutar em vão, não fazer nada por fazer. Ter propósito, não ter a mínima noção da dificuldade, mas que essa indisciplina me faça sempre questionar o mundo.

Estão em guerra lá fora. Gritam muito alto, parece o mercado indiano em dia de liquidação de tapetes, especiarias e essas coisas do oriente. Vinte e cinco de março antes do Dia das Mães. Colocaram preço em quase tudo, para tudo preciso de dinheiro na carteira, estou ficando louco com essa pobreza, cancelei todas as festas e me comporto como um bom garoto. Angelical com alguns palavrões a serem ditos. Reclamo sempre que posso.

Anularei meu voto e não contribuirei com esses monstros capitalistas que querem só o meu dinheiro e mais nada. Sem respeitar as pessoas que poluem nossas idéias e nossos conceitos. Engolem por goela abaixo que a alegria da vida está no churrasco de família em feriado prolongado. Que comprar um tênis da moda é prestigio e que estar bem equipado já é o suficiente. Não é o suficiente. Vou além, além das novidades, além das barreiras e o que aparecer. Sem avaliar, sem julgar, sem colocar a culpa em alguém. Foi eu quem o fez e agora preciso resolver.

Aqui estamos todos bem, cada um com a sua diferença

Amo você, mulher da minha vida.





Leonardo Tatsuo Arima da Fonseca
#tudo que acaba sempre é um bom motivo para uma novidade começar