25 de mar. de 2013

Outono e Venus


Enfileiramos escolhas assistindo ao pôr do sol e seus olhos brilhavam, entortando a cabeça para apoiar no meu ombro, falando sobre as sensações das manhãs de domingo. Quando coração bate por motivos alem da circulação, enquadrando na memória retratos significativos de passados presentes. Seus olhos flertam os meus, nem silabas precisam ser ditas, expressadas ou compactadas, pois o breve silêncio reluz nossos sentimentos tão bem.

Quando esse resolver partir, descobriremos o que é andar, como é crescer, como é dizer sem ter nada na cabeça para explicar depois. Nossa confusão mental impediu que assistíssemos ao final do dia e as pernas hiperativas descobriram novos caminhos e guiaram-se, estupidamente por vezes, mas o fizeram. A juventude explica ignorância, solidão e falta de humor nos decorrentes dias da semana que gostaria de dormir alem do programa esportivo da hora do almoço.

Por muito percebemos que estávamos errados e cometemos crimes hediondos, passando a vez para imaturidade, mas devo olhar somente para frente e abstrair esses retratos passados, tropeçar novidades e desencanar dos filmes da última sessão, se valesse a pena, sua ligação teria durado mais que trinta segundos e discorreria alem do trivial, mas já passou, tudo bem.

Nessa semana vou criar meus objetivos, focar nos sorrisos e aproveitar com chá bem quente todas as manhãs desse outono, que logo virá aos vinte e sete, recriando emoções para mais novas emoções.

Take it easy


Leo

12 de mar. de 2013

Hoje eu dormi com saudade


As tatuagens velhas denotam as passagens que se foram no fundo da gaveta, relembrando as janelas e os montes deixados nos quilômetros rodados de nossas vidas, com tão pouco entendimento, recordo cada “adeus” e lágrima que escorreu enquanto observava seu sorriso ficando para trás, os nossos últimos abraços e a esperança infinita que os próximos já estariam por vir. Mal sabia eu que seria capaz de acumular tanta saudade no meu coração, da dúvida, da incerteza. Eu que só queria encostar no seu rosto e dizer que fiz tudo errado, mas queria tanto organizar tudo de novo. Debruço sobre a mesa e apago tudo que escrevi, pois estaria longe do entendimento a ilustração feita para demonstrar a minha tristeza, por me sentir incapaz demais, fardado por essas paredes que comprimem as minhas asas e permitem apenas pensar muito em você.

Dos nossos bigodes, sobre a nossa Cecília e o Pedro correndo por toda casa. Fotos nos corredores e bolos de chocolate. Gritos e sorrisos, escorregões e ônibus verdes levando pela cidade toda alegria de nossa história, eu que sou campeão em me enganar, para dizer que está suavemente leve essa solidão proposital, pois em nenhum outro olhar ou conversa encontrei o sonho da minha vida que era ter você ao meu lado para sempre. Dos idiomas que não combinam e todos parecem estrangeiros, das loucuras, tão nossas quanto o nome que deram aos animais e aos nossos sonhos, tão nossos, que registrados, poderiam ser classificados como lúcidos e encantadores, tal qual a forma que fico perdido quando te assisto acordar.

Levanta o teu pé e parte para dança, encostando a sincronia dos corações voadores, valsando ao silêncio dentro do quarto, importando tão pouco com a velocidade do mundo, encontrando soluções práticas para todos os problemas, sabendo que se queimar o bolo, é só fazer um novo, mais gostoso que todas as vezes passadas, perdidas em bosques e andando de motocicletas invisíveis por todo espaço do Planeta Terra. Eu que acredito que somente os Astronautas são felizes, por estarem tão perto da Lua, do nosso São Jorge e fugindo bem dos dragões bafentos dos pesadelos profundos.

Queria explicar, mas nem eu sei entender.
Hoje eu dormi com saudade de você.


Leo

26 de fev. de 2013

T.oddy e não Nescau.


É engraçada a vida adulta, os prazos, horários, compromissos e as responsabilidades. Estranho treinar brincando de fazer a barba até quando não se tem pêlos e depois perceber que era o que você menos queria ter. Colocar a gravata do pai, fingir que fala como aquele que odeia acordar cedo e vestir a rotina, girando em círculos, propositais que possivelmente podem levar a virtude do amadurecimento. Hoje acordei cansado, nessa idade dormir não relaxa o corpo, faz ele ficar todo dolorido, nem mesmo esticar as costas no chão resolve mais e toma algum analgésico, energético e enfrenta os males da mesmice, mas confuso estar por reclamar vendo esse sol no céu azul que brilha tanto, mas me faz querer o frio, pois assam meus pensamentos essas calças chatas.

Brinquei de ser Peter Pan e desenvolvi escudos contra meu medo da vida, mas percebo, não tão tarde, que estive errado por essa temporada inteira. Afastei as pessoas que já disse que estariam comigo pela eternidade. Afastei sorrisos e amigos, não foi proposital, tentei remediar, mas já estava em outro barco, me odiando cada vez mais e eu aqui, reclamando, mais uma vez, Leonardo, reclamando, falando mal da vida, falando mal de tudo, por que criou escudos e percebe quase perto do outono, que foi a coisa mais falha que podia fazer.

Cabe mesmo essa tristeza em meu coração ou mereço viver esse dia? Percebo que sentir-se derrotado é a minha maior arma para voltar de cabeça levantada, mais uma vez, pois só foi mais um jogo, tão pessoal nesse texto, preciso dar a volta por cima e sei que não estou sozinho. Quero só ver com mais alegria esse sol e comemorar mais um dia dessa vida e nada mais.

Mas adoraria só estar atrasado para mais uma aula de matemática.

Leo

16 de fev. de 2013

_13'_Descansando o coração.


Acha que é proposital a cobrança, devido as palavras denotadas naquela nota deixada na última jornada, tão pouco ouviu, que já reprimiu e preferiu sair afastando logo de perto para se machucar menos na próxima estação.

Outono logo vem, março, abril e penso estar mais próximo quando inverno chegar. Me preparo como se fosse disputar vaga no mais concorrido vestibular, para estar pleno e completo de saúde, melhor saber que seus olhos não passeiam por estas ruas, vira surpresa e prefiro assim.

Eu não sou esse menino ruim que tanto fala, que julga, que olha com desdém e só quando deseja a pessoa que fala sua língua, se aproxima pra me machucar e correr para o lado que desejar. Sou diferente disso e disseram que estava a brilhar, de outros amores, mais verdadeiros.

Decoro clichês para te dizer, mas minha timidez estraga tudo, abaixo minha cabeça e saio andando. Aproveito os dias do verão que restam, brinco no sol e sujo a sola dos meus pés, andando descalço e só, por que prefiro a solidão do que a falta de exatidão desse teu sorriso.


Mesmo duvidando, anoto para não esquecer
Os telefones úteis para me isolar
Prefiro minha falta de sorriso do que lágrima ao te ver
Escorrendo desnecessários sentimentos desse falso “amar”
Prefiro meus dias quieto

Admiro o silêncio
Olhando as horas para o teto
Sem sofrer por abstinência
Com a cabeça baixa, continuo reto.




Leo Fonseca

11 de fev. de 2013

_13'_Baile de Carnaval depois do fim


Prefiro deixar de lado esses machucados e me preocupar só depois do carnaval, ocupando as lágrimas em derrotas menos úmidas, na seriedade de quem nunca sorri, porque explicação já deu, mas no final do baile, seu par lhe abandonou, para cair em colo desconhecido pela graça de te ver caído e nada mais.

Solenes gritos tentadores entre arcos da Lapa e nuvens cinzas do alto do prédio que despedem a vontade estar só para eliminar amargura do neutro coração que esqueceu como sentir saudade, amor e paixões corriqueiras. Prefere dançar a valsa do silêncio, sem as rusgas do primoroso amor adolescente ou beijo perdido no escuro brilhar das estrelas caídas.

Cadê você que prometeu estar aqui para me ajudar organizar todos os meus pensamentos e extinguir essa insônia devastadora que confunde as nuvens e o sol. Onde foi parar o limite das nossas conseqüências, das bobeiras ditas no telefone, dos sonhos tão doces que soavam inocentes, como criança que perde os dentes e sorri a falta de liberdade, mas pouco importa, tem tudo ali pela frente, no “ali” que sei pouco como explicar a direção, mas aponto, não me importo, nem me canso.

E se assim for para vencer, prefiro estar só, pra não me comprometer.


Leo