4 de jul. de 2008

Meu uniforme está molhado e hoje eu não vou assistir aula.

Meus olhos pesam uma tonelada. Pequenos já são, nânicos e esticados, tipo japonês. Do tipo importado, do tipo que agrada quem gosta de comida japonesa, do tipo que sonha com monstros destruindo cidades, enfeitadas com nêon. Sonhando acordado com os carros que ainda não sabem voar. Vivendo a realidade de um sonho ainda não terminado. Realidade inexata, toda essa exatidão, toda essa simplicidade. Só preciso de mais alguns minutos de sono, mesmo que eu me atrase mais uma vez, mesmo que o dia acabe enquanto eu ainda durmo. Não me importo com a regra dos horários, não uso relógio, acho muito chato controlar o meu dia com alguns ponteiros independentes, não giram conforme o gosto daquele que o usa e sim, funcionam por conta própria, chato demais para se pensar agora cedo.

Vou te tirar para dançar assim que eu conseguir abrir o meu olho da direita. Não peça para eu andar mais rápido, ou passar aquele perfume que me deixa com alergia. Deixa eu estar de pijama quando escurecer. Vou fazer dança como vento e vou cantar sobre a preguiça. Vou dormir a noite inteira e te deixar com raiva. Você louca para dançar e viver a juventude de uma sexta-feira cheirosa. Não, não mesmo! Só quero mais um afago apaixonado do meu travesseiro e sentir não mais o calor do seu corpo sobre o meu. Hoje sou paixão pelo cobertor, mesmo que seja na contra mão de qualquer amor, hoje eu não te amo mais nada, não te amo mais nada mesmo, zero porcento de cada porcentagem de descontos, acumulados em cupons que eu sempre junto quando faço compras no mesmo supermercado. Sou viciado no clichê e adoro juntar cupons. Mas não fazemos compras tem mais de um mês, tudo bem sobreviver com alguns lanches durante a tarde, acho que estou engordando, mas estou levando como uma engorda preparatória para o inverno que está chegando. Quando o sol voltar quentinho, eu prometo correr no final das tarde, dormir menos durante o horário em que normalmente as pessoas vivem suas vidas. Não sei se são medíocres essas, estar com sono é pairar sobre o natural e o sonho. Acho que é tudo real e meus olhos pesam demais.

Assistir a tarde passar com os olhos fechados, vou deixar a porta do meu quarto só encostada, ainda não deixei de ser idiota e ainda fico esperando o telefone tocar. Toda vez que sinto vibrar meu celular, rezo por dois segundos e espero ver o seu nome ali, me chamando com sua voz delicada, riso ao fundo, gemidos de alegria que eu sinto muita falta. Tanta aventura, tanto sonho bom, tanta alegria, tantas coisas sobre você que eu ainda não consegui descobrir. Até vou esquecer o seu nome, só para fazer graça e perguntar de novo qual a poesia que escolheram para denominar você. Rosa minha, flor minha, maravilha minha, tudo que seria de posse, mas que fugiu, sem eu tentar apertar entre os meus dedos, você virou as costas e virou história. Virou nome perdido, sem registros ou documentos marcados em minha agenda. Não consegui guardar perfeitamente o seu rosto em minha mente, mesmo depois de ter tentado decorar cada cena que ao teu lado assisti. Mesmo eu tentando de várias formas. Eu nessa minha mania de querer te esquecer, só acabo conseguindo me lembrar cada vez mais. Não me machuca mais pensar, não me tira o sono e não me faz querer não pensar em mais nada. Mas virou borrão branco dentro da minha cabeça, toda sua beleza inconfundível, tudo aquilo que é de se admirar por uma vida inteira. Seus olhos, sorrisos e olhares perdidos, seja para mim, seja dentro dos meus olhos,ou até mesmo perdida em algum filme que passava na TV, não sei. Juro não saber, querer saber, não sei se quero também.

Não quero dançar hoje, sei que é sexta, sei que amanhã posso acordar tarde. Hoje eu quero dormir o dia todo e não me importar, quero ser da minha cama e de mais ninguem. Hoje eu não quero dançar, não quero me cansar, não quero ficar suado,não quero me perder. Quero me encontrar, me achar no espelho só amanhã de manhã, com o rosto amassado e com a voz rouca. Quero acordar em um novo dia, menos cinza talvez. Queria querer menos as coisas na vida, queria pensar menos no que eu tanto quero e se realmente necessito de tudo aquilo que desejo tanto nesse jogo todo de querer demais. Não é só mais um samba, é dançante eu sei muito bem, foi eu quem o fez. É de preguiça e mais nada, não vou repetir tudo aquilo que eu penso a respeito do assunto e muito menos vou te fazer decorar essas minhas palavras. Sempre repito, lógico que dentro de toda minha forma de expressar aquilo que sinto, ou inventando uma nova forma de ser. Não sei o que dizer hoje e mesmo que eu apague tudo, vou acabar escrevendo do mesmo jeito em todas as novas mil tentativas.

Está vazio e não tem nenhum nome estampado na porta de entrada. Ninguem viu quem foi o último a se aventurar. Estavam todos muito cansados para tentar interpretar de uma forma mais doce todos esses últimos fatos. Fiz como um adolescente e me desenhei sem maturidade alguma. Gosto de ser amador, gosto de ser insignificante e ninguem me viu entrando aqui hoje. Sei não fazer barulho, sei ser discreto e não deixo ninguem se apaixonar. Faço de propósito e falo para todo mundo que eu não sei realmente dançar. Jogo dois para um lado e dois para o outro e mesmo assim não faço valsa em toda essa falsidade de nossos abraços. Simulados demais, controlados demais. Cansei de fazer de conta que eu ainda gosto de tudo isso. Meus dentes estão amarelados demais e hoje eles vão ficar escondidos de vocês todos. Deus não vai me ver, vai esquecer de mim hoje e não vai me telefonar. Hoje não me chamo mais Leonardo e não sou mais você também. Não sou ninguem mesmo e por uma sexta-feira, não vou ter vergonha de assumir nada. Li todo o contrato antes de me mudar para cá, assinei somente aquilo que realmente parecia ser cordial demais. Mas o exato momento não é considerado o melhor para negociar mentalmente os fatos que necessitam serem apreciados agora.

Terminei todas as provas e não fiquei de recuperação, me esforcei e decorei todas as fórmulas chatas de física. Até fingi que gosto de algumas coisas indiretas do caso reto, ou talvez algumas com defeitos que nasceram passivas e sem objeto direto.Não sei para que serve e se realmente serve. Não me visto mais como antigamente e não sei para que eu preciso realmente juntar bolinhas com bolinhas e adivinhar algo parecido com "mol". Teorias não me agradam, gosto de fazer as minhas. Mesmo que lotado de conclusões banais e sem sentidos aos olhos preocupados com o bolso.

Não vou dançar com você e não vou me preocupar comigo mesmo. É para dormir e esquecer da fome, como se esquece uma paixão depois da dor. Hoje só vou sentir o calor da espuma que me abraça e vou esquecer novamente meu próprio nome. Perdido entre tiros e loucuras criadas durante a madrugada. Nessa minha própria busca pelo dia seguinte, vou seguir sozinho e acordar babado. Não quero mais fofoca e vou me divertir com as novidades do ano passado. Cansei de viver o presente e recordar nem sempre é andar no sentido contrário.

só mais cinco minutos

mais um pouco para mim

deixo de lado você...


só mais cinco minutos


Leonardo

30 de jun. de 2008

Lírico concretual


sou de onde nascem dos lixos os poetas
minha cidade não dorme, mas descansa
de bar em bar, perto de tudo que é cinza
longe das belezas, longe do mar

sou da cidade onde se guardam vidas em gavetas
poesia cantante do vagão para o ônibus
pulando na baldiação do mundo
cada excluído, cada saco preto de lixo
meu imundo mundo puritano

as taxas aumentam e meus amigos somem
não é para guerrear, mesmo com a falta de motivos
comemorar com algum gole gelado pela rua
algo que faça sair de mim essa alma
que seja gelado o próximo gole
seja você poesia da bebedeira

ser poeta das bermudas caindo
tênis sujo e aulas dormindo
ser o poeta da cueca que aparece
sem crachá de intelectual
não uso trajes de gala

faço do meu jeito repito defeitos e tropeço no gasto
gosto do atraso, gosto de tudo
concretamente preparado
minha arte faço com o coração

se me ouvir gritar essa noite
juro que vou me comportar
vou tatuar menos a minha vida
serei seu ser padrão
canto como ator e atuo como cantor

estranho presente em cada dia
sem métrica ou regra a seguir corretamente
desenho como eu quero e danço ao meu ritmo
prefiro os dias de sol
frios no fim da tarde me ver sonhando é um dom

sou meu desejo transcrito em forma de Leonardo e um pouco de pimenta para temperar melhor

Alibaba e os 40 Ladrões

Canto do cantante ser que vive em mim

Minha cama partiu-se ao meio e eu não vi nenhum ser estranho saindo dali. Foi estranho ver a minha história em alguns pedaços de madeira acumulados. É estranho demais isso para mim. Sempre sonhei com coisas estranhas acontecendo em diversos mundos. Daqueles que ninguém tem coragem o suficiente para pensar ou falar que realmente acredita. É estranho demais assumir que todos nós temos sonhos estranhos e acreditamos em coisas que ninguém acredita. Somos realmente todos subversivos demais e é meio bizarro fazer uma analise pessoal nesses momentos de reflexão interna. Tenho adorado assistir a minha vida em terceira pessoa, como se eu fosse o ator principal de todos os meus atos, pessoais, impessoais, estranhos, egocêntricos, baixos, ridículos e um monte de adjetivo que realmente não faria muito bem ao meu ego lembrar agora.

Cada um vive o seu mundo particular. Ninguém para pra pensar nisso sempre, mas eu adoro pensar em tudo ao mesmo tempo. Parece lunático demais para quem enxerga de um outro ângulo, mas estar dentro da cabeça das pessoas é um esporte que muito me agrada. Tentando observar o mundo por um ângulo que eu ainda não tinha reparado com tanta freqüência e muito menos tentar imaginar qual a opinião das pessoas sobre o novo sorvete do fast-food mais famoso do mundo. O que você pensa sobre o número um? Prefere a cor vermelha ou acha que o azul deixa sua inspiração mais em alta. De fato não sei qual a verdadeira graça de analisar a vida alheia, mas sempre gasto alguns giros dos relógios digitais espalhados pela cidade. E ainda continuo achando a avenida Paulista um dos lugares mais bonitos para assistir a noite passar. Adoro ver o passar do claro para o escuro. Entre seis da tarde ou mais tarde no horário de verão. Depende muito, mas é muito bom me perder em um nada tão bonito quanto o sol indo embora e trazendo de presente uma lua maravilhosa.

Usamos tudo que é proibido no escuro, fica uma sensação de subversão no ar. Aquele cheiro do proibido, tudo aquilo que seus pais não podem fazer idéia que você faz, muito pior do que esconder boletim com nota vermelha ou acordar de madrugada para falsificar com mais perfeição a assinatura do pai. Mas realmente pega muito bem assistir MTV de madrugada, funciona perfeitamente, cada música, cada intervalo. Não sei realmente o motivo de estar dando a minha opinião sobre isso neste momento. Talvez seja essa minha necessidade de colocar para fora tudo que estive pensando no decorrer das noite ou a simples necessidade de conversar com alguém que não vai me falar nada enquanto eu movimento a minha boca. Verdadeiramente, eu não sei de mais nada e também não sei se quero encontrar alguma conclusão neste momento. Vou me perder em mais um bola bem dado e me lembrar que daqui a pouco eu preciso de mais um banho para limpar a minha cabeça de alguns problemas antigos.


Durma bem coração



Leonardo

Às vezes prefiro acreditar que é tudo um filme estranho

Faço poesia com as letras tortas e não me preocupo com a continuidade das coisas, realmente pouco me importa saber se tudo realmente precisa ter um sentido no final de cada coisa que eu escrevo. É tão chato ser conclusivo e necessariamente ter uma opinião formada em todos os assuntos possíveis, realmente, eu acho um saco as pessoas que não buscam entender através de outros pontos de vista. Sua cabeça foi colocada em uma forma, onde todos os pensamentos são únicos e verdadeiros e no final de tudo você ainda consegue um bom lugar, sentado perto do motorista, assistindo a paisagem de uma nova viagem.

Enquanto tomava banho à tarde, pensei em todas as viagens que eu já fiz na vida. Nas minhas loucuras, sempre atrás de uma grande novidade para encher a minha cabeça de idéias novas. Acho que metade das pessoas que eu conheço, sabem realmente tudo que eu já fiz nesses poucos anos de vida que eu tenho acumulado. Lembrei de cada ida até a rodoviária e do frio na barriga que eu adoro sentir. Esperar pelo inesperado e se surpreender com vários mundos novos, completamente diferentes da vida mundana que eu vivo nesse bairro. Sou garoto de prédio que cresceu dentro de um condomínio pequeno. Cresci em uma piscina de alguns metros quadrados e em uma quadra que os gols eram montados da maneira que dava. Fazia da minha criatividade as brincadeiras mais complexas, criava monstros e vivia em um mundo só meu. Com músicas cheias de guitarras e um peso diferente, gostava de mostrar que gostava de rock.

Já fui de tudo nessa vida! Todos os heróis que eu ganhei em forma de boneco, todos os artistas imitáveis da TV e fui galã de cinema algumas poucas vezes, mas me diverti entre todos os seres incríveis que viveram em baixo da minha cama durante anos. Fui roqueiro nas horas vagas algumas vezes, já gritei em palcos com vassouras dançando para mim e também já fiz com que várias pessoas lutassem como gladiadores, enquanto eu colocava todos os demônios do meu peito para fora, todos em forma de urros e gritos guturais, era muito nervosismo, era toda uma era que você viveu e não sabe contar a história. Fui tudo e não fui nada, fui ator e também cantor, sei escrever e caminho muito bem durante horas e não necessito de um tênis com muitas molas para isso, sou básico e sempre compro meus “pisantes” na cor branca, como se fosse uma mania que eu acabo de descobrir, dentre as várias que ando descobrindo, mas esse assunto merece um texto só pra ele.

Não aprendi lendo os maiores autores e muito menos passando horas com um livro nas mãos. Muito pelo contrário li todos os resumos das provas no colegial, alguns eu li só a sinopse, as perguntas eu respondia como eu achava melhor, pouco me importava a concordância de cada personagem criado por Machado de Assis. Machado de Assis? Me inspira? Não, démodé e não muito criativo, diria até que é quadrado demais para eu tentar admirar. Bom para época? Talvez? Quem sabe? As regras do ensino escolar são muito chatas, a forma que você deve ver e viver na sociedade, os modos, as maneiras e todo o conteúdo repetitivo que você nunca vai usar na sua vida inteira. Química e as malditas ligações, velocidade na física e um monte de coisa babaca nessa tal de matemática. Os números matam a gente e ninguém percebe isso! Eles estão por todas as partes tentando sufocar os nossos pensamentos. Até acho que um dia eles vão realmente conseguir afetar o meu sistema mental, mas hoje não, por favor, preciso dormir um pouco ainda. Mas foda-se a trigonometria!

Leonardo

quando alguns remédios não funcionam mais, tente ter mais controle de si mesmo e coma mais frutas depois do almoço, fiquei sabendo que faz bem.

Engraçado é o momento em que você consegue entender melhor a vida. Tudo vira conversa perdida e você percebe que nada é tão ruim assim. Lógico que perder uma pessoa que ama nunca é bom. É uma dor que não se explica, é como se estivesse queimando muito forte uma coisa no seu peito. Mas depois quando vem o alivio, tudo vira um papo engraçado. Você percebe que aconteceu uma história boa e vê beleza onde parecia que só sobrariam lágrimas geladas, escorridas sem tanta necessidade. Dor é dor e nada pode tapar um buraco quando esse é aberto. Por isso sempre tento escolher assuntos que agradam mais quando passadas pelas minhas cordas vocais e transformadas em som. Aceitaria discutir as minhas paixões perdidas um dia, mas não agora. Estou extremamente ocupado em tentar encontrar algo agradável para pensar. É mais fácil pensar em coisas gostosas. É igualzinho quando você é criança e tenta tomar remédio. Um negócio amargo descendo pela sua boca. Mas quando você come um doce, ele vem fácil e seu estomago sempre pede mais um pouquinho, sua boca não para de salivar querendo só mais um tequinho daquela delicia em forma de pedaço sólido, que passa a noite inteira sambando nos seus sonhos. Adoro pudim! Adoro chocolate! Falaremos então sobre coisas legais de serem feitas, como colecionar bons amigos! Falaremos de tudo aquilo que dava vergonha, mas que agora virou piada. Vamos relembrar tudo que é gostoso de lembrar. Aquele papo que vira riso em todos em uma rodinha. Vamos celebrar as festas sem motivo. As bebedeiras que pareciam glamurosas, mas que hoje em dia parece puro lixo e gozação!
A gente só precisa ter calma na vida. Acho que essa é a solução para qualquer coisa na vida. Se você acha que uma coisa vai dar errada, é só ter calma, repensar e fazer de novo, que acaba tudo dando muito mais certo que o normal. Se você tiver calma, vai encontrar um sorriso lindo todos os dias, esperando você sentada no sofá, com um brilho que só ela e a mais bela estrela do universo tem. Do tipo de sorriso exibido, que gosta de aparecer para todo mundo, incrível esse seus sorriso, juro que não vou esquecer nunca dele. Com calma na alma a gente consegue levantar pesos enormes na academia. Você consegue tudo direitinho. Só é preciso ter calma, ter calma para ter calma é meio complicado em situações conflitantes, mas tudo se resolve, de uma forma ou de outra tudo vira história, mais uma aventura e no meu caso mais uma de minhas loucuras por amor. Por isso, tenho toda calma do mundo dentro de mim.
Rodoviárias me encantam, histórias loucas me encantam, adoro sentir frio na barriga, adoro ter medo de não ver de novo a pessoa que você mais ama nos últimos quinze dias. A internet é um grande adianto para alimentar o meu coração pedinte, adorador de paixonites agudas e estranhas. Falar “te amo” sem ao menos ter visto de perto o rosto da pessoa que está falando com você. Parece um mundo louco e diferente, onde só pessoas estranhas e retraídas conseguem encontrar um bom papo. Sei que não é só assim que funciona um bom dialogo, mas eu gosto de me perder nessa loucura toda. Vou ter muita coisa para contar pra todo mundo sempre. Tenho sensações só minhas e nem sempre sei como dividir com quem eu falo, até mesmo quem convive comigo todos os dias. Sou meio complexo e estranho de entender, mesmo isso parecendo uma forma anti-egocentrismo, total e totalitária. Mas não, não consigo ver em minha nada de interessante mesmo. Talvez sejam muitos complexos, estranhezas básicas de uma mente em formação. Tenho dúvidas demais e medo de menos. Adoro colocar a minha cara a tapa e falar que estou na frente liderando o grupo.
Nunca falo abertamente de mim mesmo com ninguém, seria me entregar demais, ou até seria o possível medo de assustar aquele que ouve tudo isso na minha frente. Posso até ser normal, não sei, não sei me analisar, não sei me ver dentro do ônibus dormindo, encostado no canto, ouvindo alguma música cheia de rimas furadas e totalmente sonífera para aquele momento. Assistir a ti mesmo, todos os dias, viver em terceira pessoa por algumas horas do dia. Sim, eu sei, é complexo demais para você, imagina para eu, mero menino, baixinho e estranho, tentando explicar como eu consigo me ver? Não, acho que nunca ninguém conversou com você sobre isso. Gosto do meu jeito, adoro ser tímido, faz parte de mim, faz parte do que eu sou. Meu personagem foi montado assim e assim eu vou cultivando. Sem jogar muita água para não crescer demais, lentamente e com a mesma calma que eu falei agora a pouco.


Entender você mesmo, é conseguir assistir a ti mesmo em câmera lenta.





Freud