5 de mar. de 2010

#felizanonovo - Feliz ano novo

Veio a primeira onda e pulei, na segunda resolvi mergulhar e te soltei sem querer. Desculpa-me, o mar te puxou tão rápido, que deve ter acordado na África, esquentando peito de algum anônimo africano. Perdido de frente ao oceano, tentando imaginar e ver além daquilo que a curva do mundo pode mostrar. Logo ali parece que tudo acaba, mas dizem que tem correnteza para o outro lado. Passando o tempo esperando o terremoto que possa tirar do eixo o prédio onde vivo. Acordei em choque e só assim percebi que meu coração estava a sete palmos do chão. Foi no jardim que coloquei, achei que seria bem mais fácil encontrar quando precisasse novamente, mas perdi o mapa. Bebi uma garrafa inteira de vodka vendo o dia passar e não encontrando lógica. Estava errado! Coração não pode parar de bater, meus braços não podem parar de remar, a maré me leva até onde não dá pé e para quem tem pouca altura fica complicado. Apalpei com os pés e estava tão macia. Acordei antes da galera do colégio e calculei melhor as contas antigas, estavam tão empoeiradas. Meu mundo ficou parado por um tempo e a simples solução foi acordar.

Na terceira semana de maio me perdi pelo mediterrâneo, conheci dois gregos e um maranhense, não falavam a minha língua, mas tentei manter uma amizade enquanto o convívio permanecia. Filho de pai separado, sua mãe partiu para o noroeste e levou consigo sua irmã mais nova. Gregos fugindo de turcos armados. Todos corriam e viam suas casas em chamas. Crianças choravam tão alto que os mais velhos morriam com dores fortes nos ouvidos. Afoguei-me em dois litros de lágrimas só de ouvir o conto furado. Deixado, foi beber e esqueceu a carteira em cima do balcão. Comeram a menina da sala ao lado e colocaram a culpa nele, estava sem documento e decidiram que ele seria o pai. Assumiria tudo! Berço, cama e estudos até o fim da terceira geração. Quando for avô descansará e nem assim vai entender muito bem do que passou. Tomou dois calmantes e o coração enfim parou de bater. Cada ano que passa os produtos ficam mais caros. Recheados de “ridicularidades” tão parecidas com as do ano passado, do ano retrasado e de tudo que já foi e vai continuar sendo. O par de pilhas vale uma bateria de carro, vale o esforço de três dias de trabalho. Corado de sol e não vi o mar. Corado de sol e não tive férias. Descansou só aos finais de semana, assando a vida, falando de cerveja e sem mulher para amar quando estiver pilhado.

Desencanei do futebol na terceira vez que tive que comprar chuteiras novas. Já dava para pagar entrada de shows de rock e valia muito mais a pena voltar para casa suado depois de rodar, girar, virar o mundo de ponta cabeça. Dançando adolescente, dançando criança. Girava, girava. O tempo passou e não passei no vestibular, não passei em primeiro lugar entre os queridos do colégio. Por onde estive ninguém sabe. Lembram da roupa que usava no dia do sumiço. Procurei um remédio para dormir, mas só conseguia querer ficar acordado, cansado. Pensei, pensei e não quis deixar de lado aquilo que prendia meu pé na mesa da cozinha. Fazendo lição repetida, as mesmas que já tinham sido feitas nas férias de inverno de noventa e seis. Enquanto passava olimpíada na televisão, ganhei duas medalhas e deixei currículos pelo caminho, passei o bastão e quase tinha desistido. Corri e percebi que agüentava mais um pouco, continuei correndo e percebi quanto é simples permanecer. Permanecer respirando, permanecer querendo, permanecer correndo, permanecer o ser que está aqui e falante, cantante, continua a permanecer. Em dúvida da exatidão, sem contas regradas, sem normas por cumprir. Falhei e percebi. Dormir fica para quem puder acordar com os olhos arregalados, quero ver essa onda passar e minha prancha encostar-se à ponta, remo e alcanço. Encaixo a posição correta e forço meus joelhos. Desço rasgando e levando comigo a onda do mar.

É só fazer...


É só fazer...


Leonardo

27 de fev. de 2010

#novasgramas - Analgésicos baratos não aliviam a minha dor

Todos corriam para mesma direção, seguindo o batuque do primeiro tambor. Levado pelo ritmo do mar que fazia vento assoviar tão alto que ouvido algum aguentou. Quando todos já estavam ao chão, o mais novo levantou e puxou parte da família. Seus braços fracos não conseguiram lutar sozinhos, pernas, paus e pedras. Durante dez minutos a vitória parecia tão próxima. Pontos acumulados elevariam seu nome ao topo do mundo. Procurou um emprego na segunda, mas nem ao menos olharam para sua cara. Estampava pouca idade para fazer o elementar. Suas condições financeiras nunca puderam bancar um curso muito caro, aprendeu o pacote de programas suficientes e sabe adentrar em qualquer site de pornografia barata. Viciou-se e logo foi despedido, antes mesmo de pegar o primeiro salário. Contas atrasadas, mais dois dias e cortam a energia, com calma na quantidade de água que gasta, contando todas as fatias de queijo que vão ser postas na hora de matar sua fome. Cansou e não pode dormir, coloca mais um carimbo na carteira e seu filho já tem seu primeiro neto, esqueceu de levar a criança ao parque, engravidou uma menina e agora assume uma família antes mesmo de assumir seu próprio nome. Carlos morreu de fome quando tinha trinta e seis anos, afundado na lama subjetiva da realidade. Morreu de vergonha, seu nome não valia mais meio pão na padaria. Empedrou seu pensamento e sua cabeça parou de funcionar no segundo tempo, bateu com a bola, levou um pé e não conseguiu sair correndo. Estabanado tropeçou, viu sua mulher arrumando um amigo. Rezava e depois iam juntos conversar de portas fechadas em seu quarto, o mesmo onde teve seus sonhos não realizados. Condenado pela necessidade de manter-se respirando, condenado a estar preso dentro da rotina que não permite que seu pé cresça mais do que o padrão.

Plantou, colheu, empacotou e levou de caminhão até a cidade. Enquanto todos dormiam, você gritava mais alto que o Carnaval, cantava e fazia sua maçã valer notas e moedas. O peso das coisas faz parecer maior, o peso das coisas faz parecer diferente o que nem é tão assim. Ganhou um saco de moeda e de caminhão voltou para casa. Tomou um banho, colocou roupas limpas e foi até o supermercado, buscar maçãs lacradas, presas em um plástico que faz parecer nova sempre. Comprou mais meia dúzia de ovos, encaixotados, enfileirados e um quebrado! Só viu na hora de guarda na geladeira - A vida não é um taxi que cobra cada passo dado - Estranho ter e não ser, estranho ter. Estranhei quando me vi e não encontrei nada, sou nada? Passou pela vitrine e preferiu levar o brinquedo com mais funções e certificados internacionais. É coisa gringa! É coisa fina! Coisa de outro mundo! Dentro do aquário só consigo ver peixes coloridos, sem competir entre si, todos são lindos e perfeitos em sua aparência. Só o Beta precisa viver sozinho, não se socializa com muita facilidade, aí precisa ficar separado da galera. Aos sábados dorme e aos domingos se esconde. Desliga o celular e não responde nenhuma mensagem. Sua água tem mais oxigênio que a minha, seu hidrogênio é especial e também diferente do meu. Nem tudo sempre é justo, mas a justiça foi criada pelo homem que não tem educação. Somos todos Reis e essa é a missão. Rei da Maçã, Rei do Açúcar, dessa e daquela região. Importantes de uma mesma forma.

Era tanta ressaca que tive vergonha por muito tempo, dormi demais e percebi que o Carnaval já havia passado. Defendendo demais, sem ataques, levei um gol e faltava muito pouco. Ficou empatado e dois filmes completaram a falta do que fazer. Ainda não satisfeito, engordei tudo que podia engordar, odiando a réplica de ser humano que carreguei dentro do meu corpo por todo esse tempo. Carlos foi um bom rapaz até conhecer o seu grande amor, que o fez desistir de completar as lacunas das frases seguintes do seu discurso, sempre tão correto, sempre tão discreto, sempre tão disposto. Carlos se entregou e fez ressaca ser rotina, não aguentou mais do mesmo e ficou calmo enquanto pôde. O nome da mulher não mudou, mas nem nos olhos se olhavam. Cansou seu corpo para ter sono, pensou menos para não sofrer e a vida foi passando. A cor da sua barba, a cor do seu cabelo, estava tão cansado que resolveu dormir um pouco mais cedo. Como um sapato gasto, foi escondido debaixo da terra, palmos abaixo. Flores e uma vela para queimar suas lembranças e fazer de conta que ali se vai uma história: Um homem que realmente nunca existiu, foi e ninguém ficou sabendo.

Não há diferença no verdadeiro gosto do leite, não há. Respiro o mesmo oxigênio que faz bombar entre as minhas artérias o sangue que sobe até meu cérebro e me faz pensar. Sou pensante e com sangue fluindo, só percebo como é bom pensar. Não há diferença entre a cor que você vê e o sabor que eu sinto. Não há abraço que não seja gostoso e beijo que não seja apaixonante. Danço a tua música enquanto te vejo cantar, espero e te puxo para junto sentir a vida passar. Faz tudo parte de um só show onde todos nós dependemos uns dos outros para continuar. Até o fim! Música sem dança não é música, dança sem música, é loucura na certa. Amarre o tênis antes de sair de casa, não se arrisque a tropeçar, não pule os detalhes e perceba a eterna dependência que faz o simples ser importante e extremamente fundamental.


Pense nisso.


Leonardo Fonseca

23 de fev. de 2010

#novasgramas - Pelo caminho levo algumas coisas que me valem a pena

Nem quero dar certo nessa vida, meus bolsos não podem estar pesados enquanto passo por onde me disseram. Anotei em um pedaço de papel barato, caído atrás do armário. Um velho bilhete que dizia “Fuja”. Peguei carona depois do almoço. Entrei em um carro esporte vermelho. Cabelos com creme, penteado para trás, brilhante. Disse que estudou no melhor colégio de sua cidade. Líder de classe, primeiro aluno em todas as matérias e grande esportista nos intervalos. Artilheiro, melhor rebatedor e muito rápido na corrida. Não havia uma menina que não soubesse seu nome, não havia nenhuma garota que deixava de falar seu nome. Cresceu e virou chefe do seu setor, de segunda ele faz terapia familiar com o filho. Divorciou-se e coloca culpa no governo, um golpe de estado levou até suas vergonhas e a única coisa que sobrará, foi o carro vermelho. Sem retrovisor, depois da segunda parada resolvi mudar de companhia, enrolei no posto, fumei um cigarro. Cafeína para manter o cérebro vivo. Estou perdido em um labirinto muito estranho, com dor de cabeça e sem saber o que vai ser na próxima segunda. Já era tão lógico que cortasse a nossa água, depois do vigésimo mês sem comparecer, o dinheiro parou de girar o contador, o relógio não funciona mais. Os canos não trazem mais água para o banheiro e na cozinha fervemos antes de consumir. Legumes vermelhos, carros antigos, preços caminhando, folhas de papel ganhando vida e desenhando no céu uma desgraçada realidade. Apertei (stop), não procedi com a continuidade. Devagar, pulmonar, caminhando, refletindo. Perguntar-me tornou-se um castigo. Esqueci como transparece a vontade fazer sorrir, desaprendi qual a direção certa, estão todos loucos, estou endoidecendo devagar e percebendo aos poucos. Entendo tão pouco, quanto mais passou, continuo tão novo.

Cadê você para me dar uma bronca agora?! Cadê sua voz gritando no corredor, dizendo as coordenadas para continuar praticando a vida?! Onde estão os recados espalhados?! Manual de instrução. Pela terceira vez gritei teu nome pedindo uma toalha, sem resposta, entendi o mundo no futuro que tentei imaginar tempos atrás. Revi, pensei, revi mais algumas vezes e me vi mais duas ou três vezes. Desisti de pensar e senti que oxigênio nunca vai ter cor. Daqui algumas gerações pode até acontecer, mas meu barco precisa ser remado sozinho. Meus amigos me ajudam até um ponto, mas tenho braços para levar onde que for, me esforço, durmo um pouco menos que as pessoas normais e volto para casa cansado. Durmo, penso menos e vivo por existir por alguns verões. Sem recordações, simplesmente respirando, indo e voltando. Quando for adulto, volto e coloco em prática aquilo que a vida tiver me ensinado. Sem saber, não tem como acontecer, sem saber, continuaria cometendo os mesmos erros e denominando um com cada nome de ex-namoradas, mas não. Organizarei as cores e separarei as roupas mais pesadas, calças de agasalho e um tênis para correr. Estarei em turnê com a banda até sair à próxima coletânea, relembrando clássicos.

É tudo utopia, isso que te contaram é tudo mentira! Não se engane com as propagandas de televisão, são só atores. O produto é o mesmo, o preço é mais caro e a função é tão simples. Durante as gravações todos treinam para deixar com esse aspecto puro. Limpo, refrescante e tão passivo quanto os seus domingos que acordavam em uma terça feira depois do carnaval. Uma parceira para acalmar - levanta de cueca e trás algo para comer acompanhado - Criticaria todos os programas, seguidos. Rindo da mesmice adorada vida humana, mas quero uma gaiola muito maior que essa que me prende agora. Quero o mundo, quero a vida sendo vivida. Um museu de novidades, baratas, mas inesquecíveis. Nessa terra não há mudanças. Não vejo lucro que compense, não vejo suor que compenso. No ar parado do cinza que rodeia. Vingaria durante as férias, consumindo algo que desejei, mas ainda desconfio que não estivesse me sentindo bem. Sem estrelas o céu fica sem graça, comeram a lua pela metade e o coelho está voltando daqui três dias. É só pedir com força, ouvi falar, me disseram por aí! Com seus cabelos loiros, pés sujos de areia, aprendi que não dá para viver assim. Peço para Deus mudança, ralo os joelhos, estou aqui só para viver e aprender.



Adeus ano velho.


Leonardo.

21 de fev. de 2010

#salvia - A gata se foi

Eram três da manhã e ninguém ainda tinha percebido que era dia. Não tinha um pingo de luz para dizer que já havia amanhecido e permiti mais uma hora de sono. Acordei depois do almoço perdido entre manhã que passou e o dia que já está rolando. Preocupo-me em sobreviver no que chegará, mas pouco importando com a velocidade do minuto que resolve ser mais rápido que eu. Atropelei os primeiros ensinamentos e aumentei o grau de dificuldade em um ponto. Acho que não consigo encontrar meus dedos entre esse alcoolismo louco. Começa pelo contrário e parece perfeito, parece menos pecado, parece menos divorcio de casal que por hora já esteve apaixonado. Escondeu papel no bolso e só lembrou-se do recado quando a gasolina acabou. Amo esse lugar por todos os motivos possíveis, mas odeio lembrar cada passo que dei e não encontrei razão. Na primeira nota não consegui enxergar tua alma, passou em vão e dei outro nome para nota. Quando pela primeira vez percebi sua voz. No primeiro verso, na primeira situação que assisti o dia pensando em você. Primeira colocação na parada musical do meu rádio diário. Sonhei com você e por acaso beijei, mas não era você, mas mesmo assim, paixão continuou, sem explicação, por mais tolo que seja explicar. Prefiro ver o dia amanhecer tranqüilo.

Meu coração parou de bater depois do vigésimo toque do seu celular. Mentiroso! Tentando acordar do meu sono que tranqüilizava, pouco entende o que é sentir seu corpo relaxado como tal, caindo, sem chão e sem o vigésimo pedaço de torta de morango, deixado no décimo andar, quando passei caindo, colei um “post-it”, meu nome em letras garrafais, de trás de uma máscara que não percebeu a cor dos meus olhos. Seu calor faria tão bem agora, que deixo de contar o que passou para imaginar o que está por vir. Pouco sei sobre a cor de sua roupa, seu nome e sua semelhança. Não me lembra ninguém e acho sensacional. Sem a claridade percebo seu corpo sem perdoar quem já por vezes habitou o mar que pareceu ser tão meu. Na região do lago do norte, acompanhei seres que desejavam caminhar para uma área onde o amor fosse mais valorizado. Por não saber para onde carregar os pequenos seres, me escondi e deixei sem entender metade dos amigos que prestavam atenção.

Coloquei uma camiseta rasgada, sem importar nem um pouco com aquilo que olhos alheios pudessem encontrar. Sorriso se fez e sentou ao meu lado, sem perguntar o nome sua boca já encontrava meus dentes. Perdidos entre saliva e a vontade encontrar sua língua, falando um pouco do que entendo. Desenha para que fique mais simples decifrar o que seus lábios espalham. Energia desenha! Energia simplifica, mas não diz o que deve ser feito. Não sabem dos dias e não se importam em te preparar para a verdade absoluta que há por vir. Não sei, prefiro não pensar. Pensar pode gastar um pouco daquilo que deixo durante o dia passar. Não me importo! Não decorei seu rosto e beijei, sem me importar. Foi por diversão, dia que passa. Sem razão. Não quero compreensão. Quero só a exatidão que sempre bate na trave, mas nunca entra no gol! Passa perto e até empata a partida, mas sem deixar de decidir, prefiro simplesmente não pensar.

Pelos sorrisos mais brilhantes, meus olhos passaram pelos teus. Na junção entre seus lábios e sua barriga, alisada, quente, esquentando o frio que estou sentindo. Durante a tarde abasteci minha mente e devorei a vontade de não existir. No mundo louco e sem controle, todo mundo sempre tenta entender o que todo mundo pensa, mas deixa de entender o que foi feito para “você” entender. De frente ao espelho, diga uma saudação em voz alta e espere resposta, se tua alma não compadecer, espere mais um pouco. Por vez, resposta boa sempre vem direto ao coração, sem intermédios divinos e explicações surreais. É explicável, só é preciso viver.

Kamau Leonardo

19 de fev. de 2010

#salvia - Na quinta resolução, o zero sempre foi maior que um

Duas caretas e uma menina bonita entra no sétimo andar. Olha para frente, não acha ninguém, respira mais alto e percebe que está sozinha. Na propaganda de margarina o menino tenta arranjar uma namorada para o seu pai. Mulher bonita, sorriso largo e cabelos amorenados. Me apaixonei até o terceiro andar, seu namorado entrou, partiu meu coração. Destroçado, jogado, completo em farpas! – Como poderei lutar?! Como posso duelar nesse mundo sem asas? Parti de cabeça baixa, com o rabo entre as pernas. Virei na primeira rua e corri até avenida, lá embaixo. Fiz a curva e parti na direção de casa. Chorar nem sempre adianta, mas parece refrigerante gelado nessa época de aquecimento global. Desci “dropando” uma lágrima. Desci enrolando mais “um” para te esquecer. Cresci, cresceu e minhas notas sempre estiveram em dia! Não que isso seja o suficiente para dizer que sou um bom adulto e efetivo dentro de toda boa capacidade de resolver problemas com barba. Aparo antes de sair de casa, um copo com água quente e lâmina afiada. De volta aos dezoito em dez minutos, por um dia e meio. Calça jeans preta e uma camiseta cinza, simples. Sem brincos de brinde, sem acessórios fora de sintonia. Com esse amor se deve marcar reunião. Na agenda deixei recado “Almoce bem, mas guarde espaço para o jantar, quero te conhecer!”.

Também acho que esse mundo não foi feito para mim, também acho que as cores são perfeitas, mas sei que são pontos de vistas e por muitas vezes situações casuais. Triviais! Aconteceu com outro amigo no mês passado e agora é a sua vez de jogar. Grita várias vezes o nome do prêmio que deseja obter que esse aparece. É amor! – entre amigos chamamos de sorte instantânea, 3 minutos e acabou – É Amor! É Paz?! Encontro-te na praça de alimentação depois da hora do café da tarde. Entre o programa de receitas e o programa antes da novela das seis. Um terno com listras de giz e sombra celhas unidas pela paixão de seus pêlos da testa. Correu, Roberto foi o primeiro a correr! Terminou com a namorada e foi morar em outro país. Não sei muito bem dele, mas tenho ouvido notícias que por onde passou foi Rei! Mas se for para usar uma camiseta verde, logo vou dizendo que não vai combinar! É melhor brincar de esconder depois da aula. Tem energia suficiente para musicar de casa até o meu coração bater na palma da minha mão. Suei tanto que cheguei com uma rodela enorme de suor. Entrei em uma loja com ar-condicionado bem forte e fiquei com o corpo gelado. Bom de abraçar, te cumprimentei! Enrolei meia hora de assunto, te beijei! Chiclete enroscado na dúvida cruel, não duvidarei, mas sonharei com isso. Perdido nos vinte e poucos anos.

A vaga para Rei ficou em aberta depois que Roberto resolveu voltar para o seu amor. Preparou almoço para vinte quarteirões, expressou bem pouco em palavras, mas sensibilidade do silêncio o mais que necessário foi dito. Na compreensível valsa sob a lua, ilhados, pensantes e amantes. Na possibilidade única de estar tão próximo de um nariz, perto da tua boca, perto da sua voz. Direto no meu ouvido falando qualquer besteira, cantando Roberto ou Erasmo, tanto faz! Se for capaz, encante! Anotei uma dica em uma folha de papel e deixei no terceiro degrau “Que outono vire inverno e capacidade tenha de esquentar. Refresque calor do verão e na primavera, desejo muito somente estar, estar por estar e nada mais. Na proximidade única de um continente que sempre viveu tão longe. Amigos queridos que só se encontram por acaso. Por acaso, é só isso que desejo”. Vive mais uma rodada de tequila. Vive mais uma dose e vai embora, volta de maquiagem renovada e a gente lembra a bebedeira. Não deixo esquecer, nunca vai esquecer. No pra sempre raro de cada dia que passa e ninguém percebe. Perceber é querer demais, não prestar atenção no vento que passa, é não viver na temperatura. Chocolate derrete e na Páscoa um novo encontro e tudo estará em paz. Na conduta do básico que caminha em pró da resolução. Espero como for. Liga amanhã quando o sol bater, perceber que já é dia. Liga quando acordar. Liga e me chama. Sabe onde vai me encontrar. Entre o sétimo e o oitavo, metade, antes de um terço e quarta-feira continuamos essa conversa. Passar bem!




Francisco A.