19 de fev. de 2010

#salvia - Na quinta resolução, o zero sempre foi maior que um

Duas caretas e uma menina bonita entra no sétimo andar. Olha para frente, não acha ninguém, respira mais alto e percebe que está sozinha. Na propaganda de margarina o menino tenta arranjar uma namorada para o seu pai. Mulher bonita, sorriso largo e cabelos amorenados. Me apaixonei até o terceiro andar, seu namorado entrou, partiu meu coração. Destroçado, jogado, completo em farpas! – Como poderei lutar?! Como posso duelar nesse mundo sem asas? Parti de cabeça baixa, com o rabo entre as pernas. Virei na primeira rua e corri até avenida, lá embaixo. Fiz a curva e parti na direção de casa. Chorar nem sempre adianta, mas parece refrigerante gelado nessa época de aquecimento global. Desci “dropando” uma lágrima. Desci enrolando mais “um” para te esquecer. Cresci, cresceu e minhas notas sempre estiveram em dia! Não que isso seja o suficiente para dizer que sou um bom adulto e efetivo dentro de toda boa capacidade de resolver problemas com barba. Aparo antes de sair de casa, um copo com água quente e lâmina afiada. De volta aos dezoito em dez minutos, por um dia e meio. Calça jeans preta e uma camiseta cinza, simples. Sem brincos de brinde, sem acessórios fora de sintonia. Com esse amor se deve marcar reunião. Na agenda deixei recado “Almoce bem, mas guarde espaço para o jantar, quero te conhecer!”.

Também acho que esse mundo não foi feito para mim, também acho que as cores são perfeitas, mas sei que são pontos de vistas e por muitas vezes situações casuais. Triviais! Aconteceu com outro amigo no mês passado e agora é a sua vez de jogar. Grita várias vezes o nome do prêmio que deseja obter que esse aparece. É amor! – entre amigos chamamos de sorte instantânea, 3 minutos e acabou – É Amor! É Paz?! Encontro-te na praça de alimentação depois da hora do café da tarde. Entre o programa de receitas e o programa antes da novela das seis. Um terno com listras de giz e sombra celhas unidas pela paixão de seus pêlos da testa. Correu, Roberto foi o primeiro a correr! Terminou com a namorada e foi morar em outro país. Não sei muito bem dele, mas tenho ouvido notícias que por onde passou foi Rei! Mas se for para usar uma camiseta verde, logo vou dizendo que não vai combinar! É melhor brincar de esconder depois da aula. Tem energia suficiente para musicar de casa até o meu coração bater na palma da minha mão. Suei tanto que cheguei com uma rodela enorme de suor. Entrei em uma loja com ar-condicionado bem forte e fiquei com o corpo gelado. Bom de abraçar, te cumprimentei! Enrolei meia hora de assunto, te beijei! Chiclete enroscado na dúvida cruel, não duvidarei, mas sonharei com isso. Perdido nos vinte e poucos anos.

A vaga para Rei ficou em aberta depois que Roberto resolveu voltar para o seu amor. Preparou almoço para vinte quarteirões, expressou bem pouco em palavras, mas sensibilidade do silêncio o mais que necessário foi dito. Na compreensível valsa sob a lua, ilhados, pensantes e amantes. Na possibilidade única de estar tão próximo de um nariz, perto da tua boca, perto da sua voz. Direto no meu ouvido falando qualquer besteira, cantando Roberto ou Erasmo, tanto faz! Se for capaz, encante! Anotei uma dica em uma folha de papel e deixei no terceiro degrau “Que outono vire inverno e capacidade tenha de esquentar. Refresque calor do verão e na primavera, desejo muito somente estar, estar por estar e nada mais. Na proximidade única de um continente que sempre viveu tão longe. Amigos queridos que só se encontram por acaso. Por acaso, é só isso que desejo”. Vive mais uma rodada de tequila. Vive mais uma dose e vai embora, volta de maquiagem renovada e a gente lembra a bebedeira. Não deixo esquecer, nunca vai esquecer. No pra sempre raro de cada dia que passa e ninguém percebe. Perceber é querer demais, não prestar atenção no vento que passa, é não viver na temperatura. Chocolate derrete e na Páscoa um novo encontro e tudo estará em paz. Na conduta do básico que caminha em pró da resolução. Espero como for. Liga amanhã quando o sol bater, perceber que já é dia. Liga quando acordar. Liga e me chama. Sabe onde vai me encontrar. Entre o sétimo e o oitavo, metade, antes de um terço e quarta-feira continuamos essa conversa. Passar bem!




Francisco A.

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