10 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte - Carta ao negligente causador da incompreensível teoria da conduta humana

Um átomo caiu dentro da terceira colherada de açúcar. Adoçava o café então partículas de energia rondaram e foram absorvidas pelo líquido escuro do copo. Dali nasceu vida, ganhou documentos, uma carteira cheia de moedas e fotos de(S) conhecidos. Amigos (?), colegas (?) , semelhantes, voadores ou pensantes, na calma paralela de um dia normal. Dia da semana, sem qualquer coisa interessante a ser pensada, equilibrada entre o normal televisivo e outra obrigação rotineira. Denominado de tempo espaço que tem entre o Um e Outro, TEMPO. Sua cara sempre passa tão rápido que não decoro. Quando a música é complicada demais, danço e esqueço-me de prestar atenção. O refrão vem fácil, mas não me ligo na introdução como deveria. Passou e virou outro mês, ainda nem aprendi a escrever o zero a menos. Carnaval e todos para praia, a cidade fica vazia, cores pelos cantos e pessoas diferentes. O preço do metrô aumentou! Passagem do ônibus mais caro. Evolução acelerada desse mundo louco que caminha de mobilete pela cidade. Jogando poluição na cara das pessoas que escolheram simplesmente respirar. Não pensam, não possuem o hábito, deixaram de lado aquela e preferiu não cantar a outra. Pensar está fora do repertório! Gostoso é viver de sexta até domingo em uma festa, mas incomoda viver a vida como se ela fosse uma festa, irresponsável e rotineiro. Comprometido com as contas do final do mês e pensando em qual colégio vai matricular no ano que vem. Aos finais de semana leva até o shopping, enche a barriga da criança e depois leva para dormir. Feliz!

Queria tanto te ver sem esse cabelo sobre os olhos, deixa de ser tímida e abre um sorriso. De segunda à quarta escolhi usar palavras diferentes para embelezar o vocabulário. Elas trazem em um mapa toda sabedoria e toda qualidade de vida necessária para aguentar correndo rápido até a última curva. Seu pulmão aguenta, é só agradecer. Fazer valer à pena. Sem se preocupar com o nome, sem se preocupar com os dados que lhe foram cadastrados, tudo pode ser esquecido quando quiser. Nenhum problema é problema de verdade. As coisas não são coisas, não somos nada aqui. Faz parte da ilusão, teoria criada e desenvolvida para fazer de conta que está vivendo, está se aventurando e gastando energia. Alimenta-se e ganha peso, passa tempo e o cabelo vai, na beleza vista por outro conceito, pela maturidade dos grisalhos. Encontro meu cosmos espalhado ao infinito, desconectado das veias burras da mesmice televisionada, na quantidade de gols que te consumiu. Nunca estive sozinho aqui e quanto mais o tempo passa, mais perto de você me sinto. Sinto-me ao seu lado. Quando jogo água gelada pelo meu corpo inteiro, dia de sol, dia de calor. Mato verde e montanhas rochosas, cumes elevados e loucuras momentâneas. Quem sou eu aqui nesse mundo louco? Que loucura é essa de querer entender tanto a vida? A culpa não é do culpado quando esse foi pronto e criado para ser, simplesmente, assim.

Não há o que dúvidar e menos histórias para contar, mas na alegria de agradecer, sempre vou agradecer. Sexta-feira! Fico de bobeira! Calção branco e uma camiseta bem leve. Cortei a gola para ter espaço para respirar. Respiro, durmo, respiro e quando enjoar corro atrás dos lobos pela rua e novidade vira realidade. Estender ao topo do mundo, estender todas as idéias que aparecer. Esse final de semana não vai rolar mesmo de mudar as coisas por aqui, estarei com preguiça! Ontem acabou a aula, sai correndo e esqueci minha seda debaixo da carteira, se for pego, com certeza pego uns três dias de prisão, sem televisão, sem game, sem vida, sem nada para fazer. Toda energia elétrica vai ser algo fútil durante os dias de repressão, preso e sem idéia nenhuma. Entre os planetas encontrei só algumas pessoas conhecidas, mas resolvi deixar tudo por lá mesmo. É sério que venho vestido de amarelo, você dúvida? Passa aqui depois das onze, sexta-feira, quase sábado, nem tudo vai estar proibido, quando puder legalizo, te conquisto e vira sábado. Não entendo nada de tempo. Por isso, prefiro, só isso mesmo.

Fala mansinho no meu ouvido, fala devagar, tenta não errar, vem soletrando até concluir, coincidir a beleza de cada palavra, com a leveza da voz que entra e me faz pular, dança comigo, quero dançar, dançar até cansar. Cansar até a noite virar dia e tudo não estar e logo estarei, sem preocupar com quem, sem ter nada para me preocupar. Quando o dia raiar, quando o dia começar, preparo algo para comer, vejo primeira hora correr, não tenho pressa, não tenho no que pensar. Meio dia vem e trás ocupação, motivação, ação. Final do dia me espera na porta, vem com abraço e vamos ver o sol, vamos ver o dia acabar, vamos ver o novo começar, vamos nos amar. Na notória desenvoltura de um ser que necessita sempre estar, estando, estarei, se isso te confundir, não se preocupe, não há o que concluir, não há o que definir em palavras. O simples é simples, pois é simples, se fosse algo diferente do foco central, simples não seria e muito provável, legal inegável! Prefiro o calmo, básico e contável. O lucro não vale a pena também. Estou cheio de pensar, por vez, desisto e amanhã volto e tento concluir.



Leo Tsé Tung

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