Saí com o nariz branco do banheiro, girando, mundo girando. Voltando e participando de um sorriso com os lábios colados. Embriagado, socado de drogas, escorrendo o nariz, disfarça, faz de conta que nada ocorreu e segue para próxima casa do jogo. Coloque seu corpo para dançar, para cima e para baixo. Deixe seus ombros soltos e cai por cima de um desconhecido. Anonimato sorriso novo, sorriso sem nome, proibido da noite. Acende um cigarro e vira o pescoço, mostra o lado de carne que Deus lhe permitiu nesse momento expor com a gratidão dos estranhos olhares. Estranhos lugares! Perdi-me vezes e mais vezes nesse filme, nunca decorei a sequência, podendo dizer que sou um grande conhecedor. O nome da rua continua o mesmo, mas foram tantas casas construídas que não consigo mais me encontrar. Perdi-me mais uma vez e o brilho do seu sorriso conheceu outros braços. Escolho outro nome para preencher a vaga, mas não é do mesmo jeito. Não é a mesma música que toca. Verão não é inverno, estão próximos e acontecem em um pequeno espaço de meses, mas são tão diferentes. O calor não é real e cobertor não dá abraços. Esquenta com um chá, mas não é noitada. Não tem odor e isso te faz falta. Bate frio na barriga no mês de julho, mas é só mais uma queda da umidade. A humanidade se agasalha e conta cada dia que passa. Sem história, guardado, hibernando meses, aguardando encontros em ocasiões básicas. Sem o alarde de uma grande premiação.
Desde então já te dei vários nomes, quando estiver maior, abrirei mão da escolha e deixo-te caminhar. Assisto de longe o tempo passar e não digo na primeira semana que já sou teu e de mais ninguém. Escondo meu medo, escondo minha carência e sou homem forte e robusto. Hora ou outra vou correr, chorarei escondido, mas é assim que faço por entendido, sem ao menos entender nada. Nunca entendo tudo até o fim, cansa o cérebro ser esperto. Preciso ter o que fazer durante algum tempo e para isso há poeira nos móveis. Os cantos, as teias de aranhas que ficaram. O telefone toca com mais uma propaganda, descontos, sorrisos, mais uma estrela caiu e não tive tempo de correr para pegar. O vento levou para longe e são tão curtas essas minhas pernas. Cabe ao mar trazer de volta o verão que já passou, cabe a eternidade explicar o desconhecido. Verso repetido por cantores de outras épocas. Enquanto meu pai ultrapassava a linha de chegada, depois da última reta. Rosto de mãe que comemorava a vida que estava por vir. A vida que está, sendo, desistindo nos dias chatos, mas sempre disposto.
Sua banda não me parece tão nova e esse filme já assisti, sua novidade é meu álbum de figurinhas completo pela terceira vez e não gastaria bombas comemorando, sem menosprezar, sereias não existem. Meus ombros cansados de fazer força, esticados por muito tempo, sem conseguir puxar, sem trazer, sem fazer. Queria entender para onde foram os assuntos, onde estão escondidos os tesouros dos piratas. Comeram os mapas e atiraram seus estômagos aos tubarões famintos. Fome isolou o caminho de ida e impossibilita a volta. Essa piada já foi contada por mais de trezentas pessoas e essa é só mais uma que repete. Não pretendia alterar minha mente para conseguir me apaixonar. Estou sem pressa, saboreando a lerdeza gostosa dos dias perdidos da semana. Sem fé, mas com razão. Não é necessário ter esperança, quando se aprende ver o presente em todos os fatos.
Quando descobrir seu nome, deixo de viver sozinho e aprendo a sair novamente. Viro a cidade e decoro outro caminho. No clichê daquele que vive, no clichê daquele que não sabe ainda. Soletrando posso fazer de conta, mas ainda tenho muito que aprender. Esqueci metade das notas da canção, ando ensaiando, ando cantando pelos cantos, mas ainda não está pronto. Show acontece só depois dos ajustes finas. Antes disso, vou ensaiando viver a vida.
Molhe atrás da nuca e ande descalço
Sinta-se bem, estando bem.
Leonardo Fonseca
Desde então já te dei vários nomes, quando estiver maior, abrirei mão da escolha e deixo-te caminhar. Assisto de longe o tempo passar e não digo na primeira semana que já sou teu e de mais ninguém. Escondo meu medo, escondo minha carência e sou homem forte e robusto. Hora ou outra vou correr, chorarei escondido, mas é assim que faço por entendido, sem ao menos entender nada. Nunca entendo tudo até o fim, cansa o cérebro ser esperto. Preciso ter o que fazer durante algum tempo e para isso há poeira nos móveis. Os cantos, as teias de aranhas que ficaram. O telefone toca com mais uma propaganda, descontos, sorrisos, mais uma estrela caiu e não tive tempo de correr para pegar. O vento levou para longe e são tão curtas essas minhas pernas. Cabe ao mar trazer de volta o verão que já passou, cabe a eternidade explicar o desconhecido. Verso repetido por cantores de outras épocas. Enquanto meu pai ultrapassava a linha de chegada, depois da última reta. Rosto de mãe que comemorava a vida que estava por vir. A vida que está, sendo, desistindo nos dias chatos, mas sempre disposto.
Sua banda não me parece tão nova e esse filme já assisti, sua novidade é meu álbum de figurinhas completo pela terceira vez e não gastaria bombas comemorando, sem menosprezar, sereias não existem. Meus ombros cansados de fazer força, esticados por muito tempo, sem conseguir puxar, sem trazer, sem fazer. Queria entender para onde foram os assuntos, onde estão escondidos os tesouros dos piratas. Comeram os mapas e atiraram seus estômagos aos tubarões famintos. Fome isolou o caminho de ida e impossibilita a volta. Essa piada já foi contada por mais de trezentas pessoas e essa é só mais uma que repete. Não pretendia alterar minha mente para conseguir me apaixonar. Estou sem pressa, saboreando a lerdeza gostosa dos dias perdidos da semana. Sem fé, mas com razão. Não é necessário ter esperança, quando se aprende ver o presente em todos os fatos.
Quando descobrir seu nome, deixo de viver sozinho e aprendo a sair novamente. Viro a cidade e decoro outro caminho. No clichê daquele que vive, no clichê daquele que não sabe ainda. Soletrando posso fazer de conta, mas ainda tenho muito que aprender. Esqueci metade das notas da canção, ando ensaiando, ando cantando pelos cantos, mas ainda não está pronto. Show acontece só depois dos ajustes finas. Antes disso, vou ensaiando viver a vida.
Molhe atrás da nuca e ande descalço
Sinta-se bem, estando bem.
Leonardo Fonseca
Nenhum comentário:
Postar um comentário