- Vem passar o final de semana aqui? Comigo? Vai fazer frio de sexta até segunda a tarde. Comprei caixas de leite, cereais, chocolates, aluguei filmes. Terror, comédia romântica, massas congeladas e refrigerante. Quatro edredons e um violão. Acendemos uma vela e depois vamos dormir.
- ao amanhecer podemos caminhar pela praia? Quero observar o rosto de todos os velhinhos que lêem notícias. Não cansados da história, acumulam mais um assunto para o café. Com pouco açúcar por favor Peter! Podemos cantar muitas músicas?
- Todas do mundo para você.
Ouviu-se como pétalas voando por campo extenso. Verde, infinito, absoluto.
Calmaria sem fim, que tranqüilidade gostosa. O bebê sorriu pela primeira vez, percebeu o que é a vida e já começou dando risada. Gargalhou e caminhou durante o tempo. Nunca parou de crescer. Mas foi devagar, para não cansar.
A calmaria voava em conjunto de todas as nuvens de algodão. Estrelas brilhando e momentos solitários ficavam para trás. Sua compania faz tão bem. As estrelas estavam ali.
- Olha! Posso comer estrelas Peter Pan! Gosto de falar seu nome inteiro, gosto também de nomes compostos, como aqueles dos meninos da revista. Todos com nome composto! Será que essas estrelas vão brilhar no meu estomago?
- Você está realmente comendo estrelas? Cara! Me disseram que a digestão é tão lenta que vai ficar sem mastigar novidade por três dias. Sua barriga vai explodir de tanta caloria que tem uma estrela. Se for dessas mais brilhantes, novinhas, meu Deus... Cuidado! Sua barriguinha está começando a aparecer.
A menina, sem pensar, direcionou seu olhar para a região de sua barriga e olhou. Apertou. Apalpou. Apertou mais uma vez. Mais duas vezes. Mais oito vezes sem parar. Levantou sua blusa e colocou para fora. Olhou. Apertou. E olhou para o mal educado. Piscou duas vezes os olhos, balançando a cabeça, duvidando, apertando e coçou sua cabeça.
- Eu não estou ficando gorda Peter Pan! Eu! Não! Estou! Ficando! Gorda! Peter! Pan!
Peter de tão preocupado, balançou seus dois ombros ao mesmo tempo. Ergueu até encostar em sua orelha, coçou a nuca bem devagar. Espreguiçou meia dúzia de palavras. Lentas, irônicas, sarcásticas. Ele nem deu sorriso nenhum, mas dava para ver seus olhos que ele ria demais. Sem parar. Engasgou com leite e quase ficou sem ar. Mas parou ali.
- Não falei que você está gorda! Não falei! Só evite comer estrelas e acho interessante fazer exercícios. Poderia seguir o exemplo, não?! Te acho linda assim! Quanto tempo ainda tenho? Meus bônus logo vão acabar!
- Bônus? Por que você sempre muda de assunto? Eu olho na sua cara e nunca te reconheço. Não sei se fala sério, se é piada, se é verdade, se é mentira ou só fala por falar! Não sei! Nem sei se devo saber, nem sei de nada e só de pensar, descubro que é melhor não saber, mesmo! Você está perdido e eu tentando me encontrar perto de você. Não sabe de nada! Mesmo!
Meninas gostam de abraços. Meninas gostam de meninos. Gostam de tardes apaixonadas. Gostam de momentos que ficam para sempre. Recordações. Meninas gostam de muita coisa. Gostam de atenção. Atendimento vinte quatro horas. Servidão. Rainha. Santa Realeza.
Meninos estão soltos pelo mundo. Sem coleira. Sem rumo. Sem destino. Roupa amassada. Cabelo bagunçado. Admirando meninas. Paixão sem fim. Do vagão do metrô. Quando entra menina bonita no ônibus. Vem andando. Vem! Senta do lado. Meninos não sabem de muita coisa mesmo, mas sabem do que precisa. Não precisa de muita coisa.
- Você só sabe brigar? Admito que fica linda quando está com raiva. Se todas as pessoas do mundo ficassem bonitas desse jeito quando estão soltando fogo pelo ar, não teríamos guerra, assalto, briga de bairro, briga de torcida. O mundo serial igual ao Brasil em véspera de Copa do Mundo por todos os anos de existência que restassem aos seres humanos. Se acabasse o mundo agora, não acharia ruim! Mas se ainda assim quiser passar o final de semana comigo, espero segunda para proclamar o Apocalipse! Que tal?
- Não! N!Ã!O!
E não disse mais nada além. Nenhuma vogal a mais, consoante, derivados. Sussurros. Chiados. Barulhos. Ruídos. Nada! Dava para ouvir a música que as formigas trabalhadoras levavam em seus aparelhos de MP3. Lady Gaga não faz Carnaval para formiga trabalhadora. Preferem Samba. São divertidas e boas amigas. Mas nunca ali havia um silêncio tão intenso. Tão quieto que o quieto parecia barulho.
- Tudo bem! Sobra mais chocolate para mim!
O rebatedor preparou o bastão. Girou seu braço esquerdo para frente. Bateu na sola do pé direito e estalou o pescoço. Esticou as costas e rebateu para longe! Jogou para fora do estádio e deu, em estilo, a vitória para seu time! Correu para torcida! Em silêncio.
Ela foi chata até ali! Insuportável! Cansativa e sempre dona da verdade! Meninas não gostam de perder para garotos. São imaturos demais para declarar derrota. Não sabem de nada essas meninas. Não sabem de nada esses meninos apaixonados. Perdidos, nunca concordam, nunca aceitam e se assustam, quando deveriam estar abraçados.
- Você vai comer sozinho? Inho? Mesmo?
- Ah! Se sobrar. Se lembrar. Guardo para você e trago depois do fim do mundo. Depois da Copa. Depois. Deixo guardado. Tudo bem?
- Só depois?
- Só depois Sininho!
Normalmente pessoas perdidas escondem suas colas de prova no chão ou em muros espalhados pela cidade. Sempre procuram as palavras que lhes faltam em algum lugar que desconheço. Miram seus olhares e procuram na tristeza de uma curva mal feita pelo motorista. Sininho olhou para tudo que estava ao seu redor, mas parecia que até mesmo o chão havia saído para almoçar. Corpo leve, mente flutuante. Suspirou. Desejou um brigadeiro. Suspirou. Pensou e cantou...
- Vou com você Peter Pan! Posso?
- Agora e sempre, hoje e amanhã. Quando quiser e se quiser. Para sempre!
Até que a próxima voz levante primeiro
Leo Fonseca
- ao amanhecer podemos caminhar pela praia? Quero observar o rosto de todos os velhinhos que lêem notícias. Não cansados da história, acumulam mais um assunto para o café. Com pouco açúcar por favor Peter! Podemos cantar muitas músicas?
- Todas do mundo para você.
Ouviu-se como pétalas voando por campo extenso. Verde, infinito, absoluto.
Calmaria sem fim, que tranqüilidade gostosa. O bebê sorriu pela primeira vez, percebeu o que é a vida e já começou dando risada. Gargalhou e caminhou durante o tempo. Nunca parou de crescer. Mas foi devagar, para não cansar.
A calmaria voava em conjunto de todas as nuvens de algodão. Estrelas brilhando e momentos solitários ficavam para trás. Sua compania faz tão bem. As estrelas estavam ali.
- Olha! Posso comer estrelas Peter Pan! Gosto de falar seu nome inteiro, gosto também de nomes compostos, como aqueles dos meninos da revista. Todos com nome composto! Será que essas estrelas vão brilhar no meu estomago?
- Você está realmente comendo estrelas? Cara! Me disseram que a digestão é tão lenta que vai ficar sem mastigar novidade por três dias. Sua barriga vai explodir de tanta caloria que tem uma estrela. Se for dessas mais brilhantes, novinhas, meu Deus... Cuidado! Sua barriguinha está começando a aparecer.
A menina, sem pensar, direcionou seu olhar para a região de sua barriga e olhou. Apertou. Apalpou. Apertou mais uma vez. Mais duas vezes. Mais oito vezes sem parar. Levantou sua blusa e colocou para fora. Olhou. Apertou. E olhou para o mal educado. Piscou duas vezes os olhos, balançando a cabeça, duvidando, apertando e coçou sua cabeça.
- Eu não estou ficando gorda Peter Pan! Eu! Não! Estou! Ficando! Gorda! Peter! Pan!
Peter de tão preocupado, balançou seus dois ombros ao mesmo tempo. Ergueu até encostar em sua orelha, coçou a nuca bem devagar. Espreguiçou meia dúzia de palavras. Lentas, irônicas, sarcásticas. Ele nem deu sorriso nenhum, mas dava para ver seus olhos que ele ria demais. Sem parar. Engasgou com leite e quase ficou sem ar. Mas parou ali.
- Não falei que você está gorda! Não falei! Só evite comer estrelas e acho interessante fazer exercícios. Poderia seguir o exemplo, não?! Te acho linda assim! Quanto tempo ainda tenho? Meus bônus logo vão acabar!
- Bônus? Por que você sempre muda de assunto? Eu olho na sua cara e nunca te reconheço. Não sei se fala sério, se é piada, se é verdade, se é mentira ou só fala por falar! Não sei! Nem sei se devo saber, nem sei de nada e só de pensar, descubro que é melhor não saber, mesmo! Você está perdido e eu tentando me encontrar perto de você. Não sabe de nada! Mesmo!
Meninas gostam de abraços. Meninas gostam de meninos. Gostam de tardes apaixonadas. Gostam de momentos que ficam para sempre. Recordações. Meninas gostam de muita coisa. Gostam de atenção. Atendimento vinte quatro horas. Servidão. Rainha. Santa Realeza.
Meninos estão soltos pelo mundo. Sem coleira. Sem rumo. Sem destino. Roupa amassada. Cabelo bagunçado. Admirando meninas. Paixão sem fim. Do vagão do metrô. Quando entra menina bonita no ônibus. Vem andando. Vem! Senta do lado. Meninos não sabem de muita coisa mesmo, mas sabem do que precisa. Não precisa de muita coisa.
- Você só sabe brigar? Admito que fica linda quando está com raiva. Se todas as pessoas do mundo ficassem bonitas desse jeito quando estão soltando fogo pelo ar, não teríamos guerra, assalto, briga de bairro, briga de torcida. O mundo serial igual ao Brasil em véspera de Copa do Mundo por todos os anos de existência que restassem aos seres humanos. Se acabasse o mundo agora, não acharia ruim! Mas se ainda assim quiser passar o final de semana comigo, espero segunda para proclamar o Apocalipse! Que tal?
- Não! N!Ã!O!
E não disse mais nada além. Nenhuma vogal a mais, consoante, derivados. Sussurros. Chiados. Barulhos. Ruídos. Nada! Dava para ouvir a música que as formigas trabalhadoras levavam em seus aparelhos de MP3. Lady Gaga não faz Carnaval para formiga trabalhadora. Preferem Samba. São divertidas e boas amigas. Mas nunca ali havia um silêncio tão intenso. Tão quieto que o quieto parecia barulho.
- Tudo bem! Sobra mais chocolate para mim!
O rebatedor preparou o bastão. Girou seu braço esquerdo para frente. Bateu na sola do pé direito e estalou o pescoço. Esticou as costas e rebateu para longe! Jogou para fora do estádio e deu, em estilo, a vitória para seu time! Correu para torcida! Em silêncio.
Ela foi chata até ali! Insuportável! Cansativa e sempre dona da verdade! Meninas não gostam de perder para garotos. São imaturos demais para declarar derrota. Não sabem de nada essas meninas. Não sabem de nada esses meninos apaixonados. Perdidos, nunca concordam, nunca aceitam e se assustam, quando deveriam estar abraçados.
- Você vai comer sozinho? Inho? Mesmo?
- Ah! Se sobrar. Se lembrar. Guardo para você e trago depois do fim do mundo. Depois da Copa. Depois. Deixo guardado. Tudo bem?
- Só depois?
- Só depois Sininho!
Normalmente pessoas perdidas escondem suas colas de prova no chão ou em muros espalhados pela cidade. Sempre procuram as palavras que lhes faltam em algum lugar que desconheço. Miram seus olhares e procuram na tristeza de uma curva mal feita pelo motorista. Sininho olhou para tudo que estava ao seu redor, mas parecia que até mesmo o chão havia saído para almoçar. Corpo leve, mente flutuante. Suspirou. Desejou um brigadeiro. Suspirou. Pensou e cantou...
- Vou com você Peter Pan! Posso?
- Agora e sempre, hoje e amanhã. Quando quiser e se quiser. Para sempre!
Até que a próxima voz levante primeiro
Leo Fonseca
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