15 de nov. de 2010

#VINTEALGUMASGRAMAS - Localiza-se perdido em qualquer reconhecimento

Denso.

Rapaz de força leve, abre com força a porta que encontrava-se trancada. disparando alarme brutalmente.

- Amor, não queria, mas preciso levar as minhas coisas embora, me seguem e preciso ser rápido.

Sem eixo da conversa, composto por um antes que tanto faz. Ali precisava partir. Do caminho que denominava-se como “novo”. Apressou-a.

- Anda, preciso partir. Me ajude separar as minhas coisas. Levo o mínimo necessário, depois dou um jeito de levar o que restar. Se quiser queimar, queime, como queimou nosso amor. Como deixou de lado e agora me sinto um fugitivo de uma situação chata.

Em voz feminina, apreensiva, raivosa e teimosa. Semi grave, mas ainda assim feminina.

- É um traste, insuportável. Me impressiona acreditar. Amei quando me era novidade, quando trazia coisas diferentes para dentro dessa casa. Depois virou isso. Um traste. Largado no Jornal do Domingo. Fissurado nesse bando de ficção. Eis o mundo Real, meu amor.

- Não queira gritar sobre aquilo que também lhe pertence. Como todos os pertences que dividimos, mas que eram seus. Nunca tive poder de escolha ou voz ativa o suficiente para que sua audição percebesse minha personalidade. Trouxe novidade quando coube. Viver semana foi meu vício. Perdido naquilo que me cabe. Na necessidade de persistir para continuar existindo. Não tenho culpa. Só preciso das minhas coisas.

Acredita-se que amor pode ser eterno. Talvez o seja. Talvez a complicação está na possibilidade hábil de existirem várias cartas espalhadas em um espaço de tempo muito curto. Complicado de resolver as contas e a chance de ter uma vida, ao mesmo tempo. Tudo junto. Num combinado de alface, hamburger de baixa caloria e ainda assim manter-se saudável em todos os tópicos da Sua Existência.

Com o pouco que sei. Continuo ainda sabendo pouco, pois seres humanos passam por aprovações diárias que trazem características inéditas. Malefícios e benefícios, depende do lado da balança e do dia da semana.

Antes de correr até o quarto...

- Amor, evitaria estar aqui, sabendo que lhe traz sentimentos não aprovados pelo coração. Que fique a história que aqui passei. Desculpa, desculpa. Lá fora espera um bando de coisas que gritam por mim. Acabará tudo bem. Agora não pode, mas vai passar um filme que te ensinará, automático sem doer. Dói quando bate o dedo ou amassa no canto da porta. Fica roxo uma semana, mas se recompõe e continua a viver...

Antes de prosseguir, seu carro foi parado por um farol vermelho.

- Amor é uma figa. Sei que predomina o sentimento reverso no momento, mas continuo acreditando que esteve errado sempre. Quando percebeu que tínhamos gostos parecidos. Quando percebeu que adorei o seu jeito tonto. Depois vem dizer que é normal? Dentre todos os bilhões, há sempre a possibilidade do encontro dos pólos e que isso é só um capítulo funcional da vida? No que devo acreditar então?

Se não houvessem dicionários, Amores seriam menos complicados. Não havendo definição concreta, discreta e discursada em linhas de papel, meus amigos nunca passariam por problemas, passariam a bola para frente e sairiam para outro jogo. Se há possibilidades conclusivas, a simplicidade não diz. É incapaz de cantar a bola desse jeito.

- Paixão condena-te a não perceber uma sequência, quando toda novidade aquece o ouvido e faz dar risada. Mesmo o tombo na calçada e a forma que respiro. Temos gostos parecidos, mas quem disse que as pessoas precisam ter gostos parecidos? Coisas em comum. O nome já diz. Pode ser aqui e pode ser lá. Gera revolta quando cai na normalidade. Por isso me despeço, entender que ficar só é um problema. Mas aceitação é válida.

- Singularidades partidas em consoantes que nunca amaram. Condena na física à matemática corrompida das minhas necessidades fisiológicas. Incapazes de adentrar tal assunto no momento da preparação. Fico sem pernas por quatro dias, mas depois volto a caminhar. Decifro com o tempo. Sigo mais calma, vá.

Ele. Partiu até o quarto para encontrar o que lhe faltava. Pegou calças e calçados, espalhados pelo chão da onde acostumado habitou. Desejou e sonhou por várias noites seguidas.

Como se a vida não fosse à repetição de estar em vários lugares e não perceber o momento de dizer que precisa partir. Precisa mudar. Por vezes não percebe. Vai e não acha ruim. Mas tudo é instante, de pensar, já é um momento.

Não levar já é estar levando, pois conceito é algo fixo. Tatuagem de cada momento, perpetuado como lembrança, digitalizada como foto antiga. Cronológicas. Cada data que passou aqui, guardará para sempre.

Empurrou tudo em uma mochila e voltou para onde a cena começa.

- Que as balas do seu revolver nunca estejam destinadas ao meu nome em suas lembranças. Deixo fotos cerebrais e tudo que alegrar. Abraços virão, sorrisos te alegrarão. Não te preocupas. A vida é giratória, como um carrossel louco que não para de nos modificar.

Até.

- Orgulhara-me a possibilidade de cair no sono, nas voltas que meus pensamentos dão, acho difícil não pensar em tudo. Do primeiro ao último dia e em todos os motivos que nos surpreendem. Nem mesmo as paredes impendem à vida, portas fechadas possuem chaves e toda solução está na bula. É só pegar uma lupa e se resolver. Disso eu sei.

Até.


Para tudo que começa, um fim que se inicia.



Leonardo Fonseca


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