21 de jan. de 2013

_13'_Homem de Lata


Admiro coração esquecido, largou saudade de lado e seguiu viagem sem rumo. Por vezes acho isso tão estranho, como gosto de jiló ou fígado de boi, que agrada somente os paladares mais espertos, mas na minha burrice, idiotice, infantilidade, esqueci como se sente com coração, de qual lado fica paixão, cheiro da rosa, o sabor dos seus lábios. Durmo pensando em sonhar com você, como se na concentração desse pensamento, minha vontade viesse a tona e o abstrato ilustraria dias perfeitos ao seu lado. Me policio descartando vícios, mas soa pouco sincero, conduzido pelas regras e concordâncias, mas sem amor, sem sentimento, como o Homem de Lata, no vazio e oco do seu peito. Deixei até de sentir tristeza, de perceber que estou só o suficiente para sentir saudade do Mundo.

Seria o lucro dessa geração, relembrar essência do ralado na rua, do escorregão ao pular o portão. Da bronca de mãe e do apelido dado. Aprendemos a técnica e ao lado das nossas camas ficam as sensações, junto com os livros de cabeceira, pensamentos antigos e sonhos mirabolantes. A vida adulta permite adquirir o Universo, mas as necessidades rudimentares causadas pela rotina, permitem somente ir até a esquina trocar o molho de chave que já não abre mais caminhos passados em outros carnavais.

Só queria ser eu mesmo, sem regras e imposições, sem condições pré-modificadas, pré-analises, química, física ou matemática, sou muito ruim com os números, com a exatidão e aglomerado de segmentações, dividendos e a tal da concordância. Do que vem antes e deve aparecer depois. Escolho tanto, que prefiro silêncio, pois exponho o necessário e torço, pro meu coração voltar a bater acelerado, ritmando os meus dedos, trazendo as palavras certas, para os sentimentos errados e disso, eu sinto muita saudade.

Leo

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