Admiro coração esquecido, largou saudade de
lado e seguiu viagem sem rumo. Por vezes acho isso tão estranho, como gosto de
jiló ou fígado de boi, que agrada somente os paladares mais espertos, mas na
minha burrice, idiotice, infantilidade, esqueci como se sente com coração, de
qual lado fica paixão, cheiro da rosa, o sabor dos seus lábios. Durmo pensando
em sonhar com você, como se na concentração desse pensamento, minha vontade
viesse a tona e o abstrato ilustraria dias perfeitos ao seu lado. Me policio descartando
vícios, mas soa pouco sincero, conduzido pelas regras e concordâncias, mas sem
amor, sem sentimento, como o Homem de Lata, no vazio e oco do seu peito. Deixei
até de sentir tristeza, de perceber que estou só o suficiente para sentir
saudade do Mundo.
Seria o lucro dessa geração, relembrar
essência do ralado na rua, do escorregão ao pular o portão. Da bronca de mãe e
do apelido dado. Aprendemos a técnica e ao lado das nossas camas ficam as
sensações, junto com os livros de cabeceira, pensamentos antigos e sonhos
mirabolantes. A vida adulta permite adquirir o Universo, mas as necessidades
rudimentares causadas pela rotina, permitem somente ir até a esquina trocar o
molho de chave que já não abre mais caminhos passados em outros carnavais.
Só queria ser eu mesmo, sem regras e
imposições, sem condições pré-modificadas, pré-analises, química, física ou
matemática, sou muito ruim com os números, com a exatidão e aglomerado de
segmentações, dividendos e a tal da concordância. Do que vem antes e deve aparecer
depois. Escolho tanto, que prefiro silêncio, pois exponho o necessário e torço,
pro meu coração voltar a bater acelerado, ritmando os meus dedos, trazendo as
palavras certas, para os sentimentos errados e disso, eu sinto muita saudade.
Leo
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