Se eu pudesse, nunca me despediria dos
dias, na tentativa de fazê-los durarem mais. Daria tempo de te fazer sorrir
mais vezes e repetir duzentos e cinqüenta vezes os percursos que mais agradam.
Contaria a história dos meus dias aos meus amigos e continuaria a dar risadas,
mesmo que os motivos parecessem batidos ou alternados. Importar é o de menos,
ocupando a cabeça com detalhes que não fossem ponteiros ou limites de horário.
Tocar guitarra bem alto, com o volume quase no talo, solando as besteiras dessa
vida, pra não perder o costume.
Com o tempo, o tempo passa e ele retrata o
que lhe é necessário, aos jogados do canto de lá, o tempo passa batido, como arranhão
de queda em meio aos arbustos do jardim, marcando pouco o leve desastre momentâneo.
Aos espertos ficam as tatuagens velhas e desgastadas, contando sobre as
viagens, passagens e até mesmo as lágrimas que tiraram férias em semanas longas
e cicatrizantes.
Meus amigos criaram asas, partiram rumo ao
desconhecido mundo adulto, fazendo lembrar como é importante cultivar nossas raízes
e colher bons dias, mesmo com nuvens carregadas que contornam as nossas
molduras, eles todos estão crescendo e hoje a barba já faz parte definitiva em
grande parte dos personagens, contando os gastos, somando os prejuízos,
influenciando os novos que se tornarão como nós.
Que tenhamos sempre paciência para guiar os
nossos caminhos, que a saudade venha, mas que ajeite os dias que chacoalharem alem
do limite das nossas capacidades de nos manter estáveis. Continuo tranqüilo,
sozinho, sorrindo, cantando, sentindo falta, mas dentro desses detalhes,
encontrei os melhores guias para me ensinar e assim aprender. Caminho com
calma, faço do meu jeito e aproveito o grito livre de todos os dias de nossas
vidas.
Leo.
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