12 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte.1 - Milagres de trás para frente

Eita que velocidade violenta
passa e nem comprimenta
Violento esse tempo
não tem amigos
e sempre cai no esquecimento

passou demais e ficou
ficou para trás e desmaiou
sem braço amigo para levantar
bebeu demais e não acordou

quando o tempo passou
mudou de nome, trocou de data
esquentou-se em outro cobertor
de calma fez algum sonho

mas hoje ele não sonhou
conta negativa e cartas fechadas
lembram seu nome só pra cobrar
ligaram e atendi
logo desliguei

desligamento geral de toda nação
meu cérebro se vai
fico para explicar
apago a luz e me retiro

sem indicações procuro emprego
na lista ou no caderno
talvez motivo sincero

mas preciso me renovar

10 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte - Carta ao negligente causador da incompreensível teoria da conduta humana

Um átomo caiu dentro da terceira colherada de açúcar. Adoçava o café então partículas de energia rondaram e foram absorvidas pelo líquido escuro do copo. Dali nasceu vida, ganhou documentos, uma carteira cheia de moedas e fotos de(S) conhecidos. Amigos (?), colegas (?) , semelhantes, voadores ou pensantes, na calma paralela de um dia normal. Dia da semana, sem qualquer coisa interessante a ser pensada, equilibrada entre o normal televisivo e outra obrigação rotineira. Denominado de tempo espaço que tem entre o Um e Outro, TEMPO. Sua cara sempre passa tão rápido que não decoro. Quando a música é complicada demais, danço e esqueço-me de prestar atenção. O refrão vem fácil, mas não me ligo na introdução como deveria. Passou e virou outro mês, ainda nem aprendi a escrever o zero a menos. Carnaval e todos para praia, a cidade fica vazia, cores pelos cantos e pessoas diferentes. O preço do metrô aumentou! Passagem do ônibus mais caro. Evolução acelerada desse mundo louco que caminha de mobilete pela cidade. Jogando poluição na cara das pessoas que escolheram simplesmente respirar. Não pensam, não possuem o hábito, deixaram de lado aquela e preferiu não cantar a outra. Pensar está fora do repertório! Gostoso é viver de sexta até domingo em uma festa, mas incomoda viver a vida como se ela fosse uma festa, irresponsável e rotineiro. Comprometido com as contas do final do mês e pensando em qual colégio vai matricular no ano que vem. Aos finais de semana leva até o shopping, enche a barriga da criança e depois leva para dormir. Feliz!

Queria tanto te ver sem esse cabelo sobre os olhos, deixa de ser tímida e abre um sorriso. De segunda à quarta escolhi usar palavras diferentes para embelezar o vocabulário. Elas trazem em um mapa toda sabedoria e toda qualidade de vida necessária para aguentar correndo rápido até a última curva. Seu pulmão aguenta, é só agradecer. Fazer valer à pena. Sem se preocupar com o nome, sem se preocupar com os dados que lhe foram cadastrados, tudo pode ser esquecido quando quiser. Nenhum problema é problema de verdade. As coisas não são coisas, não somos nada aqui. Faz parte da ilusão, teoria criada e desenvolvida para fazer de conta que está vivendo, está se aventurando e gastando energia. Alimenta-se e ganha peso, passa tempo e o cabelo vai, na beleza vista por outro conceito, pela maturidade dos grisalhos. Encontro meu cosmos espalhado ao infinito, desconectado das veias burras da mesmice televisionada, na quantidade de gols que te consumiu. Nunca estive sozinho aqui e quanto mais o tempo passa, mais perto de você me sinto. Sinto-me ao seu lado. Quando jogo água gelada pelo meu corpo inteiro, dia de sol, dia de calor. Mato verde e montanhas rochosas, cumes elevados e loucuras momentâneas. Quem sou eu aqui nesse mundo louco? Que loucura é essa de querer entender tanto a vida? A culpa não é do culpado quando esse foi pronto e criado para ser, simplesmente, assim.

Não há o que dúvidar e menos histórias para contar, mas na alegria de agradecer, sempre vou agradecer. Sexta-feira! Fico de bobeira! Calção branco e uma camiseta bem leve. Cortei a gola para ter espaço para respirar. Respiro, durmo, respiro e quando enjoar corro atrás dos lobos pela rua e novidade vira realidade. Estender ao topo do mundo, estender todas as idéias que aparecer. Esse final de semana não vai rolar mesmo de mudar as coisas por aqui, estarei com preguiça! Ontem acabou a aula, sai correndo e esqueci minha seda debaixo da carteira, se for pego, com certeza pego uns três dias de prisão, sem televisão, sem game, sem vida, sem nada para fazer. Toda energia elétrica vai ser algo fútil durante os dias de repressão, preso e sem idéia nenhuma. Entre os planetas encontrei só algumas pessoas conhecidas, mas resolvi deixar tudo por lá mesmo. É sério que venho vestido de amarelo, você dúvida? Passa aqui depois das onze, sexta-feira, quase sábado, nem tudo vai estar proibido, quando puder legalizo, te conquisto e vira sábado. Não entendo nada de tempo. Por isso, prefiro, só isso mesmo.

Fala mansinho no meu ouvido, fala devagar, tenta não errar, vem soletrando até concluir, coincidir a beleza de cada palavra, com a leveza da voz que entra e me faz pular, dança comigo, quero dançar, dançar até cansar. Cansar até a noite virar dia e tudo não estar e logo estarei, sem preocupar com quem, sem ter nada para me preocupar. Quando o dia raiar, quando o dia começar, preparo algo para comer, vejo primeira hora correr, não tenho pressa, não tenho no que pensar. Meio dia vem e trás ocupação, motivação, ação. Final do dia me espera na porta, vem com abraço e vamos ver o sol, vamos ver o dia acabar, vamos ver o novo começar, vamos nos amar. Na notória desenvoltura de um ser que necessita sempre estar, estando, estarei, se isso te confundir, não se preocupe, não há o que concluir, não há o que definir em palavras. O simples é simples, pois é simples, se fosse algo diferente do foco central, simples não seria e muito provável, legal inegável! Prefiro o calmo, básico e contável. O lucro não vale a pena também. Estou cheio de pensar, por vez, desisto e amanhã volto e tento concluir.



Leo Tsé Tung

1 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte - Verde monocromático e alguns tons de cinza

Vi-te passando pela última fileira, perto das frutas, tropicais. Dia quente perdido no meio da semana, dia sem novidade ou algo que faça realmente sentir que está vivendo um momento especial. Vi-te passando entre o amarelo e o laranja, era verde e seu rosto parecia mais nítido, destacando com brilho o segundo plano, que por natureza, redundante e natural. Decorei de inicio cada detalhe, decorei seus documentos e adoraria saber o nome da sua rua. Encontro em segundos e marco com com dois corações e um recado. Melado e sanfonado, combinado de músicas e coisas para dizer. Caminhando em Londres, junto de um bom café, um fim de tarde, mas não terei voz para retornar pensamentos. Para casa pensando e acordar querendo. Luzes apagadas, presentes, mas corpo se vai entre a multidão e não devoro.


Organizei meu quarto organizando algumas idéias que estavam dançando pelo corredor, tênis fora do lugar e roupas demais brincando fora do guarda-roupa, guardei e na terapia de pensar, continuei pensando. Sei que vai estar na próxima festa, no mesmo verde, na mesma quarta hora e vigésimo minuto. Encontro-te no terceiro corredor, perto do amor do lado das maçãs, vermelho e aquela região.


Andei pensando em dizer algumas coisas, mas não sei bem qual você vai preferir. Se tivesse um jeito de te falar antes, para não cometer mais o mesmo erro de me atrapalhar com o formato das palavras, minha língua se enrola e sai tudo tremido, tenho vergonha, com alguma roupa descolada para esconder a minha timidez e danço quando já estiver bêbado. Não! Melhor não beber demais, quero conseguir acertar o seu nome dessa vez. Respiro fundo, conto até três, se não der, conto até vinte e sei cada passo que tenho para dar, um, dois e o quarto, um pouco diferente, me percebe, adorarei isso! Tenho medo de algumas coisas e ainda tem coisas nessa vida que não fiz. Dormi em algumas férias, joguei vídeo-game, um vício e revistas de assuntos legais. Gosto de cinema e decorei quatro músicas muito legais no violão. Hoje depois do jantar dedicarei e todo mundo vai assistir. De onde estiver, em conexão.


Em dia de promoção levo uma cesta de novidades, levo um pouco de cada assunto que decorei, aprendi alguns por gosto e assisti tanta coisa que terei algo para contar. Fala para sua mãe preparar algo com muito gosto. Chocolates e algo refrescante para brilhar na voz enquanto fala, reflete no sorriso que te faz sorrir, em uma ação que não consta duplo sentimento. Passo do único ao muito amplo, que nem se conta. Ontem enquanto eu lia o roteiro, não presenciei nenhum momento que dizia que o coração ia procurar vida própria, nunca tinha ouvido dizer que ele decora nomes. Apesar de que o seu já escrevi em todos os espaços possíveis das paredes.


Montei com cadarços antigos o caminho da sua casa, prendendo um ao outro. Tem de todas as cores. Alguns mais antigos estão sujos, cinza, amarelado. Prendo cada curva com um prego diferente, martelando, cantando e me divertindo. Desatando todos os nós, descomplicando o que nasceu para ser sempre tão simples. Quando te beijar e sentir que o mundo não tem chão o suficiente para segurar sua vontade de voar, não cabe limite no que pensar, sentir e existir tudo em um só kit de sobrevivência. Sem a proibição, tranco a porta e vejo cada peça que fica, cada nota que soa. Respira dizendo esse nome escrito nesse crachá de identificação, decora minha foto!


Sinto-me tão bem quando sinto as suas cores, me sinto tão bem quando sinto você cantando no vento Leonardo, pedindo tudo de novo. Sinto-me tão bem quando sinto teu nome tocando o telefone, gritando só mais uma vez.

No primeiro dia de aula marquei a minha carteira atrás da tua, dançaremos em julho e podemos até nos casar. No dia que chover, de ponta cabeça tira minha máscara e me da um beijo de cinema, me chama de herói. Escreve meu nome em um pedaço de papel e guarda dentro do estojo, guarda junto com aquele papel de bala.


Com os dois pés na areia quero me apaixonar por você, tochas, pessoas vestidas de branco e um amigo tocando violão. Jorge Ben, algo leve, algo que combine com o barulho do mar, cadenciando, refrão, coral e mais pessoas sorrindo. O clichê todo mundo já sabe e até mesmo critica, mas quando o filme bom acontece ninguém reclama, ninguém acha ruim quando volta com alguém novo dentro da cabeça, quando tem uma conversa que não tem fim, dias que viram noite e noites que nunca deveriam acabar. Entendo da paixão, entendo e não tenho nunca do que reclamar.


Um fino e um fim de tarde, quando o céu estiver dégradé, tons de roxo, amarelo, anoitecendo. Enlouquecer-me absorvendo tudo de bom que o mundo puder apresentar. Querendo, somando, me divertindo e partindo para o lado que brilhar mais o bem estar do dia de amanhã.



Leo Fonseca.

26 de jan. de 2010

#doismiledez - Só um pouco menos sonolento que uma segunda de manhã

Saí com o nariz branco do banheiro, girando, mundo girando. Voltando e participando de um sorriso com os lábios colados. Embriagado, socado de drogas, escorrendo o nariz, disfarça, faz de conta que nada ocorreu e segue para próxima casa do jogo. Coloque seu corpo para dançar, para cima e para baixo. Deixe seus ombros soltos e cai por cima de um desconhecido. Anonimato sorriso novo, sorriso sem nome, proibido da noite. Acende um cigarro e vira o pescoço, mostra o lado de carne que Deus lhe permitiu nesse momento expor com a gratidão dos estranhos olhares. Estranhos lugares! Perdi-me vezes e mais vezes nesse filme, nunca decorei a sequência, podendo dizer que sou um grande conhecedor. O nome da rua continua o mesmo, mas foram tantas casas construídas que não consigo mais me encontrar. Perdi-me mais uma vez e o brilho do seu sorriso conheceu outros braços. Escolho outro nome para preencher a vaga, mas não é do mesmo jeito. Não é a mesma música que toca. Verão não é inverno, estão próximos e acontecem em um pequeno espaço de meses, mas são tão diferentes. O calor não é real e cobertor não dá abraços. Esquenta com um chá, mas não é noitada. Não tem odor e isso te faz falta. Bate frio na barriga no mês de julho, mas é só mais uma queda da umidade. A humanidade se agasalha e conta cada dia que passa. Sem história, guardado, hibernando meses, aguardando encontros em ocasiões básicas. Sem o alarde de uma grande premiação.

Desde então já te dei vários nomes, quando estiver maior, abrirei mão da escolha e deixo-te caminhar. Assisto de longe o tempo passar e não digo na primeira semana que já sou teu e de mais ninguém. Escondo meu medo, escondo minha carência e sou homem forte e robusto. Hora ou outra vou correr, chorarei escondido, mas é assim que faço por entendido, sem ao menos entender nada. Nunca entendo tudo até o fim, cansa o cérebro ser esperto. Preciso ter o que fazer durante algum tempo e para isso há poeira nos móveis. Os cantos, as teias de aranhas que ficaram. O telefone toca com mais uma propaganda, descontos, sorrisos, mais uma estrela caiu e não tive tempo de correr para pegar. O vento levou para longe e são tão curtas essas minhas pernas. Cabe ao mar trazer de volta o verão que já passou, cabe a eternidade explicar o desconhecido. Verso repetido por cantores de outras épocas. Enquanto meu pai ultrapassava a linha de chegada, depois da última reta. Rosto de mãe que comemorava a vida que estava por vir. A vida que está, sendo, desistindo nos dias chatos, mas sempre disposto.

Sua banda não me parece tão nova e esse filme já assisti, sua novidade é meu álbum de figurinhas completo pela terceira vez e não gastaria bombas comemorando, sem menosprezar, sereias não existem. Meus ombros cansados de fazer força, esticados por muito tempo, sem conseguir puxar, sem trazer, sem fazer. Queria entender para onde foram os assuntos, onde estão escondidos os tesouros dos piratas. Comeram os mapas e atiraram seus estômagos aos tubarões famintos. Fome isolou o caminho de ida e impossibilita a volta. Essa piada já foi contada por mais de trezentas pessoas e essa é só mais uma que repete. Não pretendia alterar minha mente para conseguir me apaixonar. Estou sem pressa, saboreando a lerdeza gostosa dos dias perdidos da semana. Sem fé, mas com razão. Não é necessário ter esperança, quando se aprende ver o presente em todos os fatos.

Quando descobrir seu nome, deixo de viver sozinho e aprendo a sair novamente. Viro a cidade e decoro outro caminho. No clichê daquele que vive, no clichê daquele que não sabe ainda. Soletrando posso fazer de conta, mas ainda tenho muito que aprender. Esqueci metade das notas da canção, ando ensaiando, ando cantando pelos cantos, mas ainda não está pronto. Show acontece só depois dos ajustes finas. Antes disso, vou ensaiando viver a vida.

Molhe atrás da nuca e ande descalço

Sinta-se bem, estando bem.



Leonardo Fonseca

21 de jan. de 2010

#doismiledez - Dos quinze aos vinte e tantos, sem pular nenhuma festa

Daqui para frente já decorei o caminho, mesmo de olhos fechados. Depois de três curvas vem uma imensa reta. Parecerá infinita, mais de mil passos serão dados e o fim ainda vai estar por vir. Quando se acalmar e perceber que a luz já reflete sob suas pálpebras, elas começarão a tremer e gritar para serem abertas. O caminho é o mesmo que percorri por quatorze voltas, com muita atenção. Daqui para frente meu joelho vai doer um pouco mais e meu corpo pedirá cama quando o dia estiver raiando. Perdido na imensidão dos lugares que ainda não decorei, nessa imensidão tão minha e desconhecida. Dos vôos rasantes das gaivotas que vão caçando seu almoço pelo mar. Esperando a hora certa de cair e encontrar sua felicidade. O coração parece tão quente quando o relógio brinca de mudar de humor.


Voltei do colégio e não liguei primeiro para você, dei um tempo e pensei, refleti, tentando encontrar razão no ato. Desenhando o caminho que seria percorrido e definindo na imaginação os fatos. Cada beijo roubado daquela que não chamava de namorada. Escondido e depois de dizer que realmente te amava. Amei! Na ilustração que obtinha do tal sentimento. Amor com gosto doce e cheiro de tarde inteira. Amor de pensar o dia inteiro e esquecer-se da vida. Amor que nunca mais aconteceu daquela maneira, apareceu em tardes de um tempo já distante, desse recente. Amor presente. De presente eu aprendi, roubando beijos. Na sorte do mundo, meu amor roubado, menina da sala ao lado, menina de nome conhecido. O certo foi descoberto. Girava tão rápido cada acontecimento. É legal estar errado, é legal estar fazendo aquilo que ninguém imagina, é diferente! Não se deve amar, nem ao menos adorar, mas deve-se aprender utilizar com moderação, no meio termo eu sempre me resolvo, no meio termo consigo balancear mente e corpo, encontrando aos finais de semana a qualidade da vida bem vivida, corridas e saúde. Ela não entendeu, mas eu aprendi. Tive aula fora do colégio e tirei a maior nota.


Apontam armas brilhantes para a sua cabeça, pedem que levantem os dois braços. Passam a mão por todo seu corpo. Encontram fumo no seu bolso e encontram vários apelidos. Foi buscar dentro da favela e agora você sustenta vários vagabundos. A televisão chama assim, traficante, ladrão, expõe como vergonha os seus filhos, suas crias malignas, mas vieram da mesma bolsa, mesmo cordão umbilical. Mães de nomes diferentes, bairros e distância. Escondem-te. Afastados, na periferia, no lado periférico do mapa. Na geográfia é quem vive nas margens do centro, temos grandes áreas cobertas de concreto bem construído, somos urbanizados. É mais fácil tentar ganhar dinheiro em cima dos galos da classe média duelando. Escondendo sua realidade. Mão na cabeça e perguntam o que você faz, como faz e por que faz. Vira alvo fácil sua nuca e logo cai no chão. Maconheiro, sustentador de traficante. Eu que aprendi na mesma televisão que quem nasce mulçumano morre mulçumano, na cultura geral de um grande país. Habitando e percebendo as etnias que se espalham, as periferias que só são lembradas em dia enchente. Subiu água até o teto. Ensinam-te a ser desse jeito, não fazem nada para ser diferente e quando se encontra mais velho. Julgam-te! Vestidos de preto estão aqueles que consumiram de forma correta cada grão desse cereal podre. Atingindo a meta da população de pagar cada vez mais impostos. Mudar educação não é o canal, o canal é acumular futilidade na cabeça daqueles que não aprenderam a sonhar. Usufruo da mesma água e respiro do mesmo ar. Por então sou tão igual.


Entre os barracos consigo encontrar uma luz, a lua brilha bonita do alto aqui do morro. Três ou quatro crianças correndo e a vida segue ao seu objetivo: Ser vivida! Cumprir com as datas, abraçando seus pais e agradecendo a Deus essa passagem. Encontro no agora o momento certo para pisar em um próximo degrau. Esticar as pernas e sentir o crescimento. Uma escalada que não tem fim e para a próxima rocha são necessários vários outros cálculos. Pensar pouco nunca foi à solução e pensar quase tudo, ainda te falta um pouco. Aos quinze me chamei de velho e aos vinte três me vejo uma criança tropeçando pela casa. Aprendendo a andar, aprendendo a falar, encontrando a necessidade em si mesmo de sempre mudar. Não sei ao certo se cifras serão acumuladas, quantas e como serão. Tenho para onde apontar e isso já me faz muito bem agradecido por essa chance.


Uma vida uma chance.


Leonardo Fonseca