14 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte - Bebeto e Romário com algum cabeludo na bateria

Corri até o meio de campo, olhei para direita, corri para esquerda. Alessandro cobria a frente do gol com a sua barriga enorme!- Muita bolacha em horários inadequados, sempre fora das refeições - Enquanto Michel achava que jogava futebol, mas aquilo era só correr atrás da bola, nada além disso. Marquei e sai correndo! Todas as câmeras focavam os meus gestos de alegria, tirei fotos para os jornais do dia seguinte, manchetes e assuntos matinais. Depois de dois anos a minha carreira no futebol acabou, meus fãs já tinham me esquecido e o dinheiro saiu de fluxo novamente. Pedi dinheiro para os meus pais algumas vezes, mas não curti muito a idéia. Nenhum time mais procurava pelo meu passe as coisas só aconteciam no mundo alheio. Meu barco perdeu o jeito e remar no calor pode causar fortes dores na lombar. No braço e até nos músculos da perna. Retirei todos os posteres do Palmeiras, guardei todas as minhas camisetas verdes, todos os jornais e escondi meu passado. Joguei duas temporadas, gritando cada jogador que entrava. Goleiro e zagueiro, fui atacante e com certeza, sempre marquei muitos gols. Até um dia que voltando para casa, um moço usando a camiseta do seu pai, listrada com jeans lavado. Reparei demais e ouvi sua guitarra tocando muito alto. Gritava desesperado falando do escuro e que tinha medo de algumas coisas.

No começo do mês de março aprendi as primeiras notas e resolvi que seria roqueiro de grande estilo. Pessoas voltariam a gritar meu nome pelas ruas e minha biografia seria a mais lida. Toquei nos maiores festivais de todos os tempos e colecionei as meninas mais bonitas da noite. Durante o dia não estudei, fiquei descomprometido com o tempo. Parei de usar relógio naquela ocasião. Erguiam meu corpo até o teto do bar e me jogavam. Ia para frente e voltava. Caia novamente no palco e cantava ódio, libertando cada demônio acumulado na rebeldia de ser quem sou. Na rebeldia de pensar, na rebeldia de expressar. Voavam gárgulas por todos os lugares, dragões e serpentes. Tinha um polvo gigante! E meu pai sempre chegava antes do show acabar. Um dia no meio do Black Jack, lá estava. Amanhã o roqueiro precisa estudar logo cedo. Sem brincos na orelha. Veste o uniforme, estuda até meio dia e dorme depois do almoço. Duas músicas novas no repertório solitário. Leandro veio com uma banda nova e resolvi ouvir. Disse que o estilo era muito parecido com aquelas outras que vínhamos ouvindo. Sem xadrez, mas de calça jeans. Jaquetas pretas e o mundo muda novamente. Definindo em versos o futuro daquele que aprende ouvindo. Não vamos mais falar de amor e a revolução logo acontece. Quero que tenha medo de mim e as mães tinham medo que seus filhos se vestissem assim. Foi tanto sucesso que o efeito logo bateu, subiu e virou fumaça. Esqueci e tive que arrumar um emprego para por em prática à teoria. Quarenta horas por semana, uma hora de descanso e namorada para almoçar no shopping no final de semana. Punk começou a trabalhar e o trabalho veio para atrapalhar.

Meu carro de luxo não saiu da revista e aprendi todos esses caminhos andando, não tenho vergonha de dizer, não tenho vergonha de mostrar. Vejo o sol nascer na mesma direção que todo ser que aqui habita. Decifra em palavras a minha vontade ver para sempre, respirando e aderindo os pecados que forem necessários. No terceiro show da nossa primeira “tour” a banda se desfez. Partiram para um estilo diferente e não topei. Por Deus não vou mudar o meu jeito de falar, por Deus não vou mudar meu jeito de andar. Demorei tanto tempo para chegar a todas as minhas conclusões, não é Narciso que vai persuadir e designar uma forma reta para caber a minha tonteira. Acordei cedo durante uma semana só para ver o mar por mais tempo. Na energia do sol descobri o efeito alucinógeno que nenhuma outra droga já me trouxe. Endorfina pura e acumulo de histórias para contar. Aqui no Paquistão nem tudo é tristeza. Aqui no Chile também há o amor e Venezuela também possui casais que brigam na hora de mudar o canal. No Japão um menino se apaixonou pela primeira vez e decidiu que dali para frente todas as meninas do mundo não teriam mais nexo. No Brasil os povos vão se entender um dia, assim como todos os amigos que decidem se unir para fazer uma festa. Os meninos trazem as bebidas e os salgados ficam na responsabilidade das meninas.

Segundo quilometro de trilha e encontro uma bica d’água. Paro e lavo as minhas mãos, meus pés e meu rosto. Tiro a lama que cobria todo meu pensamento e arranco sem piedade todo peso inútil desse corpo alugado. Entregarei em perfeito estado no momento que devolver para terra. Admiro como acontece. Com um violão no colo agora, cantando só para o teu ouvido “meu amor”. Só para o sorriso que estampa sozinho, maior que um caminhão, elevando meu coração. Meus sonhos de verão e todas as musas que estão espalhadas. Aprecio com moderação, acelero minha vontade, mas correspondo com respeito cada acontecimento. Espero meu futuro da maneira que ele vier acontecer. Aqui no silêncio da minha sossegada solidão espero o próximo ritmo que aderirei, na seguinte tendência. Caminhando para onde for! Levado pelo o acontecer! Acontecerá!


Leo Xavier

12 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte.1 - Milagres de trás para frente

Eita que velocidade violenta
passa e nem comprimenta
Violento esse tempo
não tem amigos
e sempre cai no esquecimento

passou demais e ficou
ficou para trás e desmaiou
sem braço amigo para levantar
bebeu demais e não acordou

quando o tempo passou
mudou de nome, trocou de data
esquentou-se em outro cobertor
de calma fez algum sonho

mas hoje ele não sonhou
conta negativa e cartas fechadas
lembram seu nome só pra cobrar
ligaram e atendi
logo desliguei

desligamento geral de toda nação
meu cérebro se vai
fico para explicar
apago a luz e me retiro

sem indicações procuro emprego
na lista ou no caderno
talvez motivo sincero

mas preciso me renovar

10 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte - Carta ao negligente causador da incompreensível teoria da conduta humana

Um átomo caiu dentro da terceira colherada de açúcar. Adoçava o café então partículas de energia rondaram e foram absorvidas pelo líquido escuro do copo. Dali nasceu vida, ganhou documentos, uma carteira cheia de moedas e fotos de(S) conhecidos. Amigos (?), colegas (?) , semelhantes, voadores ou pensantes, na calma paralela de um dia normal. Dia da semana, sem qualquer coisa interessante a ser pensada, equilibrada entre o normal televisivo e outra obrigação rotineira. Denominado de tempo espaço que tem entre o Um e Outro, TEMPO. Sua cara sempre passa tão rápido que não decoro. Quando a música é complicada demais, danço e esqueço-me de prestar atenção. O refrão vem fácil, mas não me ligo na introdução como deveria. Passou e virou outro mês, ainda nem aprendi a escrever o zero a menos. Carnaval e todos para praia, a cidade fica vazia, cores pelos cantos e pessoas diferentes. O preço do metrô aumentou! Passagem do ônibus mais caro. Evolução acelerada desse mundo louco que caminha de mobilete pela cidade. Jogando poluição na cara das pessoas que escolheram simplesmente respirar. Não pensam, não possuem o hábito, deixaram de lado aquela e preferiu não cantar a outra. Pensar está fora do repertório! Gostoso é viver de sexta até domingo em uma festa, mas incomoda viver a vida como se ela fosse uma festa, irresponsável e rotineiro. Comprometido com as contas do final do mês e pensando em qual colégio vai matricular no ano que vem. Aos finais de semana leva até o shopping, enche a barriga da criança e depois leva para dormir. Feliz!

Queria tanto te ver sem esse cabelo sobre os olhos, deixa de ser tímida e abre um sorriso. De segunda à quarta escolhi usar palavras diferentes para embelezar o vocabulário. Elas trazem em um mapa toda sabedoria e toda qualidade de vida necessária para aguentar correndo rápido até a última curva. Seu pulmão aguenta, é só agradecer. Fazer valer à pena. Sem se preocupar com o nome, sem se preocupar com os dados que lhe foram cadastrados, tudo pode ser esquecido quando quiser. Nenhum problema é problema de verdade. As coisas não são coisas, não somos nada aqui. Faz parte da ilusão, teoria criada e desenvolvida para fazer de conta que está vivendo, está se aventurando e gastando energia. Alimenta-se e ganha peso, passa tempo e o cabelo vai, na beleza vista por outro conceito, pela maturidade dos grisalhos. Encontro meu cosmos espalhado ao infinito, desconectado das veias burras da mesmice televisionada, na quantidade de gols que te consumiu. Nunca estive sozinho aqui e quanto mais o tempo passa, mais perto de você me sinto. Sinto-me ao seu lado. Quando jogo água gelada pelo meu corpo inteiro, dia de sol, dia de calor. Mato verde e montanhas rochosas, cumes elevados e loucuras momentâneas. Quem sou eu aqui nesse mundo louco? Que loucura é essa de querer entender tanto a vida? A culpa não é do culpado quando esse foi pronto e criado para ser, simplesmente, assim.

Não há o que dúvidar e menos histórias para contar, mas na alegria de agradecer, sempre vou agradecer. Sexta-feira! Fico de bobeira! Calção branco e uma camiseta bem leve. Cortei a gola para ter espaço para respirar. Respiro, durmo, respiro e quando enjoar corro atrás dos lobos pela rua e novidade vira realidade. Estender ao topo do mundo, estender todas as idéias que aparecer. Esse final de semana não vai rolar mesmo de mudar as coisas por aqui, estarei com preguiça! Ontem acabou a aula, sai correndo e esqueci minha seda debaixo da carteira, se for pego, com certeza pego uns três dias de prisão, sem televisão, sem game, sem vida, sem nada para fazer. Toda energia elétrica vai ser algo fútil durante os dias de repressão, preso e sem idéia nenhuma. Entre os planetas encontrei só algumas pessoas conhecidas, mas resolvi deixar tudo por lá mesmo. É sério que venho vestido de amarelo, você dúvida? Passa aqui depois das onze, sexta-feira, quase sábado, nem tudo vai estar proibido, quando puder legalizo, te conquisto e vira sábado. Não entendo nada de tempo. Por isso, prefiro, só isso mesmo.

Fala mansinho no meu ouvido, fala devagar, tenta não errar, vem soletrando até concluir, coincidir a beleza de cada palavra, com a leveza da voz que entra e me faz pular, dança comigo, quero dançar, dançar até cansar. Cansar até a noite virar dia e tudo não estar e logo estarei, sem preocupar com quem, sem ter nada para me preocupar. Quando o dia raiar, quando o dia começar, preparo algo para comer, vejo primeira hora correr, não tenho pressa, não tenho no que pensar. Meio dia vem e trás ocupação, motivação, ação. Final do dia me espera na porta, vem com abraço e vamos ver o sol, vamos ver o dia acabar, vamos ver o novo começar, vamos nos amar. Na notória desenvoltura de um ser que necessita sempre estar, estando, estarei, se isso te confundir, não se preocupe, não há o que concluir, não há o que definir em palavras. O simples é simples, pois é simples, se fosse algo diferente do foco central, simples não seria e muito provável, legal inegável! Prefiro o calmo, básico e contável. O lucro não vale a pena também. Estou cheio de pensar, por vez, desisto e amanhã volto e tento concluir.



Leo Tsé Tung

1 de fev. de 2010

#quatrocentosevinte - Verde monocromático e alguns tons de cinza

Vi-te passando pela última fileira, perto das frutas, tropicais. Dia quente perdido no meio da semana, dia sem novidade ou algo que faça realmente sentir que está vivendo um momento especial. Vi-te passando entre o amarelo e o laranja, era verde e seu rosto parecia mais nítido, destacando com brilho o segundo plano, que por natureza, redundante e natural. Decorei de inicio cada detalhe, decorei seus documentos e adoraria saber o nome da sua rua. Encontro em segundos e marco com com dois corações e um recado. Melado e sanfonado, combinado de músicas e coisas para dizer. Caminhando em Londres, junto de um bom café, um fim de tarde, mas não terei voz para retornar pensamentos. Para casa pensando e acordar querendo. Luzes apagadas, presentes, mas corpo se vai entre a multidão e não devoro.


Organizei meu quarto organizando algumas idéias que estavam dançando pelo corredor, tênis fora do lugar e roupas demais brincando fora do guarda-roupa, guardei e na terapia de pensar, continuei pensando. Sei que vai estar na próxima festa, no mesmo verde, na mesma quarta hora e vigésimo minuto. Encontro-te no terceiro corredor, perto do amor do lado das maçãs, vermelho e aquela região.


Andei pensando em dizer algumas coisas, mas não sei bem qual você vai preferir. Se tivesse um jeito de te falar antes, para não cometer mais o mesmo erro de me atrapalhar com o formato das palavras, minha língua se enrola e sai tudo tremido, tenho vergonha, com alguma roupa descolada para esconder a minha timidez e danço quando já estiver bêbado. Não! Melhor não beber demais, quero conseguir acertar o seu nome dessa vez. Respiro fundo, conto até três, se não der, conto até vinte e sei cada passo que tenho para dar, um, dois e o quarto, um pouco diferente, me percebe, adorarei isso! Tenho medo de algumas coisas e ainda tem coisas nessa vida que não fiz. Dormi em algumas férias, joguei vídeo-game, um vício e revistas de assuntos legais. Gosto de cinema e decorei quatro músicas muito legais no violão. Hoje depois do jantar dedicarei e todo mundo vai assistir. De onde estiver, em conexão.


Em dia de promoção levo uma cesta de novidades, levo um pouco de cada assunto que decorei, aprendi alguns por gosto e assisti tanta coisa que terei algo para contar. Fala para sua mãe preparar algo com muito gosto. Chocolates e algo refrescante para brilhar na voz enquanto fala, reflete no sorriso que te faz sorrir, em uma ação que não consta duplo sentimento. Passo do único ao muito amplo, que nem se conta. Ontem enquanto eu lia o roteiro, não presenciei nenhum momento que dizia que o coração ia procurar vida própria, nunca tinha ouvido dizer que ele decora nomes. Apesar de que o seu já escrevi em todos os espaços possíveis das paredes.


Montei com cadarços antigos o caminho da sua casa, prendendo um ao outro. Tem de todas as cores. Alguns mais antigos estão sujos, cinza, amarelado. Prendo cada curva com um prego diferente, martelando, cantando e me divertindo. Desatando todos os nós, descomplicando o que nasceu para ser sempre tão simples. Quando te beijar e sentir que o mundo não tem chão o suficiente para segurar sua vontade de voar, não cabe limite no que pensar, sentir e existir tudo em um só kit de sobrevivência. Sem a proibição, tranco a porta e vejo cada peça que fica, cada nota que soa. Respira dizendo esse nome escrito nesse crachá de identificação, decora minha foto!


Sinto-me tão bem quando sinto as suas cores, me sinto tão bem quando sinto você cantando no vento Leonardo, pedindo tudo de novo. Sinto-me tão bem quando sinto teu nome tocando o telefone, gritando só mais uma vez.

No primeiro dia de aula marquei a minha carteira atrás da tua, dançaremos em julho e podemos até nos casar. No dia que chover, de ponta cabeça tira minha máscara e me da um beijo de cinema, me chama de herói. Escreve meu nome em um pedaço de papel e guarda dentro do estojo, guarda junto com aquele papel de bala.


Com os dois pés na areia quero me apaixonar por você, tochas, pessoas vestidas de branco e um amigo tocando violão. Jorge Ben, algo leve, algo que combine com o barulho do mar, cadenciando, refrão, coral e mais pessoas sorrindo. O clichê todo mundo já sabe e até mesmo critica, mas quando o filme bom acontece ninguém reclama, ninguém acha ruim quando volta com alguém novo dentro da cabeça, quando tem uma conversa que não tem fim, dias que viram noite e noites que nunca deveriam acabar. Entendo da paixão, entendo e não tenho nunca do que reclamar.


Um fino e um fim de tarde, quando o céu estiver dégradé, tons de roxo, amarelo, anoitecendo. Enlouquecer-me absorvendo tudo de bom que o mundo puder apresentar. Querendo, somando, me divertindo e partindo para o lado que brilhar mais o bem estar do dia de amanhã.



Leo Fonseca.

26 de jan. de 2010

#doismiledez - Só um pouco menos sonolento que uma segunda de manhã

Saí com o nariz branco do banheiro, girando, mundo girando. Voltando e participando de um sorriso com os lábios colados. Embriagado, socado de drogas, escorrendo o nariz, disfarça, faz de conta que nada ocorreu e segue para próxima casa do jogo. Coloque seu corpo para dançar, para cima e para baixo. Deixe seus ombros soltos e cai por cima de um desconhecido. Anonimato sorriso novo, sorriso sem nome, proibido da noite. Acende um cigarro e vira o pescoço, mostra o lado de carne que Deus lhe permitiu nesse momento expor com a gratidão dos estranhos olhares. Estranhos lugares! Perdi-me vezes e mais vezes nesse filme, nunca decorei a sequência, podendo dizer que sou um grande conhecedor. O nome da rua continua o mesmo, mas foram tantas casas construídas que não consigo mais me encontrar. Perdi-me mais uma vez e o brilho do seu sorriso conheceu outros braços. Escolho outro nome para preencher a vaga, mas não é do mesmo jeito. Não é a mesma música que toca. Verão não é inverno, estão próximos e acontecem em um pequeno espaço de meses, mas são tão diferentes. O calor não é real e cobertor não dá abraços. Esquenta com um chá, mas não é noitada. Não tem odor e isso te faz falta. Bate frio na barriga no mês de julho, mas é só mais uma queda da umidade. A humanidade se agasalha e conta cada dia que passa. Sem história, guardado, hibernando meses, aguardando encontros em ocasiões básicas. Sem o alarde de uma grande premiação.

Desde então já te dei vários nomes, quando estiver maior, abrirei mão da escolha e deixo-te caminhar. Assisto de longe o tempo passar e não digo na primeira semana que já sou teu e de mais ninguém. Escondo meu medo, escondo minha carência e sou homem forte e robusto. Hora ou outra vou correr, chorarei escondido, mas é assim que faço por entendido, sem ao menos entender nada. Nunca entendo tudo até o fim, cansa o cérebro ser esperto. Preciso ter o que fazer durante algum tempo e para isso há poeira nos móveis. Os cantos, as teias de aranhas que ficaram. O telefone toca com mais uma propaganda, descontos, sorrisos, mais uma estrela caiu e não tive tempo de correr para pegar. O vento levou para longe e são tão curtas essas minhas pernas. Cabe ao mar trazer de volta o verão que já passou, cabe a eternidade explicar o desconhecido. Verso repetido por cantores de outras épocas. Enquanto meu pai ultrapassava a linha de chegada, depois da última reta. Rosto de mãe que comemorava a vida que estava por vir. A vida que está, sendo, desistindo nos dias chatos, mas sempre disposto.

Sua banda não me parece tão nova e esse filme já assisti, sua novidade é meu álbum de figurinhas completo pela terceira vez e não gastaria bombas comemorando, sem menosprezar, sereias não existem. Meus ombros cansados de fazer força, esticados por muito tempo, sem conseguir puxar, sem trazer, sem fazer. Queria entender para onde foram os assuntos, onde estão escondidos os tesouros dos piratas. Comeram os mapas e atiraram seus estômagos aos tubarões famintos. Fome isolou o caminho de ida e impossibilita a volta. Essa piada já foi contada por mais de trezentas pessoas e essa é só mais uma que repete. Não pretendia alterar minha mente para conseguir me apaixonar. Estou sem pressa, saboreando a lerdeza gostosa dos dias perdidos da semana. Sem fé, mas com razão. Não é necessário ter esperança, quando se aprende ver o presente em todos os fatos.

Quando descobrir seu nome, deixo de viver sozinho e aprendo a sair novamente. Viro a cidade e decoro outro caminho. No clichê daquele que vive, no clichê daquele que não sabe ainda. Soletrando posso fazer de conta, mas ainda tenho muito que aprender. Esqueci metade das notas da canção, ando ensaiando, ando cantando pelos cantos, mas ainda não está pronto. Show acontece só depois dos ajustes finas. Antes disso, vou ensaiando viver a vida.

Molhe atrás da nuca e ande descalço

Sinta-se bem, estando bem.



Leonardo Fonseca