14 de fev. de 2011

Madre.










Mas que saudade que deu,
gritei teu nome pela casa e ninguém apareceu
Era da toalha que estava precisando,
achei que resolveria gritando
Mas sopro de eco falso desceu com os meus dois pés no chão
Lembrando que hoje só posso ter gratidão

Virou lembrança de aniversário de criança
Bolo de chocolate e preocupação
Trazendo em uma vela esperança
Mesmo derretendo dias no fogão

Era mãe, era pai, era tudo
Dona de cada detalhe que hoje habita o ser
Foi sentindo sua falta que aprendi a crescer
Justificando com sua ausência  
Cada passo que foi dado

Controle subjetivo das falhas denotadas no caminho
Percorro no samba de alguém que joga pra lá
Vontade ainda tenho e aos montes
Sigo focado com a força de gigantes

No meio do espetáculo, rendeu-se e parou
Denotou meia dúzia de coisas
Contou o sorriso que faltou
E lembrou-se das rosas

Partidas entre o tempo que não obedece
E os meninos que pisam afoitamente o nosso jardim
Da mente que nunca esquece
Que mesmo com todos os problemas daqui

Você nunca sai de mim.








Leo.

10 de fev. de 2011

#MUNDODALUA - Noções básicas de direção.


Destronado no centésimo giro, registrando a distancia que o separava do solo terráqueo. Soletrando palavras ditas em um passado recente. Pensar nunca foi um problema, mas quando esse ganha muito tempo e espaço, começa a caçoar seu estômago e vira preocupação de energia não pró-ativa. Circulando em suas veias sem motivo algum, deliberando sensações que mereciam motivo maior. Para os dois caminhos há sempre um pé para começar andar. Das divergências entre o correto e o satisfatório. Circular entre tempos parecidos faz com que conclusões sejam tomadas sem o risco da negação fatal. Viciado em cenas parecidas.

Colocava seu corpo para sobrevoar a falta de gravidade do recinto. Enquanto sentado entrou em sono profundo. Quando passou da segunda hora dormindo, caçoando entre sonhos que passavam tão rápidos. Cores apareceram de uma forma brusca, formando triângulos e pêndulos deformados. Pessoas sorridentes e rostos conhecidos. Do colégio onde estudou até as vontades que nunca foram assumidas com gritos maiores. Percebeu então outro lado do espectro, enxergando particularidades despencou seus olhos e soprou com força um susto muito grande.

- Calhou a vir, mas logo percebi que sim. Da África que faz calor e dos nórdicos que ligam bem pouco para existência do Sul. Colocaram nomes e padronizaram todas as cartas enviadas. Ditando Data e Sobrenome para o Remetente. Distorcida essência da praticidade do hábito. Uniformes para exemplificar o Clero. Dia certo para chamar de Amor. Conexões parecidas do drama daquilo que deveria ser guiado por uma onda invisível e não por refrões colantes. Calhou a vir, mas percebi. Percebi tão longe quão desnecessárias são as paredes desse escritório. Da real distância que existe entre o mar e a existência humana. Tudo perto, mas de tão difícil acesso, quando o mais do que necessário é viver e existir. Quando todos deveriam optar em simplesmente acariciar a sua presença entre os outros terráqueos, todos batem cabeça, enfileirando seus corpos por motivo algum. Decifrado em códigos de barras que dizem a Cruz psicológica que abriga cada ser. Chamam tudo de vício, para descartar a possibilidade de não se preocupar só com isso. Esclarecem entre os Pais que as notas são representantes da real avaliação que seus filhos devem ter durante a infância. Que o entardecer só serve para bater o cartão e reclamar tão nojentamente de uma quarta-feira, quando essa tem o mesmo sabor de um sábado a noite. São pontos de vistas.

Ao final da anotação, voltou ao sono pesado. Como copo d’água que te traz novamente a sonhar. E a espaço nave seguiu fixa seu caminho, já fazendo efeito da sua missão. Pensar e perceber a dimensão dos verbos, controlando em gerúndios o telemarketing que te cobra todos os dias assinatura de uma conta que só te faz perceber a superficialidade de basicamente tudo. Caminhando entre os quartos com todas as luzes apagadas, percebo cada peça que foi deixada fora do lugar. Tropeçando e relembrando cada erro e acerto. Cada polegada do invisível a percepção básica. Desorganizar para depois achar o ponto certo.

Diagnosticado em um hospital qualquer, denominaram “Infecção Alimentar” e assinou um atestado, habilitando a possibilidade de folgar durante uma semana. Esquecendo do tempo que para a falta de produção de novidade ali. Mas estava mais distante do que horas atrás. Sobrevoava o clichês da nossa galáxia. Anéis de Saturno e o Vermelho de Marte. Sem cometas e príncipes acoplados em caldas fumegantes. Era o bruto do espaço. Didaticamente dito como tudo que colocaram nos livros. Lógico que a imagem em alta definição te mostra canais de cores que o impresso não permite. Deixa de lado toda explicação e mostra o lado prático da ação. Faltavam muitas horas para Espaço Nave chegar ao novo rumo. Sobrava tempo para tudo que fosse possível, sozinho.

Levantou e preparou um café bruto, com três colheres cheias de pó. Quatro fatias de um pão qualquer e tentou conectar-se, mas a freqüência estava muito baixa para que o sinal surtisse efeito. Se estivesse na Terra, perderia seu tempo com algum telefone gratuito e alguém em seu primeiro emprego tentando te fazer ser educado enquanto seu serviço não atende de forma adequada. Pura Perda de Tempo. Deixou de lado e foi ler.

Platão, Sócrates, Religião, Saramago, Ghandi. Tradições, civilizações e Sufismo. Instrumentos de Sopro e criação em longa escala de galinhas para o abate. Copas, Reis e Valetes. Serenidade e Persuasão. Atingir a liberdade para pensar é pensar em tudo ao mesmo tempo. Ver Esquerdo e Direito como uma mão só e só caprichar melhor quando te exigirem, mas até então, lutar por si só nessa conclusão. Várias opções e uma só trajetória para adotar.

- Proclamando independência atearam fogo em Roma. Destruíram Paris e atearam duas bombas em Nagazaki. Revoluções Francesas, Inglesas e da Industrialização da Vida humana. Encaixando padrões de como se deve gastar o dinheiro doado pelo sistema. Suor de uma partida de futebol patrocinada por grandes marcas que pouco ligam como são feitas as suas orações. Contrário sentido oposto de um mesmo que é raro. Levantaram mastros com bandeiras. Estranho demais essa necessidade humana de usar crachá para tudo e não questionar. Do corte de cabelo justificado, do rosto que já pré-define antes mesmo da paixão acontecer. Se vissem daqui o que vejo, perceberiam o tamanho de tudo isso e quantos sonhos cabem por metro quadrado. As tentativas de viver a vida custam realmente muito caro, nos foi dado sem aviso prévio a possibilidade de nascer, crescer, envelhecer e depois deixar de existir, ainda assim. Pensam em como cicatrizar a eternidade em um dia só.

Com um pedaço de papel na mão. Só isso.


Oxigênio vira sangue e cabe então acreditar nos sentimentos e nos jogos que são perdidos, mas tão necessário quanto cada sorriso de criança que acaba de perceber a graça de estar aqui. Participando como gigante de algo que pode sempre ganhar uma proporção maior do que tudo que já absorvi até agora. Existir, viver, perceber, concentrar, conectar ao que vale a pena e dar boas risadas. Tudo isso antes que o dia vire noite.

Assim as horas foram passando.



...continua


Leo Fonseca

4 de fev. de 2011

#MUNDODALUA - Primeiro Passo para direita.

Decolou pontualmente enquanto doidos serviam chá. Suas esposas desesperadas arrumavam as golas de seus filhos, que ali apostos preparavam olhares para as nuvens que partiriam no primeiro contato com o Foguete do Um Só que da Terra sairia. Carregando um único tripulante. Astronauta de carreira, respeitado. Reconheceu que não haveria forma melhor de pensar só, do que estando distante do mundo.

Ao toque dos últimos gongos, bocas se abriram e uma menina de cinco anos começou a chorar. Na partida do pai, pensou em todas as cenas possíveis. Sem coração, partiram uma salva de palmas para a decolagem. Reverenciando a primeira ida, da janela quem pode ver, percebeu acenos tristes, querendo estar ali, mas não podendo. Separado por diâmetros frios de um vidro qualquer. Cinco passos e um abraço uniriam esse calor.

- Ei Terra, oito pés de altura nos separam e preparando para dizer Adeus aos pés que estão no chão. Dedico essa viagem aos necessitados de paz interior. Acolhendo no espaço, espero vagar e relembrar meus erros e reparar mais. Simplesmente ouvir. Por favor. Aplausos.

Foram estonteantes aplausos cronometrados em quatrocentos e cinqüenta segundos, contados um a um por um relógio preto. Descarado, ao fim, parou de contar. As mãos latejando diminuíram as notas vagarosamente. Os garotos foram com seus amigos brincar pelo pátio, enquanto seus pais se cumprimentavam. Um Só seguia para o Norte, sempre o Norte.

Extraindo fragmentos terrenos, a esfera foi ficando. Quando logo ali virou paisagem, logo ela, dona de todos os mundos pequenos das nossas cabeças. Do supermercado e da sua vizinha que largou o namorado. Azul, verde e pontos de luz. Pirâmides do Egito. Cheques pré-datados, Seguro do Carro, Imposto de Renda. Oceanos e maremotos sentimentais. Namorado que não ama namorada. Quando só se avistava Luz, o ali presente Astronauta resolveu dizer.

- Todos os problemas parecem menores daqui de cima.

Calou por cinco segundos, enquanto marejava sua retina. Ludibriado, resumiu.

- Cesane diluiria suas tintas e espalharia ao máximo, formando as luzes. Caravaggio com dois holofotes faria cinema. Einstein uma nova Rede Social e para cada um, só “Tudo Bem” responderia. Diluindo refrões para caber na programação. Resumindo versos para adentrar na história de maneira privada. Burocratizando a aparição de novas idéias. Como se a vida fosse uma empresa de Canais Pagos, onde você escolhe toda a sua grade de acordo com o seu nível de aceitação da esfera.

O Foguete agora parecia um lápis solto em uma piscina Olímpica. Cada vez menor. Iluminado por Leds e estrelas em tamanho real. Mais forte do que os postes da Avenida Principal. Seguia rumo ao desconhecido. O Astronauta levava consigo um roteiro, mas este estava em branco. Em tese, desejava perseguir aquilo que o tempo propor e desvendar a charada proposta. 

Percorreu um centésimo de tempo estelar e nada de novo aconteceu.

- Passando os canais perdi você e não tive tempo de voltar. Fora do horário, almocei tarde em todos os dias e ganhei no lucro uma gastrite. Ponderando colheres de açúcar para sofrer parcelado. Estranho essa somatória terráquea, quando a sua única obrigação é pensar. Velejar contra as estrelas, enquadrando horizontes com todas as luas possíveis. Mesmo assim. Sem a graça do contar, pretérito perfeito perde a graça. Esquece-se e perde um monte de assinatura velha de revista. Tudo no canto ali acumulado e nada para contar.

Discorreu assuntos leves sozinho para não afunilar de uma vez só todas as palavras que te lecionaram. Sílabas enfileiradas para uma tarde inteira, depois outras para o tempo que vier. Assim fez a primeira sensação. Remando por dias, sentiu o coração apertar. Com cadarços largos, entendeu bem pouco o que se passava. Destoando os compassos. Calado por dias, resolveu seu primeiro assunto dizer.

Dias antes de Marte, Astronauta descreveu assim.

- Será que sente como homem só sem parceria para guiar? Na medida do possível preciso conversar, espalhar palavras pelo alto para enlouquecer aos poucos. Dançando pelos cantos percebi que até a música perde a graça. Contei piadas pelos corredores e sai correndo atrás de todos os Ecos, malvados partiram para outro canto. Bateram a porta e impediram amizade. Reuniões ao fim da mesa e sociedade em pane. Preciso dizer e não tenho há quem.

Mas antes que fizesse presente o medo do fato, percebeu-se atmosfera vinda de uma pequena esfera. Repleta de furos parecidos com nádegas de repolho. Para baixo, superfície plana possibilitou aterrissagem com segurança. No piloto automático encaixou-se. Soltou fumaça e quando estabilizada, deslizou a porta, dando passagem a quem vinha de dentro da Espaço Nave.

Duas pegadas foram o suficiente para perceber que estava na Lua. Olhou ao redor e reparou em todas as voltas da circunferência. Em meia hora completaria uma volta, mas estava com preguiça. Deu mais duas pegadas e se deparou com movimentos à Oeste. Perto da Vila Madalena. Entretido com o que seus olhos perceberam, guiou sua vontade em conjunto da sua curiosidade e foi. Indo sem contar passos, percebeu mais uma série de movimentos e já algumas siluetas. Tem grande e tem pequeno. São duas formas. Caminhou mais um pouco e já com a possibilidade de denominar tais figuras. Percebeu um senhor usando ferradura enferrujada e um Alazão, magro, com pêlos ralos espalhados pelo corpo.

- Salve Jorge, és tu que eu sei. D’onde foi parar sua dignidade e a prosperidade do teu ser. A cor verde e o vermelho que te desenha. Onde foi parar a força do mito? Explicaria como essa seleção próxima de argumentos?

Ergueu um pouco a cabeça e o senhor postou a dizer.

- Denomina como queres a capacidade de contar uma história repetida. Percebe muito pouco o rosto de alguém que já sofreu com a partida. Da intenção de guiar uma reciprocidade gerei meu próprio conceito de solidão. Religiosamente percebo a carência. Falta sopro para erguer essa vela e partir para normalidade mundana. Já perdi as forças para futilidades. Para o Sol que só esquenta e para Lua que deixou de apaixonar. Despercebidos não miram mais sua fé para o desconhecido. Preferem projetar em suas contas bancárias e balancear os custos em pró de um aparelho novo de barbear. Diminuindo a chance de fazer com que todos vejam seu rosto abandonado, cheio de pêlos, declarando a velhice que chega e ninguém consegue impedir. Lá se foi meu Dragão e nem tive tempo de perceber. Solidão mata aos poucos.

Nostalgia, sem danças e coreografias.

- Percebo com mais calma a imagem que me tanto assusta. Salve Jorge o Meu guerreiro, com uma cartucheira quebrada sigo numa mesma. Aplicando conceitos, encaixando como peça. Caberia se houvesse um tamanho indicado. Mas ao esquecer preferi definir algumas coisas úteis e me perder pelo espaço para desencanar.

- Venço a falha de estar vivo e sobreo, mas esqueceram de garimpar vossos corações e clarear as tuas vistas. Abandonam seus reinados e depois cobram melhorias. Gritam por justiça, mas atiram no primeiro inseto que rodear. É injusto em ambos os sentidos. Qualquer segmentação vai te fazer mal depois de um tempo. Adianta limitar algumas coisas, mas a conclusão é uma só. E mesmo assim, ninguém teve coragem de perceber. Por isso estou aqui, sem meu Dragão que partiu, Meu pobre cavalo e a chance de pelo menos se esquecer do dinheiro ouvindo o universo. Sem reclamações e SPC.

Antes da última consoante o Astronauta já mirava de volta seu corpo para o estacionamento. Sua presença afetava diretamente o acontecimento, então preferiu partir.

Em poucos segundos levantou o foguete dali.

E por alguns dias, teria muito sobre o que refletir.


.. continua





Leo Fonseca

27 de jan. de 2011

Astronauta.

 
A primeira visão foi de repente um grande azul em tonalidades diferentes. Pontos de verde espalhados e pegadas de gigante. Sentia falta, mas preferia distanciar ainda mais, deslizando estrelas apaixonadas jogadas pelo teto, voando baixo. Caminhou de braços para o alto sem preconceito algum.

- Ali embaixo a minha Terra. Sentindo falta daqui, mas tão violento, prefiro só assistir, sem a necessidade de escorregar e caminhar com as pernas para trás, entortadas pelo gesso pesado de uma vida toda que não passa e enquanto filmam jogam cenas que dizem ser reais, mas estão bem longe da tal notoriedade.

Depois que a segunda torre se rompeu a crítica foi maior, mas a percepção continuou a guiar o menino e sua visão do azul, que lá de cima só refletia paz. Momento perfeito de estabilidade onde toda possibilidade cria uma piada.

- coloque todos os fatos enfileirados e comece a denotar todas as astucias do mundo moderno. Coletando nada em fileiras de supermercados e declarando os bens que ficarão em gavetas. Do lado do mato que vai abrigar parte dos seus ossos, quando esses não viram pó e como tudo, só poluem. Soltando fumaça pelo chão, carburando demais, se preocupam com sorriso alheio e definem em nomes curtos a beleza dos seus semelhantes. Sem perceber o rombo da sua calça, percebe demais aquilo que tanto faz.

Três dias de discussão não valem a pena no final da novela. Partindo do principio que o peso da mochila dobra, valor algum pode assumir a primeira colocação. Sem balanças para erguer aquele que pesa mais. Abstraindo as necessidades, são tantos supérfluos que não aprendeu a se comunicar. Levantou todos os fundos e tirou todas as contas do vermelho, mas deseja ser um avestruz quando vento chama por seu nome.

- falta de assunto vira besteira desenfreada, exagerada, hospitalizada por palavras que nunca deveriam sair de onde estavam. Ficar calado é válido, espantar também. Canalize sua força para que tenhas forças. Eduque sua arrogância e transforme em poder de cura. Rebobine e vá pelas arestas do canto direito, passando pela esquina, deixe um recado que logo passo para relembrar.

Daqui do alto gira sem problema, sem imaginar lá embaixo.

Mas me cura com calma.

Que há


Leonardo Fonseca

Prática desordenada desse tal que ninguem vê


De perto pareciam poucos, avistados um a um, sobre cada pancada que levava no rosto. Nesse momento fui espatifado por valentões que me jogaram com força ao chão. Maldade pura injetada no tédio da televisão brasileira. Acorrentaram-me e gritaram babaquices acumuladas em adjetivos cabisbaixos. Proporcionada por uma bola que atravessou o campo errado e deu tiro de partida ao já pré-proclamado assalto fumegante da falta de motivo.

Meu uniforme ficou sujo e já não bastava humilhação, pentelharam tentando desenterrar mentiras da boca que sangrava muito. Umbigo fora do Meu não enxergas, mas percebe a necessidade de dividir a culpa, criando ponto de tolerância entre os atos hediondos, forjados por hora. Mas longe disso, caído ali. Pedi para levantar e ao menos permissão para continuar sem entusiasmo, por pura precaução.

Surgindo com eficaz daquele que se atrasa por não viver a sincronia de uma edição. Menina chegou com seus cabelos escuros para apartar. Apontando o dedo no rosto e dizendo com força que não haviam certos ali. Cortes não são soluções, gritos não afagam a carência suprida por um soco. Empurrando, apartando. Logo controlou o descontrole dali.

Encaixando peças ponte agudas, entre caixas e lembranças. Agulhas e tecido antigo. Foi só se acalmar que tudo parecia transbordar de volta ao caminho do bem. Dedicando notoriedade a simplicidade de não ter o que fazer por uma tarde. Fragrâncias espalhadas pela casa, junto dos fios que se espalharam com o tempo, desviando o foco, sugerindo novos pontos de visão. Acalmando o grito que ali devia descansar para repor.

A geladeira está vazia e encontrei problemas no vazo.
Menina dançando desconsiderou o resultado
Descalibrou os pneus e preferiu contar com a sorte
Girando curva atrás de curva

Sem interromper
Passando os canais devagar encontrei
Já era tarde ou quase final

Colaborando na reposição do contraste
Aplicado em tons de cinza
E esse novo conceito

Cortes rápidos e compreensão.

Para por fim

Não ser compreendido.


Leonardo Fonseca