Destronado no centésimo giro, registrando a distancia que o separava do solo terráqueo. Soletrando palavras ditas em um passado recente. Pensar nunca foi um problema, mas quando esse ganha muito tempo e espaço, começa a caçoar seu estômago e vira preocupação de energia não pró-ativa. Circulando em suas veias sem motivo algum, deliberando sensações que mereciam motivo maior. Para os dois caminhos há sempre um pé para começar andar. Das divergências entre o correto e o satisfatório. Circular entre tempos parecidos faz com que conclusões sejam tomadas sem o risco da negação fatal. Viciado em cenas parecidas.
Colocava seu corpo para sobrevoar a falta de gravidade do recinto. Enquanto sentado entrou em sono profundo. Quando passou da segunda hora dormindo, caçoando entre sonhos que passavam tão rápidos. Cores apareceram de uma forma brusca, formando triângulos e pêndulos deformados. Pessoas sorridentes e rostos conhecidos. Do colégio onde estudou até as vontades que nunca foram assumidas com gritos maiores. Percebeu então outro lado do espectro, enxergando particularidades despencou seus olhos e soprou com força um susto muito grande.
- Calhou a vir, mas logo percebi que sim. Da África que faz calor e dos nórdicos que ligam bem pouco para existência do Sul. Colocaram nomes e padronizaram todas as cartas enviadas. Ditando Data e Sobrenome para o Remetente. Distorcida essência da praticidade do hábito. Uniformes para exemplificar o Clero. Dia certo para chamar de Amor. Conexões parecidas do drama daquilo que deveria ser guiado por uma onda invisível e não por refrões colantes. Calhou a vir, mas percebi. Percebi tão longe quão desnecessárias são as paredes desse escritório. Da real distância que existe entre o mar e a existência humana. Tudo perto, mas de tão difícil acesso, quando o mais do que necessário é viver e existir. Quando todos deveriam optar em simplesmente acariciar a sua presença entre os outros terráqueos, todos batem cabeça, enfileirando seus corpos por motivo algum. Decifrado em códigos de barras que dizem a Cruz psicológica que abriga cada ser. Chamam tudo de vício, para descartar a possibilidade de não se preocupar só com isso. Esclarecem entre os Pais que as notas são representantes da real avaliação que seus filhos devem ter durante a infância. Que o entardecer só serve para bater o cartão e reclamar tão nojentamente de uma quarta-feira, quando essa tem o mesmo sabor de um sábado a noite. São pontos de vistas.
Ao final da anotação, voltou ao sono pesado. Como copo d’água que te traz novamente a sonhar. E a espaço nave seguiu fixa seu caminho, já fazendo efeito da sua missão. Pensar e perceber a dimensão dos verbos, controlando em gerúndios o telemarketing que te cobra todos os dias assinatura de uma conta que só te faz perceber a superficialidade de basicamente tudo. Caminhando entre os quartos com todas as luzes apagadas, percebo cada peça que foi deixada fora do lugar. Tropeçando e relembrando cada erro e acerto. Cada polegada do invisível a percepção básica. Desorganizar para depois achar o ponto certo.
Diagnosticado em um hospital qualquer, denominaram “Infecção Alimentar” e assinou um atestado, habilitando a possibilidade de folgar durante uma semana. Esquecendo do tempo que para a falta de produção de novidade ali. Mas estava mais distante do que horas atrás. Sobrevoava o clichês da nossa galáxia. Anéis de Saturno e o Vermelho de Marte. Sem cometas e príncipes acoplados em caldas fumegantes. Era o bruto do espaço. Didaticamente dito como tudo que colocaram nos livros. Lógico que a imagem em alta definição te mostra canais de cores que o impresso não permite. Deixa de lado toda explicação e mostra o lado prático da ação. Faltavam muitas horas para Espaço Nave chegar ao novo rumo. Sobrava tempo para tudo que fosse possível, sozinho.
Levantou e preparou um café bruto, com três colheres cheias de pó. Quatro fatias de um pão qualquer e tentou conectar-se, mas a freqüência estava muito baixa para que o sinal surtisse efeito. Se estivesse na Terra, perderia seu tempo com algum telefone gratuito e alguém em seu primeiro emprego tentando te fazer ser educado enquanto seu serviço não atende de forma adequada. Pura Perda de Tempo. Deixou de lado e foi ler.
Platão, Sócrates, Religião, Saramago, Ghandi. Tradições, civilizações e Sufismo. Instrumentos de Sopro e criação em longa escala de galinhas para o abate. Copas, Reis e Valetes. Serenidade e Persuasão. Atingir a liberdade para pensar é pensar em tudo ao mesmo tempo. Ver Esquerdo e Direito como uma mão só e só caprichar melhor quando te exigirem, mas até então, lutar por si só nessa conclusão. Várias opções e uma só trajetória para adotar.
- Proclamando independência atearam fogo em Roma. Destruíram Paris e atearam duas bombas em Nagazaki. Revoluções Francesas, Inglesas e da Industrialização da Vida humana. Encaixando padrões de como se deve gastar o dinheiro doado pelo sistema. Suor de uma partida de futebol patrocinada por grandes marcas que pouco ligam como são feitas as suas orações. Contrário sentido oposto de um mesmo que é raro. Levantaram mastros com bandeiras. Estranho demais essa necessidade humana de usar crachá para tudo e não questionar. Do corte de cabelo justificado, do rosto que já pré-define antes mesmo da paixão acontecer. Se vissem daqui o que vejo, perceberiam o tamanho de tudo isso e quantos sonhos cabem por metro quadrado. As tentativas de viver a vida custam realmente muito caro, nos foi dado sem aviso prévio a possibilidade de nascer, crescer, envelhecer e depois deixar de existir, ainda assim. Pensam em como cicatrizar a eternidade em um dia só.
Com um pedaço de papel na mão. Só isso.
Oxigênio vira sangue e cabe então acreditar nos sentimentos e nos jogos que são perdidos, mas tão necessário quanto cada sorriso de criança que acaba de perceber a graça de estar aqui. Participando como gigante de algo que pode sempre ganhar uma proporção maior do que tudo que já absorvi até agora. Existir, viver, perceber, concentrar, conectar ao que vale a pena e dar boas risadas. Tudo isso antes que o dia vire noite.
Assim as horas foram passando.
...continua
Leo Fonseca
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