19 de fev. de 2011

#ALEATORIO - Bula

Praticidade, preocupação, adaptação e liturgia. Sopro, coração, afagos e estranha solidão. Após a meia noite do sábado. Cansado, cantou até onde pode, mas dali para frente parecia loucura. Abasteceu o carro e foi até o monte. Era possível observar toda a cidade dali. Luzes espalhadas aos montes, cabiam em livros grossos as imagens somadas. Se essas coubessem em páginas, fotografia enquadrada. Seu rosto pelo quarto e um pouco de imaginação. Era eu e mais ninguém, na confusão de bens e na separação daqueles que não se entendem mais. Com o tempo tudo vai. O que é tudo? Não sei, nunca tive para saber, estranho, mas é a pura verdade.


Leo-nardo

#ALEATORIO - Lista de Supermercado


Se for pedir demais, quero só canção na beira do ouvido para acalentar a exatidão do pulso que se alterou por abuso de álcool. Caído deixou de amar por quatro semanas e depois voltou para a órbita sossegada que lhe permite respirar como devido. Sabe de nada não. Se soubesse antes, teria escrito um livro de Auto Ajuda para conciliar os casais que se perdem em Shopping Center. Deslocados entre lojas de sapatos e o supermercado lotado. Fila do caixa rápido diz que mais de meia hora vão perder. Não há perda de tempo quando estou com você.

Fiz uma piada e entregou a cova do seu rosto, deixando com cara de boba. Olhava para baixo, consumida pela vergonha de sentir seu coração apertar seu tecido nervoso. Sentido as batidas em ritmo diferente. Estava tão contente que admirou como pode. Sem controlar foi deixando tomar conta do seu corpo e antes do final do segundo tempo, já parecia flutuar.

Distante do meu Planeta Terra, as cores ficam estranhas. Não é carência. É a sua ausência, física, colateral, admirada ao acordar e só escondida quando fecho os olhos e desisto de permanecer acordado. Pois é bom demais saber que tudo estará ali, pronto para não se esquecer em uma manhã seguinte. Não é loucura. É só você e nada mais.


Assim que eu penso.


Leonardo Fonseca

18 de fev. de 2011

#MUNDODALUA - Velho conhecido Planeta Terra

Dias sem perceber a presença foram passando aos montes. Quando caem as folhas do calendário desordenadamente, percebendo bem pouco a evolução dos fatos, com a cara igual que passa de um turno para o outro. Heróis ilustrados em passatempos digitais. Percebeu o grau da ausência no decorrer do espaço. Literal, perceber-se que o vazio da falta de gravidade faz mal ao coração. Faz com que as notas saiam do verdadeiro motivo e as dúvidas pairem pelo ar. Colocando as necessidades em colunas na vertical. Conheceu um pouco a si nesse tempo todo. Fatores bons sempre são sobressaltados na avaliação daquilo que já foi.

Quando não há novidade, dificilmente encontra-se concentração. Estava ali a sobrevoar reprises. Então resolveu pegar um mapa mais específico e decifrar a rota que percorria. Extrema burrice não ter feito isso horas atrás, mas como para frente sempre segue. Assim foi. As correntes sempre levam para o caminho de ruas parecidas, muito duvidosas quando a diferença da esquerda para direita está em sua frente. Quando é virar ou continuar reto. Há muitas contramãos espalhadas pela pista. É só virar errado e isso te leva para quatro quadras a mais no custo da gasolina. A rota ainda fazia muito sentido. Eis assim a brilhante idéia do nosso astronauta foi mergulhar em mais uma hora de cérebro desligado.

A nave possuía cabines onde o comandante podia relaxar enquanto a rota seguia em piloto automático. Havia oxigênio suficiente para adequar posição de dormir confortável para uma noite estável. Sem dores posteriores. Programou no painel ao lado. Oito horas seguidas. Era o suficiente para desencanar da solidão enquanto o caminho permanecia reto.

As horas foram seguindo uma atrás da outra, como de costume, sem motivos para gastar linhas. Seguindo em frente o mesmo parecia repetido de quadro para quadro. Fazia tanto silêncio que um pingo caído pareceria rebeldia de um mar inteiro. Corações quietos recebem as devidas freqüências em siglas complexas. Tão complexo quanto aquilo que estava por vir. Estranho decifrar dificuldades em palavras. Mas veio tudo a tremer. Balançar muito.

Logo soou o alarme com muita força. Mas sono pesado, consumido, não fazia com que seus olhos voltassem para acalmar a situação. Foi então que tudo veio a tremer mais. Chacoalhando como brinquedo de parque antigo. De praia. Daqueles de montanha-russa que tem história para contar. Girou e conheceu o mar antes dos quinze anos. Apaixonou-se e feriu meia dúzia de corações despreparados. Se a imensidão do universo não fosse escura, poderia descrever o que se observaria ali, mas sentido nunca fez parte desse catalogo de compras. Então tudo veio a balançar com muito mais força, o suficiente para deslocar a medula.

Silêncio.

Ao fim da freqüência a exatidão da calma voltou a fluir. Como as ondas mais calmas que massageiam as nossas costas. Fluindo como hidromassagem, mel e sabores rupestres.  A normalidade tomou conta e por desvio do relógio ele acordou. Abriu os olhos com pressa de ver a vida e desativou tudo que lhe prendia a cabine da soneca. Remando partiu sem fôlego para cabine mestra. Onde as manivelas de uso da nave foram postas. Por mais uma brincadeira do destino, o cedo se tornou tarde e no segundo choque percebeu que faltava pouco para colisão ao solo. Sua residência espacial estava a segundos de espatifar seu resido sólido em contato do chão. Com toda força tentou controlar os movimentos para afagar a possibilidade de não existir mais. Deu certo, acalmou o motor, interrompendo a velocidade, mas sem diminuir a vontade de desintegrar com o choque ao solo. Machucou algumas árvores e chegou perto de uma baía. Região portuária de água mais escura. Sem machucar nenhum corpo presente, graças à sorte. E essa queda fez reflexo virar sono repentino e com toda força, nosso companheiro apagou. Segundos apenas, mas suficientes pela segunda vez em menos de dois instantes. Ao choque final, na última derrapada após a queda. Levando tudo que rodeava, a luz tornou a cair.

O silêncio predominou dois dias, quando os olhos voltaram a se abrir. Percebendo mais uma vez que permanecia vivo, como de costume. Sentindo cada parte de seu corpo, demorou alguns minutos para levantar e perceber mais coisas ao seu redor. Primeiro um movimento, outro que puxa, alongando e esticando até fazer sentido ao músculo. Cumprindo a tarefa física, levantou. Tremeu um pouco a base, mas demorou muito pouco para exercer total função. Estava tudo pela metade, a colisão trouxe o que não precisava, mas sem segunda chance. O que lhe restou então era sair dali e ver, observar, conhecer.

Era uma praia, ondas calmas. Canonizadas pelas pedras gigantes que formavam a região. Familiar, porém distante. Há de existir semelhança entre qualquer órgão que se alimenta de oxigênio. Os irmãos por lógica se parecerão muito. Praia calma e de pouco movimento, sem vozes declamando sílabas soltas. Foi demarcando pegadas na areia e percebendo os arredores. Ainda de capacete por não saber se algo tóxico predominava, para segurança de trabalho e cautela sob-humana. Pensava em respirar com calma para economizar, quando um menino de verde pintou girando sete nuvens ao céu. Exatos como números primos. Selecionados a dedo entre aspas que camuflam o sentido certo. E a presença assustou coração que já batia alucinado, deu trabalho para controlar a respiração e a fazer a calma permanecer estável.

Nem adiantou acalmar, que antes de finalizar o pensamento, deu dois passos para frente e demonstrou estranheza naquilo que acabara de perceber. Como era de se esperar, novidades sempre contagiam, cada qual com seu sentimento deslocado para ali. Com os olhos arregalados percebeu que o menino voador havia parado em sua frente. Com cara de esperto e sobrancelhas inclinadas, abriu sorriso de boca torta. Daria medo, mas a calma das suas cores desencanava e cicatrizava o corte. Tão pouco medo que entendeu quando o menino pediu para que tirasse o capacete, sem desdém obedeceu, como amigo que indica o melhor lado a percorrer. Com menos lombadas, para desfavorecer menos os carros com suspensão mais baixa. Seu nariz encontrara oxigênio e foi o motivo final para acalmar, suficiente para ouvir o menino de verde dizer.

- Que te faz aqui tripulante de nave estranha. Pregos espalhados por fora e por dentro. Geladeiras e portas sanfonadas, quanta estranheza nessa decoração e demarcação de espaço. Tão arrumadinha para cair por aqui, não acha?

- Petulante perguntar, interessante se preocupar. Mas era dali que vinha, sei menos que tu o que me trouxe até a colisão. Até o encontro com o chão e partícula que foi-se por ares adentro. Entendi tão pouco, então estranho encontrar uma resposta. Organizaram assim, mas queria mesmo te dizer.

Retorcendo o nariz, o menino de verde tentou decifrar a poesia dita, tornou a pensar para entender. Mas fazia pouco sentido, tão suficiente para acumular mais dúvida do que resposta.

- resumindo para não cansar. Está perdido aqui não é?

- Sim, mas acabo de fazer de suas palavras o maior motivo para sentir falta do meu coração. Que sozinho não faz sentido bater. Conclusão estranha. Fez muito sentido tudo isso. Perceberia melhor tudo aquilo que acontecia se parasse e desse total atenção. Média atenção realmente nos leva para o caminho as avessas. Está tudo errado e tem círculos demais espalhados por essas retas.

- Sua paciência assusta aquele que te ouve pela primeira vez, aborreceria individuo que te recebesse com flores, mas não cabe o julgamento para aniquilar as dúvidas da exatidão. Deixa com muito medo enquanto pronuncia, vem sem calma, vem dizendo, mas vem atropelando, ao contrário do que deveria ser a calma de estar representando o necessário.

- já disseram-me que deveria dizer com menos agressão verbal, mas mastigo muito rápido todas as idéias, eis que parece falta de educação, não há culpa. Mas mesmo assim, perdão! É pouco, mas não queria assustar, ao mesmo que não gostaria por nada de me encontrar perdido.

Na segunda retorcida e cortada com os olhos, o Astronauta acreditou que estava agradando muito pouco. Quente demais para calma que pedia o momento. Respirou de forma organizada, circulando como devia. Sabia pouco o que perguntar, por que havia muitas dúvidas acumuladas, quando assim surgem, impossibilitam estabilidade no rumo das palavras. E nem isso o fez calar.

- Aqui não é o meu Planeta Terra, de certo? Parece muito, mas está tão distante esse ar que circula que estranho demais a presença dessa energia. Conseguiria sentir com mais força, mas cada barreira que os pensamentos me criam a deixam longe do estágio que gostaria de alcançar. Se puder dar meia resposta, sentirei alivio.

- Presente momento não altera resultado. Coordenaria todas as respostas que quisesse, mas estranho estar a perguntar para um desconhecido. Sobre motivos ainda desentendo, sua presença parece um choque e ainda no desentendimento continuam a demonstrar que precisam de bula para cada procedência. Sim, faz médio sentido. Mas alteraria tão pouco, que é melhor deixar como surpresa. Motivaria mais. É aqui sim o seu Planeta Terra. Lindo como sempre observou. Com o sorriso mais largo do universo. Demarcado pela beleza de cada traço que te fez viajar até aqui. Desejando entender, mas entender para que? Quando se preocupa com o que foi e o que está por vir, gera frustração no sentimento de sentir o presente da vida. Essa é a medida certa, tão exata, que passa despercebida.

- Acostumei com Planeta Terra perto do meu colo, acolhendo cada sentimento de uma vez só. Não precisava ligação interurbana, sentia e o destino já era certo. Na postura desejada. Talvez seja falta ou saudade acumulada de forma louca. Coordenar não é o forte dessa missão, se não, haveriam passado o cargo para outro piloto e não eu. Queria teus olhos aqui, queria teus olhos aqui agora. Percebendo a saudade que sinto dos dias perto do solo tranqüilo, onde a mão segura a raiva e some muito rápido. Uma palavra garante muita coisa, mas quando somada com a vontade de falar. Alimenta mais de uma manhã e trilhões de sorrisos gritantes. Mas como voltar para lá?!


- Tudo ao seu tempo Astronauta.

Silêncio.

A chave da exatidão está na tentativa da boa vontade. Empurrando com calma cada detalhe que precisa permanecer ordenado. Esclarecer dúvidas é o caminho que mais se aproxima do conhecimento amplo. Dedicando-se a perceber a vírgulas da razão e compreendo sentimentos.

Silêncio.

Menino se desfez e areia desbotou toda de uma vez só. Contornando um assunto cortado pela metade. Desfez toda latitude presente, desfigurando canais de cores saturadas. Desativando o quadro de luz. Apagou tudo mais uma vez. De uma só vez.

Então seu pescoço estalou e a medula por eterna graça ao Senhor não havia saído para desandar. Permanecia tudo no lugar em seu corpo. Sua coluna permaneceria intacta e não passava de um susto esse chacoalhão, que ao seu fim, prejudicou muito pouco o sono do Astronauta, sobrando quatro horas de sono adentro. Foi só um sonho pesado. Desvendando aquilo que precisa ser dito, mas o silêncio da aeronave prejudica o relacionamento, mas por sua vez, foi bom se entender.

Seguiu assim.




... continua




Leonardo Fonseca

14 de fev. de 2011

Madre.










Mas que saudade que deu,
gritei teu nome pela casa e ninguém apareceu
Era da toalha que estava precisando,
achei que resolveria gritando
Mas sopro de eco falso desceu com os meus dois pés no chão
Lembrando que hoje só posso ter gratidão

Virou lembrança de aniversário de criança
Bolo de chocolate e preocupação
Trazendo em uma vela esperança
Mesmo derretendo dias no fogão

Era mãe, era pai, era tudo
Dona de cada detalhe que hoje habita o ser
Foi sentindo sua falta que aprendi a crescer
Justificando com sua ausência  
Cada passo que foi dado

Controle subjetivo das falhas denotadas no caminho
Percorro no samba de alguém que joga pra lá
Vontade ainda tenho e aos montes
Sigo focado com a força de gigantes

No meio do espetáculo, rendeu-se e parou
Denotou meia dúzia de coisas
Contou o sorriso que faltou
E lembrou-se das rosas

Partidas entre o tempo que não obedece
E os meninos que pisam afoitamente o nosso jardim
Da mente que nunca esquece
Que mesmo com todos os problemas daqui

Você nunca sai de mim.








Leo.

10 de fev. de 2011

#MUNDODALUA - Noções básicas de direção.


Destronado no centésimo giro, registrando a distancia que o separava do solo terráqueo. Soletrando palavras ditas em um passado recente. Pensar nunca foi um problema, mas quando esse ganha muito tempo e espaço, começa a caçoar seu estômago e vira preocupação de energia não pró-ativa. Circulando em suas veias sem motivo algum, deliberando sensações que mereciam motivo maior. Para os dois caminhos há sempre um pé para começar andar. Das divergências entre o correto e o satisfatório. Circular entre tempos parecidos faz com que conclusões sejam tomadas sem o risco da negação fatal. Viciado em cenas parecidas.

Colocava seu corpo para sobrevoar a falta de gravidade do recinto. Enquanto sentado entrou em sono profundo. Quando passou da segunda hora dormindo, caçoando entre sonhos que passavam tão rápidos. Cores apareceram de uma forma brusca, formando triângulos e pêndulos deformados. Pessoas sorridentes e rostos conhecidos. Do colégio onde estudou até as vontades que nunca foram assumidas com gritos maiores. Percebeu então outro lado do espectro, enxergando particularidades despencou seus olhos e soprou com força um susto muito grande.

- Calhou a vir, mas logo percebi que sim. Da África que faz calor e dos nórdicos que ligam bem pouco para existência do Sul. Colocaram nomes e padronizaram todas as cartas enviadas. Ditando Data e Sobrenome para o Remetente. Distorcida essência da praticidade do hábito. Uniformes para exemplificar o Clero. Dia certo para chamar de Amor. Conexões parecidas do drama daquilo que deveria ser guiado por uma onda invisível e não por refrões colantes. Calhou a vir, mas percebi. Percebi tão longe quão desnecessárias são as paredes desse escritório. Da real distância que existe entre o mar e a existência humana. Tudo perto, mas de tão difícil acesso, quando o mais do que necessário é viver e existir. Quando todos deveriam optar em simplesmente acariciar a sua presença entre os outros terráqueos, todos batem cabeça, enfileirando seus corpos por motivo algum. Decifrado em códigos de barras que dizem a Cruz psicológica que abriga cada ser. Chamam tudo de vício, para descartar a possibilidade de não se preocupar só com isso. Esclarecem entre os Pais que as notas são representantes da real avaliação que seus filhos devem ter durante a infância. Que o entardecer só serve para bater o cartão e reclamar tão nojentamente de uma quarta-feira, quando essa tem o mesmo sabor de um sábado a noite. São pontos de vistas.

Ao final da anotação, voltou ao sono pesado. Como copo d’água que te traz novamente a sonhar. E a espaço nave seguiu fixa seu caminho, já fazendo efeito da sua missão. Pensar e perceber a dimensão dos verbos, controlando em gerúndios o telemarketing que te cobra todos os dias assinatura de uma conta que só te faz perceber a superficialidade de basicamente tudo. Caminhando entre os quartos com todas as luzes apagadas, percebo cada peça que foi deixada fora do lugar. Tropeçando e relembrando cada erro e acerto. Cada polegada do invisível a percepção básica. Desorganizar para depois achar o ponto certo.

Diagnosticado em um hospital qualquer, denominaram “Infecção Alimentar” e assinou um atestado, habilitando a possibilidade de folgar durante uma semana. Esquecendo do tempo que para a falta de produção de novidade ali. Mas estava mais distante do que horas atrás. Sobrevoava o clichês da nossa galáxia. Anéis de Saturno e o Vermelho de Marte. Sem cometas e príncipes acoplados em caldas fumegantes. Era o bruto do espaço. Didaticamente dito como tudo que colocaram nos livros. Lógico que a imagem em alta definição te mostra canais de cores que o impresso não permite. Deixa de lado toda explicação e mostra o lado prático da ação. Faltavam muitas horas para Espaço Nave chegar ao novo rumo. Sobrava tempo para tudo que fosse possível, sozinho.

Levantou e preparou um café bruto, com três colheres cheias de pó. Quatro fatias de um pão qualquer e tentou conectar-se, mas a freqüência estava muito baixa para que o sinal surtisse efeito. Se estivesse na Terra, perderia seu tempo com algum telefone gratuito e alguém em seu primeiro emprego tentando te fazer ser educado enquanto seu serviço não atende de forma adequada. Pura Perda de Tempo. Deixou de lado e foi ler.

Platão, Sócrates, Religião, Saramago, Ghandi. Tradições, civilizações e Sufismo. Instrumentos de Sopro e criação em longa escala de galinhas para o abate. Copas, Reis e Valetes. Serenidade e Persuasão. Atingir a liberdade para pensar é pensar em tudo ao mesmo tempo. Ver Esquerdo e Direito como uma mão só e só caprichar melhor quando te exigirem, mas até então, lutar por si só nessa conclusão. Várias opções e uma só trajetória para adotar.

- Proclamando independência atearam fogo em Roma. Destruíram Paris e atearam duas bombas em Nagazaki. Revoluções Francesas, Inglesas e da Industrialização da Vida humana. Encaixando padrões de como se deve gastar o dinheiro doado pelo sistema. Suor de uma partida de futebol patrocinada por grandes marcas que pouco ligam como são feitas as suas orações. Contrário sentido oposto de um mesmo que é raro. Levantaram mastros com bandeiras. Estranho demais essa necessidade humana de usar crachá para tudo e não questionar. Do corte de cabelo justificado, do rosto que já pré-define antes mesmo da paixão acontecer. Se vissem daqui o que vejo, perceberiam o tamanho de tudo isso e quantos sonhos cabem por metro quadrado. As tentativas de viver a vida custam realmente muito caro, nos foi dado sem aviso prévio a possibilidade de nascer, crescer, envelhecer e depois deixar de existir, ainda assim. Pensam em como cicatrizar a eternidade em um dia só.

Com um pedaço de papel na mão. Só isso.


Oxigênio vira sangue e cabe então acreditar nos sentimentos e nos jogos que são perdidos, mas tão necessário quanto cada sorriso de criança que acaba de perceber a graça de estar aqui. Participando como gigante de algo que pode sempre ganhar uma proporção maior do que tudo que já absorvi até agora. Existir, viver, perceber, concentrar, conectar ao que vale a pena e dar boas risadas. Tudo isso antes que o dia vire noite.

Assim as horas foram passando.



...continua


Leo Fonseca