16 de mar. de 2011

#MUNDODALUA - Exploração conclusiva em primeira pessoa de uma missão que não teve fim

Com as costas cobertas de areia, levantou e bocejou. Avistou todos os cantos possíveis. Seus olhos diziam ser ali uma praia, estavam banhados por todos os cantos, diversas ondas e pequenas casas espalhadas. Pessoas organizando suas varandas. Simples, pareciam feitas com bambus, construídas a mão, enfeitadas por orquídeas de diversas cores. Vermelhas, amarelas. Crianças correndo e cachorros sem coleira, todos atrás de uma bola que veio até o Astronauta. Patente deixada de lado após fatídica explosão, acontecida a sinônimos anteriores. Discorrida em detalhes pelo narrador. Sobreviveu e isso que importa para que a história tenha conclusão. Partiu da Terra a meses e perdido no espaço pensou um pouco de tudo, mas nem toda solidão foi suficiente. Cabe a ações dizer os componentes certos para que a narrativa tenha uma ordem sincera. Compatível com o desejo do ser que se preocupa tanto com as horas. Escolhe o programa do almoço, pingando gotas de alguma coisa que não engorda. Tomou remédios e perdeu a sensibilidade. Ansiedade, não teve. Espatifou-se, foi essa a missão e seu fim. Todo início é predestinado a terminar. A morte após cada dia respirado. Tendência, sistema natural, ordem natural da evolução. Estranho é só encontrar-se aqui, deparado a algo que não teve fim e que precisa de um apresso maior. Cair e não explodir é uma segunda chance, avistando ainda um sorriso, que temeroso, esqueci de contar nos verbos espalhados anteriormente.

E assim que eu acho que deve começar o final dessa história. Deixa pra lá o que passou, todos os erros resultaram no poste que foi implantado na frente do meu prédio, mas ninguém percebe. É uma doença louca essa mania de ser trágico e reclamar do ócio. As histórias são pateticamente parecidas sempre. Dizendo a forma de ser e de saber o que está para acontecer. Prefiro terminar bem, como os dias que acordei observando dentro dos seus olhos e o cheiro de todas as coisas boas que estão espalhadas pela espaço nave. Enquanto formava pensamentos novos e aceitação ao novo ambiente, nosso Astronauta continuou somando a situação em que vivia. Como uma tartaruga tirada do casco, ou aquele que perde uma moeda e reclama da fortuna. Avaliar é a forma mais fácil de abstrair os melhores momentos dessa vida. Tapam os dois olhos e nem percebe. Seguia reta a menina que o recepcionou, ainda em silêncio. Ajudou-o levantar e sem protestos o puxou a caminhar. Era simples e calma, transparecia ser de pouca briga e mais questionamentos leves. De como água deve fluir pelo corpo quando absorvida. Parecida com a respiração bem realizada. Seguia.

Trezes minutos de caminhada os levaram até um chalé, onde foram recepcionados por diversas pessoas, muito parecidos, mas todos diferentes. Sorrisos grandes e outros tímidos. Reparando no forasteiro que ainda trazia consigo a estranheza das vestes de um Astronauta. Muitas mãos vieram até ele, limpando a sujeira espalhada na armadura branca, enquanto a menina partia para o canto da sala. Houve ali uma nova sensação, novidade para o coração que até o capítulo anterior, parecia só se preocupar em bater e ser funcional. Estava protegido. Dois rapazes agarram sua mão e o levaram para o centro do chalé, após dois passos a sua mente desligou e seus olhos fecharam como uma pancada forte, seu corpo foi ao chão. Deve ter sido um susto, mas esse resultou em desmaio. Aqueles que estavam mais perto acudiram, mas tentaram não mover muito o corpo, para que problemas maiores não ocorressem.

Levado para uma sala de repouso ele dormiu por dois dias seguidos. Ao acordar percebeu vestir roupas de uma cor só. Calças leves e uma camisa feita à mão. Percebeu uma movimentação estranha fora da sala, levantou e foi averiguar o que se passava. Pessoas formavam um círculo em volta de um senhor, como nos clichês, barba branca, sentado em um banco. Pareciam todos maravilhados com cada palavra que soava ali naquela reunião. Após perceber o último rosto presente, como um cheque mate o senhor deu de encontro aos seus olhos viajantes. Fixos em uma conexão transparente, ele continuou a dizer suas palavras e as pessoas continuaram a observar. Estático, fixos, quando soada aos cantos a canção foi declamada.

- Bem vindo! Acaba aqui a lamentação final de todos os desejos soberanos. Perceba que nunca quis nada. Foi superficial, foi idealizado por planos padrões. Aprenda aqui a novidade, a possibilidade, à capacidade. Excluir as tentações é a forma nobre de inibir as condições que a vida se impõe, mas é interessante se adaptar também, como no mar que a respiração deve ser contida ou as braçadas em uma piscina olímpica. A variação depende do meio e a elevação mental em cada ponto deve sempre ser mantida. Reparando no processo inteiro. Esqueça a preguiça em casa e faça sempre a coisa certa. Certo para você e aquilo que te alimenta. Alimente-se bem também. Maneira de agradecer o maior presente que já te foi dado. Material como tudo aquilo que dizem que tens, mas ao menos de valor ao presente. Ao corpo que há de padecer, mas enquanto robusto, continue a lutar. Tens força o bastante para ser guerreiro e continuar. Errar, cair, levantar, assobiar. Cada qual com a sua dificuldade vigente. Feliz Ano Novo Astronauta. Feliz Aniversário Astronauta. Entendas que aqui é o principio da segunda parte do primeiro momento da sua vida. Após a explosão da Nave Mãe, segue sua linha e parte até os próximos planos. O que couber dentro do seu enquadramento, não deixe de fora. Agregue todas as amizades que te mantém.

Uma vez me contaram a história de um menino muito parecido com você. De um mesmo planeta e de uma mesma condição. Não era de longe e também não morava tão perto. Partiu para lua aos vinte um anos, perdeu-se em becos estranhos, pedindo qualquer poeira para adiantar os relógios. Abstraindo a dor de estar preocupado com a necessidade de estar vivo. Comeu a Lua inteira e ao final do verão percebeu que estava tudo fora do lugar. Lembra-se, não ouviu direito e seguiu para esquerda. Certeza que aquele senhor ali atrás lhe disse que devia seguir pela direita, mas quis complicar, perdeu-se em pensamentos toscos e parou no caminho contrário. De tanto errar, chegou a chorar em desespero. Amparado em braços fortes, clareou a novidade, fez revolução e até mais do que podia. Estendeu uma bandeira enorme em seu quarto e hoje, depois de muitas noites sem dormir. Pode-se dizer.

Que estou muito feliz.


Uma chegada para dia hospedado longe da minha realidade. Astronauta Arima da Fonseca. Perdido no espaço durante anos a fio, perdeu-se dos pais quando ainda tinha tempo, achou uma mão e voltou ao solo e agora pode enfim, viver seu sonho e viver.

Abriu os olhos e era São Paulo, basicamente Zona Sul. Sem capacete, colocou os seus tênis e partiu mais uma vez, é a normalidade, mas agora vista como a aventura de nossas vidas, fazendo emoção na proporção certa, para que tudo tenha sempre muita graça.


Obrigado.


Leonardo Fonseca

10 de mar. de 2011

#ALEATORIO - Conclusão momentânea

Gordinha, tira daí essa bagunça, essas roupas não podem ficar aí. Presta atenção. Olha pra mim enquanto eu falo? É tão difícil parar e ouvir um pouco! Olha essa calçada, vai tropeçar se continuar assim, tentando duas coisas ao mesmo tempo, espaço muito estreito para raciocínios raros, complexos. Explicam para os interessados, mas quem liga para essas coisas? É o canal de vendas disciplinando uma nova maneira de analisar os dias da semana. É clichê demais falar de tempo e assuntos relacionados. Mas por hora, vale à pena tocar no assunto. Veio até aqui buscando uma nova história e deparou-se com a constância de uma verdade que ainda está gerando novidades. É bom encher a boca, não sempre. Pois a gula é um grande pecado. Abstrai neurônios necessários, mas mesmo assim complica. Prefiro perder meu tempo falando de amor e coisas boas de ter por perto em qualquer hora do dia. Remédios são prescritos, pois eles organizam as extremidades do possível, mas a vida é diferente disso. Seguindo a métrica só aprendi o quanto vale a pena prestar atenção no tempo presente. Vigente dos contados minutos que estão a seguir, passo a passo, anulando corredores que ficam. Com a tranqüilidade que falo sobre chocolates e sabores mais leves. Vaguei cabisbaixo, mas de perto, um sorriso como o teu, me faz em tempo real, perceber a vida de um jeito diferente.

Que amarelo que nada, pinta com vermelho essa rosa e não se espeta. Vê se vira menina esperta, vê se canta direito no coral e explica bem o caminho. Se ele se perder, vou logo dizendo que a culpa é tua. Só tua e de mais ninguém. Afinal de contas, a esperteza foi te dada e se gaba aos montes. Cantante aos cantos, dizendo que é potente o seu grito, mas me dedico a completar com fagulhas essa sensação. Raro não perceber, mas lê em meus olhos, pequenos por natureza asiática, ou de algum lugar da Índia. Lembra-me pimenta e temperos fortes. Trazido por portugueses, enquanto procuravam o Brasil que se tornou, acharam que aqui todos os temperos estariam à disposição da nova geração de corações abalados. Mas quase ninguém aprendeu. Continuam aprendendo. Devo dizer que me alimenta bem, mas creio tanto em gnomos que prefiro descansar lendo um livro qualquer. Com letras grandes e assunto fácil, escorrido igual macarrão de mãe. Sem grudar no fundo da panela. Descomplica que segue a fila no começo da semana.

Todo mundo erra, escroto pensar que tem alguém disposto a ser perfeito, cem por cento e com acentos agudos, discutir de maneira arrogante, simulando quem nunca quis ser, mas o meio lhe obrigou. Todo mundo está errado. Existe perdão constante para todos os desfalques. É real demais aceitar a necessidade de um tropeço e analisar com calma a possibilidade de evoluir a partir de um sorriso. Cinco dicas me fizeram tão bem que segui a rotina do bem. Percebi depois de tempo, tudo que me ocorreu e agradeci muito a Deus em todas as vezes que lembrei o meu nome e tudo que faz parte do meu Planeta Terra.

Desculpa senhor tempo, vim para te dominar em todo espaço que já lhe coube tédio, vim para dizer em miúdos. Não vou me explicar. Quero me encaixar no bem estar geral. Uma mesa repleta de amigos e que a vida seja um sorriso, ou barras de chocolate. Só depende do dia da semana e do tamanho da minha saudade.

Para cada segundo de saudade. Um pouco mais de vontade, Santa Felicidade. As vozes falam alto e ninguém está gritando, é um em cada canto, expressando como acha e sem estar errado. Opinando, colaborando e acrescentando versos positivos para as estrofes dessa canção. Queria ser esperto e conseguir desenhar cada sonho meu. Um pouco de tudo aquilo que eu acho resumido, tentando ser menos redundante, expressando coordenadamente.

Bom ver a vida dando certo.


Eis.

Desabafo.


Leonardo Fonseca

24 de fev. de 2011

#MUNDODALUA - Chegada ao Mundo da Novidade


Calcular o tempo equivalente da distância entre o Planeta Terra e o Sol é uma tarefa para contas com X, Y e Z. Barra e número fracionado. Pegue uma folha de papel e circule muitas vezes com a caneta. Aperte o primeiro botão do controle remoto e preste atenção no colarinho do apresentador de TV. O tempo não passa assim. Faziam noites, ou dias, depende do ponto de vista, que o Astronauta não pregava descentemente os olhos, era encostar a cabeça e enfileirar bases sólidas de problemas recentes. Pesados demais para à hora do sono e acostumado a conversar sozinho, só prolongou o bate papo de horas atrás. Estranho nomear como interessantes os dias que estão passando, é como estar de óculos escuro o tempo inteiro esperando por um Sol que bate de pouco em pouco. Praticar a paciência é uma constante aqui, intensificando pelo contrário, lembra-se que tudo que tem humano, foi feito por humano. Errado, criado, efetuado até a carga final. A mão do robô e a massa do pão. Toleráveis os desníveis, em demanda da solidão. Parecia perfeito ainda não estar louco. As câmeras espalhadas encontraram imagens jogadas de momentos de pré-insanidade, dançando em frente ao espelho e gritando músicas, mas creio que todo mundo gosta de festejar o silêncio.

Habituou-se a organizar tudo desde a hora do café, mas no deslize das últimas noites, acumulou pó espacial nas quinas dos objetos da mesa, tanto faz! Sem visitas a importância diminuía. Santa Burrice acumulada na mesmice da semana. Agite antes de beber é um lema espalhado e a cegueira impede o segundo ponto de vista. As estrelas são números e é só girar a cabeça para esquerda que a matemática vira arte, aos presentes, muito bem colocado. Arte combina mais comigo. Estrelas contam tudo, só entende quem pode. Poder é ambíguo, recrimina e discrimina preposições. Imperativo ou superlativo. Romanos lavando suas mãos diriam.

- Você não devia ter feito isso!

É só fazer do jeito certo, que tudo dá certo sempre. Iniciar com a poeira da mesa foi a melhor maneira de explicar o próximo tropeço avisado. Os móveis estavam fora do lugar, às cabines sem lustrar. Era costume perambular pela nave, com capacete encostado na beira da cápsula do sono, que parecia um casulo branco. Espelhada, agora por marcas de gordura. Dali para os grandes corredores sem pressão do ar, nadava a depressão, quicando de um canto para o outro. Faltava algum vídeo game, jornal atualizado. Se houvessem domingos, entretenimento seria o de menos. Mas lendo uma revista da minha irmã em verões passados, descobri que cada ação, tem uma reação. Ilustrando melhor, seria como cheque sem fundo. Ainda há a chance de alguém achar que aquilo ainda vale de alguma coisa, então ele vai e volta. Olhar feio. Respondendo a ação, o alarme começou a soar, atento, o Astronauta zarpou até a mesa de controle, onde vários botões coloridos piscavam ao mesmo tempo. Havia uma tela enorme onde se via os trechos dessa expedição. Parecia tudo intacto, mas foi só pensar que o alarme gritou mais forte.

- Alerta! Alerta! Alerta!

Em miúdos, era problema demais para um só! O monitor enorme desligou e metade dos botões parou de piscar, alguns se mantiveram da cor original, outros ficaram avermelhados e aos poucos todos começaram a desligar sem força humana. Abaixo das cabines de sono ficava a entrada para o maquinário da espaço nave, diferente dos foguetes que estamos acostumados a ver na TV, tínhamos muitas peças emborrachadas, com curvas nas beiradas. Material todo sintético. As peças possuíam um espaço dentro desses objetos. Sem esforços o Astronauta acessou o maquinário. Parecia muito normal, a excelência da posição inicial mantinha-se intacta. O alarme deu mais dois gritos e parou. Coração acalmou junto do sinal de alerta. Simultaneamente correu para ver se estava tudo bem no restante da nave e percebeu que estava tudo no lugar. Porém, no balanço das coisas. Painéis desligados e baixa luz. A espaço nave seguia sendo levada pela pressão equivalente. O motor parecia desligado, assobiava baixo. Mas tocava.

Permaneceu preocupado durante meia dúzia de dias, redundante como águas passadas, trouxe a tona o desprezo pelo presente e descansou. Foram absolutos quarenta dias descansando. Assistência técnica espacial leva mais de duas vidas para chegar e atender os problemas da nave. Descansar era uma boa pedida. Imagine vários Domingos espalhados nas folhas do calendário, com a peculiaridade de não haver luz. O que você faria? Só o calor impediria sonecas prolongadas, siestas intermináveis. Sem esforço o improvável aconteceu. Fazia muito calor por todos os cantos, inclusive dentro do casulo de dormir. Os dias esquentaram aos montes, sem seu guia ficava complicado saber e o calor se tornou desespero pela primeira vez. Todas as probabilidades negativas estavam presentes em um enredo só, somente mãos boas considerariam a vida desse Astronauta. Precisou de fogo para acordar.

Tornou-se impossível contar os dias, o calor tirou toda concentração daquela cabeça. Estudos dizem que quinze dias são o suficiente para que todos se acostumem com novos hábitos, sejam eles bons ou ruins. O ruim torna-se vício e o correto um bom regime, vida com qualidade e leveza. Suficiente para memórias agradáveis. Com seu filho, férias passadas, antes de partir. É de costume sentir o calor do litoral no mês de janeiro, entre os dez primeiros dias, ligados com o ano que acaba de começar. Foram dias bons na fazenda também e fazia muito calor. Rotina estraga relacionamento, em novelas dos anos oitenta já era mais do que banal. Assunto passado. Resumindo. Viciou-se, caiu na rotina do contrário, foi direto para cereja e esqueceu-se da massa do bolo. Encontrar alguma solução era o único passatempo visível para essa temporada de calor. Fuçando, ouviu um aparelho velho ligando na mesa de controle. Direto ao foco do ruído remanescente, ouviu monitor enorme iniciando. Milagre ou sorte de preguiçoso.

- Astronauta você consegue me escutar? Estamos perto do Sol! Estamos perto do Sol!

E logo tornou a desligar

Conheço bem sorrisos e seus propósitos. Fiz tudo errado até aqui né? Devo realmente me preocupar nessa altura do campeonato? Essa fantasia ridícula me deixa com vergonha. Nunca vou tirar aquela menina para dançar. Sim, o tempo passou e você não aproveitou, agora se acha assim. Desse jeito aí! Dá vergonha de sair dessa tal cabine do sono. Era o mais esbelto da turma e adorava o jeito que me admirava. Errei. Mas que discurso que cabe para o presidente dessa besteira? Era calor demais para Astronauta algum atenuar seus pensamentos. Sem efeitos especiais a espaço nave se tornou em poucas horas depois do arrependimento uma imensa bomba em movimento, a inércia causou fogo na ala esquerda do foguete, devido alguma explosão recente. Voava mais rápido do que antes, resfriando o calor e o coração. Percorreu o céu quanto pôde, desenhando linhas brancas por onde passava, se soubesse antes que haviam planetas a mais na nossa galáxia, tinha prestado mais atenção nas meninas da minha sala do que naquela professora. Escandalosa, mentiu! Mercúrio, Venus, Terra? Sol? Famigerado sol, delinqüente. Quente, não! Ali não haveria somente o sol, não nessa história.

Grande esfera surge no vazio e a espaço nave caminha em alta velocidade nessa direção. Logo rompera órbita desconhecida. Continuava bem rápido, então cortou algumas nuvens e adentrou um planeta novo. Havia pressão atmosférica e a velocida triplicou. Sedado até aqui o corpo do Astronauta vagava com os movimentos, seguro pelo casulo.

Até o momento da explosão final.

Destroços espalhados em uma praia de poucas ondas, parecia uma lagoa enorme ligando ilhas em forma de pequenas esferas, bem dispostas e organizadas. Havia casas de madeira pré moldada em todos os cantos ali. Sorte dos habitantes, o foguete não promoveu nenhuma discórdia arquitetônica no recinto. Sem danos ao perímetro. Se houvesse uma maneira de olhar de cima para baixo, perceberia que haviam pedaços maiores em meio jogados na areia. Um bem no canto, sem afetar, mas encostado na divisão entre água e areia da praia. Era o casulo, inteiro. Arranhado, mas melhor assim. Definitivamente melhor assim.

A noite virou dia e como era de se esperar, amanheceu. Movimentos interessantes diziam que aquele planeta possuía habitantes. Extraterrestres? Chame como preferir. Após o ângulo do sol apontar metade da manhã, surgiram meninas de vestido azul, todas bem parecidas, caminhando, pulando, na areia, como se estivesse indo para algum lugar que não fosse ali. Passaram pela cabine, olharam, como deveria de ser, mas não desistiram de sua caminhada, seguiram pulando. Posicionando meio dia, o sol iluminava forte a praia. Toda aquela água calma, azul. Brilhante e calma. Compondo a cena, parecia atrasada, mas vinha com cabelos escuros e um rosto branco. Mais alta do que as outras meninas, uma mulher. Vestido azul, seguindo o figurino das suas conhecidas posteriores. Aquietando os passos, assustou-se quando percebeu aquela cabine jogada na areia. Correu em sua direção, parecia que uma entrega muito querida acabava de ser colocada na caixa postal. Fez força para abrir o casulo, três movimentos e foi suficiente para abrir de vez. Logo deparou com o Astronauta, apagado. Possivelmente morto.

Com as palmas da mão abertas para o sol à menina fechou os olhos, sincronizadamente movimentou seus lábios dizendo palavras delicadas. Confortou com a mão direita o peito do Astronauta, na reta do coração. Não precisou de muito e os olhos do companheiro abriram em um susto tão grande que até ficou com soluço, mas logo se acalmou, foi só perceber o par de olhos que estavam a te acalentar no presente momento. Com a mão posta em seu coração, logo largou e abriu um sorriso para cumprimentar. Tímido o Astronauta também sorriu, fazia tempo que pessoas não lhe sorriam. Sem tempos para pensar a menina ajudou o rapaz a sair dali, esticando cada músculo com lerdeza para não chocar a novidade. O silêncio já fazia mal. Então.

- Menina qual seu nome?

- Estou bem sim, como todos os dias deverias estar.

- Mas só perguntei pelo seu nome.

- Estar bem é colocar-se bem, promover-se para o bem, tranquilamente, estou bem.

Fez-se silêncio denotado por dois sorrisos plásticos, alinhados pela altura dos personagens. O Astronauta manteve-se em silêncio enquanto a menina veio em sua direção e lhe deu um abraço. Sentindo coração com coração, somente o silêncio faria sentido ali. Música aos ouvidos, na calma que precisa ter e na atenção que deve ter um abraço. Perdido no meio da cozinha, solto pelo espaço. Sendo abraço, a gratidão é a reciprocidade do afeto. Percebeu quando ainda seus olhos estavam abertos, a diferença do lugar onde estava. As ilhas em forma de esfera e a praia sem ondas. Parecia um rio, bem calmo. Calmaria espantava qualquer dúvida ou medo, manteve-se abraçando. Até surgir perto do seu ouvido, vogais.

- As janelas estão todas abertas e pode arejar o quanto quiser, não tenha medo do vento. Ele acalma. Componha-se em doses diárias de copos com líquidos valiosos, leves e transparentes. Água pura e cristalina. Perceberá adequação do organismo. Veja, são pegadas na areia, corre pra seguir comigo? Ou terás medo mais vezes? Acalme-se e proteja melhor o que é devido. O despercebido, deixa passar. Mas aquilo que ama, gruda consigo e grita o mais alto que puder. Com pensamentos leves. Homeopáticos e sinceros. Só isso, na medida do que você acha sobre o só! Quer seguir comigo? Pensar demais vai fazer seu cabelo cair antes dos trinta, te dou meia dica se seguir, se quiser ficar, sinta-se desimpedido, escolha tua, mas prometo encontrar muitos chocolates para o lado de lá. É só seguir as pegadas.

Falar desconstrói o mito. Calou-se em pró e não contra. Segurou na mão da menina e seguiu os passos na areia.




Continua...


21 de fev. de 2011

#ALEATORIO - Amor?

Chegou um momento que a cabeça sozinha fica estufada. Desenho muito mal para compor telas. Acho suficiente gastar as imagens em palavras. Estou em uma fase de pensamentos diluídos. Fazer referencia ao que penso, utilizando meus parênteses. Parece uma boa maneira de me distrair.

Eis. Hoje. Falar sobre.

O Amor.

Lançado após segunda mordida na maçã. Esse foi trazido por Bandeirantes desbravadores de braços peludos. Nostálgicos, só ouviam discos antigos enquanto navegavam em busca das Índias. Levaram dias e noites nas lombadas do mar. Balançando, marejando, enjoando os barbudos de estomago fraco. Que até aí, esses com suas caras amarradas, seguravam na maldade o rebuliço estomacal. Complicado pegar no sono em navegações.

Mas logo, o Amor, digo. Os Bandeirantes desbravadores, chegaram em Terras Novas, atrás das Índias, corpudas, carnudas, esculturas, riquezas importadas, entregue em sete dias úteis após o pagamento do boleto bancário.

Ai o amor.

Amor não tem explicação, não tem cheiro e nem uma só canção que o defina. De Beatles a The Who, Doors ou qualquer banda. Todos se amaram, tentaram amar, ou mentiram muito bem. Era Pop, Punk e qualquer veia subversiva de música árabe. Até essa, do Aladin que trai a Princesa e chora as mágoas para o Gênio. Amor de classes sociais, separados por tênis com mola ou correntes prateadas. Depende do gosto e da balada que freqüenta. Mas pode ser amor.

No final, tudo que você colocou na agenda, anotou e somou por fim. Não chega a conclusão nenhuma.

Amor. É de amigo, por que quando confunde, isso pode dar susto não preparado. Mas quando se une razão, percepção, sentimento e o gosto de sanduíche vegetariano no fundo da fome. Quem sabe esse fato não empresta seu nome ao amor por algumas temporadas e vira o Seriado mais assistido da nova década?

Japonês passa o ano inteiro com os olhos fechados, pura perda de tempo. Se assim  pensam que vão distrair suas funções sentimentais. Para muito não precisa de visão. Nem audição, nenhum sensor captaria.

Praia calma, com mais aves do que seres humanos. Crianças fazendo pegadas na areia. Os pais juntos, observando da varanda de casa. Que quando existe Um encaixe. Até o minuto que passa faz sentido.

É mais ou menos isso o que eu acho.



Leonardo Fonseca

20 de fev. de 2011

#MUNDODALUA - Câmbio, ajuda, Câmbio.

Câmbio. Câmbio. Câmbio.

Astronauta na linha. Câmbio

- Preciso agora de um serviço teu, deveras, vai demorar, atrasar e palpitar enquanto favorece essa trama com a suas técnicas, mas estou preparado de todas as formas à aceitar o que está por vir em freqüências pesadas ao meu ouvido. Tenho certo medo de acordar mais uma vez e me deparar somente com o travesseiro. Deveria não me importar com tal fato, mas tem sido tão difícil sentir essa saudade de um cheiro que não consigo desenhar. Não, não é desanimo, me deixa com essa cara fechada, acolhida no calor do meu senso do ridículo.

Câmbio.
Câmbio.

- Otário. Por que chamastes? Acha que é brincadeira deslocar-me de tão distante para ouvir somente que tens medo? Medo todo mundo tem, todo mundo carrega com sigo uma parcela das Casas Bahia, com porcentagens de juro que permitem comprar balcão de cozinha descartável. Todo mundo tem um pouco, cada um com a cada qual que a coluna pode suportar. Alguns menos e alguns mais. Alguns da companhia e outros da solidão. Sei do que fala, mas sei tão pouco como favorecer esse enredo.

Câmbio.
...

Câmbio.

- Incerteza chata, incerteza desprezível. Passam-me missão e discordam em decifrar incógnitas do percurso. Era só de um gosto que precisava. Que me levasse adiante e trouxesse menos palavras para a minha cabeça. Gosto de pensar somente no suficiente, quando passam tempo a mais, acabo fracionando o que não precisa de calculo e assim vou gerando custos a mim mesmo, aqui parado e usurpando erroneamente de meus neurônios, prejudicando meu riso, minha felicidade e meu coração que fica tão chato com o passar dos dias, que prefiro nem comentar.

câmbio, câmbio

- É como todos são. Não foge como exceção. É um exemplar levado por muitos, não todos, pois assim, não venderiam novelas na TV para que muito acompanhassem a ferro e fogo. Ali postados como seres que sofreram hipnose. Estreito e largo, depende do tamanho do seu sapato e da disposição de aceitar as fases e as mudanças. Impossível ter o mundo aos seus braços assim, antes da evolução, antes da consciência do que realmente é Planeta Terra e vida que te espera. É só ter paciência. Sei a bravura do silêncio que corta seu pulso aos poucos, mas precisa respirar com mais calma. Como todos os exercícios que já se comprometeu no passado. Volte e os pratique com mais intensidade. Afasta seu pensamento do cinza e leva lá para o lado de lá. Onde tudo fica mais colorido. Só isso.


Câmbio. Desligo.

Câmbio final


...continua

Leonardo Fonseca