6 de fev. de 2013

_13'_Sobre granadas


Explode seus olhos e dança com estranhos, vestida da maneira mais ridícula que pode fazer nessa noite patética, dando velocidade para pensamentos novos que incapacitam sorriso e dormidas bem realizadas. Postura e posições na cama alteram tragicamente o humor da personagem que tenta caminhar mas como estão pesados os sentimentos no dia posterior ao terror implantado pelo sistema maligno do “ser, estar, poder ser e se ferrar”, quanto quiser, por que na dialética construída pelo asteróide em queda livre, o perímetro encontrado para esperar ser sufocado sozinho, é todo meu e ninguém bota mão suja alguma. Fui convidado primeiro para essa festa, trouxe seus amigos de idiota que é, ninguém pediu nada, nem doces ou salgados, servindo a comédia do roteiro infantil que construiu para si e deseja ver mal acumulado na vida dos parceiros antigos, maquiada como palhaça, desenvolve mal o texto para passar por maluca e assim fazer de conta, só fazer de conta mais uma vez, que tudo não passava de um sonho.

As notas fluíram ao mar dos revoltos da noite passada, mais uma vez, vomitaram escrotamente por todos os cantos, destoaram seus vícios de linguagem, preocupados apenas em completar lacunas sentimentais do coitado que precisava de ajuda para levantar, colocar novas metas em sua vida. Escolher novas promoções para gastar seus papeis coloridos e desejar menos revolta, filmes escalados de mesma métrica, apaixonados, caídos, largados e repetidos. Sigo a falha rotineira do ser humano de percorrer caminhos parecidos por todos os dias da minha vida, mas os pais não ensinam, a vida cobra, te chuta, ignora, deturpa e coroa os menos negligentes.

Balança sua cabeça e deixa subir o poder proibido que te faz falar mais rápido, afunda sua raiva nos meus olhos e como agulhas pontudas, espeta meu coração bem longe do teu, pois essas fadas já não existem mais, o menino esqueceu de voar, ficou neurótico, afoito e preferiu ter contas fixas de celular pós pago, do que aperfeiçoar novidades e contar para os surdos interessados em clichês. Impulsos contraditórios, escolas de rimas, explicando que foi por falta de enzimas que calhou esse mau humor, listados entre dragões e apenas outro rumor, ditando regras para o fim do mundo, com as mãos sujas e o corpo imundo, caminhando sozinho para assobiar a canção que quiser, na solidão sentindo qualquer prazer, daqueles ponte agudos, tocantes mas que ninguém pode ver. Só te desejo longe de mim, para possibilitar caminhar, andar para frente, sem tropeçar, sem repetir fatos falidos, pálidos, empacados em sonecas sem sono no decorrer das horas, enrugado feito senhoras, reclamando a falta de assunto e só por hoje, querendo acabar com o mundo.

Só estou com um péssimo humor.

Leo

3 de fev. de 2013

_13'_Conclusões da vida adulta


Se eu pudesse, nunca me despediria dos dias, na tentativa de fazê-los durarem mais. Daria tempo de te fazer sorrir mais vezes e repetir duzentos e cinqüenta vezes os percursos que mais agradam. Contaria a história dos meus dias aos meus amigos e continuaria a dar risadas, mesmo que os motivos parecessem batidos ou alternados. Importar é o de menos, ocupando a cabeça com detalhes que não fossem ponteiros ou limites de horário. Tocar guitarra bem alto, com o volume quase no talo, solando as besteiras dessa vida, pra não perder o costume.

Com o tempo, o tempo passa e ele retrata o que lhe é necessário, aos jogados do canto de lá, o tempo passa batido, como arranhão de queda em meio aos arbustos do jardim, marcando pouco o leve desastre momentâneo. Aos espertos ficam as tatuagens velhas e desgastadas, contando sobre as viagens, passagens e até mesmo as lágrimas que tiraram férias em semanas longas e cicatrizantes.
Meus amigos criaram asas, partiram rumo ao desconhecido mundo adulto, fazendo lembrar como é importante cultivar nossas raízes e colher bons dias, mesmo com nuvens carregadas que contornam as nossas molduras, eles todos estão crescendo e hoje a barba já faz parte definitiva em grande parte dos personagens, contando os gastos, somando os prejuízos, influenciando os novos que se tornarão como nós.

Que tenhamos sempre paciência para guiar os nossos caminhos, que a saudade venha, mas que ajeite os dias que chacoalharem alem do limite das nossas capacidades de nos manter estáveis. Continuo tranqüilo, sozinho, sorrindo, cantando, sentindo falta, mas dentro desses detalhes, encontrei os melhores guias para me ensinar e assim aprender. Caminho com calma, faço do meu jeito e aproveito o grito livre de todos os dias de nossas vidas.

Leo.

24 de jan. de 2013

_13'_ Poesia de Engate de Caminhão sem Freio


Do “cê” do Coração!
Do ser esquecido de sensação,
“a” do Amargo gosto da tristeza,
Amor do ser esquecido de leveza!

Nobre cidadão, engatou sua carreira,
Fez tão pouco mal, mas esbarrou na cegueira
Da criança estabanada
Que acha que sabe de tudo, mas não sabe de nada!

“Se” de possibilidade, de chance perdida,
de noite desvairada que deve ser esquecida.
Tristeza não vale a pena,
Mesmo que seja pequena!

Deve ser de sorriso cativante,
Para soletrar rapidamente pensamento apaixonante!
Brilho de olhar que sai sem medo,
Felicidade que vem com estalar do dedo.

Doce é gosto batido, mas amargo também!
Nos dias mais cinzas, só lembram o que convém,
Pra perder a hora do trem
Achar que o “logo ali” está próximo e mais tarde ele vem.

Pra comemorar o vazio dos nossos corações,
Ritmados pela velocidade das nossas falsas evoluções.
Mas pobre de mim determinando esses fatos,
Só por que vi raio caindo entre meus atos!

Generalizando coisa alguma!
Desabafando para dormir como uma pluma.
Leveza do esquecido,
Para seguir menos aborrecido!


E mais nada alem disso.



Leo Tse Tung.


21 de jan. de 2013

_13'_Homem de Lata


Admiro coração esquecido, largou saudade de lado e seguiu viagem sem rumo. Por vezes acho isso tão estranho, como gosto de jiló ou fígado de boi, que agrada somente os paladares mais espertos, mas na minha burrice, idiotice, infantilidade, esqueci como se sente com coração, de qual lado fica paixão, cheiro da rosa, o sabor dos seus lábios. Durmo pensando em sonhar com você, como se na concentração desse pensamento, minha vontade viesse a tona e o abstrato ilustraria dias perfeitos ao seu lado. Me policio descartando vícios, mas soa pouco sincero, conduzido pelas regras e concordâncias, mas sem amor, sem sentimento, como o Homem de Lata, no vazio e oco do seu peito. Deixei até de sentir tristeza, de perceber que estou só o suficiente para sentir saudade do Mundo.

Seria o lucro dessa geração, relembrar essência do ralado na rua, do escorregão ao pular o portão. Da bronca de mãe e do apelido dado. Aprendemos a técnica e ao lado das nossas camas ficam as sensações, junto com os livros de cabeceira, pensamentos antigos e sonhos mirabolantes. A vida adulta permite adquirir o Universo, mas as necessidades rudimentares causadas pela rotina, permitem somente ir até a esquina trocar o molho de chave que já não abre mais caminhos passados em outros carnavais.

Só queria ser eu mesmo, sem regras e imposições, sem condições pré-modificadas, pré-analises, química, física ou matemática, sou muito ruim com os números, com a exatidão e aglomerado de segmentações, dividendos e a tal da concordância. Do que vem antes e deve aparecer depois. Escolho tanto, que prefiro silêncio, pois exponho o necessário e torço, pro meu coração voltar a bater acelerado, ritmando os meus dedos, trazendo as palavras certas, para os sentimentos errados e disso, eu sinto muita saudade.

Leo

12 de jan. de 2013

_13'_ Sobre Festas e Refrescos.


Se morrer de vergonha antes da primeira valsa virar motivo de piada, amanhã vão todos dizer nos corredores do colégio, mas minhas pernas estão tão pesadas que não consigo me mover. Preparei meu smoking, combinando com as meias e meu sapato, arrumei o cabelo e passei perfume.

Pra que?

Pra ficar sentado aqui, morrendo de medo! Para ver as pessoas me assistirem parado, incapacitado de caminhar até o outro lado do salão!

Caminhar?!

Caminhar parece simples! Muito menos complicado que valsar! Mas eu ensaiei tanto, olhando no espelho do quarto, preparando as palavras que diria assim que seu sorriso adentrasse a festa. Elegantemente levaria minhas mãos até as suas, puxaria conversa e logo grudaríamos nossos corpos e corações.

Mas eu não consigo levantar daqui!

Mas na facilidade dos passos elevei-me até a direção contraria da minha timidez e soletrei passos encardidos entre as pessoas que platonicamente se amavam por aquela noite. Devidos amores temporais, apaixonados, agudos e sentimentais. De suspirar caminhando, de mastigar pensando, de torcer pra acontecer de novo, de deixar marca no pescoço, trocar telefone no guardanapo da lanchonete. Elogios, risadinhas sensíveis e troca de olhares.

E eu?

Continuei caminhando, procurando abrir espaço sem estragar nenhuma obra de arte do amor. O tempo estava passando rápido demais e logo, em definitivo, os pares se completariam e a marcha fúnebre iniciaria, descartando-me das fotos do anuário, pois insegurança tamanha do coração impediu fazer história nessa noite, como em todas as vezes que o silencio fez-se orquestrado e contemplou por horas malignas historias passadas, intercalado entre lágrimas reprimidas, secas e expostas aos fracos. Sentir e deixar passar é como perder e não ter inteligência, compreender pouco sobre a necessidade de agir e o terremoto destrói a cidade inteira.

Sem você sair do lugar!

Como quem rema contra maré, aos pingos de suor, desencadeei suficiente espaço e no famoso, outro lado da festa, busquei refresco em goles de ponche gelado. Contornando com os olhos todos meus colegas presentes, separado por virgulas e goles. Estranho ser invisível, ser pouco reparado, ser encantado e não ter poder. Mas dentre todos, somente meus pensamentos me acompanhavam. Esses mandam muito bem. Repetem piadas e permitem idiotices. Em par, consigo conectar assuntos menos tensos e vejo coração bater com mais calma.

Assim, com meu copo de ponche, refrescado, dei voltas em círculos para administrar demasiadamente minha clichê solidão. Aos blasés estocados, escondidos em seus detalhes arrogantes e do alto de seus pódios solitários comemoram algo que só eles compreendem, passo batido, sem equiparar defeitos, mas desses estranhos seres complexados, prefiro distancia. Melhor assim essa noite.

Sozinho não fico mais, depois que conquistei esses goles gelados!

E de que maneira encontraria essa noite a garota dos meus sonhos? Sem antes saber se ela gosta das mesmas bandas que eu? Sem saber se ela prefere o Revolver ou o Álbum Branco dos Beatles. Se já se apaixonou ouvindo Smiths e sentiu-se renegada como Kurt Cobain. Se é Clash ou Rolling Stones. Isso é muito difícil.

Ela nem deve saber de nada mesmo!

Equiparando Clarice e Zélia, falando que as cartas são importantes, mas que sentimentos são todos iguais. Os meus e os seus, sem reparar na quantidade de goles que dou e ao menos perceber que o tempo continuava a passar. Que desculpas esfarrapadas despistam somente os tolos e entrar para esse grupinho seleto, estava longe do meu objetivo para essa noite.

Como estudar para o vestibular e resolver voltar para casa depois de ter só desenhado algum símbolo escroto na folha principal do gabarito. Treinar por diversos dias e desistir da competição!

Dei o último gole no refresco, o mais longo da história dos goles! Somados a dois passos estabanados e esbarrei com tudo em alguém. Ridiculamente cai no chão enumerando planos infalíveis para sumir dali. Criaria asas, faria um túnel, explodiria bombas ninjas e sumiria na nevoa branca. Simularia dores no corpo inteiro, rolaria ou rastejaria feito minhoca até a saída.

Sensacional é estipular milhares de cenas e não projetar nenhuma, pois a realidade é imutável, não sempre, mas o lado direito nunca vai deixar de ser o lado direito, o erro nunca vai ser acerto e uma grande esbarrada, com certeza, não vai deixar der ser uma grande esbarrada. Como o Titanic afundando e a Rose se despedindo do Jack, ali seria o meu fim do mundo.

Incrível é a capacidade de imaginar e ilustrar tragédias, como o rosto que se prepara para o tapa. Fecha os olhos, entorta as bochechas e reprime todos os músculos do corpo e ao contrário disso tudo...

...sente uma mão te levantando.

Mão delicada, tão quanto sua dona, capaz de tirar do chão esse pequeno e estabanado pingüim fardado, com cara de idiota e sem jeito nenhum para olhar para frente,
mas ai o tempo parou.

Desenvolvi todos os textos, mas fiquei calado, por nada fecharia meus olhos ou desejaria estar do outro lado, estou aqui, bem aqui e não era para estar em nenhum outro lugar. Como os números que batem quando as roletas param e dizem que você tirou o grande prêmio.

Com uma voz linda, me perguntou se estava tudo bem!

Encantei-me! Agradeci pela bondade, pedi desculpas. Seus olhos brilharam e fizeram entender que estava tudo bem.

E no meu maior ato de coragem da vida...



...Sai andando e disse "até logo", pois nunca fui uma pessoa corajosa.


Triste fim de uma noite perdida.



Leo Fonseca, sobre minha grande timidez.